O Perfil da Evidência
17 Capítulo 17 - Sara Sidle e Gil Grissom: Um Caso Resolvido (Capítulo Final)
Notas iniciais
Eu só estava analisando números e figuras
Desfazendo os enigmas
Questões da ciência, ciência e progresso
Não falam tão alto quanto meu coração
(The Scientist — Coldplay)
Nada adiantou forçar os olhos ficarem abertos, Sara tentou mobilizar-se do colchão e caminhar até a porta que estava entreaberta, não era gratificante ficar ao lado do corpo de Amanda Carter, mas ela estava fragilizada, suas pernas estavam fraquejadas, por sorte não tinha quebrado um osso, mas ela suspeitava que houvesse uma luxação em um dos joelhos, sua cabeça latejava uma dor insuportável. Sara só conseguiu criar forças e enfrentar Amanda por seu instinto de sobrevivência, assim que a adrenalina passou e conseguiu deter a outra ela não tinha mais forças para sair dali, entretanto podia respirar aliviada, pois Grissom disse que estava a caminho.
Já que estava com as pálpebras cansadas optou em fechar os olhos para não ter que ficar olhando o cadáver de Amanda Carter.
[...]
Todos estavam a caminho para resgatar Sara Sidle, dividiram-se em carros e foram salvar a CSI, Grissom estava um pouco tranquilo por ter conseguido comunicar-se com Sara pelo relógio do agente Hotchner.
Quando Sara apertou o botão do relógio de Agatha o do agente foi acionado com um toque de alarme então o aparelho digital passou a ser uma escuta, através dele era possível encontrar a localização, já que o mesmo também continha um GPS em suas configurações. O lugar onde Sara se encontrava era o mesmo que Hotchner e Grissom descobriram através da entrevista cognitiva: a residência da avó de Amanda Carter.
A casa realmente ficava em um local isolado, vizinha a um deserto de Nevada, já era tarde da noite quando todos finalmente chegaram. Apesar de Sara ter informado a Grissom que Amanda estava morta, o agente Hotchner ordenou que todos adentrassem com as armas apostas no local, pois se saberia o que poderia acontecer.
Sara abriu os olhos assustada, ela suspeitou ter ouvido um choro de um bebê, esforçou-se a tentar ficar pelo menos sentada só que não conseguia, quando ouviu o choro mais uma vez teve certeza que não estava surtando.
— FBI! – era a voz do agente Morgan, foi possível ouvir uma porta sendo arrombada.
— Eles chegaram, eles chegaram... – murmurou Sara sorrindo ao olhar para o teto.
Todos se espalharam pela enorme casa a procura de Sara, a CSI encontrava-se no subsolo do lugar, em um cômodo minúsculo.
— Tem uma escada que leva a um subsolo! – era a voz de Grissom.
— Gil! – Sara estufou o peito – Aqui Grissom!
— Sara! – retorquiu Grissom ao chamado, era possível ouvir os passos apressados dele descendo alguns degraus.
Grissom desceu uma escada enorme escada de madeira e adentrou o quarto que se encontrava Sara, Catherine e Agatha o acompanharam.
— Sara! – clamou ele mais uma vez ao avista-la jogada sobre aquele colchão velho.
— Gil! – Sara estendeu sua mão a ele.
— Sara meu amor. – Grissom foi até ela e agachando-se a envolveu em seus braços. Sara enlaçou suas mãos ao pescoço dele e chorou, mas desta vez um choro de alívio.
Catherine também não conteve as lágrimas, os demais CSI chegaram ao local, Nick exclamou algo manifestando sua alegria em ver sua amiga com vida, a agente Hotchner foi verificar o pulso de Amanda.
— Morta. – confirmou a agente.
— Temos paramédicos lá fora – anunciou Hotchner adentrando o cômodo – vou pedir que eles venham buscar Sara.
— Gil eu não tinha intenção de mata-la – foi justificando Sara – mas ela ia me torturar e me matar...
— Não se preocupe – Grissom acariciou o rosto da morena – você fez o que precisou para salvar sua vida, agora relaxe vamos leva-la ao hospital.
Os paramédicos chegaram e colocaram Sara em uma maca, Grissom os acompanhou.
— Apesar de sabermos como aconteceu somos obrigados a processar a cena. – alertou Catherine.
— Sim, temos que evitar futuros problemas com a Assuntos Internos. – concordou Warrick.
— Eles vão querer investigar o que? – retrucou Greg – Sara precisou se salvar.
