"Fui na casa de um amigo meu porque meus pais viajaram. Ele mora sozinho. Nós conversávamos sobre coisas comuns, até que chegou a hora que eu estava muito cansada e fui dormir. Eu derrepente acordei, senti algo me tocar muito de leve.

Como o quarto estava aceso e meus olhos demoram mais que o normal para se acostumar com a luz, eu movi a minha cabeça para um lugar mais escuro, como se olhasse para o meu ombro.

Depois eu levantei meus braços. Mas não consegui. Tinha algo me segurando.

Nessa hora eu entrei em alerta.

Olhei para o que me tocava, algo mais escuro que o meu pijama e que se movimentava lentamente, com o objetivo de não ser descoberto. Entao aquilo rapidamente se distanciou.

Agora, com meus olhos acustumados com a luz, olhei para a direção que aquilo se moveu. Meu amigo.

Ele me olhava com os olhos arregalados e com os braços e dedos travados, como se não pudessem se mexer mais.

Olhei para o meu pijama. Ele era de botões e estava aberto por mais da metade. Meus peitos estavam de fora.

Olhei para a minha calça. Mas eu não estava com ela.

Uma onda de pavor me invadiu.

Ao voltar a olhar para o meu amigo, que flexiona os braços em uma posiçao um pouco diferente. Seus olhos estão cheios de culpa.

Eu estava com os olhos arregalados e pavorosos, meu instinto veio a tona. Sacudi meus braços novamente, esquecendo que eles estavam presos. Nada mudou. Agora balancei o meu corpo inteiro, fazendo um pequeno grito de desespero.

Minha cabeça estava doendo. Eu não me sentia bem. Ao tentar pensar, não conseguia chegar em um resultado.

Olhei para o meu amigo outra vez. Agora ele se distanciava lentamente de mim. Sua cabeça estava baixa e seus braços relaxados.

Acho que vi uma lagrima caindo de seu rosto.

Então ele se vira para uma caixa velha e se abaixa, lentamente.

Ao se levantar, está com a mesma expressão de antes, porém há algo diferente.

Ele esta segurando algo.

Ele se aproxima de mim.

Ainda não consigo identificar o que ele leva na mão.

Se aproxima.

É uma injeção.

Eu, ainda apreensiva, me sacudo como não houvesse amanhã.

Sem sucesso.

Tento outra vez.

Ele está muito próximo de mim.

Eu desisto.

Eu simplesmente não consigo olhar para a cara dele. Não consigo me mover. Sou tomada por uma onda diferente. Um sentimento que não consigo explicar.

"Por quê?"

Ele está apenas um metro de mim.

A tristeza me invade. Culpa. Perguntas sem respostas, que sempre serão vagas.

Minha cabeça está baixa. Então eu começo a chorar. Um choro que não tem som. Não tenho mais forças.

Estou entregue para ele.

Então ele para.

Eu começo a chorar mais.

Eu não me importo mais com o mundo lá fora.

"Eu pensei que poderia confiar em você."

Perguntas e mais perguntas enchiam a minha mente. Sinceramente, não consigo descrever oque eu sinto.

A tristeza de ver alguém que você considerava importante te traindo é indiscritível.

A culpa de ter confiado em você.

A raiva de você me trair.

É quase a morte.

Então você se ajoelha. Está à menos um metro de mim.

Eu me sinto morrendo por dentro.

Meus olhos estão fechados, não consigo ver seus movimentos.

Como se previsse o que você está prestes a fazer.

Vá em frente.

Ouço um objeto de vidro caindo no chão.

Então sinto algo me tocando.

Me abotoando, pra ser correta

Então você pega a minha calça e a passa entre minhas pernas.

Você me veste. Como uma boneca.

Eu não sei se choro ou se sorrio.

Eu quero abrir os olhos, mas tenho dificuldade, pois estão molhados.

Quero te ver.

Você se intimida ao me abraçar, oscilando.

Derrepende sinto o calor de seus braços me envolvendo no pescoço e nas costas.

Eu tento sorrir.

"Desculpas.", você sussurra.

Você chora.

Desamarra aquilo que me prendia.

Volta a me abraçar.

Eu renasço.

Eu limpo minhas lagrimas.

Mas não adianta, porque eu começo a chorar ainda mais.

Eu te abraço também, mais forte.

Sinto seu arrependimento.

Então ele limpa as minhas lágrimas.

Nós dois nos olhamos cara à cara. Pela primeira vez.

"Eu te perdoo.", digo."

Notas finais
Esse foi o final original. Aguarde para os próximos finais...

Obrigada! =)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.