O Pequeno pedaço do céu
18 Eu faço você sorrir
Notas iniciais
Eu queria saber como era sentir os lábios do Céu. Porque tinha certeza que eram macios, afinal, eram muito, muito grossos. Tão grossos que pareciam capazes de engolir o mundo inteiro. Cada uma das sete partes do mundo.
No entanto, nunca pensei em encostar minha boca na da Lydia. Nunca. Mas o Paraíso fez isso, juntou nossos lábios. E foi bom. Muito bom. Foi a melhor coisa do mundo!
Por causa do susto, me afastei um pouco do Céu. Fiquei a encarando com os olhos arregalados e vi como seu rosto estava vermelho. Muito vermelho. Demais. Por que ela estava com vergonha?
— O que foi isso? —Perguntei confuso e maravilhado — Por que você encostou a boca na minha?
— E-eu não...desculpa! Não devia ter feito isso. — O Céu pareceu ficar com mais vergonha. Ela abaixou a cabeça e se remexeu na cama como se tentasse se afastar de mim.
— Não! — Reclamei e sem pensar, segurei o rosto do Paraíso.
Ela me olhou confusa e eu imitei o que ela tinha acabado de fazer: projetei os lábios para frente e encostei nos de Lydia. Quando me afastei, não consegui esconder o sorriso. Eu estava feliz.
Não importava mais o pesadelo. Não importava mais nada. A sensação de encostar nossas bocas era muito, muito boa. Nunca tinha feito isso. Em toda minha vida.
— Isso é bom! — Elogiei ainda sorrindo — Não sei o que é, mas é gostoso.
— Se chama beijo, Stiles — Ela disse baixo. Bem baixinho.
Neguei com a cabeça e a olhei com confusão.
— Beijo é aqui! — Murmurei apontando para minha própria bochecha — Você colocou a boca aqui — Posicionei o indicador sobre minha boca.
— Existe beijos em muitos lugares — Ela explicou e eu entendi. Amava como ela falava comigo. Ela explicava as coisas, me ensinava. Não me chamava de burro. — Eu escolhi beijar sua boca...
— Por quê?!
— No meu mundo, as pessoas beijam a boca de quem elas gostam.
Gostei do que ela disse. Tive vontade de conhecer seu mundo. Conhecer o lugar em que Lydia vivia antes de vir para meu quarto. O mundo dela deve ser o Céu. Porque ela veio de lá. Veio do Paraíso.
— E você gosta de mim! — Disse feliz, realizado. Ainda era difícil acreditar. Mas o Céu já tinha falado várias vezes que gostava de mim e eu confiava nela. Sabia que não ia mentir.
Alex mente. Lydia não.
Ficamos em silêncio. Um silêncio bom. Eu gostei! Então fiquei pensando. Pensando em beijos. Pensando em como deveria ser o mundo de Lydia. Parecia ser um mundo bem melhor do que o meu.
Lembrei de tudo que ela já tinha falado sobre o mundo e lembrei de um nome: Scott. Lembrei quando ela disse aquele nome.
— Você já beijou o Scott?
— O quê?! — Ela parecia surpresa. O Céu ficava linda quando estava surpresa.
— Você gosta do Scott, não é? Então devia o beijar na boca. — Por algum motivo, não gostei de imaginar isso. Não queria que ela beijasse na boca do Scott. Mesmo sem o conhecer.
Ela é minha. Meu pequeno pedaço do céu. Ela fica comigo, no meu quarto. Minha parte do mundo. Não queria que ela fosse de mais ninguém. Só minha!
— Não, claro que não! — Lydia fez uma careta e balançou a cabeça. Fiquei confuso, porém, gostei da resposta. — Scott é meu melhor amigo, eu jamais beijaria ele!
— Mas você gosta dele...
— É diferente! Não gosto dele da mesma forma que gosto de você. — Mais vez, ela pareceu ficar com vergonha. O rosto muito vermelho. Lindo. — E-eu nunca beijei ninguém nos lábios.
— Você me beijou! — Lembrei.
— Foi a primeira vez — Ela sussurrou para mim e depois, segurou minha mão. Ainda estava suado por causa do pesadelo, mas ela não parecia se importar.
— A gente pode beijar muitas vezes! — Ofereci sorrindo. Feliz. Apertei seus dedos contra os meus.
Ela olhou para mim. Olhou na direção dos meus lábios. Estremeci. Senti um frio estranho na nuca. Era estranho e bom. Gostei de sentir. Fiquei a encarando e entreabri a boca quando a vi passar a língua sobre os lábios.
— Existe outros jeitos de beijar na boca — Ela disse ainda me olhando. Ainda olhando para meus lábios. Amava seus olhos verdes. — E-eu nunca fiz isso, mas já vi as pessoas do mundo fazendo! Eu...
— Faz em mim! — Pedi aflito, ansioso. Quase pulei na pequena cama. Nem deixei que ela continuasse a falar. — Beije minha boca — Pedi ignorando minha vergonha. Eu precisava daquilo. Precisava saber como era os outros tipos de beijo.
— Tem certeza?
— Tenho! — Afirmei concordando com a cabeça, apressado. — Eu gosto de você e beijo na boca é para mostrar isso, não é? Mostrar que eu gosto de você?
Linda. Linda. Linda.
A beleza de Lydia é incrível. Ela é muito linda. O cabelo bagunçado, os olhos da cor de lápis de cor, os lábios muito grossos, a bochecha, tudo. Tenho certeza que seus misteriosos seios também são lindos e que seu fazer de xixi pequenino também é perfeito.
