O Poder Das Gémeas
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Boa leitura!
Irina estava no dormitório a olhar para o tecto, pensando em como tudo mudara em apenas alguns meses. Tudo começara na morte de Albus Dumbledore, o homem que a sua melhor amiga mais admirava. Era algo difícil imaginar a felicidade naquele mundo, mas a verdade é que ela existira um dia e, apesar de todas as desgraças actuais, ela continuava a existir, em porções mais pequenas, é verdade, mas continuava, Irina tinha de acreditar que sim.
- Posso? – O seu cabelo negro esvoaçou assim que Ginny abriu a porta do dormitório. – Desculpa interromper…
- Não faz mal, ainda bem que o fizeste. Quando me meto a pensar… — Ginny sentou-se na cama, olhando-a. – Esquece, não é importante.
- Podes falar comigo, Irina. – Ginny sorriu. – Eu prometo que não espalho o que disseres pela escola toda. – A voz era sarcástica.
- Oh, obrigada, significa bastante. – Ambas se riram. Naquele tempo, qualquer coisinha era valorizada. – Dizem que nós valorizamos mais as coisas quando estamos em situações difíceis.
- Sim… — Ginny abanou a cabeça e Irina sabia que ela estava a tentar parar de pensar em Harry e no irmão e, provavelmente, em Hermione Granger, falava-se muito que ela era uma das amigas mais próximas do trio. – Bom, eu vim aqui para te dizer que te prepares, porque vamos actuar amanhã.
- Amanhã? Mas não era suposto ser daqui a dois dias? – Não é que Irina estivesse assustada, mas ela ainda tinha que se preparar mentalmente caso fossem apanhados, não queria que, caso isso acontecesse, se metessem dentro da sua cabeça.
- Sim, é que descobrimos que os retratos vão ser limpos a essa hora e eles não vão lá estar. Por isso… Continuas connosco, não continuas? – Ginny perguntou com receio.
- Claro, isso nem sequer se pergunta, sua tonta. – Irina sorriu seguramente. Bom, Elle apanharia uma surpresa, porque se ela fosse apanhada, provavelmente não se iriam encontrar como tinham combinado. – Tu vais achar isto estranho, mas eu tenho este sexto sentido, sabes? E eu tenho andado a reparar que meto muitas vezes a hipótese de ser apanhada…
- Isso é normal, estás com medo, todos estamos. Mas a nossa coragem é mais forte, resta saber se a tua é.
- Bom, eu avisei-vos… E agora não se vão ver livres de mim, eu vou ajudar-vos. A Luna sempre vai estar a vigiar? – A morena perguntou, revendo o plano mentalmente.
- Sim, não te preocupes. Ela avisar-nos-á e o Michael e os outros vão tratar da distracção.
- Então acho que estamos mais que preparados. Bom, agora é melhor ir tomar banho, porque estou a ficar com sono e quero estar alerta amanhã.
- Sim, eu vou-me embora. – Ginny saiu do quarto e Irina seguiu para debaixo do chuveiro depois de se despir.
Era estranho como Elle, apesar de ter ido para os Slytherin, sempre fora mais corajosa que a amiga, talvez também por calcular melhor as coisas, por ser mais segura de si. Era tão difícil para as duas ultrapassar todos aqueles problemas em equipas diferentes…
No dia seguinte, Irina foi tomar o pequeno almoço. Gryffindor e Slytherin cruzaram-se quando vinham das suas respectivas casas. Irina trocou um olhar com Elle, que reparou em algo estranho na amiga, algo perigoso.
- Nós vamos à frente. – Ginny falou, pondo o cabelo para trás. Apesar de poucos, os Gryffindor faziam-se notar pela sua ousadia. – Vens, Irina? – A morena repetiu o gesto da amiga, mandando uma piscadela aos Slytherin, enfurecendo-os ainda mais e entrando com a ruiva no Salão Principal. Já estavam todos os professores presentes e eles sustentavam caras de defunto. – Tens que me ensinar a tua piscadela matadora, adorei. Onde é que a aprendeste?
- Aprendi-a em Pahtellons com a E… — Irina cortou-se a tempo de corrigir. – Com a Elise, é a minha melhor amiga. Foi ela que me ensinou.
