O Poder no Sentir

4 Capítulo II - Parte 1: A Festa de Primavera


Notas iniciais
Boa leitura, espero que vocês gostem

Nova York, 20, março de 2017. 06:15 AM

— Acorda sua louca, rápido. – Disse a Laura jogando um travesseiro em cima de mim.

— Para Laura, não é porque você acorda de madrugada que todo mundo tem que acordar.

— Já era pra você ter se acostumado a essa altura da sua vida, você sabe que ela não consegue deixar a gente dormir. – Falou Raquel levantando da cama.

— Hoje é o dia mais legal do ano, não me julguem se eu estou animada.

— É só mais uma segunda feira. – Respondi virando o rosto me cobrindo e voltando a dormir.

— Acorda!! – Disse a menina me chacoalhando.

— O orfanato faz milhares de eventos pra arrecadar dinheiro, e todas elas são horríveis. – Disse tentando justificar meu desanimo.

— Tenho que concordar com a Lu nessa. – Disse Raquel enquanto entrava no banheiro.

— Vocês estão falando isso porque nunca foram à festa de equinócio da primavera, essa é a única festa que nós não precisamos ajudar, sem falar que e a única em que os dois pavilhões do orfanato podem interagir de verdade. – Laura explicou

— Agora eu to começando a gostar. – Falei levantando.

— Só foi falar de macho que ela se anima. – Raquel gritou do banheiro.

— Fica quieta garota. – Respondi.

— Parem de brigar, deixem tudo que vocês vão precisar pra se arrumar, para quando voltarmos da aula não demorar, assim chegamos primeiro e pegamos lugares perto do palco. Separem roupas bem alegres. – Falou a Laura que logo depois foi arrumar suas coisas.

Levantei da cama, comecei a bater na porta do banheiro e gritei igual uma louca. — Vai rápido ai garota!

— Para de ser chata e vai usar o banheiro comum. – Respondeu Raquel.

— Só nos seus sonhos. – Falei em tom de deboche e fui para o closet separar uma roupa para ir à festa mais tarde e arrumar o meu material escolar.

— Pronto acabei, pode usar. – Falou ela saindo do banheiro um pouco depois.

Entrei no banheiro tomei um banho rápido e lavei meu cabelo, sai do banheiro só de toalha e percebi que as meninas já não estavam mais lá, não sei por que não me esperaram pra ir tomar café eu nem demorei tanto assim no banho, olhei no relógio só pra ter certeza e percebi que já eram 6:50h. Talvez eu tenha demorado um pouco, me sequei vesti o uniforme correndo e nem sequei meu cabelo, peguei o elevador e apertei o botão para o térreo onde ficava o refeitório.

O prédio do orfanato é muito bonito, tanto o pavilhão feminino quanto o masculino, ao menos pelo lado de fora o masculino parece ser bonito, mas sei lá NE nunca entrei lá dentro não que eu não tenha curiosidade pra ver como é lá dentro, e só que não é permitido mulheres no pavilhão masculino, nem professorar mulheres eles tem. Assim como no pavilhão feminino e proibido homens, até o pessoal da manutenção e mulher.

Além da bela arquitetura é decoração impecável o prédio e funcional e bem organizado, cada andar tem sua função, mas isso é papo pra outra hora. Saí do elevador e fui direto para o refeitório, encontrei as meninas em uma mesa perto das janelas.

— Vocês me deixaram sozinha, me senti abandonada isso machuca meu coraçãozinho tá. – Falei fazendo uma vozinha de criança pidona.

— Para de drama e vai pegar seu café antes que as frutas boas acabem ou você fique sem tempo de comer, ou você não olhou a hora ainda? – Laura falou em um tom meio rígido.

Levantei as mãos em sinal de rendição e falei. — Tá bom mão to indo.

Vi o que tinha para o café e hoje parecia que eu estava em um hotel igual dos filmes que eu assistia, nunca tinha visto um café da manhã com tanta variedade de comida, tentei não me levar pelo meu olho e peguei somente um pouco de salada de frutas, suco de laranja, um pouco de requeijão e duas bisnaguinhas. Fui em direção à mesa das meninas e sentei conversamos um pouco e a Laura disse.

— Já vou indo, tenho que passar na quadra pra pegar o uniforme novo que o time vai usar no campeonato, vejo vocês na aula de química.

Terminei meu café e fui andando pra sala, à louca da Raquel lembrou que precisava pegar uma partitura e saiu igual uma maluca correndo pelo corredor, cheguei à sala e sentei no meu lugar de sempre, na sala só tinham mais três meninas as três outras que moravam no orfanato, nós que morávamos aqui sempre chegávamos mais cedo que a galera que só estudada na Washington, eu não expliquei pra vocês como funciona a escola, nem o orfanato eu sou meio lerda.

Bom, nós temos o orfanato Washington que e dividido em dois pavilhões, ou seja, dois prédios, o masculino que se chama George e o feminino que se chama Martha, os dois são exatamente iguais quando se fala de estrutura.

Os três primeiros andares dos prédios são os andares educacionais, aqueles onde se encontram a escola, sendo que no térreo nos temos as salas de aula e o refeitório, no primeiro andar as salas de oficinas e os laboratórios e no segundo andar, a creche junto com a pré-escola, a maternidade onde todos os bebês se encontram, em quartos com oito a doze crianças em cada um e por ultimo a enfermaria, mas conhecido como lugar em que eu faço meu estagio.

