O Poder De Um Feitiço
2 Minha vida.
Notas iniciais
Jake me convidara para uma festa, aonde ele iria e queria que eu lhe acompanhasse. Claro, que não aceitei. E aí, qualquer garota comum do colégio me perguntaria, “por quê?” e a minha resposta seria: ele não faz o meu tipo.
Não fazia muita questão de ir, mas tenho que admitir que fiquei surpresa por ele me convidar. Jake era o popular do colégio, alto, loiro escuro – um cabelo caído em cachos – e olhos azuis, e eu realmente não via motivos de ele ter convidado a mim, e não qualquer uma daquelas lideres de torcida, patricinhas.
– Mel – Teclei para Melissa na página de bate-papo.
Melissa era minha melhor amiga. Morena dos olhos verdes e baixinha.
“Fale querida” – ela respondeu. Escrevi para que ele me esperasse no portão do colégio.
Fechei as páginas do computador e minha mãe gritou:
– Ronnie.
Minha mãe era outra baixinha, loira. Com olhos azuis como cristais.
– Vamos minha filha, irá se atrasar!
– Já vou descer! — gritei.
Peguei a mochila e saí em direção a escada.
– Tchau pirralho – bati na cabeça de meu irmão mais novo – Vamos Johnny.
– Você vai com a mamãe hoje Ronnie. – Johnny respondeu.
Hmpf! Não via a hora de comprar meu carro. Minha mãe me trata como se eu fosse cinco anos mais nova.
Andei pelo corredor até a porta.
– Que sacola é essa? – perguntei observando minha mãe.
– Seu lanche!
– Mãe... – juntei paciência – eu não tenho mais doze anos tá legal? Não preciso que arrume lanche para mim!
– Mas querida...
– Não mãe – passei por ela na porta andando em direção ao carro – Vai logo!
Abri a porta do carro e me sentei nervosa
. Minha mãe não podia ficar sabendo de meus passeios escolares...
– Tudo bem, Willy leva o lanche para ele – minha mãe jogou a sacola para meu irmão mais novo no banco de trás e ligou o carro.
Willy revirou os olhos. Ele era quase do meu tamanho, os cabelos morenos e avermelhados faziam meu tipo, e os olhos castanho mel eram realmente maravilhosos. Ele ficou muito desapontado com Rolie, quando soube que ela e papai estavam se separando.
Já Johnny, com um metro e setenta e nove, moreno dos olhos azuis, não tinha tanta raiva de nossa mãe, dizia que entendia o motivo, o que eu, não era capaz de entender. Alias, não entendo porque eles me odeiam tanto para não deixar que eu more com Johnny.
Ele mora com a namorada em um apartamento antigo, a primeira casa em que todos nós moramos, aqui em Phoenix. Mas esse final de semana eu sinto que as coisas vão mudar...
Em alguns segundos, minha mãe pararia o carro, e como de costume sairia e tentaria abrir a porta para Willy passar, antes é claro, de ser atingida pela própria porta quando Willy mesmo a abre, e ela grita: “boa aula filho, eu te amo!”.
O carro parou e como previsto, ela fez isso mesmo.
Pelo o que podem perceber, minha vida é previsível... É nada demais acontece nela ultimamente...
– Boa viagem Ronnie, divirta-se! Eu te amo! – ela gritou, por essa eu não esperava.
Virei-me devagar, e sussurrei “obrigada”, antes de me virar rapidamente e sair correndo dali.
Joey me esperava no portão. Fiquei feliz até que Rachel apareceu o abraçou e me olhou rindo vitoriosamente. Desviei o caminho, me prometendo não fazer confusão com ela hoje.
– Oi Rach! – Joey disse.
– Que vontade de vomitar! – quase gritei, querendo que ela me ouvisse, mas sem sucesso. – Melissa! – essa saiu mais alto...
Corri ao encontro de minha única amiga.
– Olá Verônica. – ela disse.
– O que eu fiz? – perguntei antes mesmo que ela pudesse falar qualquer coisa.
– Desculpe, foi força de vontade! – ela riu. Dei de ombros.
– Então, Jake me convidou para sair... O que acha que deu nele? – perguntei.
– Ele convidou você? – ela perguntou surpresa.
Fiz uma cara, “pode parar com isso, por favor?”.
– Não... Ronnie querida, não estou querendo dizer que você não é bom partido, só que entre milhares de garotas desse colégio, e entre as lideres de torcidas, todas com o corpinho justinho, ele convidou você... Aí rola alguma coisa...
– Ah para, fala sério!
– Ok, então boa sorte! – ela disse se afastando em risadas, e caindo nos braços do namorado.
– Ronnie? – só pode ser brincadeira.
Virei – me sem animo nenhum.
– Oi Jake! – fechei os olhos e respirei fundo.
– Você está bem? – ele perguntou pegando em meus braços, achando que eu estava passando mal.
– Jake eu estou bem – me livrei de seus braços – tá legal, olha, eu não vou a festa tá legal? Você não faz o meu tipo. –expliquei devagar.
– Aah, Ronnie, você achou que... – ele riu, e eu não estava entendendo mais nada. – Ok vou explicar bem devagar tá? – e ele estava achando que eu era o que? Uma criancinha para não entender o que ele queria dizer?
Endireitei-me na calçada e cruzei os braços impaciente.
– Não estou querendo te levar a festa para ficar comigo... Já tenho acompanhante, só quero que conheça um amigo. – ele disse rindo, e me olhou dos pés a cabeça – Acha que eu convidaria você para ir comigo em uma festa assim?
Respirei fundo.
– Tá legal, já disse tudo! Obrigada!
Tomei rumo á aula, andando desajeitada.
– Verônica, espera! – ele gritou, e me alcançou – Então isso foi um não?
– Isso com certeza foi um não! – disse sem ao menos me virar e continuei andando.
Avistei Joey me esperando na porta da sala. Cabelos castanhos dourados, e olhos cor de mel, ele era um doce, um garoto perfeito, e eu o adorava.
Cheguei perto dele e ele me encarou.
– Porque desviou o caminho no portão? – ele perguntou.
– Sabe que não gosto de Rachel...
– Ah meu Deus, você não vai mesmo parar com essa besteira nunca? – ele disse se estressando.
– Joey, não estou com paciência para brigas agora tá legal? – entrei na sala.
– O que? Vai dizer que o Jake te deixou assim?
– Joey, já chega tá legal? Já disse, eu não gosto dela, ela não vai com a minha cara, então deixa isso pra lá. Você gosta dela então, fique com ela... Siga seu coração!
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