O Perfil da Evidência
8 Capítulo 8 - Suspeita a Vista
Notas iniciais

Existem pessoas que se encaixam tão leve na nossa vida que suspeito que elas sempre estiveram ali.
(Vanessa Leonardi)
O capitão Jim Brass ordenou que uma equipe policial fosse à casa de Lady Heather, mas claro que ele junto a equipe de CSI e o FBI também foram e Aaron Hotchner que ficou a frente da ação , além de oficiais uma ambulância foi solicitada.
Grissom estava aflito ele já não conseguia ocultar mais sua preocupação, Sara também estava fora de si agora pouco importava o ciúme que tinha de Grissom com Lady Heather a agonia e medo daquele caso lhe assombravam mais que tudo.
A residência e casa de BDSM de Lady Heather foi cercada de policiais, a equipe do FBI estava aposta com seus coletes a prova de bala para adentrarem ao local e os CSI lhe eram parceiros nessa missão.
― FBI! – anunciou o agente Morgan de frente a entrada principal.
― Um, dois – contava Aaron Hotchner – três, agora!
― FBI! – gritou Morgan mais uma vez chutando a porta.
Todos adentraram ao local com suas armas apontadas e se espalharam, Grissom foi imediatamente para os aposentos de Lady Heather, ele subiu a enorme escada caracol na companhia de Sara, Doutor Reid e o casal Hotchner.
A agente Hotchner abriu a porta do quarto com um chute e eles assustaram-se ao se deparar com aquela cena: Lady Heather vestida em sua camisola, envolvida pelos lençóis vermelhos de seda caída ao chão, ela tinha uma tesoura encravada em sua costas e o seu telefone celular encontrava-se jogado próximo a ela.
― Heather! – exclamou Grissom guardando sua arma e indo acudi-la.
― Que horror! – Sara ficou perplexa ao ver aquela cena.
― Equipe, aqui em cima, precisamos dos paramédicos! – anunciou o agente Hotchner.
― Grissom... – disse Heather com a voz abafada – me ajude...
― Eu estou aqui. – Grissom envolveu Heather em seus braços.
― Tira isso da minha costas... – pediu ela gemendo de dor.
― Não! – impediu o doutor Reid indo acudi-la – Se removermos a tesoura pode ocorrer uma hemorragia, aguente firme os paramédicos estão vindo.
Os paramédicos logo chegaram ao quarto e socorreram Lady Heather, infelizmente era arriscado remover a tesoura por isso Heather foi colocada em uma maca de costas para cima, o objeto só poderia ser retirado quando ela chegasse ao hospital.
― Eu vou com ela. – afirmou Grissom, mas ele encarou Sara brevemente.
― Vá. – consentiu Sara.
Grissom acompanhou Lady Heather que foi encaminhada ao hospital mais próximo pela ambulância, os demais ficaram e resolveram fazer uma busca pela enorme casa de Lady Heather para achar pistas, os CSI já começaram a trabalhar na cena do crime que era o quarto.
Lady Heather residia naquele local que também era o seu lugar de trabalho, não havia ninguém ali presente porque a movimentação de clientes despencava muito quando se era Inverno e naquela noite de sexta-feira todos os funcionários foram dispensados mais cedo.
― Ninguém pela casa, mas não há sinal de entrada forçada, as únicas portas arrombadas foram as que Morgan e Agatha chutaram. – esclareceu o agente Rossi.
― E a pessoa que deu a tesourada em Lady Heather pode estar longe, o pior é que eu não posso exigir uma busca pela cidade sem saber quem procuramos. – lamentou o capitão Brass.
― Quando eu vim com a agente Hotchner tinha alguém aqui além de Heather. – lembrou Sara.
― Pode me chamar de Agatha – pediu a agente – e sim Sara tem razão, havia outra pessoa.
― Quem? – perguntou Prentiss.
― Alexia. – respondeu Sara.
― Aquela que também estava aqui quando viemos à tarde? – perguntou o agente Hotchner a sua esposa.
― Sim, nós exigimos a lista de clientes e funcionários do lugar e Heather solicitou que ela nos entregasse.
― E ela questionou a Heather se estavam sendo investigadas. – recordou Sara.
― Não havia mais ninguém além das duas? – perguntou a agente Seaver.
― Não. – respondeu Agatha.
― Ela aparentemente estava de saída quando Heather ordenou que ela trouxesse a lista. – explicou Sara.
― Suspeita número um? – perguntou Blake.
― Eu ordeno uma busca atrás dela? – perguntou Brass.
― Melhor não demonstramos que ela é suspeita – sugeriu o agente Alvez – vamos fazer o seguinte: vamos convocar todos os funcionários deste lugar para um interrogatório, mas sem expor que suspeitamos de qualquer um deles, essa tal de Alexia precisará comparecer.
