O Perfil da Evidência
3 Capítulo 3 - O Elo Das Vítimas
Notas iniciais
Você só vê o que seus olhos querem ver
Como pode a vida ser aquilo que você quer que ela seja?
Você fica gelado quando seu coração não está aberto
(Frozen — Madonna)
― Nada a dizer? – Sara cruzou os braços.
― É que eu não esperava.
― Não esperava o que?
― O seu regresso... Porque voltou?
― Eu soube que ele está de volta.
― Quem te contou? Catherine ligou para você? – desta vez foi Grissom a cruzar os braços.
― Não, fui eu. – Ecklie adentrou a sala – eu iria comunica-lo.
― Quando? – Grissom virou-se para o supervisor – Eu sei que é o supervisor de tudo aqui e que sua palavra vale mais que a minha, mas por eu ser o líder da equipe de CSI devias me consultar primeiro.
― O meu retorno incomoda? – Sara apontou para si.
― Eu não quis dizer isso – Grissom voltou-se a ela – eu só queria e deveria ter sido comunicado.
― Muito bem Grissom, melhor se acalmar. – interviu Ecklie.
― Eu estou muito calmo.
― Eu vou ao vestiário organizar minhas coisas e depois me reúno com os demais para saber o andamento do caso. – Sara pegou sua bagagem e retirou-se da sala.
No caminho para o vestiário ela passou de frente com a copa que estava com suas portas abertas e brevemente notou o entrosamento dos colegas com os agentes do FBI e decidiu colocar todo o seu foco no caso deixando sua situação com Grissom a ser discutida depois ou não ser resolvida nunca mais.
Catherine viu Sara passar pela porta e deduziu que a mesma seguia até o vestiário e pedindo licença saiu a seguindo.
― Sentimos sua falta. – comentou Catherine ao adentrar o vestiário.
― Muito simpático da parte de vocês. – Sara sorriu enquanto ajeitava suas coisas no armário.
― Como vão as coisas em São Francisco?
― Vão bem, inaugurou uma cafeteria que já é considerada a melhor da cidade, eu aprecio o cappuccino deles.
― Legal – Catherine sorriu ao cruzar os braços, mas logo voltou à seriedade – e Grissom?
― Ele estava aqui, diga-me você.
― Você entendeu a minha pergunta. – Catherine acomodou-se a um banco.
― Ele não disse nada e mostrou-se indignado ao saber que foi Ecklie que solicitou o meu retorno.
― Sabe como Gil é não é mesmo? Ele jamais deixa o pessoal interferir no profissional.
― Não foi isso que aconteceu da última vez. – Sara fechou a porta do armário e fitou Catherine.
― Você imagina que este caso está dando um baile em todos nós, nenhuma evidência que diga nada, o criminoso é totalmente cuidadoso e isso irrita Grissom.
― Cath, você sabe do que eu estou falando.
― Que uma das vítimas tem uma aparência parecida com a sua? É isso?
― Sim, e desde essa vítima Grissom pirou me afastando do caso, primeiro me impediu de ter acesso ao interior da cena do crime depois tentava me impedir de ver as fotos e de ver o corpo da autópsia.
― Ele ficou com medo de você se amedrontar apenas isso.
― E colocou em mente que eu poderia ser uma vítima em potencial, pirou com isso.
― Infelizmente você pode ser uma vítima em potencial, ainda não sabemos como este suspeito atraiu as vítimas.
― Eu retornei porque o Ecklie insistiu e confesso que fiquei curiosa com uma equipe de Análise Comportamental estar auxiliando no caso, mas um lado meu quer ficar totalmente fora como Grissom quis.
― É só este mesmo o problema de vocês?
― Como assim? – Sara cruzou os braços.
― Por favor, Sara você não pediu afastamento somente por este motivo... O que houve?
― Está bem... – Sara sentou ao lado de Catherine – ele voltou a ter contato com Lady Heather.
