O Plano da Conquista - Perina
27 Ela não é minha namorada
Notas iniciais
Narrador (a)
Pedro movia-se desajeitado, realmente não sabia dançar, Karina tentara ensiná-lo antes, mas não eram apenas os movimentos e sim a vergonha de estar em público, era bastante tímido. Eduarda movia-se mais animada, a moça tinha bastante desenvoltura.
—Anime-se Pedro, estamos em uma festa – Eduarda pegou em suas mãos e tentava ajudar o rapaz a movimentar-se de uma forma mais solta e leve.
—Desculpe-me, mas realmente não sei dançar – falou a mexer-se de forma desengonçada.
—Tudo bem, ninguém realmente repara na forma que os outros estão dançando, então não se preocupe, eu também não sei dançar, mas não me importo, apenas deixo as coisas rolarem – Eduarda pousou o olhar em Pedro, mais especificamente em seus olhos, aproximou-se ao ritmo da música.
—Mas pelo que vejo, você sabe e muito, você dança muito bem – sorriu sem jeito.
—Obrigada – Eduarda aproximou-se mais um pouco, estava a centímetros de Pedro e claramente demonstrava suas reais intenções – Obrigada por ter me convidado também, por dançar comigo...
—Pedro ainda bem que te encontrei – Rominho os interrompeu – Desculpe interromper, mas temos um problema.
—O que houve? – Pedro preocupou-se.
—O gelo acabou cara, tem uma fila de gente no bar, mas não tem mais um cubo de gelo, o que a gente faz agora?
—Não precisa se preocupar com isso, como imaginei que isso poderia acontecer, eu deixei parte do gelo lá no Perfeitão, já que não teria espaço aqui.
—Só você para nos salvar cara, é sério.
—Eu vou lá pegar o gelo e volto logo, com licença – Pedro despediu-se momentaneamente de Eduarda.
—Eu te acompanho – Rominho se ofereceu.
Karina
Enfim consegui me livrar da Bianca um pouco, ela pode ser bem insistente às vezes. Vir a essa festa não foi uma boa ideia, ver o Pedro não me faz bem, depois que descobri que estou apaixonada por ele e que ele estava apaixonado por mim, tudo parece ter ficado ainda mais complicado.
—Pedro eu posso ir sozinho cara, volta lá e continua a dançar com a gatinha, eu notei que entre vocês estava rolando o maior clima, não queria ter atrapalhado as coisas.
—Não atrapalhou nada cara, a Eduarda e eu estávamos apenas dançando e vamos logo que assim poderemos trazer todo o gelo de uma só vez.
—Tudo bem, você que manda.
Não pude evitar ouvir a conversa entre o Rominho e o Pedro, pelo visto ele já está seguindo em frente.
—Achei você – Bianca aproximou-se – Eu não tive esse trabalho todo de tirar você de casa para você ficar aqui no canto isolada, então, vamos dançar e não adianta reclamar — Como eu disse, a Bianca pode ser bem insistente as vezes.
(...)
Bianca tentava me animar, mas sinceramente eu não estava nem um pouco afim de continuar naquela festa.
—Caramba, você está péssima – Bianca falou enquanto estávamos na pista de dança – O que está rolando K? Me conta, por favor, deixa eu te ajudar.
—Por isso que eu não queria vir – falei sincera – Eu vou pegar algo para beber, você quer? – Desconversei.
—Não, não, estou bem obrigada.
Reconheço que Bianca queria apenas me animar, que ela só quer o meu bem, mas não estava me sentindo muito bem, principalmente depois de saber que o Pedro estava seguindo em frente, definitivamente não estou no clima de festa.
Narrador (a)
Rominho ajudou Pedro a pegar o gelo no Perfeitão e voltaram imediatamente para Ribalta, a festa não poderia parar. No percurso Rominho desculpava-se novamente por ter interrompido o possível casal, mas Pedro logo desconversara, não imaginava outra relação com Eduarda que não fosse amizade, até mesmo porque a única que fazia seu coração balançar era uma certa loira.
—Pronto, agora que organizamos tudo, você pode voltar a dançar com a Eduarda.
—Sinceramente, eu prefiro não dançar, eu sou péssimo nisso.
—Mas até que você estava dançando direitinho – Rominho tentou imitar seus movimentos.
—Terminou? – Pedro sorriu com a brincadeira do amigo e colega de banda – Agora que tudo está organizado, eu vou procurar a Eduarda, não quero deixá-la só, me sinto responsável, já que foi eu que a convidei.
—Isso aí cara, vai lá – incentivou-o – Aproveita.
Pedro apenas balançou a cabeça negativamente com o comentário de Rominho.
Pedro
A pista de dança estava bastante animada, a luz havia diminuído e o show de luzes dava um colorido ao lugar. Vi João conversando com Malu e resolvi não atrapalhar, se esses dois se entenderem, talvez ele consiga fazer o que eu não consigo, seguir em frente. Resolvi beber algo, antes de procurar em meio a tantas pessoas a minha convidada. Péssima ideia.
—Mais um por favor – Karina estava ali, tentei a noite toda não a encontrar, mas o destino as vezes parece jogar conosco.
—A gatinha está sozinha? – Um rapaz aproximou-se dela.
—Estou e pretendo continuar, então se me fizer o favor...
—Ah que é isso gatinha, vamos dançar um pouco, tenho certeza que não irá se arrepender.
—Eu não estou afim – Karina parecia estar um pouco bêbada. Não acredito que isso está se repetindo.
—Só uma dança, você vai gostar, vem – ele pegava em seu braço, mas que cara insistente.
—Ela já falou que não está afim – sei que prometi a mim mesmo me afastar de Karina, mas não poderia, não neste momento, ela precisava de ajuda.
—O convite não é para você.
—O que está acontecendo aqui? – Nando se aproximou.
—Nada, não é mesmo?! – Esse cara é muito estranho, nunca o vi pela Academia ou Ribalta, mas pelo menos afastou-se da Karina.
—Obrigado Nando – o agradeci.
—Acho melhor leva-la para casa – Nando sugeriu
—Acho que você já bebeu demais, eu vou chamar o Jhonny – Tentei ajudá-la.
—Eu não preciso de ajuda, eu estou bem, não se preocupe – Karina falava com a cabeça baixa, parecia evitar me olhar – Não bebi tanto assim, eu posso me virar sozinha.
—Pelo visto continua teimosa- as palavras saíram e não pude evitar.
—Olha, não preciso de ajuda, está bem, pode continuar a dançar com sua namorada, eu me viro – Karina afastou-se rápido, antes que eu pudesse dizer algo, mas não poderia deixá-la sozinha, não naquele estado.
—Karina espera – peguei em seu braço.
—Olha Pedro, não precisa se preocupar, eu já falei, estou bem – ela puxou o braço, mas acabou se desequilibrando.
—Cuidado – segurei-a – É melhor se sentar um pouco. A acompanhei até um local mais reservado – Eu vou chamar o Jhonny, não é bom que fique sozinha, não nesse estado.
—Eu já falei e vou repetir, não precisa, eu não estou tão bêbada assim.
—Assim mesmo eu vou chama-lo, é o melhor a se fazer.
—Como sempre certinho – pude ouvi-la resmungar.
—Por que você sempre dificulta as coisas Karina, por que você é tão cabeça dura?! – então ela me olhou, aqueles olhos azuis.
—Eu quero ir para casa – ela parecia ter baixado a guarda – Só, chama o meu pai, por favor.
—Eu levo você – estendi a mão para que se apoiasse ao levantar.
Karina
Aceitar sua ajuda não mudaria as coisas, mas confesso que seria bom ter um momento com o Pedro, mesmo que alguns poucos minutos.
Pedro estendeu a mão para que eu me apoiasse, mas não sabia se isso seria uma boa ideia, ter um momento a sós com Pedro eu poderia aguentar, mas seu toque?!
—Vamos, eu a ajudo – Pedro me ajudou a levantar, não estava muito bêbada, mas o suficiente para ficar um pouco tonta.
—Pedro, obrigada, mas acho melhor você voltar para a festa, a sua namorada deve estar te procurando.
—Ela não é minha namorada e você está precisando de ajuda, só me deixe ajuda-la – Pedro tinha uma expressão calma, seus olhos castanhos, suas pintinhas, seus detalhes, me hipnotizavam.
—Ela não é sua namorada?! – Eu sentia a necessidade de confirmar.
—Não – Pedro estava muito próximo, tocou levemente a minha cintura, seus olhos pareciam me penetrar a alma.
—Pedro – senti como uma corrente elétrica passar por todo o meu corpo, um arrepio com seu toque, não resisti e o beijei.
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