Notas iniciais
Boa leitura!

– Olá, Irina! – Irina assustou-se quando Elle entrou na sala. – Hey, o que foi isso? – Irina tentava não se mostrar nervosa por causa de Dumbledore, ela não podia contar nada, pelo menos, não por agora.

– Ai, Elle, olá. É só que estava preocupada contigo. Desde dia 3 que não me dizes nada. – Irina respondeu, abraçando-a fortemente.

– Ah, pois, mas está tudo bem… Quer dizer… — Elle sentou-se. – O V veio dar-nos uma visitinha. A nós, Slytherin, no dia 3. – Elle contou o discurso de Voldemort.

– Que horror. Isso é horrível! – Irina disse, abanando a cabeça. – Mas está tudo bem, não está? Ele não magoou ninguém, pois não?

– Não, ninguém. – Elle sorriu com a preocupação da amiga não só por si, mas pelos outros Slytherin, mesmo os que gostaram do discurso.

– Óptimo. – Irina sorriu contente e aliviada.

– Bom, mas agora que já te contei isto, tenho mais uma coisa para te contar: os Slytherin já não desconfiam tanto de mim. – Irina alegrou-se ainda mais. – Ah, e pesquisei mais umas coisas sobre o estúpido do Snape.

– Ah sim? – Perguntou Irina, mordendo o lábio. Era difícil não dizer nada à sua melhor amiga.

– Sim. Ele, no tempo de escola, sempre foi muito dado à Magia Negra. – Elle falou horrorizada. – Era óbvio que se ia tornar um devorador da morte, não há explicação para o Dumbledore ter confiado tanto nele durante tanto tempo, pelo menos nenhuma explicação que eu encontre.

– Bom, Elle, também, de uma maneira ou de outra, eu já deixei de ter esperança de encontrar uma explicação para isso. O Dumbledore lá tinha as suas razões. – Irina assegurou confiante.

– Mas nós temos que continuar a investigar, pode ser útil, Irina, não podes desistir agora. – Elle olhava-a insistente.

– Ok, tens razão. – Irina concordou com um sorriso amável. – Sabes uma coisa? Hoje, o Neville e a Ginny já falaram com os Gryffindor e a reunião do Exército de Dumbledore vai ser na Sala das Necessidades amanhã.

– A sério? Uau, eles estão mesmo decididos. – Elle disse surpreendida. – Bom, nunca pensei…

– Mas há um problema, Elle. – Irina interrompeu a amiga. – A Luna não apareceu, eles apanharam-na, os devoradores apanharam-na por causa do seu pai, que escrevia tudo da guerra no jornal.

– O quê? – Elle perguntou horrorizada. – Eu não acredito, coitada, que horror!

– Nós estamos tão preocupados, mas não é por isso que vamos desistir. Aliás, ao meterem-se com um de nós, eles só estão a aumentar a nossa fúria e, consequentemente, a nossa força, a nossa coragem. – Irina estava com muita mais garra, Elle reparou, ficando feliz, parece que as férias haviam feito bem a ambas.

– Eu também acho. O V ter ido fazer aquele discurso só me fez ficar mais determinada a mostrar às pessoas que há esperança, muita esperança.

– Claro que há. O V desconhece coisas muito importantes e existem muitas pessoas dispostas a sacrificar-se pela vitória do Bem, porque, ao contrário dos Devoradores da Morte, nós amamos o mundo e nós sacrificamo-nos sempre por aquilo que amamos. Eu não digo que eles não amem nada nem ninguém, mas eles não podem amar a causa do V, é impossível amar uma causa impregnada de ódio. – Irina falou convictamente.

– Tens razão. – Elle sorriu, deixando escapar umas lágrimas. – E ao dizeres isso, tenho que pensar numa coisa das férias: perder alguém que eu amo está mais perto de acontecer com esta guerra.

– Oh, Elle… — Ela abraçou a amiga fortemente. – Vai tudo correr bem, nós ainda vamos ser muito felizes. Acredita!

– Irina, eu estou com a força renovada, mas…

– Eu sei, deve magoar não poder falar com muita gente. Só podes falar realmente com a Laura e, mesmo a ela, não deves ter contado muito. – Elle olhou-a. – Eu conheço-te desde que nascemos, sei o quão reservada és. Eu posso não estar sempre aqui, mas conta comigo.

– Obrigada. – Elle agradeceu. – Agora é melhor irmos andando. – Irina foi-se embora e Elle seguiu mais tarde.

– Ah, Irina, chegaste! – Dumbledore abriu a porta como sempre, com um sorriso. – Boa noite!

