Alemanha, Frankfurt, novembro de 1998

As obras aconteciam a todo vapor, Isabella comparecia por pelo menos três vezes na semana para acompanhar os trabalhos, mais devido seus problemas respiratórios não podia ficar por muito tempo no local, a poeira fazia muito mal a ela.

Talvez por isso sua amizade com Edward e alguns funcionários e voluntários da Instituição Lar da Minha Vida tenha crescido cada vez mais, uma vez que, para fugir do mal-estar corria para a instituição.

Entretanto ela não conseguia esconder o medo, eles tinham que terminar as obras ainda esse mês, seu tempo estava se esgotando, em sua ultima estadia no hospital o medico havia lhe falado de um prazo de 5 meses, prazo esse que se acabava em dezembro.

Respirou fundo e procurou não pensar mais nisso, olhou em volta do parque Palmengarten e se encantou com a paisagem, estavam no auge do outono, as folhas das árvores mudaram gradativamente de tom e começaram a cair, uma decoração singela da natureza.

O frio tornou-se mais intenso e o sol escondia-se por detrás de um manto nebuloso, cinzento e entristecido, da mesma forma que seu coração. O verde simplesmente evaporou, para apresentar agora os tons típicos da época, do verde ao amarelo, do castanho ao vermelho.

Os caminhos repletos de folhas que entram na última fase da sua existência o deixavam mais fúnebres e envolventes. As árvores se despindo se preparando para o Inverno que está batendo à porta.

Sorriu diante do que via, uma bela imagem que há muito tempo Isabella não apreciava, pois antes enxergava beleza, entretanto hoje, sentia-se semelhante a sua Alemanha, as folhas sem vida impregnada em seu ser, pouco a pouco foram lhe dando tchau, lhe preparando para a batida fria da morte.

Alheia ao que estava a sua volta Isabella caminhava olhando para as arvores, sentindo-se nua, sem vida como elas lhe pareciam, e chorando internamente por saber que ao fim desse ciclo, com a chegada da primavera elas voltariam a serem belas e imponentes, já ela própria jamais teria esse prazer novamente.

- Isabella!

Seguindo o som mais doce e belo que ouviu em sua vida virou para se deparar com ele, lindo, simples e encantador, de mãos dadas com uma bela donzela, que certamente era tão doce como ele.

- Edward!

Ele sorrindo se aproximou.

- Curtindo o dia de sábado? – perguntou.

- De certa forma sim. E você? – questionou olhando para a garota que lhe encarava com seus lindos olhos azuis.

- Curtindo um dia de pai – olhou para sua filha – Isabella essa é minha pequena Rose!

- Olá Rose! – cumprimentou a jovem que lhe sorriu.

- Oi. – respondeu timidamente.

- Ela parece com você! – comentou.

- Que isso, não sou tão belo a esse ponto!

- Não se subestime!

Os olhares de ambos se encontraram, ficando preso diante do magnetismo que existia entre eles e que por incrível que pareça ainda não haviam se acostumado.

- Papai vamos! – disse Rose o puxando pela mão chamando atenção para si.

- Oh desculpe atrapalhá-los! – disse Isabella constrangida.

Edward olhou para o relógio e sorriu.

- Ainda temos tempo, se quiser pode ir conosco, ser criança às vezes é divertido.

- Não... Iria atrapalhar o momento de vocês!

- Vamos tia, assim você fica comigo enquanto papai compra pipoca.

Isabella ainda tentou escapar, mas acabou cedendo ao apelo dos dois Cullen’s sem nem ao menos saber o que fariam.

Andaram um pouco até que ela se deparou com um cinema em estrutura antiga, a porta em forma de arco e lâmpadas vermelhas em volta, que devido ao horário estavam desligadas.

O piso parecia um tabuleiro de xadrez, com cerâmica em preto e branco, nas paredes, a pintura parecia uma bagunça de cores e para completar havia somente uma sala para filmes, e em cartaz um filme antigo, clássico da Disney A Branca de Neve.

Isabella sorriu, ela nunca viu qualquer filme do gênero e já estava começando a ficar arrependida, definitivamente ela odiaria cada minuto do desenho.