― Como? Mas voltar a ter contato não significa que...
― Eu não sei Cath! – Sara passou a mão nos cabelos – mas Heather procurou por ele pedindo que se encontrassem porque ela precisava da ajuda dele para não sei o que.
― Como assim?
― Eu não sei, mas sei que esta mulher ainda mexe com Grissom.
― Sara, por favor, me explica isso.
― Uma noite... – Sara respirou fundo – Uma noite eu fui para o apartamento dele depois do trabalho, ao chegarmos ele foi tomar banho enquanto eu procurava por algo interessante para assistirmos juntos eis que a campainha toca e é ela.
― Como assim? E ele?
― Saiu do banho as pressas quando anunciei a visita dela e se trocando rapidamente foi atende-la, ela não quis falar muito porque eu estava ali, mas pelo que eu ouvi eles já tinham se encontrado outras vezes para discutir um assunto algo que ela solicitou ajuda, mas que de momento a polícia não poderia saber somente ele.
― Sara, tem certeza disso?
― Cath porque eu inventaria?
― Eu não quis dizer isso, porém você possa ter...
― Interpretado errado? Ele disse a mim que não tinha mais contato com ela e eu descubro que continua tendo e que está ajudando ela em um caso particular? Eu não interpretei nada errado.
― Mas ele está ajudando ela em que?
― Eu não sei, mas ajuntando isso com o caso que também interferiu entre nós deu nisso e quando ele pediu para eu me afastar de vez deste caso do “Senhor Sem Pistas” foi à gota da água.
― Complicado. – Catherine tocou o ombro da amiga.
― Eu não sei se fiz bem voltar.
― Ficar longe dos problemas não os soluciona. – Catherine sorriu e Sara correspondeu o sorriso.
Colocaram um fim no diálogo naquele momento e juntas foram para a copa, os demais ainda estavam por lá.
― Que bom que voltaram. – afirmou David Rossi.
― Perdemos algo? – indagou Catherine.
― Ainda não. – replicou Penélope Garcia que acessava informações em seu notebook sobre a mesa.
― Poderiam chamar o líder de vocês? – pediu Agatha Hotchner e Catherine resolveu fazer a gentileza.
Catherine retornou rapidamente na companhia de Grissom que já estava curioso para saber o que os agentes queriam.
― Nossa analista Penélope Garcia continuou suas buscas digitais por qualquer coisa que ligasse as vítimas – falou Morgan orgulhosamente.
― A minha especialidade é cavar – começou Garcia arrumando os óculos – eu me frustro quando não encontro nada, mas não desisto e eis que eu consegui algo.
― O que? – perguntou Grissom.
― Há uma ligação entre as vítimas – Garcia virou a tela do monitor para que todos vissem – o que liga elas é serem frequentadoras desta casa de BDSM, uma das vítimas era funcionária da mesma.
― O que a imagem desta mulher faz na tela? – questionou Sara apontando enquanto Grissom tentava conter a admiração.
― Ela é a responsável pelo estabelecimento, ela se chama...
― Heather Kessler. – confirmou Grissom.
― Vocês a conhecem? – perguntou a agente Prentiss.
― Sim – respondeu Greg sem vergonha nenhuma – ela é uma dominatrix profissional, já pegamos alguns casos em que ela meio que estava envolvida, Grissom é bastante amigo dela.
― Greg. – Grissom encarou o parceiro de trabalho.
― Fala demais. – cochichou Nick ao ouvido de Greg.
― Como assim “meio envolvida”? – questionou Alvez – Ela já foi vítima de algum crime?
― Já teve alguns conhecidos que foram – respondeu Grissom – então é certeza que as vítimas tem essa ligação em comum?
― Penélope Garcia não dá ponto sem nó. – garantiu JJ.
― Vamos precisar entrevista-la. – afirmou Aaron Hotchner.
― Eu posso conversar com ela. – disse Grissom.
