O Pianista

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Oi, gente! Como vocês estão? Essa fanfic foi uma ideia que me surgiu em um dia, enquanto eu rolava de insônia, às cinco horas da manhã. Alguém vizinho meu desperta essa hora, e o despertador dele é o som de piano. Dai, surgiu essa fanfic. Ela é bem focada no Naruto e seus sentimentos conflitantes e no modo como ele enxerga e leva a vida. Enfim, minhas fanfics são sempre voltadas pra comédia e pegação, mas gostei muito de escrever essa. Espero que gostem :) Se virem algum erro, avisem por favor!

Naruto acendeu o cigarro preso entre seus lábios, e tragou profundo. Soltou a fumaça no ar, e observou o vento transformá-la em bagunça, para então sumir. Arrumou melhor o cachecol que enfeitava o pescoço, o vento bagunçava sem dó seu cabelo loiro. Olhou o céu, as nuvens corriam, ocultando boa parte das estrelas. Não sabia onde estava a Lua. Ali, encostado na grade de sua sacada, Naruto encontrava um dos significados de paz. A faculdade e o trabalho cobravam-lhe um preço alto, passava mais tempo fora de casa, do que descansando. Não reclamava, apenas agradecia por sua cabeça estar tão cheia durante o dia. À noite, fumava um cigarro, observa o céu e então esvaziava tudo dentro de si. Ali, sozinho com sua própria companhia, poderia viver para sempre. Não que fosse alguém antissocial, tinha mais amigos do que caberiam em suas mãos, mas no final, sentia-se sozinho. Enquanto a nicotina fazia seu efeito relaxante em seu corpo, Naruto percebia que estar sozinho era o que mais ansiava em seus dias.

O som de piano encheu-lhe os ouvidos, e Naruto fechou os olhos, feliz em poder apreciar aquele som noite após noite. Não sabia quem o tocava, mas podia ver a luz ligada na casa ao lado. Não conhecia os moradores, o próprio Naruto saia de casa muito cedo, e voltava muito tarde. Apenas imaginava um velho com tempo de sobra, ou uma criança nerd que tinha piano como hobby. Não se importava, apenas deixava a música adentrar seus ossos e trazer uma calma que para si era nova. Sentia-se cada dia mais dependente da leveza que a música trazia para sua vida, era como mergulhar em uma piscina em um dia quente. Alívio.

Após quase uma hora e dois ou três cigarros, a música cessou, logo tendo a luz do cômodo desligada. Naruto jogou fora o que lhe restava do cigarro que fumava, adentrando seu quarto. Sem cerimônia, jogou-se na cama, esgotado. Como sempre, havia sido um longo dia, e sua terapia pela varanda demorava mais do que seu corpo cansado conseguia aguentar. Fechou os olhos, sentindo um agitar dentro do peito que associava a felicidade. Dormiu um sono sem sonhos.

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Batucou o lápis no caderno, a bochecha apoiada em uma das mãos, enquanto seus olhos tentavam registrar em vão a matéria que o professor explicava. Era final de mais um longo dia, e Naruto só queria chegar em sua casa vazia, tomar um banho, jantar qualquer besteira e fumar um cigarro na sacada. Suspirou alto. Os dias eram todos iguais para Naruto.

— Ei, Naruto. – Sakura, que sentava na sua frente, virou-se eufórica: – Hoje o pessoal vai naquela balada que gostamos, vamos?

Naruto observou a animação que rondava os olhos verdes, e nostálgico lembrou que um dia ela também morou em seus olhos.

— Desculpe, Sakura-chan. – Desconversou sem muita empolgação: – Hoje é sexta, mas eu trabalho aos sábados de manhã, esqueceu?

— Não esqueci! – Sakura exclamou nervosa, mas então seus olhos aliviaram, e preocupação transbordou em sua voz: – Você não sai mais com a gente, Naruto. O que aconteceu? Eu sei que você vive cansado, mas você precisa relaxar.

