O Pequeno pedaço do céu

13 Você tem um Stiles!


Notas iniciais
Hey, gente! Como essa é a unica fic que eu tenho alguns capítulos adiantados, simplesmente não resisti e resolvi postar de novo para vocês.. Então, espero que gostem, porque estou muito feliz por estar postando rápido! Boa leitura.

— Céu, você precisa comer. — Já tinha repetido aquilo muitas vezes. Muitas.

— Eu não quero comer, Stiles.

Olhei para o prato com um pouco de arroz e uma carne estranha. Estava morto de fome. Minha barriga doía demais e eu nem me importava com o sabor que aquela comida teria. Porém, eu não podia comer.

Alex só tinha deixado um único prato com pouca comida. Eu queria dar para o Paraíso. Precisava.

— Mas céu...

— Não.

Bufei. Não ia desistir tão fácil. Lydia estava sentada na cama e eu, no chão. Fiquei de pé e andei até ela. Sentei na ponta oposta do colchão e coloquei o prato em cima das pernas cobertas do Paraíso. Eu amava aquelas pernas.

— Você vai comer!

Tive que apelar. Falei sério, sentindo minha boca formar um bico. Cruzei os braços na frente do peito e juntei as sobrancelhas. Olhei serio para o céu. Pois ela precisava comer. Não queria que ela ficasse com fome.

— Eu...

— Você não sai da cama, não quer brincar comigo, não quer conversar, não quer ler os livros! Eu aceitei tudo isso. Mas você precisa comer! — Ela entreabriu a boca. Parecia surpresa. — Estou falando sério, céu! Não vou deixar um pedaço do Paraíso morrer de fome!

Lydia bufou e seus olhos lindos se reviraram. Por um momento, achei que ela não fosse me obedecer. No entanto, fui surpreendido. Ela olhou com desgosto para a comida, mas pegou a colher e começou a comer.

Sorri vitorioso. Desviei os olhos da comida, pois minha barriga doía. Doía demais. Eu sabia que também precisava comer. Porém, jamais deixaria meu céu passar fome.

Voltei a sentar no chão e forcei meu olhar para uma parede. Eu não queria olhar para a parede. Queria olhar para o céu. Meu pequeno pedaço do céu. Mas sabia que isso ia fazer minha fome piorar.

— Pronto!

Pulei no lugar, assustado. Vi que Lydia estava parada a minha frente. Ainda tinha comida no prato. No prato que ela erguia na minha direção. Franzi o rosto, sem entender. Alex tinha dado pouca comida! Como ela não tinha comido tudo?

— Céu, você...

— Come o resto, Stiles.

— Não! — Falei sério. Neguei com o rosto. Ignorei minha fome. Ignorei muita, muita fome. Queria que o Paraíso comesse. — É para você!

O céu bufou. Ela se abaixou a minha frente. Seus olhos verdes, muito verdes e muito lindos me encararam. Queria que ela me olhasse para sempre. Eu poderia morrer olhando para ela.

— Eu não vou deixar você morrer de fome. — Foram as palavras dela. Como alguém tinha a voz tão bonita?

— Mas...

Mais uma vez, o Paraíso bufou. Bufou e revirou os olhos. Acho que ela não tinha paciência comigo. Alex também não tinha. Encolhi os ombros e parei de falar, envergonhado.

— Você vai comer porque o Céu está mandando! — Não esperava por aquela fala. Olhei surpreso para o Paraíso. Era a primeira vez que ela referia a si mesma como céu. Primeira vez. — Escutou, Stiles? Você tem que obedecer ao Céu!

Eu não podia discutir com aquela lógica.

Concordei com a cabeça e peguei o prato que ela oferecia. Suspirei de satisfação por poder comer, na esperança de diminuir minha fome. Comecei a comer. E Lydia... