O Pequeno pedaço do céu

3 O nome dela é Lydia


Notas iniciais
Oi, lindinhos! Eu não disse que ia aparecer de novo esse mês? Aqui estou! Continuou conseguindo escrever bem rápido essa história, então é provável que eu aumente a frequência de postagens! Então...fiquem felizes com isso hahaha Quanto mais rápido eu postar, mais rápido vocês vão entender essa história. Nesse capítulo..algumas revelações já são feitas. Espero que gostem! Boa leitura

Alex tem cabelo escuro. Muito mais escuro do que o meu. Os fios são tão pretos como quando fico no quarto escuro, sem nenhuma luz. Ele tem a pele branca, mas não branca como a minha.

Eu nunca gostei do Alex. Nunca. Ele é malvado. Ele briga comigo, diz palavras muito feias. Ele bate em mim. Mas antes do meu pedaço do céu nascer, não existia mais ninguém. Não tinha outra companhia, só existia eu e Alex.

Alex tem a mesma altura que eu, porém é mais largo. Tem braços grandes, ombros largos. Ele é forte. Muito forte. Ele usa toda essa força para bater em mim. Ele me machuca muito e sempre. Sempre. Sempre. Ele gosta de me ver com dor.

Ele tem olhos claros. Muito claros. Azuis. Eu não gosto daquela cor. Basta olhar para minha caneta azul, que eu lembro de Alex. Odeio pensar nele. Odeio pensar em seus olhos.

Alex tem uma marca no rosto. Uma marca grande, feia. É uma cicatriz. Corta seu maxilar e sobe até quase alcançar seus olhos. Seus olhos azuis. Olhos que eu odeio.

Eu odeio Alex porque ele me machuca. Odeio porque ele me obriga a fazer coisas que eu não quero. Ele me faz chorar. Ele me faz sangrar. Eu odeio sangrar. É horrível.

Alex entrou no quarto. Ele abriu a porta do meu quarto. Do meu pedaço do mundo. Era minha parte de viver. Meu pedaço. Eu queria que a primeira mulher do mundo vivesse comigo, ficasse no meu pedaço do mundo. Queria ela para mim.

— Vejo que conheceu a Lydia! — Alex falou. A voz dele era grave, forte. Não gostava da voz dele. Eu ficava assustado.

— Lydia? — Repeti a palavra. Repeti o nome. Nome lindo.

Olhei para o Paraíso. Ela estava parada perto de Alex. Perto, muito perto. Com medo do que pudesse acontecer, me aproximei de Alex, me colocando na frente do Paraíso.

Ela estava parada, não chorava mais. Os olhos verdes, muito verdes, estavam paralisados, arregalados, atentos. Ela estava com medo. Não queria que a mulher sentisse medo, porém ela ficava linda daquele jeito. Com medo. Ela ficava linda de todos os jeitos.

— Essa gracinha aí parada do seu lado! — Alex sorriu. Sorriu torto. Sua cicatriz se retorceu com aquele movimento. Eu queria arrancar o sorriso de sua boca.

Alex apontou para o Paraíso. Para a mulher. Para a minha porção do Céu. Minha. Queria ela para mim. Precisava. Ela era linda, tão linda. Seus olhos, sua boca, seu rosto, seu cabelo, seus seios. Misteriosos seios.

Olhei para ela e encontrei seus olhos já voltados a minha direção. Ela já olhava para mim. Para mim. Queria grudar seus olhos naquela direção. Desejava que ela olhasse para mim por todo o sempre.

— Seu nome é Lydia. — Constatei baixo. Muito baixo. Eu sempre falava baixo.

Ela não respondeu. Ela parou de olhar para mim. O Paraíso olhou para Alex. Eu queria que ela olhasse para mim!

Lydia.

Lydia.

Lydia.

O Paraíso tinha nome. Ela se chamava Lydia. Amei seu nome no mesmo segundo em que o ouvi. Será que ela tinha sobrenome? Será que ela diria seu sobrenome?

Eu sempre tive sobrenome! Stilinski. Mas Alex não dizia o dele. Nunca. Eu já tinha perguntado várias vezes, mas ele não dizia. Ele falava que era apenas Alex. Acho que ele sempre mentiu. Ele devia ter outro nome, devia ter um sobrenome! Porém, não queria me dizer.

— Ela é bem gostosa não é, Stiles? — Alex voltou a falar. Não queria que ele falasse. Não queria ouvir. — Não percebeu como é parecida comigo?

Franzi o rosto. Não entendi.

O que ele queria dizer com aquilo? Por que ele seria parecido com o Paraíso? Ela era linda. Lydia era linda, muito linda. Não podia ser parecida com ele.

Mas então, voltei a encará-la. Olhei para o pequeno pedaço do céu e finalmente percebi. Enxerguei detalhes que antes estavam ocultos para mim. Observei seu rosto com atenção, muita atenção.

A forma como o nariz do paraíso se curvava, arredondava na ponta. As bochechas bem definidas, marcadas por covinhas quase invisíveis. O jeito que as maçãs do rosto eram altas, erguidas como se desejassem subir e envolver sua nuca. A testa pequena, o maxilar reto.