— Certo. – Naruto sorriu e bagunçou os cabelos rosados: – Mas hoje não posso. Na próxima prometo ir.

Observou os olhos verdes analisarem seu rosto criticamente, e rezou para parecer convincente. Sakura estava prestes a continuar a conversa, quando o professor chamou sua atenção. Naruto suspirou aliviado.

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Chegou ao apartamento pequeno e jogou a mochila em qualquer lugar. Rumou para a cozinha, colocando uma lasanha congelada no microondas. Tirou o casaco que vestia enquanto dirigia-se ao banheiro, onde tratou de tirar o restante de suas roupas e entrar na água quentinha que caia do chuveiro. Lavou os cabelos loiros com preguiça, e ensaboou o corpo devagar. Tomar banho parecia levar suas preocupações embora, a água quente relaxava seus músculos e trazia conforto ao seu corpo cansado. Saiu do banho, uma toalha enrolada em sua cintura.

Parado em frente ao espelho, agradeceu o fato de trabalhar como estoquista em uma grande livraria, assim, carregava caixas e caixas para lá e para cá, e não precisava preocupar-se com seu físico. Talvez, se trabalhasse em outro lugar que não exigisse tanto de seu corpo, já estaria gordo de tanta besteira que comia. Passou os olhos pela tatuagem em sua barriga, lembrando-se do tempo que tinha dinheiro de sobra para essas coisas. Agora tinha um aluguel para pagar, comida para comer e xerox para tirar. Suspirou, tratando de se vestir adequadamente para enfrentar por uma hora o frio lá fora.

Encostado na grade de sua sacada, Naruto sorriu feliz. Havia passado mais um dia, e estava orgulhoso de si mesmo. Havia conseguido trabalhar bem, não cochilou na aula e comeu bastante lasanha no jantar. Sim, hoje havia sido um bom dia. Acendeu o cigarro, deixando-o fazer seu papel de calmante em suas veias. O céu hoje estava totalmente coberto de nuvens, o vento forte deixava seu nariz gelado. Não se importou. Noites assim traziam algo gostoso e ao mesmo tempo doloroso para dentro de si. Não saberia explicar, se alguém o perguntasse, por isso, apenas deixou que os sentimentos conflitantes dançassem dentro de si.

Então, o som de piano envolveu Naruto. Fechou os olhos, como todas as noites. Sempre pensava que ao fazer isso, ouvia melhor os sentimentos que aquela música transmitia. E então seu coração se acalmou, e dentro de si somente a calmaria. Suspirou sonhador por quase uma hora.

Depois de dois ou três cigarros, a música cessou. Naruto abriu os olhos, e jogou fora o que restou do cigarro que fumava. Porém, diferente de todas as noites, a luz permanecia acessa. Talvez tenham esquecido? Naruto sentiu o coração bater um pouquinho mais depressa, talvez fosse uma pausa, e logo retomaria a música? Enquanto perdia-se em pensamentos, a cortina foi puxada e a porta de vidro aberta.

Naruto estava estático. Olhava fixamente o garoto que se apoiava na sacada mais alta que a sua, e olhava intensamente o céu cinza. Naruto podia ver que ele não era o velho ou a criança nerd que havia imaginado. Então, o garoto abaixou os olhos, fixando-os em Naruto. E o loiro sentiu-se sugado por aqueles olhos negros como a noite que os envolvia, e mal conseguia associar tudo que estava acontecendo. Sua música agora tinha dono. Ele parecia mais novo, definitivamente mais branco, tinha os olhos mais escuros que Naruto já vira, e um cabelo bagunçado pelo vento. Seu coração batia rápido. Talvez não estivesse pronto para dar rosto ao seu pianista. Mas rápido como veio, ele se foi. Depois do que pareceram horas, o garoto desgrudou seus olhos dos azuis de Naruto, e sem dizer uma palavra, entrou em casa. Dessa vez a luz foi desligada.

