O Poder Das Gémeas
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Boa leitura!
- Posso? – Perguntou Irina no dia seguinte à hora de almoço, batendo à porta do dormitório dos rapazes do sétimo ano. Lá dentro, estavam apenas Neville e Ginny, que conversavam acerca do plano.
- O que é que queres daqui? – Neville respondeu com outra pergunta. – Vais voltar a dizer-nos que não devíamos roubar a espada, porque é demasiado perigoso? – Irina desviou os olhos. – Olha à tua volta, Irina, nós estamos numa guerra, tudo o que fazemos é perigoso. Mas a espada pode ajudar o Harry a acabar com a guerra, o Dumbledore não a poria no testamento se assim não fosse. Eu quero que este sofrimento todo acabe. Se isso implica pôr-me em perigo, eu não me importo, porque estarei a lutar pela vitória do Bem. – A morena fechou os olhos, recordando-se de Elle a mandar-lhe não se meter em complicações. Sacudindo esse pensamento da sua cabeça, Irina apenas disse a eles os dois:
- Eu ajudo-vos a roubá-la. Eu ajudo-vos com o plano e participo nele. – "Desculpa, Elle", pensou ela.
- Ok. – Respondeu Ginny, surpreendendo Neville. – Ela quer mesmo ajudar-nos, Neville, e nós precisamos de ajuda. E, além disso, ela tem de ganhar a nossa confiança. Anda cá, Irina, senta-te, vamos discutir o plano. – Era algo simples, sem nenhuma grande complexidade, mas um pouco básico e inconsequente.
- Como é que a Luna nos vai avisar se alguém for para o gabinete? – Luna ficaria a vigiar para se assegurar de que ninguém os apanharia.
- Não te preocupes com isso, ela fa-lo-á se for preciso. – Respondeu Neville. – Não nos podemos esquecer de que irá ser à hora de jantar daqui a uma semana. O Alec vai distrair o Snape e os Carrow com uma partida durante o jantar e nós os três tratamos de roubar a espada de Gryffindor.
- Temos que pensar que os retratos da sala do Snape nos podem denunciar. – Disse Irina. – Portanto, temos que o fazer no dia de limpeza dos quadros, quando o Filch leva todos dali para fora para os limpar.
- Muito bem pensado. – Elogiou Ginny. – Temos que ter muito cuidado, porque nos arriscamos a ser expulsos.
- Está na hora de irmos para as aulas da tarde. – Lembrou Neville, levantando-se.
Irina só pensava no quão arriscado aquilo era, mas também no quanto aquilo podia ajudar o Bem a triunfar. Neville tinha razão: fizesse o que fizesse, tudo seria um perigo, portanto mais valia arriscar a vida para salvar milhares de pessoas, do que arriscá-la para salvar-se a si mesma.
Eles sairam para as aulas. Ginny tinha Poções. Neville e Irina tinham Herbologia no começo da tarde juntamente com os Hufflepuff. Era muito bom ter uma disciplina que não era dada por nenhum dos Carrow. E aquela tarde era uma bênção nisso para o último ano dos gryffindor.
No jantar que se seguiu, assim que entrou, Irina olhou pelo canto do olho para Elle que já estava sentada à mesa da sua equipa. Elle, que a seguia também discretamente, sentiu que alguma coisa se passava com a amiga. Apenas esperava que esta não se tivesse metido em confusões pois tinha muito medo por ela.
Depois do fim do jantar, Elle foi para o seu quarto onde se sentou na cama a ler o livro de Transfiguração. Passado algum tempo entrou Laura, a sua companheira de quarto. Elle observou todos os seus passos pelo canto do olho. Desde o início das aulas que Elle a avaliava e ela parecia ser uma pessoa de confiança que de algum modo não gostava das proporções daquela guerra. Mas como todos os slytherin, Laura era muito reservada. Mas incrivelmente, Elle acreditava que ela a podia ajudar com o seu objectivo de conseguir ajudar alguns slytherins a verem os vários lados daquela guerra.
- Como estás tu, Laura? – Perguntou Elle fechando o livro de estudo. Laura virou-se para a sua colega de quarto. As únicas palavras que tinham trocado foi apenas um olá no início das aulas.
- Bem. – Laura respondeu sentando-se na cama de frente para a colega.
- Queria fazer uma pergunta. – Elle disse poisando o livro na sua mesinha de cabeceira. – Como era a antiga Hogwarts?
- Como era? Era uma escola normal. – Ela respondeu simples. – Muito diferente do que é agora.
- Diferente em que medida? O que tinha de diferente? – Perguntou olhando seriamente para Laura.
