O Plano de uma Heroina
5 Epílogo
Notas iniciais
Eu acordei depois de um longo sonho, onde tudo parecia real demais, e uma garota com uma voz familiar sussurrava em meus ouvidos palavras de agradecimento. Gisele estava ao meu lado dormindo, nossa, ela estava muito linda, e como sempre, minhas costas estavam doendo. Eu levantei, com aquela mensagem viva até demais na minha cabeça... Hospital... Maria Eduarda... Poderes... Palavras chaves que pareciam estar pregadas na minha cabeça.
Fui até a cozinha e preparei um café expresso, enquanto refletia sobre o sonho, depois fui para sala. Claro que, daqui umas horas eu o esqueceria, um sonho bobo de ter vivido uma aventura incrível quando eu era adolescente e tinha acabado de me mudar para São Paulo. Hoje, 10 anos depois, 2022, eu já não sou mais aquele garoto bobo que era.
Certo, eu sou um bobão, mas de um jeito bem nerd e responsável, afinal eu sou casado! Só não tenho filhos, mas por algum motivo nunca quis ter.
Mesmo repassando isso na cabeça, a vontade de acreditar que fora real ainda estava ali, tão forte como se fosse algo palpável, me imaginar salvando uma garota super poderosa, passando por portais místicos e encontrando pessoas igualmente extraordinárias, mesmo que por instantes, me fazia me sentir realizado, como se minha vida bastante respeitada na área da informática não servisse mais para isso, essa rotina não servia para satisfazer meu senso por aventuras.
Me espreguicei e dei uma risada.
"Claro, Carlos, você com certeza salvou uma garota super poderosa, olha, não há nada de errado em pensar nisso, afinal isso nunca realmente vai interferir na sua vida. Enquanto isso for apenas uma realização pessoal, não há problemas certo?
A partir de agora, você não só salvou uma garota telepata, você voou com dragões! Não foi o máximo? E teve aquele dia em que você ajudou a Daenerys conquistar os 7 reinos em nome dos Targaryen, foi um dos dias mais loucos de sua vida!".
Eu bebericava o café enquanto esses pensamentos doidos passavam pela minha cabeça, eu deveria ser um escritor. Enquanto eu refletia em minhas grandes ideias, a lâmpada do abajur que eu havia acendido explodira em mil pedacinhos, como se alguém tivesse jogado uma bola de boliche em cima dela. Eu pulei de susto, derramando o resto do café na minha roupa. Rosnei.
A campainha tocou enlouquecidamente depois disso, ainda era de madrugada, e o porteiro não havia avisado, seria um dos meus vizinhos? Talvez alguém veio perguntar se eu estava bem por ter ouvido um barulho e um grito, sim, deve ser isso.
Enquanto eu me aproximava da porta, pronto para dizer que estava tudo bem, outro pensamento engraçado me veio à cabeça: "Como alguém acordaria e se preocuparia em vir aqui tão rapidamente?". A curiosidade me moveu ainda mais depressa, nem ao menos me incomodei em ver pelo visor da porta quem era.
Quando eu abri, minha boca foi ao chão.
— Carlos? – uma garota, não, uma mulher jovem, ensanguentada e com roupas rasgadas, cheia de ferimentos e marcas roxas, estava parada em frente à minha porta – Sou eu... Dud.....
Ela não chegou a terminar a frase, apenas desmaiou dentro do meu apartamento.
Minha vida virou de cabeça para baixo completamente.
De novo.
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