— Ainda assim temos que processar a cena. – enfatizou Nick.
— Estão ouvindo? – indagou Agatha.
— Um bebê chorando? – retrucou Warrick.
— Sim! – exclamou Catherine e assim eles saíram do cômodo seguindo o barulho que ouviam.
Saíram do subsolo da casa e foram para o andar de cima, seguiram por um extenso corredor e depararam-se com uma porta ao final, Agatha empurrou a mesma e viu um berço, nele havia um bebê recém-nascido.
— Oi meu amor – disse Agatha pegando a criança no colo – não precisa chorar mais.
— Um bebê? – questionou Nick abismado – Amanda tinha um filho?
— Eu vou ligar para o serviço social. – disse Catherine pegando o celular.
— Eu vou ficar com o bebê no carro até a assistente social chegar. – afirmou Agatha saindo com o bebê envolvido em uma manta – E o bebê é ela.
Quando Agatha desceu um andar seu esposo e os demais agentes a avistaram com a criança no colo.
— Um bebê? – indagou Prentiss.
— Estava em um quarto no andar de cima, Catherine já ligou para os serviço social – esclareceu Agatha – é uma menina.
— Filha de Amanda? – questionou Rossi.
— Só um teste de DNA para saber – Agatha virou-se para o esposo – eu irei ficar com a criança no carro até uma assistente chegar.
— Está certo. – concordou seu marido.
Apesar de o tormento ter tido fim, era necessário que os CSI processassem a casa para enfim colocar aquele caso como encerrado e para que não houvesse nenhum problema com a Assuntos Internos.
[...]
Ao abrir os olhos, Sara tentou reconhecer o lugar que se encontrava, mas ao observar as paredes brancas deduziu que estava em um quarto de hospital, colocou a mão sobre a cabeça, ela ainda sentia dores, mas não tão intensas como as anteriores, percebeu que sua cabeça estava enfaixada, mobilizou as pernas com dificuldade, mas quando sentiu uma pontada no joelho preferiu ficar quieta.
Grissom estava jogado a uma pequena poltrona branca do quarto, o mesmo estava adormecido e usava sua jaqueta de CSI como coberta.
— Gil... – clamou Sara em voz baixa – Gil.
— Oi... – Grissom esfregou os olhos ao se despertar – Sara.
— Vai ficar com dor nas costas se continuar nessa posição.
— Como está se sentindo? – Grissom levantou-se e foi até ela.
— Um pouco de dor de cabeça, umas fisgadas no joelho, mas eu estou bem.
— Eu estou tão feliz que esteja viva.
— Não mais do que eu – brincou ela que com a ajuda dele colocou-se sentada – eu estou muito feliz com isso.
— Eu não quero imaginar o que passou. – Grissom pegou a mão dela carinhosamente.
— Gil... – Sara recordou-se do choro do bebê – Segundos antes de vocês chegarem eu tive a impressão de que ouvi um bebê chorando.
— Não era impressão – Grissom já havia sido informado por Catherine em uma ligação – foi encontrado um bebê, uma menina.
— O que? – Sara arregalou os olhos – Amanda tinha uma filha?
— Um teste de DNA será feito, mas não pense em nada disso agora. – Grissom beijou a mão dela.
— Vai ser difícil não pensar.
— Eu sei meu amor, mas você precisa ser forte e superar o trauma, o pior já passou.
— Gil, apesar de tudo o que passei, eu estou triste por Amanda.
— Não pense nela.
— Eu preciso falar – apelou Sara – por favor.
— Está bem.
— Eu estou triste por ela... Ela era sozinha, a mãe dela nunca lhe deu amor e por causa de uma demonstração de empatia da sua parte ela viu aquilo como um enorme afeto, tudo o que ela queria era ser amada.
— Eu sei e eu lamento, por isso muitas vezes evito expor o que eu sinto, porque infelizmente algumas pessoas compreendem errado.
— Mas se Amanda tivesse tido o amor de sua mãe, nada disso teria acontecido, eu não falo só por mim e sim por todas as vítimas, agora muitos pais vão enterrar suas filhas por causa de uma mulher que negou a sua.
— Ela não negou na realidade ela nunca teve amor à mesma.
— Triste.
— Agora procure não pensar muito nisso.
— Eu quero voltar para São Francisco – Sara apertou a mão de Grissom – Ecklie me garantiu que assim que o caso fosse encerrado, eu poderia tirar outra licença.