Edward fizera questão de pagar sua entrada deixando-a constrangia, ela possuía bem mais dinheiro que ele, ela que deveria pagar tudo.

Sendo guiada por Rose as duas se acomodaram na poltrona no meio do cinema, não havia muita gente dando oportunidade de escolherem seus lugares.

- Eu fiquei tão feliz de estar passando A Branca de Neve – comentou a pequena Rose batendo palmas – Agora só vai faltar assistir A Dama e o Vagabundo!

- Você gosta dos desenhos? – perguntou Isabella curiosa.

- Sim. Papai sempre lê as historias para mim... É legal assistir também! Qual o seu filme predileto?

Isabella gelou com a pergunta da menina, afinal ela não poderia dar a resposta verdadeira, que as únicas vezes em que foi ao cinema os filmes que viu eram bem diferentes, titulados como pornô e que ao invés de pipoca a degustação que fazia era do gozo de algum desconhecido.

- Hum... Eu não lembro o nome... – disse receosa, sentindo um alivio logo em seguida pelo fato da jovem ter mudado de assunto.

Não demorou muito para Edward encontrá-las, carregando três sacos enormes de pipoca com três copos gigantes de refrigerante.

Ela sentiu lágrimas brotando de seus olhos, entretanto conseguiu segurá-las, a última vez que comera pipoca em sua vida foi antes de sua mãe voltar ao hospital para nunca mais voltar viva para casa.

Quando colocou o alimento branco em sua boca, mastigou lentamente apreciando a barulho e o sabor salgado e viciante, tomou um pouco de coca-cola e se viu gostando do liquido que sempre lhe privaram de experimentar e que depois, mais tarde quando se viu livre esqueceu-se de atender seu desejo infantil, experimentando somente sabores de bebidas alcoólicas.

As luzes se apagaram, o filme começou a ser rodado, a velha historia da madrasta malvada que para muitos chegava a ser enjoativo, para Isabella era uma novidade.

Surpresa viu-se comendo a pipoca com rapidez quando o caçador fora ao encontro da princesa para arrancar-lhe o coração, se viu segurando as lágrimas quando a princesa estava perdida na floresta e sentiu-se aliviada quando ela encontrou nos sete anões a amizade.

Com os olhos presos na historia, desejou poder ser a princesa e poder sorrir com tamanha facilidade como ela conseguia diante de algo tão bobo.

“Agora é a sua vez!” – disse Feliz.

“Minha? O que querem que eu faça? – disse a jovem curiosa.

“Conte uma história?” – disse Soneca, para logo em seguida todos repetirem juntos a mesma frase.

“Historia?” – questionou a princesa.

“Verdadeira” – pediu Feliz.

“Uma história de amor” – pediu Dengoso.

“Bem, era uma vez uma princesa...” — começou Branca de Neve

“Essa princesa é você?” — perguntou o Mestre.

A jovem confirmou acenando a cabeça “Ela se apaixonou...” disse docemente.

“E isso foi difícil?” – perguntou Atchim.

Assustada consigo mesma Isabella se viu ainda mais curiosa que o próprio anão.

Afinal, como era se apaixonar?

“Foi até muito fácil, qualquer um veria que aquele príncipe encantando era o único para mim...”

Incapaz de segurar as lágrimas, a adulta Swan que sempre se sentiu alto suficiente, estava sentindo-se pequena, minúscula, morrendo de inveja de um desenho animado, querendo ter vivido uma única vez à certeza de ter alguém que fosse feito para ela.

“Ele era forte e bonito?” perguntou o Mestre

“Era grande e alto?” perguntou Atchim logo em seguida.

“Não existe outro como ele em lugar algum...” os olhos da princesa brilharam e Isabella sentiu o gosto salgado de suas lágrimas que nesse instante desciam sem qualquer receio.

“Ele disse que a amava?” – perguntou Dengoso.

“Te roubou um beijo?” – perguntou Feliz.

