O Pequeno pedaço do céu

16 Tudo em você é lindo


Notas iniciais
Hey, gente! Demorei porque não tinha mais capítulos adiantados na fic, então esperei conseguir escrever alguns capítulos extras para só depois postar! Então... boa leitura!

Menstruação é a pior coisa do mundo. Juro! A pior de todas as coisas ruins. Há pouco tempo, eu nem sabia o que isso era. Mas o Paraíso me explicou e eu entendi. Entendi mais ou menos.

É uma coisa que só acontece com mulheres. Ou seja, só acontece com a Lydia, porque ela é a única mulher do mundo. O Céu disse que não é um machucado, porém, faz doer a barriga. Ela chama essa dor de cólica.

Eu queria que ela tivesse deixado eu ver o fazedor de xixi dela. Pedi para ver, mas ela não deixou...

Queria ter certeza que o fazedor de xixi dela não estava machucado, porém, o Céu jurou que não estava. Disse que saía sangue dali, mas que era normal. Falou que acontece todo mês.

Eu...eu não sei direito o que é mês. Às vezes pergunto para Alex, pergunto se já faz meses que eu existo. E ele ri. Ri de mim e não responde. Então fiquei com vergonha, com vergonha de perguntar para o céu o que era um mês. Por isso, não perguntei.

— Eu estou bem, Stiles.

Apesar das palavras do Céu, eu não consegui acreditar. Ela usava minha calça de moletom e o tecido ficava cada vez mais sujo de vermelho. Era sangue. Sangue do Céu.

— Você não para de sangrar. — Reclamei baixinho, a olhando com dúvida.

Já tinha dormido e acordado quatro vezes e Lydia continuava sangrando. Eu queria que ela parasse de sangrar e o Paraíso prometia que ia parar..., no entanto, estava demorando! Demorando muito.

Alex já tinha entrado no quarto para deixar comida e viu que o Céu estava sangrando. Eu pedi ajuda! Disse que ele tinha que ajudar Lydia.

Ele riu de mim e resmungou algo sobre absorventes. E Lydia...bem, ela só ficou encolhida na cama. Na minha cama. Ela sentia muito medo do Alex. Eu também sentia.

— Uma hora vai parar. Eu juro. — Ela repetiu a mesma frase que sempre dizia para mim. Eu amava ouvir sua voz. Era delicada, aguda... linda.

Ela era toda linda. Seus lábios, os olhos, a pele, o cabelo.... Linda. Perfeita. Eu amava cada pedaço de sua aparência. Amava escutá-la e por isso, odiava vê-la sangrando.

— Nunca pensei que ia desejar tanto ter absorvente... — Foi última reclamação de Lydia. Falou bem baixinho.

**

O céu tinha razão. Ela sempre tem. Chegou algum momento, não sei quando, que ela parou de sangrar. Como se fosse mágica. Mágica como tem em um dos três livros do mundo.

Ela parecia mais calma. Depois que parou de sangrar, depois que eu fiquei muitas, muitas vezes lendo os livros antes do Céu dormir, ela pareceu melhor. Não chorava tanto. Não gritava tanto. O Paraíso só se encolhia quando o Alex entrava no quarto e ficava calada. Totalmente.

Mas ela fala comigo! Dá para acreditar?! Sei que parece mentira..., porém, cada vez mais, Lydia fala comigo. Ela conversa comigo e eu amo isso. Amo conversar.

Quando só existia eu e o Alex, eu não tinha com quem conversar. Porque ele não gosta de mim e eu não gosto dele. Ele é malvado.

Alex se recusava a falar comigo. Eu ficava triste com isso. Lydia é diferente dele. Ela pergunta sobre as partes do mundo, pergunta sobre minha vida, sobre o que eu gosto de fazer e o que não gosto.

Eu amo falar. Amo contar o que antes, não tinha como dizer para ninguém. No entanto, é melhor ainda quando o Céu fala com aquela voz linda, aquele rosto lindo.

Amo ver como os lábios infinitamente grossos se movem enquanto ela fala. Tento imaginar como deve ser a textura daquela boca. Queria esticar a mão e tocar naqueles lábios para sentir. Queria muito. Muito. Mas tenho medo dela brigar comigo se eu tocar em sua boca.

— Eu quero mostrar uma coisa — Anunciei em voz baixa, tímido.

Lydia tinha acabado de tomar banho. O cabelo pingava, o corpo ainda estava úmido. Como sempre, ela usa roupas minhas e estava linda.

— O que é?

— Um presente! — Disse mais inseguro. Não consegui esconder a expectativa da voz.