— Eu também irei.
— Para onde? São Francisco?
— Sim, nunca mais a deixarei sozinha.
— Está falando sério? – Sara não segura o sorriso.
— Sim. – Grissom beija docemente os lábios de Sara.
[...]
Foi exigido que o teste de DNA da bebê encontrada na casa fosse feito o mais rápido possível, os CSI já haviam processado a cena, mesmo sendo evidente a causa da morte o corpo de Amanda Carter precisou ir para a autópsia, o doutor Robbins foi o responsável.
Wendy e Henry agilizaram o teste de DNA, o resultado foi negativo: a criança não era filha de Amanda Carter. Imaginando que a criança foi sequestrada e que poderia haver pais a procura, JJ providenciou de imediato que a mídia divulgasse a imagem do bebê.
A analista Garcia continuava em suas buscas sobre Mona Taylor e Zoe Kessler e encontrou uma informação de extrema importância, assim que os agentes e os CSI ficaram sabendo todos se abismaram, ainda tinha surpresas daquele caso.
Lady Heather foi convocada pelo capitão Brass para comparecer ao departamento de polícia de Las Vegas, assim que ela recebeu o chamado apressou-se em ir, pois ansiava por notícias de Mona Taylor e sua filha Zoe.
— Bom dia Lady Heather. – cumprimentou o agente Hotchner ao entrar na sala de interrogatório na companhia de Brass, o dia já havia raiado.
— Bom dia, notícias da minha filha?
— Sim. – Hotchner estava sério, Brass tinha o olhar desconfiado, ele não queria encarar Lady Heather.
— E pelo que aparenta as notícias não são boas – Heather já pressentia algo – por favor, agente e capitão sem rodeios.
— Achamos pistas sobre sua filha.
— Pistas, mas não a encontraram.
— Infelizmente não.
— Que pistas são essas?
— Zoe Kessler deu entrada em um hospital vinte dias atrás, ela deu a luz a uma menina.
— Minha filha estava grávida? – Heather levou às mãos a boca – Porque eu não soube disso? Porque não soube antes que ela deu entrada em um hospital para dar a luz?
— Infelizmente Lady Heather, você não registrou ocorrência sobre sua filha, ninguém iria investigar.
— Eu não fiz o boletim porque ela não desapareceu do nada, nós não estávamos com relações amigáveis e ela me anunciou que iria embora para longe, porém eu queria encontra-la, consertar as coisas entre nós, então eu pedi auxílio de Grissom para que me ajudasse, quando fui a Europa meses atrás eu fui procura-la, pois o pai dela vive lá, mas não a encontrei.
— Eu compreendo e não a julgo – prosseguiu o agente – nós só encontramos aquela evidência de que ela ou alguém com sua identidade se hospedou naquele hotel porque eu tenho uma analista eficiente, que busca qualquer tipo de informação, como você foi vítima de um crime e tinha elo com o caso ela procurou qualquer informação sobre você.
— Eu compreendo, mas agora me diga: o que houve com minha filha? Ela deu a luz e sumiu?
— A criança foi encontrada, mas Zoe não.
— O bebê foi encontrado? Aonde?
— Amanda Carter estava com a criança.
— A suspeita?
— Responsável pelos crimes – respondeu Brass – realmente ela era a autora.
— Se ela estava com minha neta deveria estar com minha filha, não é?
— Até agora só encontramos a bebê, segundo as informações que minha analista conseguiu do hospital, Zoe deu a luz e quando teve alta foi embora na companhia de uma mulher.
— Segundo o relato do médico, a mulher que a buscou de alta tem as mesmas características de Amanda Carter. – explicou Brass.
— O que essa insana fez com minha filha? – Heather que estava sentada colocou-se de pé – Eu preciso falar com esta infeliz, ela precisa dizer onde está minha filha.
— Amanda Carter está morta – esclareceu Hotchner – ela havia raptado Sara Sidle que conseguiu salvar sua vida, porém ela matou Amanda.
— Senhor Hotchner eu não sou estúpida – Heather não segurou as lágrimas – é possível que Amanda Carter tenha matado minha filha?
— Não temos indícios sobre isso.
Warrick Brown interrompeu o diálogo ao bater a porta, ele solicitou a presença do capitão e do agente. Heather permaneceu na sala andando de um lado para o outro.
— Novidades? – indagou Brass.
— E não são boas – Warrick tinha uma pasta consigo – Mona Taylor e Zoe Kessler foram encontradas mortas enterradas pelo deserto próximo a casa da avó de Amanda Carter.