― Claro que pode. – resmungou Sara em surdina para si, mas a agente Agatha Hotchner a ouviu.
― Nós precisamos entrevista-la e nós vamos entrevista-la – frisou Aaron Hotchner – o senhor pode me levar até ela?
― Eu vou chama-la até aqui.
― Não – Aaron Hotchner encarou Grissom – eu dou preferência a interroga-la em seu local de trabalho, assim analisamos um lugar em comum que todas as vítimas frequentavam.
― Como queira. – Grissom acatou o pedido.
― Eu vou junto? – perguntou Agatha ao seu marido.
― Sabe que sempre comigo. – confirmou Aaron Hotchner e os CSI encararam um ao outro com aquela afirmação.
― Quem mais vai? Sara Sidle que chegou há pouco... Gostaria de vir conosco?
― Eu? – Sara ficou constrangida – Não, é melhor eu ficar e me informar com os outros o que discutiram do caso até agora.
― Catherine Willows, gostaria de vir?
― Claro. – Catherine sorriu para Agatha e depois mirou Sara.
― Eu posso guia-los. – ofereceu-se Jim Brass.
― Está bem. – aceitou Aaron Hotchner – Vamos?
― Vamos. – respondeu Grissom que retirando-se da copa foi seguido por quem o acompanharia na visita a Lady Heather.
Enquanto seguiam até o estacionamento onde estava o carro do capitão Jim Brass, Catherine não conteve a curiosidade e chamando a agente Agatha em um canto questionou:
― Porque “sempre comigo”? Eu sei que são casados, mas isso não é muito sei lá... Privilégio?
― Um pouco – Agatha sorri com a pergunta – Hotch e eu vivenciamos poucas e boas durante o começo da nossa relação, eu já fui vítima de um perseguidor psicopata fora que antes dele já fui vítima de outros dois criminosos.
― Sério? – Catherine ficou abismada.
― Por causa destes fatos ele prefere que eu esteja sempre com ele quando investigamos algum caso, ainda se tem um pouco de trauma – Agatha cochichou no ouvido de Catherine.
― E você conseguiu voltar a trabalhar? Como faz isso?
― Catherine se deixarmos o medo nos dominar não conseguimos viver e apesar de tudo amo este trabalho.
― Você não é natural dos Estados Unidos não é? Seu sotaque denuncia.
― Eu tenho dupla nacionalidade.
― O FBI permitiu? De que país é natural?
― Eu nasci no Brasil, mas eu tenho dupla nacionalidade. – Agatha finalizou aquele diálogo.
O capitão Jim Brass foi o motorista para ao encontro de Lady Heather.
***
A vitrola entoava em volume baixo a canção “Frozen” da cantora Madonna, acomodada a sua poltrona carmim virada para a porta de vidro que se encontrava trancada Lady Heather apreciava seu doce chá de canela. Ela admirava o cair da neve aquela noite, Heather estimava a natureza e era amante daquele clima frio que lhe traziam sensações e lembranças de momentos bons que teve ao passado.
― Entre! – pediu ela ao ouvir batidas a porta.
― Com licença. – a jovem mulher que trajava um formoso vestido preto de vinil e calçava botas pretas de cano longo adentrou ao escritório.
― Pelo seu tom de voz receio que seja algum problema. – Heather levantou-se da poltrona e depositou sua xícara vazia com o pires sobre uma mesinha de madeira coberta por um forro preto que ficava a um canto do cômodo.
― Aquele seu colega está ai.
― Quem? – Heather mal a mirava.
― Aquele policial forense... Eu esqueci o nome dele.
― Gil Grissom. – Heather não demonstrou nenhuma surpresa.
― Sim e desta vez está acompanhado.
― Capitão Jim Brass ou a policial forense Catherine Willows? – Heather já conhecia Gil Grissom a longa data, quando Grissom não iria visita-la sozinho ele ia acompanhado de um dos dois e isso já indicava a ela que ele estava indo porque investigava alguma coisa.
