O Plano da Conquista - Perina
30 O que seu coração está dizendo?
Notas iniciais
Narrador (a)
Karina acordou com uma dor de cabeça terrível, não havia nem sequer bebido muito, mas a dor de cabeça era bem incômoda, talvez o desconforto tenha sido pela situação que se metera ao sair da festa acompanhada de Pedro, essa era uma grande possibilidade. Apesar da indisposição levantou bem cedo, Bianca não estava no quarto, parecia não ter dormido em casa, a loira seguiu para o banheiro e tomou um banho, vestiu algo confortável e foi para a sala, olhou o celular e então viu as mensagens de Bianca, havia dormido na casa de Ruiva.
Ainda assim nenhum sinal dos demais, provavelmente dormindo ou já haviam saído, enviou uma mensagem para João, mas esse não a respondera, havia passado por seu quarto, mas a porta estava trancada, resolveu não bater, por isso as tentativas falhas pelo celular. Karina resolveu então tomar seu café da manhã, apenas uma fruta e um suco, estava um pouco indisposta ainda, apesar do banho tomado, sentou-se no sofá e ligou a tv, mas sua atenção não estava no programa que passava, seus pensamentos estavam longe, seus pensamentos estavam em Pedro e na quase conversa que tiveram. As coisas ainda estavam confusas para Karina, por que o guitarrista não quis conversar?! Por que sua reação foi indiferente?! Dúvidas e mais dúvidas surgiam na cabeça da jovem. Despertou de seus pensamentos com algumas batidas na porta.
— Pedro?! – A loira falou assim que viu a presença do guitarrista à sua frente.
Karina
Pedro estava sentado à minha frente, nenhum de nós havia pronunciado uma palavra sequer, o silêncio parecia reinar no ambiente, apenas nossas respirações eram ouvidas. Estava confusa com sua presença, na noite anterior ele havia deixado claro que não queria conversar, o que mudou agora?! Por que ele está aqui?!
— Vamos ficar apenas nos encarando? – Tomei coragem e o questionei, aquele silêncio todo já estava me deixando ansiosa.
— Não, vamos conversar – ele estava sério – Acho que já passou da hora.
— Agora você quer conversar?! Ontem você simplesmente ignorou o que eu disse, pensei que não quisesse falar comigo.
— Ontem não estávamos em condições de ter essa conversa, você havia bebido.
— E você, por qual motivo não estava em condições? – Lembrei-me da moça que o acompanhava na festa – Por causa da Eduarda?
— Não é isso, eu apenas não sabia o que fazer, o que dizer, estava tudo muito confuso no momento para dizer qualquer coisa.
— E agora?
— Ainda é confuso para mim – Pedro levantou-se – As coisas aconteceram de uma forma que não imaginei que pudesse acontecer, eu sempre gostei de você Karina, eu até concordei com o João de...
— Fazer parte de um plano para me conquistar.
— Você sabia? – Ele me encarou – O João contou a você foi isso?
— Não, ele não me contou nada, eu é que acabei ouvindo uma conversa sua, eu não sabia que você sentia algo por mim, por que você não me contou desde o início?
— Você não teria me dado atenção Karina, eu sempre fui um invisível para você.
— Você tem razão, eu sempre fui muito estúpida e também não sabia ou só não entendia o que estava sentindo, nem percebia que você gostava de mim.
— Eu não só gostava de você, eu era apaixonado por você Karina, mas...
— Era? – O interrompi – Você não sente mais nada por mim?
O silêncio tomou conta do ambiente mais uma vez, Pedro e eu nos encarávamos novamente. Por que as coisas entre nós eram tão confusas?! Por que éramos tão complicados?!
— Eu tinha dúvidas de vir aqui – Iniciou – Eu não sabia se deveria vir, passei a noite em claro remoendo o que você me disse e até quando me deitei, a sua voz ainda ecoava pela minha cabeça, cheguei a conversar com meu pai, eu precisava que alguém me dissesse o que fazer e então meu pai me disse – sem perceber estávamos próximos, Pedro parecia conter um imã que me puxava para si.
— O que ele lhe falou?
— Que eu deveria ouvir o meu coração – Aquela íris castanhas novamente, senti a garganta secar.
— E o que o seu coração está dizendo? – Medo, era o que eu sentia no momento, já sentia meu coração bater mais forte, eu estava apavorada.
Pedro me olhava como se processasse o momento, como se estivesse decidindo naquele momento o que queria ou deveria fazer, me senti nervosa, ansiosa, senti minhas pernas bambearem, acho que ele notou meu desconforto, me encarou novamente.
— Eu perguntei primeiro... O que ele está dizendo Pedro? – Toquei seu peito.
— Que eu ainda sou apaixonado por você – Pedro aproximou-se ficando a centímetros de mim, senti o toque de suas mãos em meu rosto, nossas respirações se misturavam por causa da proximidade, senti um arrepio me percorrer quando Pedro deslizou sua face pela a minha, seus lábios pareciam brincar com os meus, eu ansiava por esse momento e então ele uniu nossos lábios em um beijo.
Seu beijo era delicado e envolvente, Pedro com uma de suas mãos tocou minha cintura e com a outra tocava-me a nuca, senti novamente um arrepio, seu toque parecia penetrar-me os poros e me causar essa sensação.
Pedro
— E agora? – Estávamos deitados no chão próximo ao sofá, tínhamos o olhar voltado para o teto, eu particularmente me sentia um misto de sensações dentro de mim, tantas sensações que eu nem sequer poderia contar, mas com certeza eu estava me sentindo bem, muito bem, aliás.
— Eu não sei, o que você acha que deve acontecer agora? – Ela virou me encarando.
Karina me encarava, aguardando uma resposta, eu sinceramente não fazia ideia, a única certeza que tinha, era que agora que estamos juntos eu não queria me afastar, um segundo sequer.
— Karina, eu sempre fui apaixonado por você – encarei seus olhos – Eu só sei que quero estar com você. Mas e você?! Quer estar comigo? Por que você sabe que as pessoas vão nos olhar e vão falar coisas...
— Eu não me importo, eu quero ficar com você, eu não quero mais me fingir de durona, negando o que sinto por você, eu estou completamente apaixonada e eu quero sim estar com você Pedro.
— Karina Duarte, você quer namorar comigo?
— Eu quero.
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