— Quem dá a notícia? – Brass encarou o agente.
— Eu faço isso. – Hotchner pegou a pasta de Warrick e voltou-se para a sala.
— O que foi? – Heather logo compreendeu o olhar do agente.
— Sente-se.
— Diga logo agente Hotchner, minha Zoe está morta?
— O corpo dela junto ao de Mona Taylor foi encontrado enterrado em um deserto.
— Não! – berrou Heather que precisou ser amparada.
[...]
Grissom recebeu uma ligação de Catherine pedindo que ele comparecesse ao laboratório para esclarecimentos finais do caso, como Sara precisava ser examinada mais uma vez pelo médico ele aproveitou o momento.
Assim que chegou ele solicitou a presença de Catherine em sua sala:
— O que tem a me dizer? – indagou Grissom assim que Catherine surgiu à porta.
— É melhor sentar-se. – pediu Catherine.
Foi revelado a Grissom sobre Zoe Kessler e sobre a bebê, Grissom lamentou a situação imaginando o tormento que Lady Heather vivenciava aquele momento.
— E a última coisa que você precisava saber. – Catherine entregou a Grissom uma carta embalada em um plástico de evidência.
— O que é isso? – Grissom colocou seus óculos.
— Nós tivemos que processar o lugar onde Amanda se escondeu, você sabe, são as regras e então encontramos isso, é uma carta de Amanda para você.
— Para mim? – Grissom arregalou os olhos.
— Vou deixa-lo a sós. – Catherine retirou-se.
Grissom leu a carta que dizia o seguinte:
Adorado Estranho.
Eu escrevo esta carta porque eu sei que existe uma pequena hipótese de que desvende estes crimes e descubra que eu sou a culpada, ainda mais com o FBI na investigação, os jornais só falam disso.
Eu sei que ficara decepcionado comigo, porém eu já havia manifestado a você do que era capaz. Lembra quando te disse que queria aprender hipnose para fazer minha mãe se suicidar? Eu aprendi a hipnose, comecei a fazer apresentações, hipnotizava pessoas, todos riam e aplaudiam meu trabalho, eu sempre estive disposta a acabar com a vida daquela desgraçada, porém não tive essa coragem ainda.
Você deve se perguntar por que comecei esses crimes, não é? Eu passei alguns anos te enviando cartões de Natal, você só respondeu o primeiro, depois os outros jamais obtive retorno, eu fiquei magoada com você e acreditei que aquela compreensão e amor que teve comigo aquela noite foi falsidade de sua parte, voltei a me sentir sozinha como antes.
Grissom eu tentei ter uma vida normal, tentei me relacionar com outras pessoas, mas os poucos namorados que me relacionei eu tive problemas, por conta do estupro que sofri eu desenvolvi problemas sexuais e psicológicos muitos sérios. Um dia encontrei um cartão de visita de Mona Taylor, a sexóloga que trabalhou para a dominatrix Lady Heather, comecei a me consultar com ela, eu estava até indo bem na terapia até o dia em que ouvi Lady Heather mencionar o seu nome, primeiro não acreditava que ela pudesse estar falando de você, achei que nunca mais teria notícias do meu adorado estranho, mas eu tinha que ter certeza e criei uma amizade com a assistente Alexia Walker, pelo que eu notei além de funcionária ela era amiga da dominatrix e ela me revelou que você tivera um caso com Lady Heather, infelizmente não contive a inveja e ciúmes, eu sempre quis o seu amor, sua atenção, mas fui ignorada agora ela o tinha quando queria. Passei a te perseguir, pois Alexia me conseguiu seu endereço, te segui várias vezes do trabalho para casa e vice-versa então foi aí que descobri que deixou de se relacionar com Lady Heather para ficar com Sara Sidle, me tornei grande amiga de Alexia e ela me contava tudo, em algumas noites que te seguia eu vi você saindo do trabalho em companhia de Sara, algumas vezes vocês iam para a sua casa, outras vezes para o apartamento dela.
Voltei a ficar deprimida, não quis me relacionar com mais ninguém, senti-me traída por você, pode parecer absurdo, mas eu me sentia assim.
