O Piano
28 Nossa música
Notas iniciais
Olhei a nossa casa de Paris e deixei algumas lágrimas caírem pelo meu rosto, eu estava emocionada por finalmente estar aqui de volta e feliz, eu lembrei de quando a vi pela primeira vez e a achei tão linda e perfeita como agora. Esme saiu de dentro com um sorriso lindo e veio me abraçar enquanto Carlisle foi ajudar Edward com as malas que ele tirava do carro e colocava no chão.
– Minha querida como você está?
– Bem, em casa. – sorri e limpei as lágrimas me sentindo finalmente feliz.
– Está tudo bem? – Edward tinha duas malas nas mãos e parou para ver como eu estava, Anthony remexeu ao ouvir ele e toquei minha barriga.
– Estou ótima.
Ele assentiu e depois voltou a andar para casa. Eu entrei com Esme me ajudando a caminhar, eu não precisava disso, mas eles queriam fazer. Estava tudo no mesmo lugar, todas as coisas que me faziam amar a casa.
– Venha tomar um chá, a viagem deve ter sido cansativa.
– Foi boa, rápida.
– Isso é ótimo! Sempre achei a volta mais rápida que as idas, o bebê está bem?
– Sim, consultamos um médico quando estávamos ainda em Boston e ele me garantiu que estou com o peso melhor do que na última consulta e que Anthony está muito bem.
Eu passei pela sala, Edward e o pai estavam descendo para pegar mais coisas no carro, sentei na cozinha percebendo a mesa posta para um maravilhoso chá característico dos ingleses.
– Sente-se querida, deve estar com fome.
Eu estava com mais fome do que estava há alguns segundos longe dessa mesa linda com bolos, bolinhos de chocolate, chá, sucos e biscoitos diversos. Eu comecei a comer um bolinho de chocolate e gemi de prazer fazendo Esme realmente feliz, ela sentou do meu lado e me serviu um chá de camomila que tinha um cheiro maravilhoso, adoçou com mel como Edward me ensinou e pôs duas gotas de limão. O chá para eles era um verdadeiro evento.
– Edward me disse que os pais dele procuraram vocês antes de partirem.
– Sim, eles queriam saber se eu estava grávida de Jacob.
– Oh...
– Eu disse a eles que não estava e acho que isso os deixou mais triste se possível.
Tomei um gole de chá apreciando cada gota.
– É triste tudo isso, mas eles foram simpáticos?
– Sim, eles não entendiam como o filho pode levar essa situação adiante por tantos anos. Eles só queriam ver o filho feliz e acho que culpam meu pai por toda essa tragédia, eles acham, e foi o que eles comentaram, que ele alimentou essa obsessão de Jacob por mim até o último momento.
– Isso é algo revelador não? – Esme tomou o seu chá – Nunca imaginei que eles estavam contra isso.
– Ninguém é abertamente contra eles apesar de saber que a culpa disso em grande parte é deles que mesmo depois de tudo estavam alimentando as esperanças deles e conduzindo a situação da forma como queriam.
– Sim...
Carlisle e Edward entraram sorridentes e sentaram conosco para o chá, conversamos sobre todo o tipo de coisa e Esme estava contente por Emmett e Rose se casarem, mesmo eles não sabendo ainda onde iriam morar e era isso que a deixava preocupada. Mas eles iriam se casar em Paris em uma cerimônia pequena e discreta, era o que Rose tinha me falado no telefone e ela queria que isso acontecesse antes de Anthony nascer.
De noite eles foram embora e eu e Edward fomos dormir juntos no nosso quarto curtindo os próximos dias sem muitas agitações, Alice passava e ela e Edward resolviam algumas coisas referente a carreira dele. Eu sabia que ela estava nervosa por ele não querer mais assinar nenhum contrato ou gravar mais nada, tínhamos decidido que acabou mesmo. A música faria parte de nós de outra forma, mas nada que nos tirasse muito tempo de casa. Eu visitei no dia em que ele precisou sair a parte da casa que ele guardou tudo que ele tinha no antigo escritório, o anexo estava cheio de fotos, livros e artigos. Todos eles tinham alguma coisa sobre mim, ele tinha uma foto que eu suspeitava que ele mesmo tirou de mim sentada em um banco no Central Park com Rose e algumas amigas, eu me emocionei vendo essa em particular porque foi um dia em que pensei muito em meu menino e fui sair com elas para sair da melancolia que estava me abatendo. Foi nessa semana que impulsivamente eu casei com Jacob Black e tudo mudou.
Esme veio nos visitar algumas semanas depois e estava cheia de argumentos que tinham como objetivo me convencer ir para Londres. Eu estava com sete meses de gestação e todos estavam preocupados porque o bebê poderia nascer prematuro e a casa de Paris não era próxima de muita coisa. Edward mesmo estava tenso com isso, mas eu amava nosso pequeno paraíso e a rotina que tínhamos estabelecido ali.