- Olha! – Ginny apontou com a cabeça para os Slytherin que lhes lançavam olhares furibundos. – Sempre orgulhosos… Não aprendem… — O resto do pequeno almoço foi passado em silêncio pela parte de Irina, até mesmo quando Neville se sentou ao seu lado para falar do plano. Apenas Ginny e Michael falaram, mas pouco, não podiam levantar suspeitas.
- Bem, nós vimos para o jantar normalmente, como sempre, entendeste, Irina? – Perguntou Neville a caminho da aula de Herbologia.
- Sim, está descansado, eu já sei tudo. – Ela acalmou-o.
- Eu só quero que tudo corra bem, o Harry precisa… — Neville calou-se assim que viu um dos Carrow ao longe, era Amycus. O que estaria ele ali a fazer?
- O que fazem vocês aqui? Já tocou há muito tempo para entrarem. – Ele vociferou com a varinha em riste.
- Nós estamos simplesmente a ir para a aula. – Irina respondeu, não podia criar confusões nesse dia de roubo.
- Amycus, preciso de falar contigo. – Snape apareceu no corredor muito depressa. De onde tinha ele saído? – Agora! – Amycus seguiu o homem, enquanto tecia comentários silenciosos.
- O Snape sempre foi detestável. – Neville revelou, continuando a caminhada como se nada fosse. – Nojento! – A voz do amigo tremia de raiva. – Vou adorar ver a cara dele quando ele descobrir que foi roubado. Será que vai levar muito tempo? – Bem, ele estava mesmo confiante no sucesso do roubo.
- Pois… — Irina limitou-se a dizer, entrando na estufa de Herbologia.
O dia de aulas passou e quando subiu para o dormitório para pôr a mochila e trocar de roupa, visto que a sua se sujara na aula de Poções, Irina olhou-se ao espelho. Tinha que treinar uma expressão que não mostrasse a sua ansiedade.
- Olá. – Ginny cumprimentou à porta. – Vamos?
- Sim. – Irina desceu com a amiga, enquanto falavam sobre o que tinha acontecido para a morena ter ido mudar de roupa. Via-se que elas não queriam pensar muito no assunto do roubo.
A meio do jantar, Michael poisou os talheres e contou até três. A seguir, uma data de fogos de artifício começou a explodir ao mesmo tempo, fazendo todos os alunos gritarem e começarem a correr, deitando abaixo a rotina de Hogwarts. Para piorar isso, para além do fogo de artifício, havia também pequenos objectos como chaleiras, almofadas, tapetes e até vassouras a voarem pelo ar!
- Tenham todos calma! – Mandou Snape. Mal disse isto, uma chaleira bateu contra a sua cara, sendo ajudada por uma vassoura particularmente violenta.
Ginny, Neville, Irina e Luna sairam calmamente do Salão Principal, indo os três primeiros em direcção ao gabinete de Snape, não sem antes Luna lhes desejar boa sorte e entrar de novo no Salão.
- Espero que consigamos roubá-la. – Irina acompanhava o passo apressado dos amigos. Depressa se puseram a correr, não podiam perder tempo.
Mal chegaram em frente à gárgula que guardava o gabinete, Neville vociferou Alhomora, não surtindo efeito algum.
- Era suposto isto acontecer? – Ginny perguntou, olhando para todos os lados.
- Eu achei que fosse suficiente. – Neville respondeu.
- A minha amiga era uma grande admiradora do Dumbledore, a Elise. – Irina exclamou.
- Não está na hora de divagações. – Ginny interrompeu.
- E ela dizia que ele era um génio, bem, toda a gente sabe isso… Mas nem toda a gente sabe que ele disse numa entrevista ter feito amizade com a gárgula que guardava o seu gabinete. Só mesmo ela. – Irina olhou para a gárgula e disse: — Dumbledore. – A gárgula surpreendeu-os ao sair do caminho e permitir-lhes a entrada. Os três apressaram-se a subir as escadas, já tinham perdido demasiado tempo.
Mal entrou no gabinete, Irina ficou maravilhada. Era uma sala tão invulgar que ela pensou que estivesse apenas a ter um sonho. Estantes cheias de livros e objectos estranhos caracterizavam o estranho escritório circular. Era um pouco escura, mas Irina conseguia notar que aquele lugar era muito importante, tinha a sensação de estar a invadir um templo sagrado.