Isabella sabia que ele não havia feito nenhuma dessas coisas perguntadas pelo que já havia visto do filme, mas ela também sabia que ambos, o príncipe e a princesa haviam se apaixonado algo que jamais ela haveria de sentir.

Será que na vida real é como nos desenhos? Questionou-se dolorosamente.

“Era o meu romance
Eu não resisti

O sonho que eu sonhei
Há de acontecer
O castelo que eu imaginei
De verdade, ele um dia há de ser”

‘Hum...Mulheres” – disse Zangado e Isabella não sabia se chorava ou ria do comentário do pequeno ser, afinal, esse comentário combinaria muito consigo mesma do que qualquer outro já dito no filme.


“O meu eterno amor
Um dia encontrarei
E feliz eu irei viver com esse amor
No sonho que sempre sonhei”

Viu o carinho que eles tinham um com o outro, o cuidado dela antes deles trabalharem na mina, viu a bruxa na tentativa de matá-la e quase conseguindo e por ultimo desejou do fundo de seu coração encontrar um príncipe que pudesse lhe devolver a vida em um beijo de amor.

Mas amor não existia, e mesmo que existisse, mesmo que ela finalmente encontrasse o seu príncipe encantado, de que serviria? Se ela não era mais capaz de amar!

Quando o filme acabou Isabella ficou calada a maior parte do tempo em um verdadeiro questionamento interno, entretanto atendeu ao pedido de Rose e não os abandonou em nenhum momento, até mesmo deixando a menina na porta de casa.

Ela procurou ser gentil com Esme a mãe da menina, entretanto percebeu um olhar especulativo, analisando seu corpo de forma descarada deixando Isabella envergonhada.

Rose chorou ao ter que se despedir de seu pai e em sua mente voltou todos os dias que chorou pela falta do seu.

Quando já estavam no carro Edward quebrou o silencio.

- Fiz algo de errado?

Ela estava viajando em pensamentos e nem ao menos escutou cada palavra que ele lhe disse.

- Oi?

Ele suspirou.

- Você não é muito de sorrir ou demonstrar emoções... Mas depois que saiu do cinema ficou mais calada o que me faz pensar que talvez tenha feito algo errado! – disse olhando para a avenida relativamente vazia, levando em consideração que ainda era dia.

- Impressão sua! – disse friamente.

Ele sorriu tristemente, afinal, não se deixou enganar pela mentira que ela estava querendo afirmar.

O resto do caminho até o Palmengarten foi dolorosamente silencioso, e quando finalmente chegaram até onde Isabella havia deixando seu carro o silencio foi quebrado.

- Obrigada por mais horas incríveis! – murmurou sem olhar para ele.

Delicadamente Edward segurou em seu queixo e virou seu rosto para seu lado, podendo analisar sua feição atentamente.

- Se são horas tão incríveis assim porque trás essa tristeza?

Lágrimas começaram a se forma em seus olhos, dificultando sua visão de funcionar perfeitamente.

- Se a minha presença te faz tão mal...

- Não! – disse de supetão não o deixando terminar o que quer que fosse dizer – Sua presença me faz bem, eu juro.

Ele sorriu tristemente como se as palavras que ela dizia fossem falsas.


— Está vendo, não acredita em mim, como vai poder me entender!

- Talvez se tentasse fazer-se entender... Isabella eu não leio pensamentos e acho que nem adoraria carregar um fardo desses... Mas pode acreditar, sou um bom ouvinte!

Ela respirou fundo.

O que ela poderia dizer?

Ela nem ao menos conseguia explicar a confusão de sentimento dentro dela, como iria dizer que tudo que achou ser certo de repente se tornou tão fútil e errado?

Ele nada disse, simplesmente continuou encarando-a, esperando uma resposta que até ela temia.