– Sua mãe quer que voltemos para Londres... eu tenho o apartamento...
Edward me olhou naquela noite com um ar um pouco suspeito. Eu me sentei do seu lado e ele pôs a mão em minha barriga.
– Eu tenho uma casa em Londres.
– Oh... eu não sabia...
– Podemos ver e se gostar... melhor que apartamento...
– Sim.
Ele sorriu abertamente e ligou para Alice na mesma hora, ele falava alguma coisa sobre empregados e limpeza, para ela ver isso para logo depois do casamento de Rose e Emmett quando os pais poderiam ir com eles. Antes do casamento ele falou várias vezes que poderíamos morar em algum outro lugar, mas o piano que tanto gostava foi levado para Londres dois dias antes do casamento e ver aquele cômodo fazia me fez sentir uma tristeza muito grande, mas Edward me disse que ele estava voltando para a sua casa. Eu não entendi isso porque estava quase dormindo quando ouvi ele falando.
O casamento de Rose e Emmett foi lindo, uma pequena e discreta Igreja no interior de Paris. Uma casa que foi construída ainda no século XVIII foi o lugar para a recepção, ela estava linda em seu vestido de noiva nada clássico. Ele era branco, mas no joelho e tinha pétalas pratas caindo sobre todo ele. Lindo e segundo ela, a cara deles. Jasper e ela estavam radiantes cada um com seu parceiro, Alice foi questionada quando eles se casariam e isso a chateou mais do que necessário porque segundo ela deveria haver uma proposta antes. Olhei cúmplice para Jasper e sabia que ele já tinha comprado um anel, ele demorou para achar algum que realmente gostasse e finalmente achou um que foi de uma princesa Russa e tinha o formato delicado e oval que ele tanto queria. Diamantes pequenos e um grande faziam dele único e especial. Edward aprovou assim que o viu.
– Acho que essa viagem foi um pouco demais. – Edward comentou quando paramos um pouco. Resolvemos ir de carro do casamento para Londres porque algumas companhias aéreas já não permitiam que eu viajasse, fizemos duas paradas e eu estava cansada demais, tinha que confessar, eu estava muito cansada quando fizemos a pequena travessia de barco.
– Vamos chegar ainda a tempo do chá não?
– Com certeza.- ele disse rindo. – Já providenciei tudo, não se preocupe.
Quando chegamos na Inglaterra Edward mencionou que um motorista estava nos esperando e ele nos levaria para a casa, a nossa casa. Eu só esperava que aquilo tudo valesse a pena porque eu estava com pés doloridos e cansados da viagem. Rose estava em lua de mel uma hora dessas em uma ilha deserta e aproveitando cada segundo para agarrar Emmett, ela disse isso em alto em bom tom na festa e todos riram.
– Você sempre dorme em carros...
Eu sorri abrindo os olhos e olhando para Edward que estava sentado do meu lado. Eu ainda estava com muito sono e queria dormir mais. O carro estava parado e me ajeitei para conhecer a nossa casa. Ele saiu e abriu a porta, tinha pessoas do lado de fora e quando saí me dei conta de que eram empregados.
E foi quando eu olhei dos empregados para casa que eu vi. Era a casa em que Edward tocou quando menino, a casa que eu o conheci.
– Oh...
Eu olhei para trás vendo que nada tinha mudado, eu podia sentir como se fosse hoje o carro passando pela primeira vez na estrada que nos levou para o meu destino. Esme saindo de uma porta avisando que Alice estava com alguém e Edward estava dentro da casa.
– Edward...
– Nossa casa.
E eu sentia que pela primeira vez em muitos anos que estava em casa realmente. Essa casa era grande e espaçosa, eu ainda lembrava de como foi percorrer os corredores e ouvir a música pela primeira vez.
– Gostou?
– Como... como conseguiu?
– O casal que morava aqui morreu, eu comprei dos filhos que não tinham como manter uma casa dessas. Ela parecia maior quando crianças não?
– Mas ainda está igual...
– Sim, ela é considerada patrimônio do País. Foi a casa de um Duque no tempo ainda de Elizabeth I, foi construída para sua amante o grande amor de sua vida.
– Mesmo?
– Sim, juntos eles tiveram seis filhos e cada um recebeu uma parte de sua fortuna, os filhos que ele teve com sua esposa ficaram somente com o título. Ele amou a amante até a sua morte.
– Meu Deus...
– Venha, os empregados querem conhecer sua senhora.
Eu fui apresentada a cada um deles, todos trabalham lá há anos e conheciam cada parte da casa. Edward e eu entramos de mãos dadas pela primeira vez desde que nos conhecemos. E como se fosse magnético ele me levou para a sala do piano. O nosso piano. Ele sentou em seu lugar e eu fiquei em pé como da primeira vez. A sala não tinha nada diferente e eu sabia o que tocaria antes mesmo dele começar, a nossa música.
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