O Perfil da Evidência
10 Capítulo 10 - A Conclusão do Gênio
Notas iniciais
Quem fala mal da hipnose é porque não tem conhecimento.
(Wallace Julio Pereira Augusto)
Sara quis isolar-se, primeiro foi para o vestiário, mas logo imaginou que Catherine a procuraria por lá então foi ao escritório de Grissom.
Chegou à sala a porta estava encostada e a luz apagada, notou que Grissom deixou a chave na fechadura pelo lado interno e ela aproveitou a deixa para trancar-se ali, ansiava solidão naquele momento. Rodou a chave e acendeu a luz, o local estava do jeito que Grissom deixara: um livro de entomologia estava aberto sobre a mesa, ela recordou que ele fazia a leitura do mesmo quando chegou ali desesperada pedindo que ele tomasse cuidado, pois ele era o alvo e foi interrompida por Aaron Hotchner que quis falar o assunto com ele em particular.
A aranha de Grissom encontrava-se em sua caixinha de vidro que fora preparada para mantê-la, a aranha estava parada mal mexendo suas patinhas e Sara aproximou-se para se certificar se estava tudo bem com o animal de estimação e respirou aliviada ao ver que não tinha problema nenhum com a mesma, porém parecia que a aranha percebia o clima tenso que se encontrava naquele momento.
Sara dedicou sua atenção a instante de livros a maioria eram livros didáticos: criminais, entomologia, ciência, história, geografia, enfim muitos livros. Sara sorriu ao reparar que entre estes títulos havia “O Caso dos Dez Negrinhos” da autora Agatha Christie e lhe veio à mente um diálogo que ela teve com Grissom tempos atrás.
Sara adorava ler além de livros didáticos ela gozava de uma boa ficção e os romances policiais eram os seus favoritos, Agatha Christie era a sua autora preferida e uma vez ou outra ela indicava a leitura a Grissom.
“Estes livros são muitos fantasiosos” afirmou Grissom uma vez justificando o porquê de não apreciar livros de ficção.
“Tem realismo, mas se não houver qualquer fantasia que graça tem? Então não seriam livros ficcionais, isto é leitura para distração” esclareceu Sara a ele.
Meses antes de eles começarem a trabalhar com aquele caso complicado, Greg Sanders surgiu no laboratório com o “O Caso Dos Dez Negrinhos” o mesmo elogiou a obra e afirmou que aquele era um dos melhores títulos de Agatha Christie, Catherine pegou o livro emprestado, depois Sara que insistiu que Grissom desse alguma chance aquela leitura.
“Quem sabe um dia” respondeu Grissom a Sara e ela interpretou que nem que fosse por curiosidade Grissom leria a obra, mas depois Nick que se apossou do livro de Greg e Sara achou que Grissom não fosse mais dar atenção, mas ao ver aquele livro em sua prateleira percebeu que ele deu uma chance a leitura.
Sara pegou o livro da instante e o foleou notando que o mesmo era novo, pois o cheiro denunciava e dentro dele havia uma nota de compra, mas Grissom não tinha iniciado a leitura dele porque não se tinha nenhum marcador de página. Ela colocou o livro de volta ao seu lugar e aplicou sua importância ao outro lado do escritório.
Havia um armário de ferro da pintura cinza, Sara aproximou-se do mesmo e viu que a porta do mesmo estava entreaberta e estranhou, pois Grissom não era de deixar aquele armário destrancado. Ela decidiu tranca-lo quando a curiosidade lhe cercou e fez que ela vasculhasse o que tinha ali dentro e deparou-se com uma caixinha onde continha amostras de sangue e DNA e logo viu que as amostras eram pertencentes a ela e de todos os seus colegas de trabalho.
Todos os funcionários daquele laboratório forneceram voluntariamente uma amostra de sangue e DNA para Grissom, ele sempre pedia pelas amostras quando alguém era contratado para trabalhar ali, Grissom gostava de ser precavido para qualquer situação, mesmo que os funcionários já tivessem disponibilizado amostras para o laboratório Grissom queria suas amostras consigo, pois se caso alguém se tornasse vítima de algum caso ele tinha consigo o DNA do mesmo para analise.
Sara observou que os frascos foram recém-organizados e que suas amostras eram a primeira da caixa a ser exibida e imaginou que Grissom que deve ter as reorganizado.
Fechando o armário com chave Sara resolveu alimentar a aranha de estimação e depois acomodou-se na poltrona de Grissom e passou a folear o livro aberto de entomologia.
Ficar próxima as coisas dele a confortava um pouco, mas a aflição ainda lhe assombrava, o fato de ter alguém atrás de Grissom por culpa de uma obsessão doentia era preocupante, Gil Grissom apenas desempenhou seu trabalho em um caso e uma vítima passou a entender aquilo como um grande afeto, um afeto que ela queria ter custe o que custasse.
