O Perfil da Evidência
5 Capítulo 5 - O Motivo
Notas iniciais
Quando você sente falta de alguém
Quando você sente falta de alguém você fala pra sí mesmo
Que tudo vai ficar bem
Você tente se levantar ser forte e bravo quando todo que você quer fazer
É deitar e morrer
Há quanto tempo eu esperei por uma resposta ou um sinal
Sozinho e cansado dessa missão de tentar
Dar adeus
Então agora você começa a perceber que todo caminho que você vê
Conduz a uma lágrima em seu olho
Então dê adeus, dê adeus
(Wave Goodbye — Chris Cornell)
Para a maioria dos seus momentos tinha que ter alguma canção envolvida, Lady Heather sempre fazia questão de deixar alguma trilha sonora tocando quando estava só ocupada com algo ou simplesmente fazendo nada. Deliciando-se de um banho quente e relaxante em sua enorme banheira ela curtia música que vinha da caixinha de som que ficava pregada a parede do banheiro e a canção que embalava o seu banho era “Wave Goodbye” do artista Chris Cornell.
Ao finalizar o seu banho ouviu batidas a porta de seu quarto já sabia que era a sua assistente pessoal Alexia e saindo do banheiro exclamou a permissão de entrada para a mesma.
― O que foi desta vez? – Heather ficou um pouco incomodada ao enrolar-se em seu roupão branco, pois já era tarde e ela ansiava descansar.
― De novo a polícia e o FBI.
― Mande aguardar na sala. – Alexia retirou-se para cumprir a ordem da patroa.
Heather estava crente que era Grissom que havia retornado na companhia do FBI e do roupão branco vestiu uma camisola vermelha de seda com um roupão que fazia conjunto por cima, desembaraçou seus cabelos e descalça mesmo saiu de seu aposento e descendo as escadas coral foi para a sala.
Ela logo ficou decepcionada ao avistar Sara Sidle e Agatha Hotchner, ambas estavam de costas observando um quadro artístico que havia ali.
― Em que posso ajuda-las? – Heather evitou exibir sua frustração.
― Boa noite Lady Heather. – cumprimentou Agatha, Sara apenas esboçou um sorriso forçado.
― Que surpresa receber Sara Sidle aqui. – disse Heather.
― E que admiração ver que não sente muito frio? – retrucou Agatha mencionando sobre o roupão da camisola de Heather que estava aberto.
― Eu tenho aquecedor aqui dentro não preciso me proteger muito do frio – justificou Heather – sentem-se.
― Obrigada. – Agatha sentou-se a um sofá e Sara ficou de pé encarando Heather.
― Não quer sentar? – indagou Heather a Sara enquanto se acomodava de frente a elas.
― Eu estou bem em pé. – replicou Sara seriamente.
― Desejam alguma coisa? Posso providenciar um chá.
― Muito gentil da sua parte Heather, mas não precisa – começou Agatha – você com certeza sabe que houve mais uma vítima, não é?
― Sim, Grissom estava aqui quando recebeu o chamado – Heather encarou Sara – é mais uma cliente minha?
― Bingo! – exclamou Agatha que tinha consigo a foto da vítima no celular e exibiu a Heather.
― Era uma cliente nova, só tinha vindo aqui umas três vezes.
― Por acaso é só mulheres morenas que frequentam esse lugar?
― Claro que não, vem clientes de todas as etnias se é isso que quer saber.
― Porque só mulheres morenas?
― Eu acredito que é você que precisa saber a resposta, aliás, é uma agente do FBI.
― Lady Heather – Agatha começa a rir e Sara a encara perplexa – você é uma mulher muito inteligente.
― Obrigada pelo elogio, mas não entendi qual é a graça.
― Antes você não tinha percebido nada porque tinha viajado e nem se tocou das primeiras vítimas antes até porque já tem um ano e pouco que este criminoso está à solta.
― E não notei mesmo, achei que as primeiras pararam de frequentar aqui só isso.
― Viajou para onde? – desta vez Sara perguntou.
― Europa e foi depois que você pediu licença. – Heather cruzou as pernas.
― E porque diz isso?
― Porque eu sei que quer saber se depois que você se ausentou Grissom e eu nos encontramos, não querida eu viajei por assuntos particulares.
― Eu nem sequer mencionei o nome dele. – protestou Sara.
― Não foi preciso, seu olhar já denunciou.
― Agora vai ler o meu olhar? Vai adivinhar o que penso também?
― Não seria difícil. – Heather não segura o riso.
― Ei! – Agatha chamou a atenção para si – Sara e eu viemos aqui para interroga-la sobre o caso e é disso que vamos falar.
― Já não perguntaram tudo o que queriam saber mais cedo?