- Tem uma certa reverência, não tem? – Neville perguntou, fazendo a morena virar-se. O amigo sustentava um sorriso provocante e ela pôde ver porquê. No minuto a seguir, ele proferiu um pequeno feitiço, que rebentou a vitrine que guardava a Espada de Gryffindor.
- É linda! – Irina falou. – Tão…
- Importante. – Completou Ginny. – Esta espada é importantíssima para o fim do Quem-Nós-Sabemos.
- Sim, e isso é que importa. – Sublinhou Neville, pegando na espada.
- O que importa é saber o que raio pensam vocês que estão a fazer. – Os três viram a espada sair da mão de Neville e só depois repararam que ela voou até Snape, que acabara de entrar com o professor de Magia Negra. – Amycus, sai.
O professor obedeceu e os três viram o director subir para detrás da sua secretária sempre com a espada na mão. Irina conseguiu ver Ginny e Neville concentrarem-se à procura de uma explicação para o roubo que não envolvesse a verdade.
- Vocês armaram uma cena absurda que destruiu a ordem da nossa escola para roubar isto. – Afirmou Snape perigosamente. – Por que o fizeram?
- Bom, a espada é gira… — Ginny respondeu, subindo as escadas.
- Miss Weasley, acha mesmo que está em posição de brincar comigo? – Perguntou o homem, passando a mão pela lâmina da espada. Irina arregalou os olhos. – Miss Saint-Claire…
- Mademoiselle. – Falou Irina, Snape olhou-a sem perceber. – Mademoiselle Saint-Claire, não Miss.
- Porque é que queriam roubar a espada de Gryffindor? – Perguntou Snape, ignorando-a.
- Como o senhor disse, a espada é de Gryffindor, logo o seu lugar é na nossa casa. É lógico, não é? – Irina pôs-se ao lado da ruiva.
- Miss Saint-Claire, não tem noção do que acabou de fazer? Reconhece a gravidade da situação? – Snape perguntou. – Longbottom, porque não me contas a verdade e acabamos de uma vez por todas com esta reunião tão agradável? – A sua voz era irónica.
- A verdade, professor… — Irina franziu a testa, nunca pensara que Neville pudesse provocar tanto, ele estava a ser tão descaradamente falso! – Nós queríamos a espada para pendurar na nossa Sala Comum. – Neville suspirou. – Tente compreender, professor, é que nós somos tão poucos. Queríamos a espada para nos recordarmos dos nossos amigos que não estão connosco. – O seu tom já era mais convincente.
- Mas para isso sempre tinham as camas vazias. – Respondeu Snape cruelmente.
- Mas como eu disse, professor, a espada é gira. – Disse Ginny.
- E nossa por direito. – Completou Irina.
- Isto não vai repetir-se, ouviram? – Snape vociferou. – Mais um deslize da vossa parte e serão expulsos de Hogwarts. E creio que vocês têm noção do que a expulsão significa. – Ele deduziu. – Um passo em falso, qualquer coisa que seja: nos corredores depois da hora do recolher ou duelar sem autorização… Qualquer coisa e eu expulsar-vos-ei! – Snape olhou para os três. – Agora, por que é que roubaram a espada? É por causa do Potter? Vocês sabem onde ele está?
- Não. – Responderam os três ao mesmo tempo, era verdade, eles não sabiam, mas tinha sido por causa de Harry que roubaram a espada de Godric Gryffindor.
Snape suspirou perigosamente e Irina atreveu-se a olhá-lo. Ele tinha os olhos fechados, mas depressa os abriu ao se sentir observado. "Ele é um bom espião. Percebo como enganou Albus Dumbledore", pensou Irina, que desviou o olhar.
- Mandou chamar-me? – Hagrid entrou no gabinete acompanhado por Amycus, era notório o seu desprezo.
- Sim, Hagrid. Longobottom, Miss Saint-Claire e Miss Weasley irão cumprir um castigo contigo. Irão passar três semanas na Floresta Negra, sei que tens muito trabalho por lá. E o castigo comecerá hoje e acabará até pelo menos à meia noite, mas tu poderás liberá-los mais tarde se assim quiseres.
- Claro. Venham, meninos, temos muito trabalho duro a fazer. – Hagrid chamou e os três foram-se embora com ele, deixando Amycus a sós com o director.
Notas finais
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