Sara apoiou a cabeça sobre o livro na mesa e fechando os olhos começou a ver todos os momentos que teve com Grissom em sua mente como um filme: os primeiros olhares, os primeiros flertes dela para ele, o primeiro encontro sem ser diante de um cadáver, o primeiro beijo, a primeira entrega e recordando todos eles ela não segurou o riso, mas logo voltou a ficar séria porque todas as discussões que tivera com ele começaram a ser o filme de sua mente.
Lembrou-se da última discussão com todos os detalhes, eles discutiram por causa do caso e por causa de Lady Heather. Grissom pediu que Sara se afastasse do caso após a vítima que era semelhante a ela fisicamente ter sido encontrada e Sara brigou com ele pelo mesmo ter voltado a ter contato com Lady Heather e por estar auxiliando a dominatrix em algo que ele se negava a revelar o que era.
O toque do celular em seu bolso a fez desligar-se das lembranças e levantou a cabeça bruscamente e sentiu-se um pouco tonta, mas não hesitou em atender a chamada ela achou que fosse Grissom a telefonar:
― Gil! – exclamou.
― Grissom está te esperando. – respondeu a voz feminina do outro lado.
― Quem é?
― Grissom está te esperando, pegue as chaves do seu carro e vá encontra-lo. – a voz feminina tinha um timbre tranquilizante, mas falava como se desse uma ordem, era possível ouvir uma música instrumental de fundo.
― Quem é? Onde está Grissom? – Sara já entrou em pânico imaginando o pior.
― Grissom te espera Sara, ele aguarda você em um hotel. – a voz ditou um endereço e Sara pegou uma caneta no porta-lápis da mesma e escreveu o mesmo em um bloco de anotações.
― Pegue a chave do seu carro e venha encontrar Grissom agora mesmo.
― Quem é? Quem está falando? É você Alexia? Ou Amanda? Quem é você? – escandalizou Sara, porém a chamada caiu.
Sara levantou-se da mesa com o endereço anotado e destrancando a porta saiu em disparada, Greg e Nick se trombaram com ela pelo corredor.
― Sara o que houve? – indagou Nick ao observar o nervosismo da amiga.
― Eu não tenho tempo, ela está com o Grissom! – berrava Sara chamando a atenção de todos.
― Quem está com o Grissom? – perguntou Greg.
― Alexia ou a Amanda, eu preciso ir! – ela tentou desviar-se deles, mas Nick a agarrou pelo braço – Nick, me solta!
― O que está acontecendo aqui? – exclamou Conrad Ecklie aproximando-se deles, Catherine junto ao capitão Brass e a Warrick também surgiu no corredor na companhia dos agentes do FBI.
― Sara o que aconteceu? – questionou Catherine.
― Ela está com o Grissom! – repetia Sara.
― Quem está com o Grissom? – perguntou o agente Rossi.
― A nossa suspeita, ela me ligou... Disse que está com ele neste endereço – Sara entregou o endereço anotado a Catherine – eu preciso ir salva-lo!
― Sara Sidle, mantenha a calma. – exigiu Aaron Hotchner.
― Não! – Sara tentou soltar-se das mãos de Nick que lhe assegurava pelos braços.
― Sara, presta atenção – impôs Agatha lhe tocando os ombros – Grissom está bem está a salvo.
― Não está...
― Sara! – clamou Agatha não chamando só a atenção de Sara, mas sim de todos que estavam pelo corredor – Grissom está a salvo, eu garanto.
― Como assim? – Sara então percebeu que eles sabiam algo.
― Após você sair da copa, eu liguei para Gil Grissom – explicou o agente Hotchner – eu expliquei resumidamente sobre o que descobrimos e exigi que ele não saísse do hospital que assim que a nevasca diminuísse eu iria até lá conversar com ele e explicar com detalhes.
― Quando Grissom foi acompanhar Heather no hospital eu pedi que alguns policiais fossem e fizessem vigia. – afirmou Brass.
― Greg e eu estávamos a procurando para informar que o agente Hotchner falou com o Grissom e que está tudo bem. – disse Nick a soltando.
― Vocês têm certeza? Ela me ligou e passou este endereço. – disse Sara apontando a anotação nas mãos de Catherine que a entregou a agente Prentiss.
― Estranho – disse Morgan – temos garantia de que Grissom está no hospital.
― E ele tinha segurança na voz – afirmou o agente Hotchner – se ele tivesse sido sequestrado ele estaria aflito e provavelmente não estaria com seu celular.