― Por favor, Heather para cima de mim não – Agatha mirou Heather no olhar – eu tenho certeza que quer muito descobrir quem mata suas clientes, é uma mulher inteligente e faz questão de exibir que lê o comportamento humano é óbvio que sabe perfeitamente que as vítimas serem suas clientes e até uma mesmo ter sido funcionária não é mera coincidência.
― É claro que eu estou muito curiosa. – Heather mantinha a pose.
― É óbvio que quer saber quem é o criminoso.
― E o que vieram descobrir?
― Você tem algum suspeito?
― Não e se eu tivesse diria a vocês.
― Heather você pode nos ajudar – insistia Agatha – não é coincidência o elo das vítimas ser este lugar, não é apenas preferência do criminoso por morenas, você sabe de algo.
― Eu ainda não sei, mas vou descobrir.
― Suspeita de algo ou alguém? – desta vez Sara perguntou querendo participar do interrogatório.
― Não, por mais que são de aparências semelhantes isso não me diz nada, o comportamento de uma era diferente da outra.
― Você comentou mais cedo que umas eram submissas e outras dominadoras, certo? – questionou Agatha atenta.
― Sim.
― Conte-me um pouco das que vinham para ser submissas.
― Eram mulheres que tinham cargos importantes em seus trabalhos, que viviam dando ordens e isso afetava suas relações pessoais, elas eram dominadoras em quase tudo na vida delas, tinha algumas casadas mesmo que sem querer dominavam a relação e vinham aqui pedindo auxílio para serem submissas pelo menos em momentos íntimos de suas vidas.
― E as que vinham ser dominadoras?
― A situação ao contrário, tinham cargos baixos em seus empregos, viviam recebendo ordens e sendo submissas a tudo, tinha uma que estava noiva e que temia ser sempre submissa e veio aqui querendo aprender a dominar.
― E queriam algo além disso?
― Não.
― Elas vinham aqui e pagavam para serem dominadas ou dominar alguém?
― Sim, mas antes elas assinavam um termo concordando com as regras e os meus funcionários tem um assinado também, aqui nada é forçado é tudo consensual.
― Elas vinham praticar essas coisas com o mesmo funcionário?
― É sempre o mesmo para cada cliente, começou com um e sempre será com aquele a não ser que o cliente peça para trocar, mas é raro acontecer.
― Lady Heather você garantiu nos passar a lista de funcionários e clientes que ainda vem aqui.
― Eu vou providenciar isso – Heather coloca-se de pé – Alexia!
― Sim. – a funcionária apareceu vestindo seu sobretudo.
― Estava de saída?
― Sim, eu creio que não precisa mais de mim não é mesmo?
― Antes de ir traga uma lista com os nomes de todos os clientes e funcionários.
― Estamos sendo investigadas?
― Vá Alexia. – ordenou Heather e a assistente retirou-se – Vocês duas desejam perguntar mais alguma coisa?
― No momento não – Agatha levanta-se – mas provavelmente voltaremos.
― Vieram só por causa disso mesmo? – Heather mirou Sara.
― Eu não vim perguntar do Grissom. – replicou Sara.
― Você e Grissom precisam conversar.
― Terminamos? – Sara virou-se para Agatha.
― Vamos pegar a lista e ir embora. – Alexia retornou com uma pasta na mão a mesma continha a lista solicitada.
― Eu espero ter ajudado – Heather estendeu a mão para Agatha – Boa noite.
― Boa noite. – Agatha a cumprimenta.
― Dominou muito bem o interrogatório, eu já te disse: pode ser uma ótima dominadora.
― Eu não sou submissa como acha que sou. – Agatha cochichou no ouvido de Heather.
― Não tanto como foi no passado. – sussurrou Heather de volta.
― Do que está falando?
― Agente Agatha Hotchner seu rosto é irreconhecível.
― Do que está falando? – insistiu Agatha.
― John Curtis. – Agatha soltou a mão de Heather e pegou das mãos de Alexia a pasta e retirou-se na companhia de Sara que não cumprimentou Heather para partir.
Ao entrarem no veículo Sara já deu partida e quando dirigiu alguns quilômetros virou-se curiosa para Agatha:
― Quem é John Curtis?
― Quem? – Agatha estava desatenta olhando a neve pela janela.
― Vocês falaram em surdina, mas eu ouvi.
― É alguém que não vale a pena ser mencionado. – Agatha mirou Sara – Qual é o seu problema com Heather? É por causa de Gil Grissom?
― Eu não tenho nenhum problema com ela. – fingiu Sara voltando a atenção ao volante.
― Claro que tem, Sara eu sei de você e Gil Grissom.
