O Plano da Conquista - Perina
24 Completamente Apaixonada
Notas iniciais
Pedro
Cheguei à Ribalta e encontrei a banda toda reunida, eles discutiam algo entre eles, quando a Sol me viu, logo me puxou para a discussão.
—O que foi que houve? – Perguntei.
—O aniversário do Nando está chegando, semana que vem já – Sol iniciou.
—E estamos pensando em fazer uma festa – Paula continuou.
—Só que não entramos em um consenso de festa perfeita para o Nando – Luiz Cláudio continuou a discussão – Você tem alguma ideia?
—Bom, é um pouco difícil escolher sobre algo que ele goste, até porque o Nando praticamente gosta de tudo, a ideia é fazer algo animado e nada formal.
—Até porque formalidade não tem nada a ver com o Nando, ele é mó crianção – Paula concluiu.
—Eu tive uma ideia – iniciou Rominho – Que tal uma festa à fantasia?
—Isso – Sol se animou.
—Isso o quê? – Nando chegou interrompendo a discussão.
—Nada de mais, só estávamos entrando em consenso a respeito de uma música que sugeri para o ensaio – Sol desconversou.
—Tá ok – Nando não se convenceu, mas pareceu não se preocupar em saber o assunto comentado entre nós – Vamos iniciar esse ensaio?!
—Claro – todos concordaram.
Narrador(a)
O ensaio como sempre foi incrível, a banda sempre se empenhava ao máximo mesmo nos ensaios, Galera da Ribalta era uma banda com integrantes completamente diferentes, mas que se davam super bem quando o assunto era música.
—Alguma ideia de como vamos fazer a festa do Nando? – Rominho perguntou ao fim do ensaio.
—Podemos falar com a Lucrécia e o Edgar, para realizar a festa dele aqui mesmo na Ribalta – Sol comentou.
—E podemos usar as fantasias do acervo daqui mesmo, da Ribalta – Pedro sugeriu.
—Boa – Paula concordou.
—A única coisa que devemos nos preocupar é realizar essa festa sem o Nando descobrir, senão vai estragar a surpresa – Luiz Cláudio deu sua opinião.
—Mas como vamos fazer algo sem o Nando descobrir, ele vive aqui na Ribalta?! – Rominho levantou uma importante questão.
—Temos que conseguir, acho que não será tão difícil – Sol concluiu – Agora eu preciso ir, o caminho pra Marechal é longe – todos se despediram.
(...)
Pedro recolheu suas coisas e saia da sala de ensaio quando esbarrou em alguém.
—Ah, me desculpe – Pedro agachou-se recolhendo suas partituras.
—Desculpe, eu não vi você – a moça desculpou-se ajudando o guitarrista a recolher seus papéis.
—Obrigado – agradeceu.
—Oi, meu nome é Eduarda, mas pode me chamar de Duda – apresentou-se apertando a mão do guitarrista.
-Aluna nova?
—Mudei a pouco e descobri a Ribalta, então, resolvi me matricular.
—E qual o seu talento?
—Bom, dizem que eu canto bem – sorriu – E que toco guitarra de forma mediana, então resolvi tentar.
—Ah então acho que você se dará bem aqui.
—Tomara, mas me diz uma coisa, você sabe onde posso encontrar o Nando, preciso falar com ele se quero entrar na Ribalta.
—Claro, ele com certeza está no último andar, tem uma porta à direita, onde ele geralmente fica.
—Ah obrigada – agradeceu – A gente se esbarra por aí.
—A gente se vê e obrigada pela ajuda – falou balançando as partituras.
—Eu que agradeço pela ajuda.
—Bom eu preciso ir, então tchau.
—Tchau– acenou despedindo-se – Ei – tentou chamar a atenção do guitarrista, mas o mesmo já estava longe – Qual será o nome desse garoto?
Karina
Não conseguia parar de andar de um lado a outro em meu quarto, não poderia ser verdade o que havia acabado de ouvir, como isso era possível?!
—Desse jeito vai fazer um buraco no chão – João falou na porta.
—Por que não me disse? – Perguntei.
—Eu não tinha esse direito.
—Como não?! Você é meu irmão, você é amigo dele, mas é claro que você poderia ter contado.
—Não é bem assim Karina – João entrou e sentou em minha cama, fazendo sinal para que sentasse ao seu lado – O Pedro é meu melhor amigo, acho que nos conhecemos desde sempre, eu conheci o Pedro nerd, que usava óculos, aparelho, o Pedro que penteava o cabelo de lado e não sabia se vestir, eu conheci o Pedro inseguro, medroso, que me confessou uma paixão por uma garota popular que nem sequer o conhecia, eu conheci esse Pedro. O que eu quero dizer é que, eu não posso me envolver desta forma em um assunto particular de um amigo e o Pedro eu considero mais que um amigo.
—Mas se você tivesse me contado...
—Se desde o início eu tivesse contado a você que o Pedro estava apaixonado por você, o que teria feito? Você teria dado uma chance a ele, ao Pedro “nerd e desengonçado” como você mesmo o chamou?
—Você tem razão – admiti – Eu não teria dado o devido valor ao que ele sentia por mim, eu não teria me importado com o que ele sentia, eu teria o magoado.
—Escuta – João tocou em meu rosto – Eu não disse nada porque os únicos que podem resolver esse assunto são vocês dois, eu não poderia me meter, eu não poderia trair nenhum dos dois, entende?!
—Entendo, mas agora que sei de tudo, sinto que estou ainda mais distante dele.
—Você sabe muito bem que pode fazer algo para mudar isso.
—João, eu já causei tanto mal ao Pedro, eu não seria uma boa pessoa para estar a seu lado, ele merece alguém melhor do que eu. Fui tão estúpida e cega.
—Você sabe que isso é um erro, não sabe?
—Pode até ser, mas ele não merece que eu chegue para bagunçar a vida dele, ele não merece alguém como eu, sabe?! O Pedro é um cara tão incrível e muito especial, magoar ele é a última coisa que eu quero fazer agora.
—K espera, deixa que as coisas se acalmem um pouco, você não precisa decidir isso agora tá legal?!
—Já está decidido, eu não posso continuar magoando ele dessa forma, eu estava tão cega que não notei antes o que ele sentia por mim, muito menos notei o que eu mesma sentia.
—Por que você não experimenta contar o que sente?! Talvez tudo se resolva. Você sabe muito bem que as coisas são simples, a gente é que complica tudo.
—Você acha mesmo que as coisas são simples?
—Eu só acho que se vocês dois pararem de ser cabeças duras, tudo vai se resolver.
—Eu realmente gostaria que isso fosse verdade.
—Karina, não...
—Eu já me decidi, eu vou desistir do Pedro.
—Karina, não faz isso, você nem sequer se deu uma chance.
—Nunca conte para ele que eu sei de tudo.
—Eu não posso fazer isso, não dessa vez.
—Por mim, pelo Pedro, você sabe que isso é o melhor para nós dois – Toquei em suas mãos – Me prometa que não vai contar nada.
—Karina você sabe que isso é burrice, você vai se arrepender disso.
—Me prometa – João me encarou reprovando minha decisão.
—Eu prometo.
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