- Eu não sei o que pretendes com isto, Elle. – Disse Laura levantando-se e virando-lhe as costas.
- O que pretendo com isto? Saber o passado da escola para onde fui transferida. – Elle anuiu simples.
- Parece que também já te atingiu a ti. – Disse Laura deitando-se na cama começando a ler um livro.
- O que é que me atingiu, Laura? Não percebo. – Disse Elle sentando-se na cama da colega.
- A onda dos slytherin. Onde estiveste ontem à noite que quase chegaste na hora do recolher? – Perguntou Laura olhando-a.
- Fui dar uma volta por aí. Eu ainda não conheço muito bem o castelo e achei que preferia estar a dar uma volta sem ninguém por perto. – Respondeu Elle. – Mas porque perguntas isso?
- Nada. Pensava que tinhas estado a conversar com algum slytherin. – Laura disse sentando-se na cama.
- Não, não estive. Mas diz lá. Eu fiz-te uma pergunta. No que é que a escola era diferente? – Insistiu.
- Havia muito mais alegria. – Laura aproximou-se de Elle. – Com o Dumbledore aqui nunca verias algumas pessoas a darem algumas aulas. Mas agora há cá algumas pessoas que fazem esta escola ser um horror. Hogwarts era como uma casa para todos. Agora, isto parece um pesadelo.
- Tu não queres isto? – Laura sorriu.
- É normal que penses assim. Muitos slytherins querem isto, riem-se com isto que está a acontecer. Mas eu, sinceramente, acho que isto é horrível. – Elle olhou-a de frente.
- Eu ando a reparar que há muitos slytherins que não querem isto e que há muitos que ainda não sabem que esta guerra tem dois lados. – Informou Elle. – Eu queria poder falar com eles mas não posso. Estou a ser constantemente vigiada por slytherins.
- Estás a pedir-me ajuda? – Perguntou Laura seriamente. – A ti vigiam-te, a mim não. Estou aqui desde o primeiro ano, eles pensam que eu estou controlada, seria tão bom saber que isso não é verdade. Se quiseres, eu falo com eles.
- A sério? – Laura acentiu. – Então vamos fazer assim: eu observo alguns para ver com quem é seguro falares e tu falas. Obrigada pela ajuda.
- Não me agradeças, eu quero isto, acho que eles merecem. – Disse Laura. – Tu já sabes alguns, não sabes? – Elle acenou positivamente a cabeça. – Quando começamos?
- Em primeiro, eu vou organizar o modo como vais colocar isto tudo e depois digo-te por quem começas. – Elle disse. – É tão bom poder fazer alguma coisa para ajudar.
- Eu sei, sinto exactamente a mesma coisa. – Laura concordou. – Vou tomar um banho. Queres ir primeiro?
- Não, vai tu primeiro. – Laura levantou-se e foi até ao armário buscar uma toalha. – Laura, diz-me uma coisa. Se eu for agora à sala comum, o que vou encontrar? – Laura olhou-a.
- Algumas pessoas com quem não queres trocar nem sequer uma palavra. – Laura respondeu antes de entrar na casa de banho. Elle preparou também as suas coisas para ir tomar banho a seguir.
No dia seguinte, ao fim do dia, Elle e Irina voltaram a encontrar-se na mesma sala.
Irina assustou-se quando viu a amiga entrar furiosamente na sala. Aquela fúria não seria boa para Irina, que queria dizer à amiga que estava metida nos planos para roubar a espada de Godric Gryffindor.
- Olá. – Antes que Irina pudesse responder ao cumprimento, Elle disse: — Eu estou furiosa.
- Eu sei que tu és uma pessoa fria, Elle, mas eu já te conheço para perceber isso. – Respondeu a amiga automaticamente. – Não foste seguida, pois não?
- Irina, eu estou furiosa, não estou descuidada. – Elle olhou-a de lado, fechando a porta com extremo cuidado. – A tua querida chefe de equipa, também conhecida por McGonagall, odeia-me. Oficialmente, ela odeia-me! – Exclamou ela, sentando-se e cruzando os braços.
- Por que é que dizes isso? – Irina franziu a testa.
- Porquê? Ela deu-me um trabalho com o Malfoy, e o ódio que ela nutre por ele é oficial, por isso ela também me odeia, porque me meteu a trabalhar com ele. – Elle respirou fundo, tentando controlar-se, o que não foi difícil devido à sua personalidade. – Ela está sempre a implicar comigo, Irina, tu não tens noção… Está sempre a chamar-me à atenção e eu estou sempre atenta, acho que ela pensa que eu estou do lado do Mal, o que não me surpreende, mas ela podia dar-me o benefício da dúvida. É um trabalho sobre Animagia, vamos ter que descrever os vários passos.