Eu ainda tinha planos de fazer minha mãe se suicidar, mas eu tinha receio de que tudo desse errado então passei a treinar minhas hipnoses com as clientes de Lady Heather, como eu fazia shows eu pedi que Alexia me auxiliasse fazendo propaganda sobre mim, ela então distribuiu alguns cartões de visita às clientes, exigia que ela fizesse isso com todas as clientes morenas. Você acha que eu assassinava mulheres morenas por causa de Sara ou Heather? Nisso você se enganou, eu escolhia as vítimas que lembravam a aparência de minha mãe quando mais nova, a única que eu matei por raiva de Sara foi uma semelhante a ela fisicamente.
Os noticiários começaram a enfatizar sobre os crimes e o seu nome foi mencionado como o responsável da investigação, aquilo me excitou, pois sem saber você estava atrás de mim e eu gostei da brincadeira. Hipnotizei as vítimas, abusei delas sexualmente com apetrechos para parecer que era um homem, asfixiava elas e depois limpava toda a cena do crime, mas eu deixei alguns sinais, eu achei que fosse se recordar.
Lembra quando me pagou aquele jantar? Fiz pedido da minha refeição favorita que era massa com bolonhesa, queria beber vinho, mas aquele capitão não deixou sendo que eu já tinha bebido vinho antes.
Era emocionante saber que corria atrás de mim que queria me capturar e eu estava até aceitando a ideia de ser presa, mas quando descobri que Sara Sidle retornou de uma viagem me irritei e assim invadi o apartamento dela, como a desgraçada da minha mãe namorou vários bandidos aprendi com eles em como invadir uma casa e passei há ficar uns dias no apartamento da CSI, queria descobrir o que ela tinha que você tanto a amava enquanto eu era ignorada por você.
Enfim eu capturei Sara Sidle e se vier a desvendar isso eu espero que leia esta carta, pois decidi que se vocês me coagirem eu vou me matar e levo sua morena junto comigo.
P.S eu também não deixei Lady Heather de fora, com a ajuda de Alexia consegui descobrir o paradeiro da filha dela que estava grávida, o bebê agora é meu, e também capturei Mona Taylor, sei que Heather tem carinho com ela, não fiz nada com Alexia porque a mesma garantiu dar fim na dominatrix porque ela estava magoada com a mesma.
Quando ler esta carta eu estarei morta e Sara também.
Adeus adorado estranho.
Grissom tirou os óculos espantado com a confissão de Amanda Carter através daquela carta, respirou aliviado por Sara ter conseguido de salvar a tempo, porém aquele caso deixaria cicatrizes em ambos.
[...]
O capitão Brass foi à residência de Elizabeth Carter comunicar que sua filha estava morta, ele foi acompanhado do casal Hotchner. Dessa vez um outro homem atendeu a porta, era o novo namorado da senhora Carter.
Eles não tiveram atritos para adentrar a casa, Elizabeth Carter se deparava jogada ao sofá assistindo a um programa de televisão e bebendo sua cerveja.
— De novo por aqui capitão? – reclamou ela finalizando sua bebida – Quem são estes? Também são do FBI?
— Sim – respondeu Brass – viemos falar sobre sua filha.
— De novo sobre essa desgraçada? Encontraram-na morta dessa vez?
— Sim ela está morta, mas morreu por causa de crimes bárbaros que cometeu, ela sequestrou uma CSI e a mesma precisou se salvar.
— Mande meus agradecimentos a esta CSI.
— A senhora é culpada! – exclamou Agatha.
— Agatha, mantenha a postura. – pediu seu marido.
— Como assim eu sou culpada? – Elizabeth Carter se levanta para mirar a agente – Não fui eu que sequestrou a CSI, foi?
— Amanda Carter cometeu vários crimes por causa de uma obsessão que ela criou por causa de uma pessoa! – Agatha se explodiu – Tudo o que ela queria era ser amada, se ela tivesse tido uma mãe que a amasse e protegesse, muitas vidas teriam sido poupadas!
— Se ela matou alguém, ela é a culpada!
— Você também tem culpa, sua ordinária! – Agatha apontou o dedo para a senhora Carter.
— Agatha fica calma. – insistia seu esposo.
— Não Hotch, ela precisa ouvir! Se essa infeliz tivesse sido uma mãe de verdade, Amanda não teria fantasiado nada com Grissom, ela não ia persegui-lo, não ia machucar ninguém! Agora quantos pais vão enterrar suas filhas por causa disso? Essa desgraçada preferiu dar amor a vários homens a ser uma mãe!