Nessa noite, Naruto se jogou na cama como o habitual. Seu coração ainda batia descompassado, e os segundos em que vira o pianista rondavam sua cabeça. Dormiu um sono cheio de sonhos.

No dia seguinte, Naruto sentiu-se esgotado. Havia acordado várias vezes durante a noite, e teve sonhos turbulentos envolvendo piano e olhos escuros. Agradecia aos céus que não teria aula, então poderia descansar assim que chegasse em casa. No trabalho, porém, as horas pareciam arrastar-se. Estocou os livros sem realmente vê-los, e de hora em hora, olhava o relógio. Pensou, divertido, que se tivesse ido a balada, talvez não estivesse tão cansado.

Afinal, sentia-se estranho. Ainda não sabia como reagir a recém descoberta de que seu pianista era um adolescente. Sentiu-se curioso para saber mais a respeito do garoto de uma forma que jamais se sentiu, e por isso aguardava ansioso a noite cair.

Apesar de toda ansiedade, assim que chegou em casa e tirou a sujeira de pó e suor do corpo, deitou feliz em sua cama, pronto para repor as energias.

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Naruto acordou assustado, virando-se na cama e olhando a janela. Lá fora as nuvens corriam e o sol aquecia outra parte do planeta. Levantou-se apressado, pegando o maço de cigarros e colocando um moletom qualquer por cima da cueca. Andou até a sacada, o vento açoitando o corpo quente. Ouviu as notas chegarem aos seus ouvidos, e relaxou. Como era desleixado! Por pouco não perdia o único momento que se sentia vivo. Acendeu o primeiro cigarro da noite, não se importando com o vento que batia em seu dorso desnudo.

Depois de dois cigarros (havia perdido uma parte da música), a melodia cessou. Naruto não jogou seu cigarro fora, agarrando-se ao seu calmante. Observou ansioso a luz se apagar, porém ela permaneceu acessa. Tragou forte, aliviando a tensão. Depois do que pareceram anos, a porta de vidro se abriu, revelando o garoto pianista.

Naruto respirou fundo, e pela segunda vez, viu aqueles olhos presos no céu nublado por tempo demais. Depois, os olhos estavam olhando para si. E Naruto levou o cigarro aos lábios novamente, presos nos orbes que o tragavam. Observou a mão pálida correr pelo bolso da calça, puxando um maço de cigarros e um isqueiro. Naruto bebeu o pianista que prendia um canudo entre os lábios para logo acender. Observou a fumaça misturar-se com o vento e ir embora.

— Você não é novo demais pra fumar? – Naruto questionou sem repreensão na voz, apenas dúvida genuína.

O pianista novamente fixou seus olhos nos azuis. Desceu até a mão que segurava um cigarro pela metade, e ergueu a sobrancelha. Naruto pontuou mentalmente que ele ficava bonito dessa forma.

— E você? — a voz baixa e melodiosa atingiu Naruto, e ele pensou que talvez todos os sons que saíssem do pianista, fossem bonitos: – Fuma desde quando?

Naruto riu um pouco, bagunçando os cabelos loiros que sabia estar uma bagunça.

— Certo, você me pegou. — Como que para provar, deu mais uma tragada antes de continuar: – Desde os 14 anos.

O pianista balançou a cabeça, concordando. Não disse nada por longos minutos. Terminou seu cigarro, vez ou outra olhando o loiro que parecia interessado no céu nublado.

— Está frio. — O pianista comentou casualmente.

Naruto desgrudou os olhos do céu, fixando-os no garoto. Era verdade que queria olhar cada pedacinho dele, mas não gostaria de ser tão invasivo, por isso, analisava aos poucos, de tempos em tempos.

— Frio? — Naruto tombou a cabeça, questionador. Bastou um olhar do adolescente para seu torso para que Naruto entendesse. Riu com gosto antes de responder: – Desculpe por isso. Não deu tempo de vestir algo.

Naruto observou pela segunda vez a sobrancelha bem delineada do pianista erguer-se, e sentiu um friozinho atípico em seu estômago.