- Eu sempre me achei muito esperta, como disse uma vez meu ex marido uma vez alto-suficiente – sorriu tristemente – Pensei que tinha matado a charada que todo o mundo tenta desvendar. Eu uma menina, no começo da vida tinha descoberto que para ser feliz somente precisava ser livre... Viver como um adulto livre, sem barreiras – ela fechou os olhos e respirou fundo enquanto as lágrimas desciam lentamente por sua face – Mas ai a maldita liberdade me levou até onde eu estou... O que não é um resultado muito feliz... E então eu vi você pela primeira vez em um programa de televisão.... E o brilho nos seus olhos me encantou... E por algum milagre você me ajuda em um projeto que eu jamais me imaginei desejando... Apresenta-me pessoas que jamais imaginei que existisse... Mostra-me um mundo encantado que jamais tive a chance de sonhar quando menina.

http://www.youtube.com/watch?v=cY-uKc1tg-8

Os soluços se fizeram altos, ela colocou as mãos em sua face deixando se levar pela emoção.

Comovido pelo discurso que ela fez, Edward tocou lentamente em seus cabelos, para enfim acolhê-la em seu abraço, ele jamais tinha ouvido alguém falar algo com tamanha dor e isso o fez se sentir péssimo, como se uma faca traiçoeira penetrasse sem piedade em seu coração.

- Me desculpa transformar seu fim de tarde nisso, mas é que eu descobri que não vivi, que eu nunca fui criança, que nunca sentir a magia que é ser uma... E isso dói... Porque eu sei que jamais poderei recuperar o tempo perdido....

Ele nada disse, simplesmente a abraçou mais apertado e quando por fim acalmou-se ele fez questão de limpar o rastro de lágrimas na face mais delicada que já viu.

- Seria uma má idéia te convidar para um passeio? – ele perguntou a fazendo sorrir.

- Jura que esta me falando isso? Porque sinceramente eu pensei que você fosse querer me ver longe depois de tanto drama.

Com a ponta dos dedos ele retirou os fios de cabelos em sua face e colocou detrás de sua orelha para então acariciar seus traços com as costas das mãos.

- Não... Depois de te ouvir falar eu simplesmente quis te colocar no colo, acalentar sua dor e lhe mostrar que a vida não é um conto de fadas, não existe o feliz para sempre, mas que ela também tem sua magia, porque existe o ser feliz agora!

Por longos minutos o silencio se fez presente, somente eram ouvidos a respiração de ambos e a já conhecida conectividade em seus olhares.

- Então, passeia comigo?

Ela lhe sorriu, não um sorriso largo com um som cativante, mas um sorriso simples e verdadeiro que encheu seu coração de paz.

- Sim!

Ele pegou sua mão e beijou delicadamente, acomodou-se no carro e voltou a dirigir, ela olhava o caminho atenta e simplesmente surpreendeu-se ao perceber que estavam indo para um antigo parque de diversões.

- Você dividiu comigo algo de seu coração, agora é a minha vez – disse Edward sorrindo ao ajudá-la a sair do carro – Aqui é o primeiro lugar que me lembro vim com a minha mãe, e voltar e voltar... Parte da minha infância passei aqui... – Olhou para ela intensamente – Eu senti um desejo enorme de voltar, nem que fosse por uns minutos a ser criança e percebi que não poderia encontrar ninguém melhor que você!

- Esta me convidando pra regredir e voltar a ser criança? – perguntou duvidosa.

- Não, estou te convidando para descobrir a magia que é ser criança... Recuperar um pedaço do tempo perdido!

Ela não pode lhe dizer não, e simplesmente lhe seguiu por todos os brinquedos besta que encontraram, entretanto foi na roda gigante que ela se sentiu em êxtase, vendo do alto do brinquedo a linda cidade que morava, sendo acalentada não por um príncipe encantando que lhe tirava da morte, mas sim, por um homem que lhe mostrava o quanto a vida valia apena.

FIM DO CAPITULO

Notas finais
Postagem novíssima.....

Bem.... posso adiantar q a Bella vai viver um pouquinho de tds as fases q ela pulou da vida.....

Esse momento com o filme da branca de neve foi bem EMO.... mas o momento em q ela se abriu pra mim foi incrível....

E pra vcs???

O q mais gostaram???

Obrigadinha pelo carinho, pelos comentários lindíssimos e recomendações.... vcs são fofas.....!!!!

Comentem, recomendem e continuem fazendo esta anjinha feliz....