O Plano do Presidente
2 Richard descobre a verdade
Notas iniciais
Estava decepcionado com sua mãe, pensou que ela confiaria nele e lhe contaria tudo. Também ficou desapontado consigo mesmo, por ter sido tão ingênuo a ponto de acreditar nisso. O problema não era essa desilusão, mas sim o fato de não saber como descobriria o que estava acontecendo. Precisava do seu computador para organizar as ideias...
Caminhou até o seu quarto de maneira rápida, sem observar o corredor nem quem caminhava nele.
Abriu a porta, entrou no quarto e fechou-a de maneira brusca. A cama estava toda desarrumada e havia roupas por todo lado, espalhadas pelos móveis e pelo chão; fez uma nota mental para organizar tudo mais tarde — se não o fizesse, sua mãe ficaria muito brava com ele. Onde está o computador? Richard começou a procurar, achando-o, alguns minutos depois, embaixo da cama.
No Word, fez uma lista de todas as coisas que sabia. Após, fez uma lista com todos que, talvez, pudessem ajudá-lo a descobrir.
Ele sabia que seu pai estava muito preocupado; o problema afeta muita gente (conclusão óbvia, para ele estar tão preocupado); o plano é dos ministros e seu pai havia acatado a ideia. Quanto às pessoas que poderiam ajudá-lo, ele não conseguia pensar em ninguém que soubesse e estivesse disposto a falar.
Pensou em desistir, deixar de lado, já as coisas não eram favoráveis para que ele descobrisse, talvez fosse um sinal avisando que ele não deveria saber.
Não! Não posso me conformar, preciso saber o que houve.
Começou a andar calmamente de um lado para o outro, como sempre fazia quando estava pensando. Ficou horas no quarto observando as paredes, o chão e o teto, como se pudessem lhe dar uma resposta. Os olhos pesavam, os pés doíam de tanto caminhar, sua cabeça latejava, a gota d'água foi quando seu estômago começou a roncar. Olhou para o relógio, já eram onze horas da noite.
Decidiu ir até a cozinha pegar algo. Tomou cuidado para não fazer barulho ao passar pelos quartos, pois muitos já estavam dormindo nesse horário. Estava escuro, e ele não tinha o celular para iluminar nem podia ligar as luzes para não chamar a atenção dos que dormiam, o que levou-o a alguns tombos nas escadas e corredores mais estreitos. Dobrou à esquerda, desceu mais um lance de escadas e chegou na cozinha.
A cozinha era a melhor parte da Casa Branca: enorme, toda de inox, sempre limpa e, a melhor parte, era lá que ficava a comida. Ligou as luzes e logo começou a comer um salgadinho qualquer que achou no armário. Se escorou no balcão, e, quando olhou para o lado, viu uma garotinha devorando um pote cheio de cookies. Era Penelope, filha da cozinheira Marie. Penelope tinha oito anos, era muito simpática e gentil. E gostava de comer. Não era a primeira vez que Richard a encontrava na cozinha, nem seria a última.
— Oi, Penelope!
— Oi, Richard! — falou ela, de maneira alegre. — Por que está aqui?
— Como assim? Só estou com fome, como você!
— Hum, não. Você quando tá bem come tudo que tem que comer no jantar e não vem aqui. Quando não tá bem você não desce pro jantar e vem comer aqui mais tarde.
Penelope era definitivamente mais esperta do que Richard pensava.
— É que está acontecendo algo com o presidente, ele está muito nervoso... Meu pai nunca fica assim. Até minha mãe está estranha.
— Tem algo a ver com o trabalho deles?
— Sim!
— Ah, então eu sei o que houve — disse, enfiando a mão no pote de cookies.
— E o que houve? — Duvidava que a menina soubesse, mas não custava tentar.
— O Presidente criou robozinhos bem pequenos — Chips microscópicos? pensou Richard. — para ficarem na água. Era para alguém colocar esses robozinhos na água de um tal Jim — Jim Jong-un, o presidente da Coréia do Norte! — e matar ele — ela mastigava os cookies de boca aperta enquanto falava. — Disseram que os robôs soltam veneno ou sei lá o quê...
Não é possível, isso não posso ser verdade...
— Penelope, como você sabe disso?
Ela mastigou um pouco e engoliu antes de responder. — Eu tava brincando de esconde-esconde com a mãe, me escondi na sala do presidente, atrás de um sofá, e ouvi uma conversa com o Presidente no telefone, falando com alguém. Depois ele começou a gritar, fiquei até assustada.
— Com quem que o presidente falava no telefone?
— O cientista que inventou esses robozinhos, eu acho.
— E você sabe por que o presidente ficou bravo?
— Porque ele tinha colocado os robozinhos dentro de uma garrafa de água e ela sumiu. Quer dizer, não sumiu. Foi roubada por esse mesmo Kim que eles queriam matar. O presidente também disse que precisa de um plano, porque a terceira guerra mundial começou.
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