― Está claro! – exclamou a agente Seaver – a suspeita ligou para Sara passando este endereço para que ela fosse até lá.
― Sara seria a próxima vítima. – concluiu o agente Alvez.
― O que? – Sara arregalou os olhos.
― Vamos discutir isso na sala de reuniões. – exigiu Ecklie e todos consentiram.
Ao chegarem à sala Greg colocou Sara sentada, pois ela não continha a tremedeira nas pernas.
― Sara agora nos narre com calma e detalhes como foi o telefonema. – pediu a agente Blake.
Sara detalhou a chamada e colocou ênfase no tom de voz pacífico da suspeita, mas ao mesmo tempo autoritário e também ressaltou sobre a música instrumental de fundo.
― Ela parecia como uma... – Sara não sabia qual palavra usar – Uma... Feiticeira.
― Feiticeira? – Warrick franziu o cenho.
― Ela insistia para eu pegar a chave do meu carro e ir atrás de Grissom ela falava isso como se fosse uma ordem e ao mesmo tempo como se pronunciasse um feitiço.
― Hipnose. – disse o doutor Reid e todos o fitaram.
― Muito bem gênio, explicações, por favor. – pediu Morgan.
― Hipnose – repetiu Reid – pelo que Sara Sidle nos disse a suspeita estava tentando hipnotiza-la.
― Por telefone? – indagou Greg confuso.
― Sim.
― Desculpa-me doutor... – disse Nick.
― Doutor Reid. – Greg sussurrou no ouvido do amigo.
― Isto mesmo, doutor Reid – prosseguiu Nick – mas acha possível que alguém tente hipnotizar por telefone?
― Eu não acho nada eu tenho certeza – garantiu Reid – a hipnose é algo muito comum hoje em dia, muitas pessoas fazem tratamento psicológico com o auxílio da hipnoterapia e é normal alguns pacientes se tratarem por telefone.
― Abriu a enciclopédia. – brincou a agente Prentiss.
― Hipnose, segundo a atual definição pela Associação Americana de Psicologia, é um estado de consciência que envolve atenção focada e consciência periférica reduzida, caracterizado por uma maior capacidade de resposta à sugestão. É um estado mental “teorias de estado” ou um tipo de comportamento “teorias de não estado” usualmente induzidos por um procedimento conhecido como indução hipnótica, o qual é geralmente composto de uma série de instruções preliminares e sugestões. O uso da hipnose com propósitos terapêuticos é conhecido como "hipnoterapia". – o doutor Reid sempre se empolgava a explicar sobre algo e então começava a falar incansavelmente ‒ O termo "hipnose" vem do grego hipnos: sono mais latim osis: ação ou processo deve o seu nome ao médico e pesquisador britânico James Bard, nasceu em 1795 e faleceu em 1860, que o introduziu, pois acreditou tratar-se de uma espécie de sono induzido. Hipnos era também o nome do deus grego do sono. Quando tal equívoco foi reconhecido, o termo já estava consagrado, e permaneceu nos usos científico e popular. Contudo, deve ficar claro que hipnose não é uma espécie ou forma de sono.
― Você é psicólogo ou algo do tipo? – questionou Ecklie abismado – por isso se apresenta como doutor Reid em vez de agente?
― Não sou este tipo de doutor – esclareceu Reid – eu tenho doutorado em matemática, química e engenharia, psicologia e sociologia e estou prestes a receber um doutorado em filosofia.
― Uau! – exclamou Greg boquiaberto – você é um gênio!
― Digamos que sim. – Reid sabia que era um gênio, todavia não gostava muito que o definissem assim.
― Claro que é um gênio – anunciou a analista Garcia adentrando a sala com um tablet na mão – ele se formou no colegial e entrou para a faculdade com apenas doze anos de idade, ele também tem conhecimento em antropologia forense, ele tem um QI de 187, tem memória fotográfica e consegue ler vinte e mil palavras por minuto, é especialista em assassinos em série, estatísticas, perfil geográfico, grafologia e linguagem corporal.
― O que descobriu Garcia? – o agente Hotchner notou que a analista vinha com novidades.
― Ó desculpe, eu perdi o foco – a analista ajeitou os seus óculos de armação rosa – eu cavei, cavei e cavei sobre mais informações das vítimas e encontrei um segundo elo.
― Qual minha querida? – perguntou Morgan.
― Elas iam a apresentações de hipnose. – Garcia entregou o tablet ao seu chefe.
― O que? – exclamaram os CSI ao mesmo tempo.
― Como assim? Este doutor agente, enfim, é adivinha? – indagou Brass espantado.
― Não, ele é apenas um gênio mesmo. – respondeu Rossi.
A hipnose é um Reino Universal aonde não existe dono.
(Lucas R Cunha)

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