O Poder De Um Feitiço
12 O plano.
Notas iniciais
Beijo.
Acordei disposta a qualquer coisa. Me arrumei tão depressa, que Natalie ainda passava o café quando desci.
Logo após a escola, eu iria até a casa de meu pai buscar algumas coisas que ele havia encontrado lá.
Naquele dia, tudo o que eu queria era ser normal outra vez. Fui para a escola como não fazia há muito tempo – sem preocupações (pelo menos eu não as lembrava).
***
- Ronnie! – Melissa gritou tão alto, que até a diretora poderia ter ouvido.
- Mel! – eu a abracei forte e então começamos a caminhar pelo corredor. Andamos juntas e em silêncio, felizes por estarmos abraçadas depois do que parecia uma eternidade.
Depois de nos sentarmos no canto mais longe de todos, cochichei para ela:
- Como vocês estão?
- Muito bem. – ela respondeu, e abriu um sorriso.
Continuamos sussurrando até que o professor apareceu.
Tudo corria às mil maravilhas, segundo Melissa. Sua mãe à apoiava, e seu pai estava contente com o futuro neto (claro, depois de conversar seriamente com a filha). Melissa agora estava grávida de 6 semanas e parecia feliz com isso. Era tão bom vê-la bem.
***
Quando cheguei à casa de meu pai, percebi que tudo estava quieto. Quieto demais.
Entrei pela porta e vi que Molly estava assistindo televisão.
- Oi, Ronnie. – ela disse, mas não se mexeu. Sua voz estava estranha, devia estar doente.
Subi para meu quarto, e vi a caixa com minhas coisas em cima da cama. Remexi tudo com a mão e encontrei algo que não era meu.
Um pequeno caderno. Nas primeiras páginas haviam resumos de Física, Química e História. Levantei da cama e fui olhando as páginas enquanto andava pelo quarto. Uma foto caiu do fundo do caderninho, quando a peguei do chão, notei que eram meus pais, ainda muitos jovens.
Fui até a janela com as fotos nas mãos. Eles pareciam tão felizes... A tarde estava bonita, perfeita para um passeio. Virei-me para ir embora e Molly estava na porta.
- Ah! Você me assustou. – eu disse, e sorri. Molly também sorriu. Ela andou até a minha frente. Entregou-me uma corrente de prata, com um medalhão pesado.
- Talvez queira ficar com ele. Era de sua mãe. – ela disse.
***
- Estou te dizendo, vai dar certo! – Mitchel disse uma vez mais.
Mas eu ainda não acreditava nele. E se desse algo errado? E se tudo só piorasse? Mitchel me abraçou e em seguida sentou-se na cama.
Estávamos em meu quarto, discutindo sobre o plano. Só havia nós na casa, Natalie e Johnny saíram para o mercado.
Um vento gelado entrou pela janela e fez-me tremer. Mitchel começou a cantarolar baixinho. A música que ele murmurava me era familiar, mas eu não lembrava de onde era.
O vento continuava a soprar pela janela, mas eu estava com preguiça de ir fechá-la. E então tudo cessou, a música, o vento... Fiquei arrepiada.
Mitchel virou-se para mim sorrindo.
- Que música era aquela? – perguntei.
Ele olhou-me confuso.
- Música?!
- É. A que você estava cantarolando. — respondi.
- Eu não estava cantarolando nada, Ronnie.
Naquela noite, enquanto dormia, lembrei-me da canção.
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