— Amanda foi uma maldição na minha vida! – esbravejou a senhora Carter – Eu tentei aborta-la e não consegui! A desgraçada era um carma na minha vida! Porque ela tinha que nascer daquele jeito? Com aquela beleza insuportável? Quando cresceu ficou pior, ela conquistava todos os meus homens, eu não podia amar ninguém que ela me roubava, eles só me namoravam para ter acesso a minha filha, eu me arrependo de não a ter matado antes disso tudo!
— Você é o ser mais desprezível que existe! – Agatha levantou a mão para estapeá-la.
— Agatha, não! – seu esposo impediu segurando sua mão.
— Que bonito, o FBI abusando da autoridade que tem, eu quero abrir uma denúncia! – escandalizou a senhora Carter.
— Então vamos aproveitar e fazer uma varredura pela casa e quem sabe encontrar algo que a delate não é? – retrucou Brass – A senhora nunca se envolveu com coisa boa.
— Mulher fica quieta, deixe que eles vão embora. – pediu o parceiro.
Elizabeth Carter logo temeu que sua casa fosse confiscada e desistiu de abrir uma reclamação, o capitão se retirou com os agentes.
— Enlouqueceu? – repreendeu o agente Hotchner – Você viu o que iria fazer?
— Você ouviu o que ela disse?
— Eu ouvi, mas a agredindo perdemos a razão, por mais que essa mulher seja repugnante.
— Perdão – Agatha recobrou a postura – eu me descontrolei.
— Você sabe que temos que manter o controle, eu te digo isso como seu chefe, a próxima vez vai ser punida.
— Está bem. – Agatha respirou fundo.
— O casal já terminou a DR? – indagou Brass – Temos que ir à assistente social buscar a neta de Lady Heather.
— Podemos ir. – respondeu Hotchner.
[...]
Uma coletiva de imprensa teve que ser organizada por JJ para encerrar a euforia da mídia sobre o caso, ela aconselhou que Conrad Ecklie junto ao xerife não desse detalhes do caso e que apenas afirmasse que o mesmo estava encerrado.
Enquanto isso Lady Heather precisou providenciar o funeral de sua filha, mas em meio às preparações ela foi chamada mais uma vez pelo capitão Brass.
Desta vez Heather não foi para uma sala de interrogatório e sim para o escritório do capitão que a aguardava.
— O que foi dessa vez capitão? – questionou Heather entristecida.
— Lady Heather primeiro eu quero expressar meus sinceros sentimentos, eu sinto muito pela sua perda.
— Eu aceito e agradeço suas condolências de coração capitão Brass, mas sei que além disso quer me dizer mais uma coisa.
— Você sabe que foi preciso sua neta ser levada para o serviço social, não é?
— Eu sei, infelizmente até que eles preparem toda a papelada da guarda ela tem que ficar com eles.
— Exato, mas sabe quando se tem ajuda do FBI tudo fica mais fácil.
— O que está querendo dizer?
— Aqui está à papelada – Brass entregou a Heather uma pasta com uma documentação – você já tem a guarda de sua neta.
— Eu não acredito – Heather ficou emocionada – onde ela está?
— Aqui. – Agatha adentrou a sala com a bebê no colo.
— Ó meu Deus! – Heather colocou o documento sobre a mesa para pegar sua neta.
— Ela é muito linda, parabéns vovó. – parabenizou Agatha ao entrega-la.
— Ela se parece com Zoe. – Heather não segurou as lágrimas.
— Ela ainda não tem um nome.
— Ó meu Deus, minha princesa não tem nome ainda? Que nome vou dar a essa flor? Já sei... Você se chamara Emma.
— Bonito nome. – elogiou Agatha sorrindo.
— Obrigada, muito obrigada todos vocês, eu perdi minha filha e isso sempre será dolorido para mim, mas com minha neta tudo ficara mais fácil.
— Fique bem. – Agatha abraçou Lady Heather e pegando o documento da adoção sobre a mesma, ofereceu-se a acompanhar a dominatrix até a saída.
Quando saiam do escritório do capitão depararam-se com Grissom pelos corredores.
— Heather! – exclamou Grissom ao se aproximar – Eu... Eu sinto muito por Zoe.
— Obrigada Grissom – agradeceu Heather – obrigada pelo apoio que teve quando eu a procurava e mesmo em meio ao meu sofrimento eu quero dizer que fico aliviada em saber que Sara está bem.
— Ela terá alta do hospital, eu estou indo busca-la.
— Seja feliz Grissom, não abandone Sara jamais, não a afaste mais de sua vida.