― Sabe o que? – Sara arregalou os olhos.
― Que vocês têm um caso.
― Tínhamos! – Sara deixou escapar e ficou envergonhada.
― Fique tranquila, eu te entendo. – Agatha sorri.
― Não me entende não, você é casada com seu chefe e todos sabem é diferente.
― E como acha que começou nossa relação?
― Não sei...
― Eu mal tinha entrado para o FBI e tudo aconteceu... Eu vivi umas situações ruins na minha vida – os olhos de Agatha encheram-se de água – Eu entrei para o FBI sendo apenas uma registradora da equipe eu só registrava os casos e aconteceu que eu me tornei vítima de um criminoso.
― Sério? – Sara ficou arrepiada.
― Mas conseguiram me salvar, Hotch meu salvou.
― Hotch?
― Apelido de Hotchner.
― Entendi.
― Desde então ficamos próximos e começamos a nos envolver quando notamos tínhamos um caso, mas ambos fugiam do que sentiam porque era antiético e não queríamos nos envolver e enfim... Não resistimos ao amor e ainda assim passamos mal bocados, vivemos situações de vida e morte, mas estamos aqui... Casados.
― É complicado envolver-se com alguém tão próximo assim que você trabalha e o Grissom eu não sei... O melhor é cada um do seu lado.
― Tem certeza? Do que vocês têm medo?
― Eu não tenho medo de nada eu me entreguei a isto de corpo e alma só que ele pelo visto não, ele é que tem medo e tudo o que ocorre é motivo de nos afastarmos.
― E onde Lady Heather se envolve nisso tudo?
― Grissom e ela... Bom, você entende.
― Entendo e ela também é um empecilho?
― Eu não tenho nada contra ela... Só que eu sei que esta mulher mexeu muito com ele, Grissom se envolveu muito com ela eu sei e ela...
― Ela te incomoda?
― Eu acho que sim.
― Sara, de quem Grissom gosta de você ou dela?
― Eu não sei.
― Olha quer saber o que eu acho? Quando cheguei aqui com minha equipe sua colega Catherine Willows mencionou seu nome e ele já ficou balançado o olhar dele dedurou depois você retornou da sua licença e ele ficou na sala de reunião sem reação, quando fomos visitar Lady Heather mais cedo eu notei que ele ficou constrangido não porque nutre sentimentos por ela e sim porque Gil Grissom detesta ser analisado não suporta que saibam teus segredos sobre teu pessoal e Heather é envolvida nisso e ela tipo faz e não faz questão de expor que teve algo com ele e faz de tudo para agrada-lo.
― Como assim?
― Quando fui com os outros mais cedo notei que ela é muito a disposição para responder as perguntas, para conversar e colaborar com tudo agora longe dele por mais que se esforce em manter a mesma posse ela deixa nítido seu incomodo com sua ausência, ela é uma dominatrix só que é totalmente submissa a ele.
― E você acha que ele...
― Se fosse para o Grissom ter um caso com ela teria até hoje porque seria mais fácil envolver-se com alguém de fora do seu trabalho, mas ele não mantêm ele aprecia a amizade ele tem muita consideração por ela e ela por ele mesmo que ela queira alguma coisa ela o respeita.
― Você garante tudo isso apenas por ter analisado o comportamento de ambos?
― A conclusão da minha análise sobre eles é essa, mas agora me responda: o que mais te incomoda referente a Heather?
― Ela é uma dominatrix então... Eu não sei explicar.
― Ora Sara ela é uma dominatrix, sim ela é uma mulher muito bonita, elegante e inteligente chama a atenção só que você também é.
― O que quer dizer?
― Você também é bonita, inteligente, chama a atenção e... – Agatha parou de falar e ficou pensativa.
― O que foi? – Sara observou a mudança brusca no semblante de Agatha.
― Sara, você já notou que umas das vítimas é semelhante a você fisicamente, certo?
― Sim e...
― Todas são morenas e bonitas, assim como você e Heather são, tem uma que é semelhante a você.
― Eu não estou te entendendo.
― Sara o que você e Heather tem em comum?
― Nada.
― Sara, o que você e Heather tem de elo?
― Grissom.
― O que você tem de semelhante a uma das vítimas?
― A aparência.
― O que conecta as vítimas?
― Lady Heather.
― Grissom envolveu-se com você e Lady Heather.
― Você acha que...
― Grissom! – exclamou Agatha.
― Espere... – Sara procurou estacionar o carro em algum lugar – Você acha que...
― Grissom tem ligação com tudo, ele é um elo.
― Então ele pode ser um...
― Motivo.
― Precisamos voltar o mais rápido possível. – Sara voltou a dirigir ansiando em encontrar Grissom.

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