Os dois últimos são onde se encontram os dormitórios, dentro de cada andar de dormitório se tem aproximadamente 20 quartos, no quinto andar se encontra todo mundo que tem mais de oito anos, neste andar tem dois banheiros comuns e 25 quartos, dentro de cada quarto a um pequeno banheiro e moram três crianças. No quarto andar se encontra todas as crianças que tem entre 3 e 8 anos, neste andar se tem apenas 22 quartos, todos sem banheiro e com 5 crianças em cada um, neste andar se tem seis banheiros comuns já que as crianças tem horário para tomar banho e não podem fazer o mesmo sem supervisão.

No terraço tem um pequeno cômodo onde se tem uma sala de TV e jogos, um pequeno laboratório de computadores que pode ser usado para recreação, só é permitido o uso de duas horas diárias de computador por pessoas, sendo que as mesmas podem ser acumulativas até chegarem a 10 horas acumuladas, o departamento de TI da escola fez um programa muito detalhado para cuidar disso, afinal eram poucos computadores e muitas pessoas para usa-los, as horas tinham que ser muito bem divididas. Em cima deste como tem uma placa solar enorme.

Do lado de fora do terraço, tem uma pequena estufa onde são plantadas algumas flores pela galera que faz jardinagem essas flores são vendidas na lojinha do orfanato, também se tem plantado lá algumas frutas que não conseguem nascer na horta, essas frutas são consumidas pela galera que mora no orfanato. O equipamento de observação do céu e o ultimo detalhe que se tem no terraço, ele é usado pela galera da oficina e também para recreação caso a oficina não esteja usando.

Do lado de fora tem um pátio bem grande com um campo de futebol, uma quadra de vôlei de praia, uma quadra fechada a horta, os vestiários e a piscina que uma das poucas áreas comuns do prédio só se consegue ter acesso à piscina pelos vestiários e mesmo ela sendo área comum nunca e usada por meninos e meninas ao mesmo tempo, já que ela tem escala para uso e não pode ser usada para recreação o que é uma tristeza.

A área administrativa também e parte comum do prédio, ela liga uma ala do prédio a outra, em cima da área administrativa se encontra o mini centro comercial do orfanato de onde vem grande parte do dinheiro que mantém o mesmo funcionando, nele são vendidos tudo o que se é produzido pelos alunos nas oficinas, sendo esses produtos, arranjos de flores, peças de roupa ou de arte, bijuterias, além de serviços em áreas como informática e tecnologia.

As pessoas que trabalham neste centro comercial são os próprios moradores do orfanato, quando se faz 16 anos e permitido arrumar um emprego caso você queria juntar dinheiro para quando for embora, já que nessa faixa de idade já não se tem mais esperanças de uma possível adoção e em muitos casos não a vontade de ser adotado, e mais vantajoso para o adolescente juntar dinheiro e ir viver a vida depois dos 18. Caso você trabalhe no próprio orfanato 15% do que você recebe e descontado para o orfanato, se você trabalhar em outro local 20% e descontado.

Acho que é só isso que se tem pra saber sobre o orfanato por enquanto, acho que vou explicar como funciona a escola agora. A escola se encontra dentro do prédio do orfanato ela funciona em período integral, sendo em um turno colégio normal e no contra turno atividades extracurriculares e cursos técnicos. A escola do orfanato e aberta para pessoas de fora, e elas podem escolher estudar um turno só ou em período integral, o que altera o preço da mensalidade que também é uma grande fonte de renda para o orfanato.

Acho que é só isso que eu tinha que explicar pra vocês. O time foi perfeito, por que as meninas acabaram de entrar na sala de aula, olhei em volta e vi que algumas garotas que não moravam no orfanato já haviam chegado também.

— Que cara de quem tá em Marte é essa menina? – Perguntou Raquel

Eu ia responder quando a professora entrou na sala, tive uma aula chata de química e depois história e inglês. Depois do almoço fui para os laboratórios, no período da tarde eu me separava das meninas já que cada uma de nós fazia uma coisa. Hoje eu teria aula de anatomia no meu curso de enfermagem, depois da aula fui para minha atividade extracurricular, eu faço aula de dança então automaticamente estou na equipe de líder de torcida, o campeonato regional de esportes e daqui a duas semanas então a treinadora da pegando pesado com a gente.

Depois do treino eu estava acabada, subi para meu quarto e estranhei quando não achei as meninas lá, talvez ainda estivessem lá em baixo, tomei meu banho começando a me arrumar já que eu sou sempre a que mais demoro. Sai do banheiro e a Raquel entrou correndo, a Laura tinha tomado banho no banheiro como e já estava vestida terminando de fazer sua maquiagem. Fiz uma maquiagem simples no meu rosto e coloquei um vestido bem colorido que a Raquel tinha feito pra mim, era a melhor roupa que eu tinha.

Estávamos todas prontas e já eram 17:40 o festival começaria as 18:00 com o por do Sol então resolvemos descer, o festival seria na grande praça que tem em frente ao orfanato, o local estava muito bem organizado e colorido, haviam algumas barracas como se fosse uma feira e um pequeno palco no fundo, eu nunca tinha visto tantas flores diferentes em um mesmo lugar.