O Perfil da Evidência
9 Capítulo 9 - Um Caso do Passado
Notas iniciais
O vício é a marca de toda história de amor baseada na obsessão. Tudo começa quando o objeto de sua adoração lhe dá uma dose generosa, alucinante de algo que você nunca ousou admitir que queria — um explosivo coquetel emocional, talvez feito de amor estrondoso e louca excitação. Logo você começa a precisar dessa atenção intensa com a obsessão faminta de qualquer viciado. Quando a droga é retirada, você imediatamente adoece, louco e em crise abstinência.
(Elizabeth Gilbert)
― Ela foi intimada para interrogatório? – perguntou Warrick sobre a suspeita.
― Sim, assim como os demais funcionários. – respondeu Morgan.
― Enquanto isso eu vou dar uma pausa e comer alguma coisa. – disse Catherine tirando suas luvas de látex.
― Poderíamos pedir para aquele restaurante entregar alguma refeição. – sugeriu Greg.
― Impossível – disse Brass – a nevasca está cada vez mais forte e já anunciaram na TV para as pessoas evitarem a sair.
― A nevasca pode impedir que os funcionários de Heather compareçam ao interrogatório. – lamentou Nick.
― A nevasca não vai durar por toda a eternidade. – disse Sara.
― Mas vai impedir de fazermos pedido de uma boa refeição. – reclamou Greg.
― Vamos ver o que tem na dispensa da copa – sugeriu Catherine – agente Morgan chame os outros agentes, acredito que todos estejam famintos.
― Vou chama-los. – disse Morgan.
Todos se reuniram na copa para comerem alguma coisa, as opções que se tinham eram: sanduíches, frutas, leite e café, mas foi o suficiente para cessar a fome daquele momento.
Conrad Ecklie surpreendeu a todos na copa, o humor dele não era o dos melhores:
― Podem me explicar o que é isso? – Ecklie entrou na copa pegando o controle e ligando a TV que ficava presa a parede.
Um noticiário exibia uma reportagem sobre o caso e falava sobre Lady Heather ter sido uma vítima.
― Eu não acredito! – esbravejou JJ.
― Quem foi o exibido que deu informações do caso? – questionou Ecklie.
― Nós que não fomos. – garantiu Nick.
― Tem certeza? – Ecklie duvidava.
― Está desconfiando de nós? – retrucou Catherine.
― Alguém falou para a mídia sobre o ataque de Lady Heather!
― E não foi nenhum deles – JJ levantou-se da mesa – pode ter sido qualquer outra pessoa deste laboratório ou algum policial, mas os CSI não foram eu ainda estou para descobrir quem vazou esta informação.
― A agente Jareau faz um ótimo trabalho e ela vai descobrir quem é agora não adianta acusar ninguém sem provas. – Aaron Hotchner reprovou o comportamento de Ecklie.
― Eu peço desculpa agente Hotchner – Ecklie abaixou o tom de voz – é que agora o xerife e o prefeito disseram que somos obrigados a dar uma coletiva de imprensa e esclarecer isso.
― Não é momento ainda de se fazer uma coletiva. – aconselhou JJ.
― Mas eles disseram...
― Senhor Ecklie o FBI está aqui a pedido do governo e viemos trabalhar neste caso, como somos federais nós estamos no comando e de momento eu ordeno que não faça nenhuma coletiva de imprensa e qualquer coisa peça para o seu xerife ou o prefeito vir falar comigo. – disse Aaron Hotchner.
― Sim senhor. – Ecklie desligou a TV e retirou-se da copa.
― Quando é com o FBI ele fica na dele. – comentou Greg em surdina ao ouvido de Sara que conteve o riso.
― Quem será que informou a mídia sobre Heather? – questionou Blake.
― É o que eu vou descobrir. – respondeu JJ incomodada.
A técnica Wendy Simms adentrou a copa trazendo consigo o resultado do DNA da unha postiça.
― Wendy diga que obteve resultado. – disse Catherine esperançosa.
― Eu não sei dizer se este resultado é bom ou complica mais o caso. – disse Wendy.
― Como assim? – indagou Nick.
