Notas iniciais
Hey, leitores! Fiquei muito feliz por conseguir acabar esse capítulo ainda no feriado de carnaval, porque daqui para frente sei que vai ser bem mais difícil escrever por falta de tempo e cansaço. Estou felizmente em uma época produtiva em relação a escrita, então não sei como vai ser. Fiquem na torcida para que eu consiga dedicar boa parte dos finais de semana para as fics! Boa leitura.

Lydia me beijou até meus lábios ficarem dormentes. Em vez de só tentar imitar os movimentos que ela fazia com a boca e com a língua, tentei fazer coisas novas, diferentes. Com muita insegurança, beijei como achei que seria gostoso, morto de medo de receber uma bronca. Não queria errar.

Ela suspirou do mesmo jeito que fez na banheira e uma mão acariciou a minha nuca. Não suportei mais, precisava sentir ela mais perto de mim. Puxei o corpo pequeno e frágil para cima do meu, colocando a Lydia em meu colo, seu peso sobre minhas coxas.

O Céu parou de me beijar. Continuei de olhos fechados e encolhi os ombros, esperando que ela brigasse comigo, que saísse do meu colo. Nada aconteceu. Fiquei parado sentindo a respiração dela contra meu rosto. A sensação era boa.

— Estou morta de fome. — A voz linda falou baixinho. Senti a testa dela tocar a minha.

Ao ouvir a palavra fome, senti uma pontada horrível de dor na barriga. O banho com a Lydia e a nossa conversa e os nossos beijos, tudo isso tinha me feito esquecer o quanto precisava comer. Mas de repente, pareceu impossível perceber outra coisa que não fosse aquela dor.

— Você me faz esquecer essas coisas quando me beija. — Confessei a tocando no quadril por cima da blusa. — Não consigo me concentrar em nada ruim quando...

Não pude terminar a frase porque ela me beijou mais uma vez. Foi um beijo tão bom! Desejei sempre se interrompido, toda vez que tentasse conversar. Não ia me importar de não falar nunca mais se ela me beijasse o tempo todo. Ela roubava meus pensamentos, só conseguia senti-la.

Meu fazedor de xixi começou a ficar em pé daquele jeito engraçado e eu desejei brincar com ela de novo. A brincadeira que ela chamou de masturbação, de sexo... Daquela vez fui eu parei o beijo.

Não pense nisso, Stiles!

Agora não.

Por favor, por favor esquece isso.

Não pense nessa palavra nova. Não pense em estupro.

— O que foi? — A voz de Lydia é como água para uma boca seca. Traz alivio, enche tudo de beleza. — Está tudo bem?

Não queria dizer o que pensei, mas também não podia mentir para ela. Desviei o olhar e respirei fundo. Precisei piscar os olhos várias vezes, tentando de algum jeito limpar a mente.

— Como a gente vai conseguir comida sem o Alex? — Perguntei para a distrair e também porque achei que era uma pergunta importante.

— E-eu preciso ir lá fora para tentar encontrar alguma coisa. — O medo de Lydia me fez voltar a olhar para ela. O lindo rosto tentava esconder o pavor, mas eu a conhecia.

— Sair por aquela porta? — Arrisquei perguntar, tímido, apontando para a porta perto da gente. Ela confirmou com a cabeça. — E é perigoso?

— Tenho medo do Alex e de me perder, têm tantas árvores!

Aquela fala provocou muitas dúvidas. Tinha muita coisa para perguntar sobre aquele mundo. Tinha perguntas sobre quase tudo. Mas resolvi não questionar nada.

Eram muitas dúvidas e a gente precisava comer o mais rápido possível.

— Eu vou com você. — Disse querendo arrancar o medo dos olhos verdes. — Vai ficar tudo bem.

Ela sorriu sem mostrar os dentes e antes que eu tivesse tempo de admirar, fui beijado. Um beijo curto e sem língua. Lydia se afastou rápido e suas mãos seguraram meu rosto.

— Você está com a perna machucada, Stiles.

— Não me importo, não vou deixar você sozinha. — Falei sério, decidido.

Apesar de ter pedido desculpas para Lydia e ter entendido melhor o porquê ela me tirou do mundo, ainda me sentia estranho. Estranho em relação a ela e a tudo. Era difícil aceitar que tudo o que eu acreditava era mentira.

No entanto, eu jamais deixaria o Céu ficar sozinha em uma situação perigosa. Eu sabia que ela tentava cuidar de mim, me proteger. E eu também vou cuidar dela. Vou cuidar para sempre, enquanto estiver vivo.

Ela é a única coisa boa que eu conheço. Alex é malvado, o meu mundo é ruim, eu sou feio e burro. Sempre fui cercado por coisas ruins. Sempre me senti sozinho, rejeitado, machucado.

Aprendi que a Lydia erra, me magoa. Porém, ela é boa, gentil e tem paciência para me explicar o que eu não entendo. Ela é linda por dentro e por fora. Ela é uma prova concreta de que existe coisas boas nos mundos.

— Você vai sentir dor e a gente vai ter que andar muito devagar. — Apesar das palavras, percebi que Lydia estava insegura. Ela queria me convencer a não ir, mas também queria que eu fosse junto.

Continuei com o rosto sério, querendo mostrar o quanto estava decidido. Neguei com a cabeça e ela suspirou.

— Eu vou com você. — Repeti encarando os lindos olhos verdes.

Ela ficou me observando em silêncio e eu gostei disso. A forma como ela me olhou fez com que me sentisse bem comigo mesmo. Recebi carinho nas bochechas e no cabelo. Amo como as mãos dela são delicadas ao me tocar.

