O Pintor Sangrento
1 O Começo
Notas iniciais

CAPÍTULO 1: O COMEÇO
— B-Bonnie!
A criança soluçou o nome em uma voz chorosa, o mesmo tentava inutilmente enxugar suas lágrimas constantes.
Não apenas ele, mas todas as outras crianças que rodeavam o coelhinho branco que naquele dia havia falecido de velhice.
— Não se preocupem, agora ele está em um lugar melhor.
Falou sua professora tentando reconfortar as crianças que choravam.
— I-irei s-sentir su-sua fa-falta se-senhor Bonnie. — A garotinha loira de maria chiquinhas falou entre soluços.
Não apenas ela, mas todos os alunos se dependiam em lágrimas do seu amigo coelho.
— Professora.
Uma voz masculina chamou atenção da professora que estava com os outros alunos. A mais velha olhou para o menino que já estava com sua mochila preparado para ir embora.
— Sai, quer se despedir do senhor Bonnie?
— Não, ele já está morto então não tem importância. — Falou calmo e inexpressivo deixando sua professora chocada, os alunos repentinamente param de chorar olhando assustados para o garotinho pálido. — Será que posso ir para casa? Quero estudar para as provas que virão.
— Oh, si-sim, claro.
Sua professora pareceu sem jeito com as palavras do garotinho de apenas 7 anos. Ele apenas fez uma reverência e se virou para ir embora.
— Ele é assustador.
— Um coração de pedra.
— Crianças não digam isso. — Repreendeu sua profesora.
Conseguiu ouvir as vozes um pouco abafadas atrás de si.
Ele apenas não sentiu nada, não entendia todo aquele choro, não entendia aquele sentimento que expressavam. Então pra que continuaria ali?
1 ano depois...
Risadas e mais risadas. Sua sala era formada por grupos e duplas que conversavam coisas aleatórias sendo fofocas, vídeo-games, ou o que havia feito ontem. Alguns riam de piadas e trocadilhos entre si, sorrisos radiantes e alegres por todos os lados.
Um garoto pálido sentando no fundo da sala apenas analisava cada sorriso, como se tentasse entender os "sentimentos" que eram expressados.
O mesmo batia repetidamente a ponta de seu lápis na folha que tinha um simples sorriso desenhado em lápis grafite.
Este é Sai o garoto esquisito da escola, todos nunca viram algum tipo de expressão em seu rosto pálido como se não tivesse sentimentos para expressar.
Depois do acontecimento de um ano atrás o mesmo ficou conhecido como "Coração de pedra". Ele realmente não se importavam do que o chamavam, ate que combinava com ele. Alguém que nunca conseguiu sentir algo.
O som da porta sendo aberta fez todos os alunos sentarem em seus lugares.
— Bom dia!
Falou sua professora entrando na sala.
— Bom dia! — Respondeu os alunos, menos Sai que permaneceu calado.
— Hoje teremos uma nova aluna, então espero que a tratem bem! — Anunciou a mulher deixando todos os alunos curiosos começando a sussurrarem entre si. — Silêncio! — Pediu a professora, todos ficaram quietos. — Vamos entre.
A mulher olhou para a porta esperando algo. Automaticamente todos olharam para o mesmo lugar. Sai não se importava nem um pouco com aquilo tudo, seria apenas mais um.
Uma garotinha tímida entrou de cabeça baixa rapidamente indo para perto da professora. Os cabelos raros chamou atenção de Sai, a encarava fixamente, olhos esmeraldas se encontraram com os seus, ficou um curto período de tempo trocando olhares com a novata até a professora chamar a atenção da rosada.
— Se apresente. — Falou dócil com a garotinha tímida.
— Hm... — A mesma olhou para seus sapatos envergonhada. — Me chamo Haruno Sakura.
Falou breve, a sua voz doce e trêmula estranhamente chamou atenção de Sai. Parecia que tudo naquela garotinha tímida chamava sua atenção.
— Tsc, eu não ouvi nada! — Reclamou um dos garotos deixando Sakura mais nervosa.
— Silêncio. — Pediu a professora. — Querida, poderia repetir mais alto? — Pediu a mulher.
A garota confirmou, sentia todo seu corpo tremer, era assustador para ela estar ali.
— Me chamo Ha-Haruno Sakura.
Desta vez sua voz saiu em um fio. O garoto apenas a deixou mais nervosa.