― Boa ideia. – Morgan pegou seu celular e ligou para a analista Garcia pedindo que ela entrasse em contato com os funcionários da casa de BDSM.
A cena do crime foi processada e os CSI manifestaram suas teorias até aquele momento:
― Não há sinal de luta – começou Catherine – pelo visto Lady Heather foi pega de surpresa.
― Ela deveria estar dormindo – continuou Nick – adormecida de costas para cima.
― O suspeito, melhor dizendo suspeita – prosseguiu Warrick – pegou a tesoura e a apunhalou pelas costas.
― Lady Heather tem guardado entre suas coisas no guarda-roupa uma caixa com alguns itens usado no BDSM como fitas, algemas, cordas, lenços, vendas, chicote e óbvio uma tesoura só que este último item citado não esta entre os objetos. – concluiu Greg.
― Então esta evidente que é alguém muito próximo a Heather – disse Rossi – a pessoa sabia deste kit e que o mesmo continha uma tesoura.
― Essa tal de Alexia já virou minha suspeita número um. – afirmou Seaver.
― Hotch! – exclamou a agente Jeniffer Jareau.
― O que foi JJ? – Hotchner já sentiu a apreensão de sua agente.
― Já tem gente da mídia do lado de fora.
― Como assim? – exclamou todos em coro.
― Alguém comunicou a eles que estávamos aqui e muitos repórteres estão lá fora exibindo ao vivo para toda Las Vegas que o Senhor Sem Pistas atacou alguém aqui.
― Impossível! – Agatha ficou inconformada – Assim que Gil Grissom recebeu a chamada de Heather nos organizamos e viemos direto, ninguém aqui disse nada.
― Eu vou lá fora conter a euforia deles e tentar descobrir quem foi o informante. – JJ retirou-se irritada, ela era a agente que lhe dava com a mídia quando se tinha um caso, ela era boa no que fazia, mas detestava quando algum informante exibido a toa compartilhava informações com a imprensa porque ela tinha que se virar nos trinta para conter aqueles que o agente Rossi apelidava de Abutres.
Catherine e os demais CSI recolheram todas as evidências do quarto de Heather e após a mídia ser contida eles retornaram na companhia do FBI para o laboratório.
[...]
Lady Heather teve sorte, ela foi apunhalada pelas costas por uma tesoura, porém não lhe causou um ferimento grave, a pessoa que a feriu não deu um golpe mortal.
Catherine Willows foi para o hospital ela precisava recolher a evidência principal: a arma do crime.
Depois de Heather ser atendida pelo médico do plantão e as enfermeiras Grissom ficou lhe fazendo companhia no quarto quando Catherine chegou.
― Boa noite – cumprimentou Catherine ao adentrar o quarto – como está Heather?
― Eu não tenho mais uma tesoura nas minhas costas então eu estou bem agora. – Heather encontrava-se deitada enquanto Grissom estava sentado a uma cadeira ao lado de sua cama.
― O médico disse que ela vai ficar bem. – afirmou Grissom.
― Eu vim buscar a arma do crime – anunciou Catherine – e claro analisar a paciente.
― Eu vou atrás do médico e solicitar a evidência – Grissom levantou-se – faça o seu trabalho.
― Obrigada. – Catherine abriu sua maleta e vestiu suas luvas de látex enquanto Grissom saia do quarto.
― Precisa tirar fotos da minha ferida? – Heather com um pouco de dificuldade colocou-se sentada.
― Você conhece o trabalho de um CSI. – afirmou Catherine pegando sua câmera.
― Faça o que precisa ser feito. – Heather com o auxílio de Catherine levantou até o pescoço a camisola que usava do hospital e deixou suas costas amostra e Catherine fotografou a ferida.
― Heather, agora eu preciso que me conte o que aconteceu. – Catherine guardou sua câmera e apossou-se de seu bloco de anotações e sua caneta.
― Depois que Sara junto a agente do FBI foram embora eu pedi a Alexia, minha assistente pessoal que antes de ir embora me preparasse um chá de cidreira e levasse ao meu quarto – enquanto Heather narrava Catherine anotava tudo atentamente – ela já estava de saída, mas Alexia nunca disse não as minhas ordens então eu fui para o meu quarto e ela preparou o meu chá e o levou até mim.
― Ela estava de saída?
― No Inverno a movimentação da casa diminui e como esta estação esta sendo a mais fria de todas a minha clientela deu uma pausa então eu dispenso meus funcionários mais cedo, hoje mesmo durante o dia atendemos apenas três pessoas, Alexia é minha assistente há anos ela mora comigo, mas às vezes passa a noite fora para ir ficar com sua família, é normal eu não a proíbo e essa noite ela fez o mesmo.
― Então Alexia lhe preparou o chá, lhe serviu e foi embora?