— Obrigado Heather e eu desejo felicidades para você e sua neta.
— Obrigada. – Heather saiu sendo acompanhada por Agatha enquanto Grissom retornava ao hospital para buscar Sara.
[...]
Sara terminava de se vestir com a ajuda de uma enfermeira quando Grissom regressou para busca-la, os papéis da alta já estavam assinados, Sara estava liberada.
A CSI teve uma enorme surpresa quando saiu de seu quarto e avistou todos no corredor.
— O que é isso? – indagou ela – Festa no corredor do hospital?
— Estávamos ansiosos para vê-la. – respondeu Nick lhe abraçando com cuidado, pois ela ainda estava um pouco debilitada.
Além dos seus companheiros de trabalho, a equipe da UAC se encontrava completa.
— Sara, eu estou feliz em te ver. – disse Agatha a abraçando, os demais fizeram o mesmo.
— E eu estou feliz em ver todos vocês aqui, obrigada pelo carinho.
— O pesadelo acabou – falou Catherine aliviada – o caso está encerrado.
— Eu quero agradecer o apoio e pedir desculpas – pediu Sara – eu me descontrolei muitas vezes, eu desobedeci a uma ordem federal e sai sozinha sem autorização.
— Não se lamente por isso – pediu Rossi – você reagiu a tudo isso como deveria agir.
— Se alguém tem que pedir desculpas aqui sou eu – manifestou Grissom – eu devo um pedido de desculpas ao FBI, eu duvidei muito no começo, não aceitava a intervenção deles, mas se não fosse essa equipe eu não sei o que poderia acontecer e eu não quero nem imaginar.
— Não se preocupe Gil Grissom – redarguiu Aaron Hotchner – sua reação era compreensível e eu peço desculpas se aparentou que minha autoridade durante a investigação foi perturbante, eu só estava fazendo o meu trabalho.
— Eu tenho que admitir – disse Greg – vocês são ótimos no que fazem.
— Excelentes perfiladores. – elogiou Nick.
— Os melhores agentes do FBI. – afirmou Warrick.
— Além de agentes são companheiros, vocês são demais no que fazem. – disse Catherine.
— Fizeram um ótimo trabalho, obrigado a todos. – agradeceu Brass.
— Vocês também são ótimos, o laboratório de vocês é esplêndido – bajulou Garcia – eu adorei trabalhar com vocês, apesar de ter sido um caso conturbado e pessoal para todos.
— Eu agradeço a todos vocês, obrigado por tudo agente Aaron Hotchner. – Grissom estendeu a mão para o agente.
— Não há de que – o agente apertou a mão do CSI – quando precisarem é só chamar.
— Por favor, a próxima vez que for ter intervenção do FBI que sejam vocês. – disse Catherine e todos riram.
— Gil, os relógios. – lembrou Sara.
— Agente Aaron Hotchner aqui estão os relógios. – Grissom os retirou do bolso da jaqueta.
— Fique com eles – disse Agatha – Hotch e eu podemos providenciar outros para nós.
— Tem certeza? – retrucou Sara.
— Absoluta.
— Eu não sei como retribuir.
— Eu sei como – disse o agente Hotchner – fica o convite a todos, quando quiserem vão até Virgínia visitar e conhecer nosso departamento.
— Será um prazer. – Grissom apertou a mão do agente mais uma vez e assim se despediram.
[...]
Os agentes da UAC já estavam em seu jato particular do FBI regressando para Virgínia, até aquele momento não haviam sido convocados para outro caso e eles torciam para que não fossem chamados, todos estavam exaustos depois de um caso tão turbulento. Quando pousaram no heliporto do prédio do departamento eles foram informados através de mensagem pelo celular que estavam dispensados para alguns dias de folga, já que vieram de um caso complicado.
O casal Hotchner vibrou de alegria, ambos estavam morrendo de saudades dos filhos que quando retornaram para casa foram recebidos pelos mesmos com muito carinho:
— O papai e a mamãe Agatha chegaram! – exclamou Jack, o caçula.
— Meu amor que saudades! – Agatha pegou o caçula no colo e o encheu de beijos.
— Mãe! – clamou David, o mais velho.
Agatha entregou o caçula aos braços do pai e foi de encontro ao abraço do mais velho.
— Meu amor, a mamãe voltou!
— Que bom, eu estava com saudades! – David agarrou-se a sua mãe com todo o carinho.