– Boa noite, Dumbledore! – Irina mostrou-se preocupada. – O Snape contou-lhe o que se passou com a Luna de certeza. Por que é que não me disse nada? Sabe perfeitamente que somos amigas.

– Eu sei, mas achei melhor não te contar, porque…

– Dumbledore, eu confio em si, mesmo. No entanto, o senhor tem de me dar razões para eu confiar ainda mais. Se não me conta coisas tão importantes como essa, como é que isso pode acontecer? – Irina perguntou.

– Eu só não te queria preocupar, mas tens razão, eu devia ter-te contado. Perdoa-me. – Pediu ele.

– Tudo bem, mas ela está bem, não está? – A francesa perguntou-lhe preocupadamente.

– Sim, ela está bem. – Ele assegurou.

– Ótimo. – Irina sentou-se. – O E.D. vai ter a sua primeira reunião amanhã, por isso, não sei se conseguirei vir. – Ela informou.

– Mas tenta vir, Irina. – Ele pediu, sentando-se na poltrona, fazendo ela erguer a sobrancelha. – O que foi?

– Essa é a sua poltrona? – Perguntou ela curiosamente. – Então, aquela é a poltrona do Snape. – Irina falou sem esperar pela resposta do homem.

– O que é que tem?

– Como é que são as conversas com ele, Dumbledore? – Irina perguntou mais seriamente. – Ele conta-lhe tudo, não é? Todos os movimentos do outro lado… — Ela quis saber.

– Tudo o que ele sabe. – O velho respondeu. – Mas não falamos somente disso, não por vontade do Severus. Por ele, não falaríamos de mais nada senão da guerra, mas eu acho que isso não é saudável. Ele tem que fingir todos os dias ser uma pessoa que não é, mas comigo ele pode mostrar-se verdadeiramente e eu tenho que o fazer desanuviar um pouco para ele ter mais força, entendes? – Dumbledore tentou explicar de uma maneira simples e Irina entendia perfeitamente, era tal e qual acontecia com Elle, a amiga também tinha que fingir todos os dias ser quem não é e era com ela e com Laura, também, que ela se podia mostrar verdadeiramente. – Parece que percebes.

– Sim. – Irina respondeu, sentando-se na poltrona em frente a Dumbledore. – Uh, é confortável. Então, diga lá, sobre o que é que vocês falam para além da guerra?

– De muita coisa, Irina, não te sei dizer muito mais. – Ele respondeu, os olhos percorrendo uma memória que Irina não conseguia ver.

– Hum, já falaram de mim? – Irina perguntou com voz de caso.

– Claro que sim. Logo no dia em que me viste. – Dumbledore sorriu com a pergunta. – Ele tinha de saber se tu pensavas ter tido uma alucinação ou se acreditaste que me tinhas visto realmente, mas ele soube logo quando eu lhe disse que me tinhas visto que tu não irias esquecer. Sugeriu, nesse mesmo dia, que ele próprio te desse uma poção, mas eu tinha tomado a decisão de que me iria mostrar a ti. Ele teve que aceitar apesar de a ideia não lhe agradar.

– Estou a ver. – Irina assimilou as palavras do sábio homem. – Então ele nem sequer precisou de, sei lá, olhar para dentro das minhas memórias?

– Nem eu queria que ele tentasse. – Dumbledore respondeu, terminando o assunto por ali. – O Severus é um bom Legillman, poucos oclumancers lhe conseguem resistir, mas não é muito subtil, se é que me entendes. – Irina percebeu. – Mas tu sabes alguma coisa de Legillmancia e Oclumância?

– Sim. – Irina respondeu com um sorriso. – Há algum tempo que eu venho aprendendo Oclumância, Dumbledore. Os meus pais nem sonham com isso, porque eles proibiram-me, só que eu, há muito tempo que sei que a guerra estaria para vir e que tudo o que me pudesse proteger seria bem-vindo. – Irina e Elle treinavam Oclumância desde os 14 anos, foram bons momentos, eram as duas óptimas. – Também aprendi Legillmancia, mas não sou grande coisa. Sinceramente, penso que nem a Oclumância sou assim tão boa, mas consigo resistir a alguns Legillmen. – Irina encolheu os ombros.

– Estou a ver…

– Então, ele não acha boa ideia eu saber tanto… — Ela interrompeu-o, encostando-se na poltrona. – Ainda bem que eu não sei assim tanto. – Disse ela azeda, fazendo Dumbledore rir-se.

– Ai, Irina, tu consegues mesmo fazer com que eu me sinta melhor. Com a tua ajuda espero conseguir recuperar mais depressa. – Ele desejou. – Mas tens razão, não sabes assim tanto. E o Severus até acha melhor assim.