- Eu sei, eu também vou fazer esse trabalho, vou fazê-lo com o Neville. – Irina queria começar o assunto do roubo antes que Elle ficasse mais chateada com as injustiças. – Ouve, eu não conheço o Malfoy, mas ele planeou a morte do Dumbledore, por isso tem cuidado contigo, ele não pode desconfiar que tu não estás do mesmo lado que ele. Ele só pode estar do lado do Mal depois do que fez, Elle, não corras perigos desnecessários.
- Está descansada, nós temos três semanas para fazer o trabalho, mas eu vou ficar com ele o menos tempo possível, eu não quero nada com ele. – Elle esticou-se na cadeira.
- Óptimo! – Irina sorriu aliviada. – Mas achas que ele pode não querer estar do lado do Mal?
- Eu não tinha pensado nisso… — Elle ponderou um pouco a questão da amiga. – Mas duvido muito. Se bem que, no fim, ele não matou o Dumbledore, foi o Snape que o fez, o que pode querer dizer que ele não é realmente mau.
- Achas que…?
- Não! – Elle já sabia o que Irina queria saber. – Não penso que eu possa fazê-lo ver que o lado do Mal é o lado errado.
- Ok, se tu o achas… Mas tenta avaliá-lo, apenas isso, não quero que fales com ele sobre nada mais que o trabalho. – Irina pediu.
- O que vale é que eu tenho uma coisa boa para compensar isto tudo. Eu falei com a Laura, a minha colega de quarto, e passei-a para o nosso lado. Como as pessoas não desconfiam dela, ela vai fazer com que alguns alunos de Slytherin vejam que esta guerra também tem o lado do Bem, que é bem melhor do que aqueles que lhes estão a incutir.
- Que bom! Isso é óptimo! – Irina estava contentíssima. – Parece que sempre podemos fazer alguma coisa em Hogwarts, deves estar radiante pela tua vitória.
- Pela nossa vitória, nós estamos juntas neste plano todo. – Elle disse, unindo as suas mãos.
- É uma maneira muito estranha de ver as coisas. Tu conseguiste isto, não fui eu que falei com ela, Elle, foste tu. E tu é que estás a correr tanto perigo e, mesmo assim, não desistes de fazer com que o Bem triunfe. É a tua vitória… — Irina disse, lembrando-se do assalto que iria fazer dali a poucos dias. – E eu tenho uma coisa para te contar… — As palavras saíam lentamente, temendo a reacção da amiga.
- O que é que foi? É sobre o roubo da espada? – Perguntou ela ao que Irina desviou o olhar. – Não conseguiste tirar a ideia da cabeça deles?
- Não, não consegui. Por isso, estou a ajudá-los no plano. – Irina revelou.
- Claro, é sempre uma mais-valia ajudares, eu tinha-te dito para fazeres isso, por isso desde que não te metas na prática do plano…
- Elle, eu vou ajudá-los a assaltar o Snape. – Irina acabou por confessar. – Eu quero ajudá-los.
- O quê? Irina, essa é a coisa mais estúpida que tu vais fazer. – Elle separou as suas mãos. – Eu percebo que sejas corajosa, mas tu estás a correr demasiados riscos, isso não é coragem, é estupidez. Tu tens noção que podes ser apanhada?
- Claro que tenho noção, Elle. Eu sou corajosa, não sou parva. Mas eu sinto que estou a fazer o correcto. O Harry precisa da espada, o que significa que ela é essencial para a guerra acabar. Eu sei o que estou a fazer. Confia em mim. – Pediu Irina, olhando-a profundamente.
- Eu disse-te para não te meteres em confusões, Irina, mas que se lixe, tu tens razão. Nós já sabíamos que ia ser perigoso querer que o Bem vença, por isso, mais vale ser perigoso por algo que sabemos que é necessário. – Disse Elle, sorrindo.
- Ainda bem. Bom, mas conta-me… Achas que eles vão passar a confiar em mim? – Perguntou Irina.
- Claro que sim. E, se forem apanhados, confiarão ainda mais. Dizem que se confia mais nas pessoas com quem se passaram momentos difíceis, do que nas pessoas com quem se passaram momentos felizes. Mas faz de tudo para não serem apanhados. – Avisou Elle.
- Claro que sim. Nós não vamos ser apanhados. Agora, é melhor irmos, antes que desconfiem da nossa ausência. Tchau! Boa sorte com o Malfoy. E com a Laura também. – Disse ela, abrindo a porta.
- Boa sorte para o roubo. Tchau! – Irina saiu da sala e Elle fez o mesmo passados alguns minutos.
Notas finais
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