— Que bom que voltaram – disse Jéssica, a tia dos meninos surgindo na sala – esses meninos estão eufóricos para montar um boneco de neve, mas só fazem se os dois agentes estiverem aqui.
— Estamos de volta. – disse Hotchner que após mimar Jack foi paparicar o mais velho.
— Vamos fazer um boneco de neve? – indagou Jack.
— Claro que sim! – afirmou Agatha e os meninos vibraram de alegria.
— Mas a mamãe e o papai precisam de um banho e depois se alimentar. – explicou Aaron.
— Eu vou preparar algumas panquecas – disse Jéssica – quem me ajuda?
— Eu! – exclamou os dois meninos ao mesmo tempo e correram atrás da tia Jéssica que foi para a cozinha.
— Lar doce lar – disse Hotchner – agora eu posso beijar minha mulher!
— Faz dias que eu espero por isso! – Agatha jogou-se aos braços do marido que a levantou no colo e entre beijos a conduziu para o quarto.
[...]
Gil Grissom e Sara Sidle pegaram licença do trabalho de alguns meses, Sara precisava se recuperar e se tratar, pois devido as fortes emoções que viveu poderia facilmente ter uma EPT (Estresse Pós Traumático), Grissom também vivera a adrenalina, mas não tanto como Sara que foi raptada, entretanto Ecklie convenceu o xerife a libera-lo porque ele tinha várias férias acumuladas. A relação deles não era segredo para mais ninguém, Ecklie agora sabia de toda a história, todavia não implicou com aquilo e ficou contente pelo casal.
Sara tinha planos de ir para São Francisco, mas Grissom achou melhor que ela primeiro se recuperasse fisicamente para poderem fazer uma viagem sossegada, então Grissom a levou para sua casa para poder cuidar dela. Depois de um mês e meio Sara se encontrava bem, seus ferimentos pelo corpo iam se curando e quando sentia-se recuperada ela e Grissom arrumaram as malas para viajar.
Eles foram para São Francisco, Sara tinha uma casa na cidade herdada de sua família, ela ficou tão feliz ao voltar, levou Grissom aos seus lugares favoritos, inclusive na cafeteria que ela tanto elogiava e o fez provar sua bebida preferida do estabelecimento, depois eles passeavam de carro pelas ruas, Sara se divertia ao avistar pela janela do veículo as crianças pelas calçadas brincando com a neve e Grissom gozava daquele momento junto a ela, feliz da vida. À noite eles ficavam em casa assistindo filmes, saboreando suas refeições preferidas e fazendo palavras cruzadas.
Em uma noite Grissom quis ficar responsável pelo jantar e cumpriu sua promessa que era preparar uma deliciosa lasanha vegetariana, já que Sara não comia carne. Após o jantar eles deitaram juntos na cama, Grissom então tirou debaixo do travesseiro um livro.
— O Caso Dos Dez Negrinhos! – admirou-se Sara.
— A minha noiva ficou de ler para mim.
— A sua o que? – Sara escancarou os olhos.
— Noiva.
— Noiva? Você me pediu em casamento? Vai me pedir? Quando?
— Pode ser quando eu comprar as alianças?
— Não senhor Gil Grissom, peça agora! – Sara colocou-se sentada diante dele.
— Está bem – Grissom sentou-se e pegou na mão de Sara – Sara Sidle aceita se casar comigo?
— Sim Gil Grissom, eu aceito! – Sara atirou-se aos braços daquele que agora era o seu noivo.
— A leitura pode ficar para depois? – Grissom empurrou o livro para um canto da cama – Eu quero comemorar.
— Eu também quero. – entregaram-se aos beijos e caricias e auxiliando um ao outro a se despir renderam-se ao prazer, se deliciaram de um sexo cheio de amor. Desfrutaram de várias posições, nada era forte o suficiente para apagar aquela chama, aquele fogo que os consumia e assim chegaram juntos ao ápice.
Ofegantes enrolaram-se aos lençóis, Grissom pegou de volta o livro e entregou a Sara:
— Agora sim, pode ler. – Sara sorriu e pegando o livro acomodou-se em uma posição confortável e iniciou a leitura.
Doce, doce, e adorável amor
Fique aqui, não tenha medo
Eu serei tudo o que você precisar
Nunca me deixe, Que estou apaixonada, doce amor
Estou chamando você, sem nenhuma vergonha
Estou apaixonada, doce amor
Não vá embora, sempre será assim, eu acredito
(Sweet Love — Anita Baker)

FIM
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