– Dumbledore, eu tenho-me feito algumas perguntas… — A francesa começou, olhando-o seriamente. – Sabe, publicaram um livro sobre o senhor logo após a sua morte…

– Ah, da Rita Skeeter, certo? – Dumbledore perguntou. – Sim, sim, isso já me chegou aos ouvidos. – Respondeu ele com os olhos a brilhar.

– Nada do que estava lá escrito me fez duvidar por um momento da pessoa boa que o senhor é e dos feitos fantásticos que fez pelo nosso mundo. – Dumbledore sorriu, abanando a cabeça. – O que foi?

– O Severus disse-me algo parecido. As pessoas acreditam demasiado em mim. – Ele disse magoado.

– Dumbledore, toda a gente comete erros. – Irina tentou apoiá-lo. – Alguns têm a sorte de tais erros não serem descobertos. Outros não. – Dumbledore deixou duas lágrimas escaparem, fazendo Irina avançar para ele e unir as suas mãos. – Mas alguns, Dumbledore… — Ele olhou-a. – Somente alguns conseguem fazer com que esses erros sejam mínimos com os actos bons que fazem. Porque existe uma verdade, Dumbledore, os actos maus, mesmo que sejam pequenos, conseguem prevalecer sobre os actos bons, mesmo que estes sejam maiores que os maus. Mas o senhor continua a ser amado e lembrado pelo bem que fez. É isso que importa, porque os erros… Bem, os erros, às vezes, põem-nos em baixo, tanto que nós não conseguimos dar a volta por cima, mas o senhor conseguiu e nunca ninguém vai esquecer isso. – Irina abraçou-o fortemente.

– Talvez tenhas razão, Irina. – Ele falou, tentando parar de chorar. – Mas é difícil olhar para mim e ver que eu próprio tenho medo de mim, do que eu posso fazer.

– O senhor é uma boa pessoa, Dumbledore.

– A minha irmã Ariana… Ela foi magoada quando era criança, por muggles. – Dumbledore contou. – Por isso, não pôde frequentar a escola, ela tinha momentos de descontrolo de magia. O meu pai saiu para ajustar contas com esses muggles e, por isso, foi preso. – Ele contou amargurado. – Podes ficar aqui para ouvir o resto da minha história?

– É claro que sim, Dumbledore. – Irina assegurou, sentando-se no chão e continuando a ouvir o homem que, naquele momento, estava frágil.

Elle entrou no seu quarto quinze minutos depois da conversa que tivera com Irina. Laura lia um livro já deitada na cama e olhou-a quando ela bateu com a porta, mas não disse nada, voltando o seu olhar, de novo, para o livro.

Pegando nas suas coisas, Elle dirigiu-se à casa de banho para tomar um duche. De seguida, secou o cabelo suavemente com a sua varinha e voltou para o quarto onde se deitou na cama.

– Boa noite! – Elle desejou a Laura, dando sinal de que iria dormir.

– Boa noite! – A amiga retribuiu, sem tirar os olhos do livro. Porém, dois minutos depois, olhou para Elle, que tinha os olhos fechados. – Elle… — Laura fechou o livro e poisou-o na mesinha de cabeceira, sentando-se na cama. Elle fez o mesmo, questionando-a com o olhar. – Onde é que estiveste? – Deveria ela responder à pergunta da amiga? Ou deveria manter segredo sobre Irina?

– Laura, eu não te posso dizer… — Laura interrompeu-a:

– Elle, tu sabes que eu não sou curiosa, mas eu acho que nós somos amigas. Eu não sou a pessoa mais afável e carinhosa do mundo, mas confio em ti e gosto de ti. No entanto, parece que tu não confias em mim e eu acho que numa relação de amizade há que dar e receber. – Laura disse concisamente.

– Tu tens razão, mas é que eu não sei se te deveria dizer. – Elle falou emocionada.

Irina tinha toda a razão: ela era demasiado reservada, mas a amizade delas tinha de permanecer em segredo. Só que Laura era de confiança, ajudava-a em tudo e nunca a metera em causa. Elas estavam nisto juntas, as três, mesmo Laura não sabendo de Irina. Mas ela tinha todo o direito de saber.

– Elle, por favor, eu só quero o teu bem, tu podes abrir-te mais comigo. – Laura falou, fazendo Elle tomar a sua decisão.

– Lembras-te do porquê de eu ter sido expulsa de Pahtellons? – Perguntou Elle, Laura deu sinal de reconhecimento. – Exato, fugi para ir a uma festa. Não, não foi onde estive, não há festas nem nesta altura, nem por aqui. – Elle falou com humor. – Mas é que nessas festas, eu nunca ia sozinha, ia sempre com a minha melhor amiga…

– A Irina Saint-Claire. – Laura compreendeu.