― Sim e junto deles mais dois agentes do FBI.
― FBI? – por fim Lady Heather ficou admirada.
― É o que diz a credencial.
― Deve ser muito sério... Permita a entrada, por favor, minha querida.
― Com sua licença madame. – a jovem retirou-se.
Lady Heather trocou a canção que tocava por “Take A Bow”.
― Boa noite, sejam bem vindos ao “Lar de Prazer de Lady Heather”. – Heather sorriu e estendeu as mãos.
― Boa noite Heather. – respondeu Grissom seriamente – o capitão e a Catherine você conhece, mas...
― Mas o casal de agentes é a primeira vez.
― Uau! – deslumbrou-se Agatha – Essa é rápida, nem mostramos as credenciais.
― A maneira que adentraram o meu escritório já denunciou muito.
― Ela poderia trabalhar conosco. – cochichou Agatha ao ouvido do marido que a mirou brevemente.
― Eu sou Heather Kessler, mas conhecida como Lady Heather. – Heather estendeu a mão ao casal.
― Eu sou Aaron Hotchner e como já sabe esta é minha esposa e também agente Agatha Hotchner. – Aaron Hotchner cumprimentou Heather.
― Isso é impressionante – Heather sorri – usam o mesmo sobrenome até mesmo no trabalho.
― A nossa relação não é segredo para ninguém. – Agatha a cumprimentou – Prazer conhece-la.
― Alexia, por favor, queira providenciar mais chá de canela. – pediu Heather a sua funcionária.
― Está bem. – a jovem pegou a louça que Heather usou para tomar seu chá e retirou-se.
Lady Heather pediu gentilmente que todos se acomodassem em alguns bancos estofados que faziam combinação com sua poltrona.
Heather foi arrumar a posição de seu assento para que ficasse de frente a eles, pois havia virado de costas a poltrona para observar a neve pela porta de vidro e teve auxilio de Gil Grissom para ajeitar seu assento.
― Eu suponho que vieram até mim para interrogar-me sobre algo referente a algum caso que estejam investigando, apesar de eu já ter recebido visitas de alguns agentes do FBI o motivo nunca foi esse, esta é a primeira vez. – afirmou Heather cruzando suas pernas e arrumando a barra de seu vestido preto.
― A senhora imagina o que seja? – começou Aaron Hotchner.
― Eu confesso que eu tenho um prazer enorme em saber de tudo, mas desta vez eu não sei o que é e não consigo imaginar o que seja. – Heather apoiou as mãos sobre sua mesa.
― O motivo são essas mulheres. – Agatha Hotchner tinha consigo uma pasta onde continha as fotos das vítimas.
― Permita-me – Heather pegou a pasta das mãos de Agatha e foleou as fotos vagarosamente – todas eram minhas clientes e uma delas já foi minha funcionária.
― Eram? – indagou Aaron Hotchner.
― Eu creio que estejam mortas, não é mesmo Grissom?
― Poderiam estar desaparecidas. – replicou Grissom.
― Para cima de mim Grissom?
― A senhora deve estar bem informada sobre um criminoso que estupra e mata suas vítimas sem deixar vestígios não é? – prosseguiu Agatha Hotchner – Não soube de nenhuma delas?
― Eu estive na Europa por um bom tempo, regressei tem alguns meses.
― Vamos precisar perguntar detalhes sobre elas e qualquer coisa pode nos ajudar. – explicou Aaron Hotchner.
― Eu estou à disposição. – Heather sorriu para todos e pousou seu olhar em Grissom, pois sabia perfeitamente que por mais que ele mantivesse a postura ele estava preocupado.
Eu sempre fui apaixonada por você
Acho que você sempre soube que é verdade
Você não deu valor ao meu amor
Por quê oh por quê?
O show acabou diga adeus
Diga adeus
(Take A Bow — Madonna)

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