— Você tocando, quero dizer. Eu iria perder. – Naruto esclareceu sem pudor. Afinal, não havia nenhum pingo de vergonha dentro de si.

Observou o moreno erguer as duas sobrancelhas dessa vez, e se tivesse notado bem, suas bochechas pareciam rosadas. Levou bons minutos para que dissesse algo, mas Naruto esperou pacientemente.

— Qual o seu nome? — O pianista perguntou.

— Naruto. – Respondeu sorrindo aberto: – E o seu?

— Naruto... – O pianista repetiu como se testasse o nome do loiro em seus lábios. – Preciso ir. Meu nome é Sasuke.

Naruto, pela segunda vez, viu seu pianista dar as costas e entrar em casa. De repente, o vento que açoitava seu corpo parecia frio demais. Entrou em casa, sem registrar direito seus passos e se jogou na cama. Sasuke. Seu pianista e a razão de conseguir levar seus dias sem pirar chama-se Sasuke. Sasu-ke. Repetiu o nome, experimentando o som em seus lábios. Parecia certo.

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Nos dias que se seguiram, a rotina de Naruto sofreu algumas alterações. Ao invés de fumar dois ou três cigarros durante uma hora de música, agora fumava três ou quatro, e passava ao menos meia hora conversando com Sasuke após o que o pianista chamava de hobby. Seu corpo pingava cansaço e sono todas as noites, mas se fosse para descobrir cada pedacinho de Sasuke, Naruto poderia passar noites em claro.

Naruto sentia-se viciado. Não sabia por onde começar a explicar. Seu mundo cinza começava a ganhar cores, mesmo que Sasuke parecesse muito interessado em roupas escuras. Sentia que procurava em Sasuke o que faltava em si mesmo, e por isso, aguardava ansiosamente pelas noites onde decodificaria mais um pedacinho do pianista.

Descobrira que ele tinha apenas dezessete anos, então Naruto era quatro anos mais velho. Não que se importasse. Sasuke parecia um velho ranzinza na maioria das vezes, e Naruto ria divertido do mau humor que parecia uma parte vital do pianista. Descobrira também que seus pais o matricularam desde pequeno em aulas de piano, e que no final, acabou gostando verdadeiramente do instrumento. Apesar disso, não se interessava por competições nem especialização, e internamente Naruto achava que Sasuke tocava piano melhor do que qualquer um. E por último, descobrira que o pianista vivia a maioria de seus dias sozinho. Seus pais eram dedicados ao trabalho e viajavam muito, seu irmão mais velho tinha a própria vida, apesar de ainda morarem na mesma casa. Na noite em que descobriu isso, Naruto passou a notar que Sasuke parecia apenas um garoto solitário que encontrava conforto em um piano. Sentiu vontade de envolvê-lo em seus braços e mima-lo. Riu do pensamento, achando que Sasuke o fuzilaria se fizesse isso.

Sasuke nunca perguntou por que o ouvia tocar todas as noites, mas Naruto disse assim mesmo, sem pudor nenhum que Sasuke ajudava-o a relaxar e seguir seus dias caóticos, e que não sabia o que faria se Sasuke desistisse desse hobby noturno. Sasuke apenas pareceu pensativo e nada disse. A partir desse dia, o pianista passou a abrir a porta de vidro antes de começar a tocar. Naruto sentia seu peito quentinho quando ouvia os sons mais nítidos que Sasuke produzia.

Não soube quando, mas Naruto, enfim, estava apaixonado. Na verdade, talvez pudesse dizer sim, desde quando. Talvez desde a primeira vez que ouviu Sasuke tocar e seus pelos se eriçaram, e seu coração retumbou contente e calmo. Ou talvez no dia que Sasuke apareceu pela primeira vez e Naruto pode ver o céu cinzento refletido naqueles olhos escuros. Talvez até mesmo quando Sasuke disse seu nome pela primeira vez, e Naruto achou que seu nome esquisito parecia certo saindo daqueles lábios rosados. Enfim, podia dizer com todas as letras que gostava verdadeiramente de Sasuke, e sentia-se muito bem com isso. Decidiu guardar para si, não por vergonha, mas talvez o pianista achasse estranho um cara que conheceu a pouco mais de um mês se declarando. Sabia que cedo ou tarde, a oportunidade surgiria, e tagarela como era, não conseguiria guardar muito tempo.