– A Irina Saint-Claire. – Apoiou Elle com um sorriso. – Conhecemo-nos desde que nascemos, Laura, ela faz praticamente parte da minha família. Eu saio para me encontrar com ela, porque nós decidimos fazer alguma coisa para ajudar a pôr fim ao terror da guerra. E precisamos de falar sobre os nossos planos, e também de, simplesmente… falar. – Elle explicou.

– Então ela sabe de mim? – Perguntou Laura, sentando-se na cama da amiga.

– Sim, desculpa…

– Não, tudo bem, isso significa que eu sou importante para as duas. – Laura abraçou a amiga. – Sabes? De uma maneira ou de outra, eu já sabia mais ou menos que tinha algo a ver com ela. Quer dizer, eu acho que sabia, não tenho a certeza, mas agora que me dizes, parece que eu já estava à espera de algo parecido com isso.

– Acho que entendi. – Elle separou-se do abraço. – Bom, eu acho que agora já posso falar contigo sobre mais alguma coisa.

– Sim, conta-me sobre ela. Ela é tão simpática como tu? – Perguntou Laura, voltando para a sua cama.

– É mais. – Laura não acreditou. – Por alguma razão ela está em Gryffindor. – Explicou ela.

– Não sejas parva, isso não significa nada. – Laura sorriu divertida.

– Neste caso até significa. A Irina, apesar de ser muito impulsiva, consegue ser muito racional quando as circunstâncias assim a obrigam. – Elle contou. – Tu irias gostar de a conhecer, Laura. Um dia, eventualmente, isso acabará por acontecer.

– A sério? – Laura perguntou com um sorriso espelhado no rosto.

– Ela adoraria. – Laura respondeu. – E eu também! Tu, Laura, tens sido espectacular, mais do que eu alguma vez serei.

– Não sejas estúpida, Elle, sem ti, o que eu faço correria mal. – Laura consolou-a. – Tu entendes as pessoas, tu consegues lê-las de uma maneira que eu nunca conseguiria. Tu delinhas o plano todo e é um ótimo plano. Nada correu mal até agora e estamos a ajudar montes de Slytherins, montes de pessoas que têm medo do mal e a quem nós damos esperança pelo Bem. – Ambas sorriram com o seu triunfo. – Há pessoas más, e nós não podemos fazer grande coisa acerca disso, mas nós temos que ajudar as pessoas boas que precisam de apoio, de mais alguém que acredite na vitória do Bem.

– Tu tens razão, realmente temos ajudado bastantes pessoas e, embora as pessoas más existam na nossa equipa, também existem as boas e essas têm que ter esperança. – Elle disse. – Mas quem me dera poder fazer mais alguma coisa. – Elle olhou a amiga. – Sei que não posso. Pelo menos não muito mais. Eu e a Irina, nós fizemos aquilo do Bugs Bunny. – As duas riram-se suavemente. – Foi tão bom! Foi fantástico, aquilo deu tanta esperança, desafiámos o Snape e os Carrow, eu tive uma sensação, no fim, de que nós, alunos, temos muito que dar, nós temos uma palavra a dizer nesta grande guerra. O Dumbledore, Laura, ele é o meu grande herói. Ele pode ter morrido, mas o Bem, a esperança não morreu com ele.

– A esperança é a última a morrer. – Disseram as duas ao mesmo tempo.

– Nunca essa frase fez tanto sentido, pois não, Laura? – Elle perguntou. – É nos maus momentos que percebemos o quão importante é a esperança. A esperança e a coragem!

– Hey, espera aí… Aquilo do Bugs Bunny foi um feitiço de multiplicação, mas ninguém desconfiou das vossas varinhas. Como é que vocês fizeram? – Laura questionou.

– Já te disse, Laura: o Dumbledore é o meu grande ídolo apesar de morto e ele era muito bom em feitiços sem varinha…

– Vocês conseguem praticar feitiços sem a varinha como objeto de canalização da magia? – Elle sorriu com a surpresa da amiga. – Tu tens cada ideia genial, Elle.

– Obrigada. – Elle estava, de um certo modo, feliz pelo reconhecimento. – Ao menos, o Snape nunca saberá.

– Bom, estou um bocado cansada, tenho que dormir. Mas amanhã quero saber mais. – Laura deitou-se. – Boa noite, Elle!

– Boa noite, Laura! – Elle disse sorrindo aliviada, sentia-se bem por se ter aberto a Laura. De seguida, desligou as luzes e deitou-se, fechando os olhos. Adormeceram pouco depois.

Notas finais
O que acharam?

kiss and go,
brunadanih e CR