― Sim.
― Que horas foi isso?
― Eu não reparei, mas eu acredito que já era um pouco mais de dez horas.
― Mesmo com a nevasca Alexia saiu?
― Ela estava preocupada com a irmã caçula dela por conta do tempo mesmo, a mesma está enferma, com um forte resfriado, Alexia queria ficar com ela essa noite.
― E depois que ela serviu o chá? Ela fez mais alguma coisa antes de partir?
― Não, eu exigi que ela então fosse logo por causa da nevasca, ela despediu-se de mim e foi embora, eu tomei o meu chá e logo me deitei.
― E como foi apunhalada?
― Eu adormeci, em tempos de frio o meu sono chega mais rápido eu não sei por quanto tempo dormi, porém eu senti uma pontada nas minhas costas algo se encravando e eu gritei de dor quando me levantei senti que sangrava, as luzes do quarto estavam apagadas, porém eu ouvi a porta se bater, com dificuldade acendi o meu abajur e quando coloquei a mão nas minhas costas senti que tinha uma tesoura.
― E você ligou para o Grissom logo em seguida?
― A primeira pessoa que pensei foi ele então peguei meu celular próximo ao abajur na instante o número dele já estava salvo nas últimas chamadas então eu disquei.
― E depois?
― Ter aquela tesoura nas minhas costas era um incômodo horrível, uma dor insuportável, eu lembro que pedi ajuda a Grissom e que cai ao chão morrendo de dores.
― Você então não viu quem te atacou?
― Não, queria ter visto.
― Está bem, até o momento é só. – Catherine analisou a ferida nas costas de Heather e depois retirou suas luvas de látex.
Grissom retornou ao quarto trazendo consigo alguns pacotes, neles se encontravam a tesoura e as roupas de Heather.
― Aqui está – disse ele entregando os pacotes a Catherine – uma enfermeira virá aqui colher o sangue de Heather, leve para o laboratório e peça a analise.
― Está bem. – Catherine pegou os pacotes das mãos de Grissom.
Não demorou muito para que uma enfermeira chegasse para colher uma quantia de sangue de Lady Heather e assim que terminou a tarefa ela entregou o frasco a Catherine.
― Fique bem. – disse Catherine lhe esboçando um sorriso.
― Obrigada e até mais Catherine. – respondeu Heather correspondendo o sorriso.
― Eu vou ficar aqui está noite. – anunciou Grissom.
― Está bem, eu aviso os outros. – Catherine já estava de saída.
― Catherine! – chamou Grissom.
― O que?
― Fique de olho em Sara e não deixe ela afligir-se a todo instante.
― Está bem. – Catherine piscou para Grissom e foi embora.
[...]
Nick, Warrick e Greg trabalhavam no laboratório analisando as evidências recolhidas no quarto de Lady Heather, Nick pregava em um mural as fotos tiradas na cena do crime, Warrick com a ajuda de Sara explorava os lençóis da cama de Heather na procura de qualquer vestígio, Greg analisava a caixa com os pertences de BDSM na esperança de encontrar qualquer digital.
― Chegou a evidência principal. – divulgou Catherine ao entrar.
― A arma do crime. – retrucou Greg.
― Exato – confirmou Catherine – e também as vestes de Heather.
― Eu as analiso. – ofereceu-se Sara já pegando o pacote de Catherine.
Catherine começou seu trabalho, averiguou pacientemente aquela tesoura ensanguentada e logo procurou por digitais pela mesma e encontrou algumas.
― Eu também recolhi digitais destas coisas aqui – disse Greg – só falta procurar no sistema.
― Eu espero que deem algum resultado. – disse Nick.
― Encontrei fios de cabelo pelos lençóis – disse Warrick – só que podem ser de Lady Heather.
― Pelo menos já temos algumas evidências. – comentou Catherine esperançosa.
O capitão Jim Brass bateu a porta entreaberta ele estava na companhia do agente Morgan.
― Entrem. – pediu Catherine.
― O que encontraram? – indagou Brass.
― Fios de cabelo e digitais só falta descobrir a quem pertence. – respondeu Warrick.
― Pelo menos já se tem evidências. – replicou Morgan.
― Veio nos informar algo? – questionou Nick a Brass.
― Sim – retorquiu o capitão – a equipe do FBI já tem uma suspeita a vista.
― Alexia? – perguntou Sara.
― Ela mesma. – garantiu Morgan.
― Ela é a nossa suspeita? – indagou Greg curioso.
― Ela foi a última pessoa com quem Heather falou antes de ser apunhalada. — retorquiu Catherine.
― Ótimo, finalmente temos de quem começar a suspeitar. – falou Brass sentindo-se um pouco aliviado.
Suspeito fortemente que por trás de exagerado bem
há encoberto imenso mal.
(Augusto Branco)
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