— Fale mais alto droga! — Reclamou outro garoto.
— Ei olhe a boca! — Repreendeu a professora.
— Pf não tem problema, apenas podemos chamá-la de testa de marquise.
O comentário do outro garoto tirou gargalhadas da sala. Sai viu os olhos esmeraldas brilharem, a rosada tentava de tudo para segurar suas lágrimas.
— Ela se chama Sakura.
A voz repentina de Sai fez todos se calarem, recebeu vários olhares surpresos, principalmente de Sakura.
— Ótimo, então Sakura pode se sentar.
Sakura fez o que sua professora mandou e sentou-se no único lugar vazio da sala, que no caso seria ao lado de Sai.
— Pf realmente um belo casal de esquisitões.
O comentário de um dos alunos deixou Sakura triste, achava que graças a ela havia levado Sai ao fundo do poço junto a ela.
Triste olhou de relance para o garoto ao seu lado, o mesmo não parecia se importar nem um pouco, Sakura pensou que provavelmente ele já era acostumado a isso.
As aulas passaram como todas as outras. Finalmente o toque no recreio soou e Sai como todas vezes foi para algum lugar isolada com seu bentô e o inseparável caderno de desenhos.
Estava sentado no gramado verde do jardim da escola. Havia acabado de comer e já estava desenhando coisas aleatórias em seu caderno. O rapaz parou por um tempo e observou o que havia feito. Um corvo muito bem desenhado, ele estava descansando em um galho de cerejeira.
Estranhou seu feito, normalmente não desenhava coisas do tipo.
— Uau!
A voz feminina atrás de si chamou sua atenção, nem mesmo precisaria se virar para saber quem era, havia decorado aquele tom muito bem.
— Você desenha muito bem!
— Eu sei.
Falou indiferente levantando sua cabeça para enxergar a garota de cabelos rosas, novamente os dois começaram a trocar olhares.
— Se acha muito, sabia.
A garotinha fez um bico logo sentando ao seu lado.
— Obrigada por mais cedo. — Agradeceu envergonhada.
Sai apenas permaneceu observando a feição de Sakura, seu instinto de desenhista pedia para desenha-lá. Algo estranho já que Sai nunca foi de desenhar pessoas. Apenas desenhava paisagens estranhas e sem vida que vinham em sua mente, ou alguns animais estranhos que sua imaginação permitia criar.
Talvez fosse seus cabelos raros e chamativos, e principalmente seus grandes olhos verdes e brilhantes. Simplesmente tudo chamava sua atenção.
— Desculpa.
Sai não entendeu do que a garota estava falando, Sakura percebendo isso tentou se explicar.
— Graças a mim eles te chamaram de esquisito... — A garota parecia magoada.
— Não é de hoje isso.
— Sério? — Olhou surpresa para o garoto. — Mas por que? Eu não te achei esquisito.
— Você ainda não me conhece direito é por isso.
— Eles também não! — A determinação da garota chamou sua atenção. — Ninguém nunca conhece ninguém direito. Ainda mais eles, aquele tipo de pessoa acusa outros apenas por sua aparência.
Sai ficou um tempo em silêncio observando os olhos determinados da rosada.
— Eles me chamam de "coração de pedra". — Falou ainda a encarando sem expressão alguma. — Sabe, eu nunca consegui sentir algum sentimento. Uma vez o mascote da turma morreu e eu nem mesmo senti algo, todos choravam de tristeza e eu apenas fui para casa estudar.
Não sabia o porque estava contando isso a uma completa desconhecida, como se ela realmente fosse se importar com isso.
— Isso é tão triste. — A garota fungava enquanto enxugava algumas lagrimas.
Sai estava confuso novamente, e Sakura percebeu isso.
— Não sentir sentimentos, isto é tão triste. Pense bem você não poderá se sentir feliz em momentos alegres, não poderá rir em momentos engraçados, e nem mesmo amar!
— Eu não sinto necessidade disso.
— Mas já ficou curioso, certo?! — O mesmo não negou, afinal sempre observava os outros e se perguntava como era sentir aquilo. — Então significa que quer ter!
— Isso é algo impossível, então apenas esqueça.
— Impossível?! Nada para mim é impossível! Está decidido, em forma de agradecimento farei você conhecer os "sentimentos"!
Os olhos de Sai se arregalaram levemente, e pela primeira vez ele se sentiu surpreso...
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