O momento, no entendo, não demorou a surgir. Foi em uma noite nublada, como todas as anteriores, e Naruto possivelmente teria aquela noite gravada a ferro e fogo em sua memória e coração.

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Sasuke, em uma noite de sábado, inesperadamente convidou Naruto para vê-lo tocar. Assim que conseguiu se recuperar como pôde do choque, Naruto aceitou efusivamente. Foi como estava mesmo, uma calça moletom, um casaco antigo e pantufas de raposa. Saiu de casa como um foguete, estando na porta vizinha em tempo recorde. Sasuke abriu a porta, e pela primeira vez, estavam frente a frente. Naruto sorriu com todos os dentes, notando vagamente ser maior que o pianista. Gargalhou quando Sasuke olhou suspeito para suas pantufas. Entrou na casa com o coração aos pulos. Tentou observar a casa melhor, mas a verdade era que seus olhos não desgrudavam da figura que andava despreocupadamente a sua frente. Tentou, em vão, não descer os olhos para a bunda de Sasuke. Sentiu a garganta seca quando olhou por tempo demais as nádegas cheias. Antes que percebesse, estava em um cômodo grande, com o piano no meio, e estantes com livros e partituras em todos os lugares possíveis.

— Esse piano é muito daora, Sasuke! – Naruto comentou efusivo como sempre, dando uma volta completa no instrumento, finalmente conhecendo aquele cômodo que remexia tudo dentro do seu peito.

— Vem cá. – Sasuke sentou-se no banquinho, e bateu com a mão no espaço que restava.

Naruto quase pulando alegremente, sentou-se ao lado do pianista, sentindo-se repentinamente nervoso. Era a primeira vez que estavam tão próximos, e Naruto podia sentir o cheiro de sabonete misturado com shampoo de Sasuke. Aspirou profundo, querendo gravar aquele aroma pra sempre. Observou a mão pálida erguer a tampa do piano, e admirado, notou os dedos longos e pálidos, as unhas bem curtas e bem cortadas. Sentiu sua mão coçar em vontade de entrelaçar seus dedos juntos. Olhou para Sasuke, pela primeira vez podendo admirar seu rosto de perto, e confirmando mentalmente que Sasuke era mesmo muito bonito. Sorriu fechado, pensando na provável cara sonhadora que fazia no momento. Sasuke sorriu de volta, um sorriso pequeno e que Naruto adorava receber. Apertou as mãos, controlando-se para não atacar o pianista antes da hora. Voltou seus olhos para as teclas brancas como leite, e esperou que Sasuke começasse.

Naquela noite, Naruto não fumou nenhum cigarro enquanto ouvia Sasuke tocar. Talvez fosse melhor assim, provavelmente se queimaria com o cigarro. Estava tão absorto na imagem de Sasuke tocando, que poderia esquecer o próprio nome. Sasuke era sua definição particular de beleza e de encanto. Seus dedos hábeis dedilhavam uma tecla após a outra, e Naruto via-se hipnotizado. Quando conseguiu erguer os olhos, deparou-se com um Sasuke concentrado, olhos fechados e um sorriso pequeno adornando o rosto bonito. Prendeu o fôlego. Devia ter trago seu celular para tirar uma foto, já que via a cena mais bonita de toda sua vida. Com certeza se o pianista pedisse para que Naruto pulasse a varanda e fosse pegar algumas estrelas no céu, o faria de bom agrado.