Ela sorriu para mim. Um sorriso lindo, radiante, do tipo que a deixava ainda mais bonita. E eu sorri também. Era impossível não retribuir.

— Você fez uma surpresa para mim? O que é?!

Peguei o pequeno caderno, amassado e com as folhas gastas que eu estava fazendo um enorme esforço para esconder de Lydia. Para ela não descobrir o presente.

Senti meu rosto ficar quente e as mãos trêmulas. Tinha certeza de que estava ficando vermelho de vergonha. Mesmo assim, virei as páginas amareladas do caderno até chegar na folha certa.

Respirei fundo e olhei rápido para Lydia. Ela estava perto de mim, o corpo inclinado em minha direção. Os olhos verdes, perfeitos, pareciam curiosos.

— Aqui! — Disse rápido, antes que perdesse a coragem de mostrar — É você! — Acrescentei com receio de que ela não se reconhecesse.

O Céu pegou o caderno e colocou diante do rosto. Arfou alto e eu encolhi os ombros com medo que ela brigasse comigo. Pensando que não tinha gostado.

Meu presente era um desenho. Um desenho do Paraíso. Tinha a feito sorrindo, porque é como eu mais gosto de vê-la. Não pude colorir, pois meus lápis de cor tinham acabado e Alex não dava outros para mim.

Então, no meu desenho, era como se todo o rosto de Lydia e o cabelo fossem cinzas, da cor do grafite que usei.

— Meu Deus! Isso é ...

Ela não terminou a frase. Parecia mais pálida, os olhos arregalados e a boca entreaberta. Triste, me encolhi mais.

— Você não gostou. — Falei baixinho. Bem baixinho.

Fixei os olhos em minhas mãos e suspirei trêmulo. Estúpido! Burro! Por que eu tinha mostrado aquele desenho? Era óbvio que o Céu não ia gostar.

Alex tem razão. Eu faço tudo errado.

— Stiles, olhe para mim — Eu não queria olhar. Não queria. Mas como ia negar? Era o Céu que estava pedindo. — Por favor...

Senti os batimentos do meu coração aumentando com a forma com ela falou. Com aquela linda voz. Aquela linda boca.

Receoso, a encarei.

Esperei pela crítica. Pela briga.

— Nunca conheci ninguém que desenhasse tão bem — Em vez de estar brava, sua voz era doce, calma.

— Jura? — Perguntei desconfiado, duvidando.

— Juro! Isso está... eu não sei como descrever! Você me desenhou tão linda que é difícil acreditar que sou eu nesse desenho.

Franzi o rosto e olhei para o papel. Será que não dava para perceber que era ela? Tentei ao máximo fazer os traços semelhantes ao do Paraíso. Mesmo sendo impossível, porque ela é perfeita demais.

— Eu queria ser tão linda assim.

Então, finalmente entendi a loucura de suas palavras. Olhei para ela, para o sorriso tímido em seus lábios e percebi algo que nunca tinha passado por minha cabeça: ela não sabia que era perfeita.

— Você é a pessoa mais linda de todo o mundo!

— Stiles, você nunca viu outras mulheres...

Pensei em argumentar. Pensei em dizer que ela era a única mulher da terra e por isso eu nunca tinha visto outras. No entanto, naquele momento, tinha algo mais importante para dizer.

Aproximei o rosto do dela, me inclinando aos poucos. Vi quando o Céu estremeceu, no entanto, não fez nada para se afastar.

Levei uma mão até seu rosto e apoiei ali com delicadeza, por cima da bochecha vermelha e saliente. Esperei que ela me empurrasse, ou gritasse, mas o Paraíso continuou sem se mexer.

Fechei os olhos e encostei na testa na de Lydia. Aquilo era estranho para mim, o contato, proximidade e nenhum resquício de violência.

Era uma sensação boa. Muito boa. Maravilhosa!

— Você é meu pequeno pedaço do céu. Meu Paraíso. — Sussurrei tentando fazê-la acreditar na sinceridade das minhas palavras — Eu a amo e você linda.

Escutei ela arfar e eu também sentia vontade de liberar o ar pela boca. Mas não fiz isso. Continuei prendendo o oxigênio dentro de mim.

— Tudo em você é lindo, perfeito.

Abri os olhos.

Ela estava sorrindo.

Notas finais
Estou beeem ansiosa para postar o próximo capítulo (vocês vão descobrir o motivo), então devo ser rápida na postagem. Agora também que finalizei outra fic minha (Aniquila-me), vai ficar um pouco mais fácil para me dedicar a essa história! Beijinhos e até logo.