— Acho que a gente pode escolher o que quer dizer quando beija a boca de alguém. — Sua voz estava ainda mais linda. Fina e rouca ao mesmo tempo. Baixa e segura. Trêmula e firme. Linda. Como tudo nela.
— O que você quer mostrar para mim? — Perguntei curioso.
Ela aproximou o rosto de mim. Amei isso. Amei muito. Fiquei ansioso para sentir de novo seus lábios contra os meus. Queria muito saber como era o outro tipo de beijo.
— Que eu o acho lindo, corajoso e forte — Aquelas palavras não pareciam reais. Como alguém tão perfeito poderia achar aquilo de mim?
— Eu não sou...
— Você é sim, Stiles — Ela disse me interrompendo. O rosto ainda mais próximo do meu. — Se eu estivesse sozinha nesse quarto, não ia aguentar. Alex ia ficar me machucando e eu nunca seria capaz de sorrir.
— Eu faço você sorrir! — Afirmei orgulhoso.
— Faz! — Ela concordou e sorriu como se quisesse provar que aquilo era verdade — Eu tenho muito medo do Alex, odeio estar nesse quarto, só queria voltar para meu mundo, mas você é a melhor pessoa que já conheci!
Não entendi muito bem o que ela queria dizer. No entanto, não perguntei nada.
— Você é maravilhoso, Stiles. Nunca conheci ninguém tão doce, ninguém que se preocupa tanto com os outros, nem tão defensor, tão lindo...
— Ninguém nunca gostou de mim... — Confessei envergonhado e acabei perguntando: — Você me acha mesmo bonito?
Ela não me respondeu com palavras. Ela me respondeu com um beijo nos lábios. O tipo de beijo que ela falou. Beijo que mostra o que você sente. Beijo que fala sem você ter que usar a voz.
Primeiro, nossos lábios só se tocaram e eu achava que era impossível algo ser melhor. Até que Lydia fez algo diferente. Moveu a boca sobre a minha. Fiquei tão surpreso que dei um pulinho de susto.
Ela abriu a boca e eu, confuso, abri também. Talvez se eu a imitasse, fizesse exatamente igual, conseguisse beijá-la. Queria que ela gostasse. Ela precisava achar bom. Tão bom quanto eu estava achando.
A maior surpresa veio pouco depois do Paraíso abrir a boca: senti algo úmido e muito quente tocando meus lábios. Arfei, jogando todo o ar para fora e mais uma vez, estremeci e senti o frio na nuca.
Do nada, veio a necessidade de tocá-la. Percebi que não tínhamos contato o suficiente. Só uma mão minha que segurava seus dedos. E os meus lábios. Meus lábios tocavam os dela.
Ansioso, larguei seus dedos, deixando as duas mãos encontrarem seu quadril. Lydia fez um barulho que não reconheci, mas fez meu estômago se embrulhar. Voltei a suar, porém, daquela vez, era por causa da sensação boa.
O que senti úmido era a língua do Céu sobre minha boca. Não consigo descrever a sensação. Nada na minha vida se compara àquilo. Ela não só tocou a língua contra meus lábios, ela invadiu minha boca lentamente, encontrando a minha própria língua.
Sem saber muito o que fazer, esbarrei a língua com a dela. Mais uma vez, o Paraíso soltou um barulho que percebi que era semelhante a um…gemido. No entanto, não parecia um gemido de dor. Nem de reclamação. Era como se ela estivesse gostando daquilo.
Gostei de ouvir o gemido e por isso, escorreguei as mãos para as costas do Céu e a abracei. Assim, ela ficou perto de mim. Bem pertinho. E isso deixou tudo ainda melhor.
Ela ficava movendo a língua dentro de mim e eu juro que não existe nada mais gostoso do que isso. Nada! É muito bom, muito. Queria abrir ao máximo a boca para ela continuar fazendo aquilo.
Meu fazedor de xixi começou a ficar em pé do jeito engraçado. Porque beijar era muito bom, apesar de ter quase certeza de que não estava fazendo certo. Só tentava imitar o Céu. Porque tudo que ela fazia era perfeito.
Ela movia a língua, então eu também tentava mover. Conhecia o interior da minha boca e eu tentava conhecer o da sua. Seus lábios se moviam de um jeito tão bom e eu só me perguntava se ela estava achando bom o que eu fazia.
O Paraíso colocou as mãos no meu cabelo e fez algo inacreditável: me mordeu! Mas não foi uma mordida ruim, dolorida. Nunca pensei que alguém pudesse morder daquele jeito. Seus dentes foram de leve em meu lábio inferior e puxaram.
Arregalei os olhos e quando percebi, eu que soltava um barulho estranho. Porque aquilo era gostoso. Muito gostoso. O Céu ficou puxando meu lábio para sua boca, mordendo e depois, soltou.
Senti o fazedor de xixi ficar muito duro. Fiquei com muita vontade de brincar, muita, mas não podia parar de beijar o Céu. Precisava beijá-la para sempre! Aquilo era muito bom.
Lydia parou o beijo.
— Isso foi...
— De novo! — Implorei sem deixar que ela continuasse a falar. Permaneci a abraçando. — Quero mais.
Acho que ela ia falar alguma coisa e eu amava ouvi-la falar. Mas não aguentei. Joguei a cabeça para frente e a beijei de novo, a apertando ainda mais contra mim.
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