Quando piscou, já havia se passado quarenta minutos e Sasuke dedilhou as últimas notas. Assim que se fez silêncio, Naruto soltou a respiração que nem sabia que havia prendido. Respirou devagar algumas vezes, tentando acalmar o turbilhão de emoções que massacravam seu pobre ser. Sem desgrudar os olhos de Sasuke, piscou lentamente, como se não o fizesse há tempo, e pra ser sincero, não duvidaria se estivesse tão vidrado.

Observou Sasuke descansar os dedos sobre as teclas, as bochechas agora rosadas, talvez pelo esforço, talvez por vergonha, Naruto não se importava. Os ônix finalmente fixaram-se em suas safiras, e Naruto viu um mar de emoções rondando aqueles olhos escuros. Naruto engoliu em seco, sentindo-se sugado para aquele mar. Sem controlar-se, passou a língua nos lábios que coçavam para encostar-se aos de Sasuke. Viu o pianista seguir sua língua com os olhos e entreabrir os lábios, respirando pesado. O hálito quente de Sasuke bateu em seu rosto, e Naruto ergueu uma mão devagar, puxando uma mecha daquele cabelo e entrelaçando em seus dedos. O cabelo macio escorregou entre sua mão, mas Naruto não se importou. Tocou a bochecha rosada com a ponta dos dedos, e dedilhou até chegar aos lábios. Passou o polegar pelo lábio inferior, e seus olhos seguiram seus movimentos. Quando terminou, ergueu as safiras. Sasuke olhava-o fundo, como se pudesse escrutinar sua alma.

— Se você não quiser, apenas fale. – Naruto sussurrou como se confidenciasse um segredo: – Mas eu vou te beijar agora.

Vendo que o pianista não mostrava resistência, Naruto escorregou a mão até a nuca de Sasuke, onde embrenhou os dedos nos cabelos escuros. Juntaram suas testas, olhando uma última vez os olhos que o tragavam, antes de fechar os próprios. Com calma, juntou os lábios, sentindo a quentura que Sasuke emanava. Os lábios macios pressionaram os seus, e Naruto, sem esperar muito, pediu passagem que foi logo concedida. Quando as línguas se encontraram, Naruto segurou um gemido no fundo da garganta. Beijou Sasuke com calma, conhecendo cada canto daquela boca quente. Sentiu os braços rodearem seu pescoço, uma mão puxando seu cabelo para as bocas se encaixarem melhor. Deslizou a mão pela cintura de Sasuke, apertando-o contra si. Sentiu o moreno gemer contra sua boca, e Naruto quebrou o beijo, puxando Sasuke para seu colo, que se deixou levar sem resistência. Observou as sobrancelhas escuras franzidas em desgosto por quebrar o beijo, e riu baixinho.

— Eu gosto de você. – Naruto disse sem rodeios, e viu as sobrancelhas suavizarem até uma expressão surpresa tomar o rosto bonito de Sasuke: – Eu gosto muito de você, Sasuke.

Esperou pacientemente Sasuke absorver a informação, e distraiu-se passando as mãos pelas costas do pianista, em um carinho. Sentiu as pernas de Sasuke apertarem mais ao seu redor, os braços no seu pescoço puxando-o para mais perto.

— Eu gosto de você também, Naruto. – Sasuke disse calmo: – Mas agora podemos voltar para onde paramos?

Naruto riu. Deu um selinho nos lábios rosados, antes de aprofundar o beijo, trazendo Sasuke o mais perto que podia. Naquela noite, não parecia ser uma opção que se soltassem, portanto, dormiram embolados na cama de Sasuke. Naruto sentia uma felicidade em seu peito que há tempo não sentia, mas que agora podia dar nome e sobrenome a ela. Enquanto fazia cafuné nos cabelos macios de Sasuke, Naruto decidiu que o que tinha em seus braços era seu bem mais valioso, e que não o deixaria escapar nem se quisesse. Parecia que finalmente seus dias não seriam mais os mesmos, e que sua vida deixaria de ter sempre o tom cinza que o perseguia diariamente.

Naquela noite, Naruto dormiu uma noite sem sonhos, com Sasuke em seus braços.

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