Alex tinha aquela mesma forma do nariz. As mesmas bochechas altas e definidas. As covinhas escondidas, a testa pequena e o maxilar reto. Eles eram parecidos. Tinham alguma semelhança mesmo que sutis.

Por quê? Por que a primeira mulher do mundo parecia com o homem que eu odiava? Não conseguia entender. Alex precisava explicar! Por que ele era parecido com ela? Por que eu não era parecido com ela?

— É claro que minha filha tinha que ser uma delícia! — Alex não parava de falar. Eu queria que ele parasse.

Filha? Filha?

— Filha? — Meus pensamentos transbordaram e se transformaram na breve pergunta.

Eu queria entender. Precisava entender.

Eu ia falar mais, ia perguntar. No entanto, o pedaço do paraíso roubou completamente a minha atenção. Ela soltou um barulho. Um barulho alto, fino, raivoso.

— Seu desgraçado! — Ela gritou. Eu me assustei. — Seu filho da...

Ela parou no meio da frase. Parou e se jogou.

Não consegui acompanhar aquele movimento, não consegui impedir. O Paraíso se tacou na direção de Alex. Ela ergueu as mãos para ele, seus dedos contorcidos como garras.

O corpo pequeno de Lydia se chocou contra o de Alex. As mãos dela alcançaram seu pescoço, ela apertou ali. Vi o ódio chegar nos olhos de Alex. Eu sabia o que aconteceria.

Várias vezes eu tinha feito os olhos de Alex ficarem daquela maneira. Várias vezes eu tinha transformado o azul claro em um azul denso, perigoso. Em todas as vezes me arrependi amargamente de ter provocado aquele ódio.

Não pensei. Lancei os braços para o Paraíso. Segurei sua cintura. Sua cintura fina, marcada, linda. Apertei ali e a puxei. Ela fez força contra mim, mas era muito pequena, muito mais fraca do que eu.

Afastei Lydia de Alex. Fiz com que seu corpo ficasse muito longe do dele e muito perto do meu. Muito, muito perto. Suas costas se amoldavam ao meu peito. Minhas mãos mergulhavam em sua cintura.

Eu desejava mais daquele toque. Queria passar as mãos por todo seu corpo. Queria senti-la e pedir para que se tornasse minha. Queria Lydia para mim. Ela era linda, tão linda.

— Você não pode fazer isso. Ele vai querer machucar você. — Sussurrei contra a nuca de Lydia.

Ela tremeu nos meus braços. Não entendi o motivo. Vi os pelos de seu braço subirem. Sua pele se tornou diferente... como se tivesse alfinetes a espetando. Como se estivesse... arrepiada. Eu não entendi o que aquilo significava.

— A vadia ainda me arranhou! É assim que vai tratar seu pai? — O deboche escorreu da voz de Alex, seus olhos continuavam com o brilho odioso.

— Eu vou matar você! — Lydia voltou a gritar. Ela se contorceu nos meus braços.

Tornei o aperto em sua cintura mais forte. Eu precisava protegê-la. Precisava impedir que ela tomasse atitudes que provocassem a ira de Alex. Não ia deixar que ele a machucasse.

— Se quiser continuar viva, vai precisar aprender a se comportar!

O paraíso chutou minhas pernas. Grunhi de dor, mas continuei a segurando, a mantendo refém do meu aperto. Ela virou a cabeça para trás, olhou para mim. Vi mais uma vez o ódio que a preenchia.

— Você precisa me soltar! — Ela gritou para mim. Seus olhos me espancavam com sua beleza alucinante. — Por que você não me ajuda?!

Paralisei com aquelas palavras. Ela queria minha ajuda e eu desejava desesperadamente ajudá-la, mas não sabia como. Não entendi no que ela queria ajuda. Eu só queria que ela fosse minha.

— Lydia, se você pensa que vai... — Foi Alex que ele falou.

Ele começou a falar e se aproximar de Lydia. Eu finalmente a soltei, porém não permiti que ela se jogasse mais uma vez para Alex. Segurei seu corpo, seu pequeno corpo e com cuidado, a empurrei para trás de mim.

Escutei o resmungo dela, escutei a tentativa de protesto. Mas não olhei para o Paraíso. Fui de encontro com Alex e disse um “não” que o interrompeu no meio de sua fala. Fiquei bem de frente para ele.

— O que você está fazendo, Stiles?

— Você não vai bater nela!

Esperei apanhar. Esperei as palavras duras. Esperei tudo, menos o que de fato, aconteceu.

Alex riu de mim.

Notas finais
O que acharam?? Gostaram? Pelo que li dos comentários...acho que ninguém achava que o Alex era pai da Lydia hahahah! Isso já vai ser explicado no próximo capítulo, prometo. Quero que vocês observem bastante a narração do Stiles e a personalidade na fic. Pois aos poucos, no decorrer de cada capítulo, os dois personagens vão mudar muitoooo! Espero que vocês acompanhem essas mudanças, essas evoluções, pois está sendo delicioso de escrever. E um pequeno aviso: Se preparem, porque apesar da atmosfera fofa da fic...virão muitos capítulos pesados. Até logo, lindos! Beijinhos