― Aqui está o resultado – ela entregou a Catherine – o DNA é feminino e ele foi encontrado no sistema por causa de um caso de quinze anos atrás.
― O que? – Sara e Greg questionaram ao mesmo tempo.
― Um caso de estupro.
― Amanda Carter – Catherine lia o resultado – ela foi vítima de um estupro há quinze anos quando tinha quinze anos de idade.
― Grissom e eu trabalhamos neste caso. – Brass tinha uma boa memória ele se recordava de cada caso que trabalhou com facilidade.
― Ela então é a Alexia a funcionária de Heather! – exclamou Greg.
― Será? – perguntou Nick.
― Ela pode ter criado uma nova identidade ou no fim das contas Alexia não é nossa suspeita. – respondeu Warrick.
― Capitão Brass você e Grissom trabalharam neste caso, conte mais. – pediu Rossi.
― Era o começo da carreira de CSI de Grissom eu me recordo bem, recebemos um chamado pela madrugada, uma adolescente foi a uma delegacia e fez uma denuncia de estupro – Brass começou a narrar – Grissom e eu fomos até lá, a vítima foi encaminhada para os exames de corpo de delito enquanto Grissom foi para o lugar onde ela foi violentada, enfim foi um caso muito triste, a mãe da garota não deu importância e alegava abertamente que sua filha que provocou toda a situação.
― Que horror! – exclamou Agatha.
― Tudo o que ela mais precisava era o apoio da mãe. – lastimou Seaver.
― Alguém da família lhe deu apoio? – perguntou o doutor Reid.
― Não – Brass recordava tudo com pesar – ela só tinha a mãe como família e a mesma a acusava da situação, ela ficou bastante apegada a mim e a Grissom.
― Aí está! – Agatha assustou a todos.
― Aí está o que? – questionou Sara.
― Esta vítima ficou apegada ao capitão Brass e a Gil Grissom, nossa equipe já lhe deu com casos deste tipo.
― Ela estava frágil e sozinha e encontrou apoio em Gil Grissom – esclareceu Hotchner – Grissom lhe demonstrou afeto tudo o que ela precisava.
― Então quer dizer que nossa suspeita cometeu todos estes crimes por causa do afeto de Grissom? – perguntou Sara aflita.
― Sim e provavelmente agora ela se sente rejeitada – continuou Alvez – o ataque a Lady Heather não foi aleatório, Grissom tem uma relação de amizade com a dominatrix na mente desta suspeita Heather atrapalha a "relação dela" com Grissom.
― Isto é insano. – comentou Catherine.
― Precisamos descobrir o paradeiro desta Amanda Carter. – Aaron Hotchner encarou a analista Garcia.
― É para já. – Garcia levantou-se da mesa e foi para a sala onde estava instalada para fazer suas buscas.
― Isto é loucura – Sara ficou perplexa – essa garota também ficou apegada a Brass, não foi capitão?
― Sim, mas devo admitir que ela se simpatizou mais com Grissom – respondeu Brass – eu recordo que uma vez ela comentou que Gil era estranho, mas amoroso.
― Grissom amoroso? – Greg não se conteve – Desculpa pelo que eu vou dizer, mas Grissom jamais demonstra seus sentimentos diante de um caso.
― Só que na mente desta vítima ele demonstrou e se é ela cometendo estes crimes, ela não vai parar. – explicou Prentiss.
― Primeiro ela cometeu crimes com pessoas sem elo a Grissom agora ela vai querer atacar as que tem ligação. – concluiu Blake.
― Se ela julgar que alguém interrompe sua “relação” com Grissom ela vai fazer algo. – afirmou Agatha.
Sara encarou a todos na copa e transtornada com tudo retirou-se da cozinha.
― Aaron Hotchner e todos vocês nos ajudem – suplicou Catherine – precisamos proteger Sara.
No amor desesperado é sempre assim, não é? No amor desesperado, nós sempre inventamos os personagens dos nossos parceiros, exigindo que eles sejam o que precisamos que sejam, e depois ficando arrasados quando eles se recusam a desempenhar o papel que nós mesmos criamos.
(Elizabeth Gilbert)

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