Notas iniciais
Boa leitura

Na beira de uma estrada perto da fronteira dos Estados Unidos com o México, existia um bar. Um lar para mutantes que não tinham para onde ir e que eram encontrados pelos próprios moradores e abrigados com amor, afeto e carinho – o que a vida na cidade não poderia oferecer gratuitamente.

O bar era grande. Com um andar superior, onde todos moravam. O térreo era o bar, que sempre vivia cheio de gente. Ali, mesmo sendo fronteira vigiada, passava todos os tipos de pessoa: generais, turistas, políticos e até mesmo índios. Era um lugar cheio de alegria, onde todos eram muito bem tratados e acolhidos quando necessário.

Michelle: Troye!! Troye!! – gritava ela enquanto subia, rapidamente, as escadas de madeira que ficava no canto do bar.

Troye: O que foi, menina? Tá gritando feito louca! Tem cliente lá embaixo! É hora de almoço! – xingou, estirado no sofá com os pés sobre a mesa de centro e devorando uma maçã.

Michelle: Eu sei que você é adotado e que te achamos há doze anos atrás. Só que isso não te dá o direito de esconder o meu celular. Vai! Trás ele aqui para mim agora ou eu me transformo em pantera e arranco as suas tripas. – nervosa, ela pegou Troye pelo colarinho e o ergueu como se ele fosse de isopor.

Troye: Você e sua mania de pegar pesado nas palavras. Eu não sei onde está a porcaria do seu celular. E foram vocês que me acharam na beira da praia. Eu não pedi para ninguém cuidar de mim. Agradeço vocês por tudo, mas você foi longe demais. Me solte. Eu vou ligar no teu número, você vai achar a porcaria do teu telefone e me deixar em paz para sempre. – indagou Troye, com lágrimas nos olhos por ter escutado aquilo.

Com remorso e arrependimento, Michelle soltou Troye, que caiu sobre o sofá e rapidamente pegou seu celular. Furioso, ligou para ela – assim achando seu celular que estava no fundo do sofá, enfiado no vão do mesmo.

Michelle: Troye. – chamou ela, colocando a mão em seu ombro assim que ele quis sair. – Me desculpa, tá. Sabe que sou assim. Nervosa feito uma pantera faminta. É que não gosto que mexam nas minhas coisas e eu achei que você tinha escondido.

Troye: Eu não sou as crianças desse bar. Eu tenho coisas mais relevantes a serem feitas do que esconder o celular de uma impulsiva que não sabe segurar a porra da língua. Sabe o que eu vou fazer agora? Arrumar as minhas malas. Amanhã eu pego o ônibus para Austin. – em seguida foi correndo para o seu quarto, batendo a porta com tudo.

Michelle: Austin, espera! – indo atrás dele.

Troye: O que você quer? – abandonando as roupas, jogando-as no chão e cruzando os braços, pronto para mais uma discussão.

Michelle: Eu tenho sete anos a mais do que você. Eu lembro de quando o achamos. Você tinha dito que conseguiu sair de um caixão debaixo da terra, usando a energia da lua e que em seguida foi atrás daquela tal de... Joanne. Você disse que sentiu que ela estava no mar e pulou de um precipício. – lembrou, colocando as mãos sobre os ombros dele.

Troye: E o que isso tem a ver com o momento? Eu não encontrei ela. Eu fracassei. – de cabeça baixa, triste por ter lembrado do passado. – Mais uma tentativa de me minimizar? A segunda em menos de dez minutos.

Michelle: Não, bobo. Isso significa que você tem um coração enorme. Eu senti isso desde quando o Tio Perez trouxe você aqui. Lembra que eu deixei você usar o meu cobertor roxo e que fiquei resmungando? Eu senti uma conexão entre a gente. Somos irmãos. Eu prometi, uma semana depois, proteger você e te ajudar a encontrar Joanne.

Troye: Não estou entendendo aonde você quer chegar. – saiu dos braços dela de maneira rude, dando as costas e pegando as roupas no chão e colocando na mala.

Michelle: Eu vou te proteger. Eu vou te ajudar a encontrar Joanne. – afirmou com brilhos nos olhos e dando saltinhos de empolgação. – Eu vou com você para Austin.

Notas finais
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