— Tudo bem. — Quando Lydia respondeu, ainda segurava meu cabelo que estava comprido demais. Acho que fazia muito tempo que Alex não cortava.

Lydia me beijou no rosto e saiu do meu colo com alguma dificuldade. Ela ficou de pé e quando abaixou a cabeça, olhando para baixo, olhando para mim, achei que coração não ia suportar tanta beleza. Linda!

O cabelo claro cobrindo parte do rosto, os lábios infinitamente grossos entreabertos, os olhos verdes. Ela ergueu as duas mãos para mim e eu as agarrei sem nem pensar, focado em seu rosto perfeito.

Levantar foi difícil. Doeu muito, demais, mas fui forte por ela. Se Lydia percebesse o quanto doeu, ia ficar triste e falar para eu não sair com ela. Estava apavorado com a ideia de passar por aquela porta, mas precisava fazer isso.

Quando fiquei de pé, o braço de Lydia envolveu a minha cintura e apoiei o meu sobre os seus ombros. A dor se tornou suportável. Coloquei o peso na perna que não estava tão machucada e respirei fundo, devagar.

— Foi lá fora que você nasceu? — Perguntei baixo, sem querer ser burro.

— Não exatamente, mas é o meu mundo. — Ela sempre me entendia. Ela percebeu o meu medo. — A gente só precisa ter cuidado porque Alex deve estar nos procurando, mas o meu mundo tem coisas lindas, Stiles. Não precisa ter medo do que vai conhecer.

Abaixei a cabeça, encarando nossos pés descalços e desejei ficar calmo. Desejei não ter medo do mundo. Queria ser capaz de não sentir medo de nada.

— A gente pode ficar aqui para sempre?

Sabia que ia precisar pegar comida lá fora. Mas podia ser só isso, não é? Não gostava de ver tanto marrom, tanta madeira. Tudo naquele lugar era assim. Porém, eu estava com ela e nada mais importa.

Tinha medo de ir para outro lugar. Medo do mundo desconhecido que Lydia falava. Estava acostumado com um mundo só com sete partes. Ela me tirou das setes partes para Alex não me machucar. Entendi isso. Mas agora Alex já não estava com a gente.

— Eu preciso voltar para a minha mãe, para os meus amigos, a estudar... — Lydia parou de falar e eu senti vergonha. Vergonha de mim mesmo por não ser o suficiente para ela. — Quero que você conheça todos eles, Stiles, quero mostrar como é o meu mundo.

Confuso, olhei para ela. Era horrível ficar parado em pé, mas precisava falar antes de sair por aquela porta e buscar comida.

— Você não vai me abandonar? — Falei antes de perceber que aquele era o meu maior medo.

Assim que as palavras saíram de mim, entendi que era o meu maior terror. Pior do que o medo de conhecer coisas novas. Pior do que o medo de que Lydia estivesse enganada e que os monstros que Alex falava realmente existissem. Bem pior do que tudo isso, era pensar que ela não ia mais me querer.

Ela sempre quis voltar para aquele mundo desconhecido. Sempre. Então, quando ela conseguisse, não ia ter motivo para ficar comigo. Nem para conversar. Nem beijar. Também não ia querer brincar comigo... Brincar de sexo.

— Nunca. — O Céu respondeu rápido, a cabeça erguida para olhar para mim. — Nem pense nisso, Stiles! — Ela parecia brava, segura e... algo a mais. Não consegui entender. — Você não sabe como é importante para mim? Eu não teria sobrevivido se não tivesse você e eu... eu me apaixonei.

Sei o que é paixão. Um dos três livros fala sobre paixão. E eu sou apaixonado por Lydia. Completamente apaixonado.

Eu a amo.

Ela não veio do céu.

Ela me enganou para sair do mundo porque têm defeitos e porque quis me proteger.

— Eu amo você. — Só consegui dizer isso, sem acreditar na paixão dela por mim.

Sou feito de imperfeições. É impossível que ela se apaixone por mim. Ela nunca vai me amar.

Ela apertou minha cintura e sorriu. Os olhos verdes brilharam com lágrimas, mas ela não chorou. Tinha tantas perguntas para fazer, mas fiquei em silêncio. Nós andamos devagar e eu lutei para não gemer de dor.

Lydia abriu a porta e eu encarei o mundo. Parei de respirar. Tudo era tão cheio de cores! Tons bem mais variados do que os lápis de cor.

Verde.

Marrom.

Azul.

Amarelo.

Preto.

Branco.

Mil variações de cada cor. Tão vivo! Tão brilhante!

Pisquei os olhos e senti algo molhando meu rosto. Eu estava chorando?

— O mundo é lindo, Stiles. — A voz amável sussurrou aquela verdade.

Não sabia que o mundo poderia ser tão grande, tão assustador e tão perfeito.

Notas finais
Gostaram?? Esse capítulo foi mais fácil de escrever e acabou saindo bem diferente do que eu tinha pensado. Stiles já foi lá para fora, mas essa é a primeira vez que ele vê tudo e entende que é o mundo da Lydia, então dá para entender como isso é importante para o personagem, certo? Estou muito feliz de escrever essas novas experiências para ele e o desenvolvimento, os pensamentos mais maduros. A partir de agora, o Stiles vai entender cada vez mais tudo que acontece, então vai ser mais fácil nas narrações para dar explicações para vocês. Estou animada com essa fase da fic e ansiosa para escrever! Vejo vocês nos comentários. Beijinhos.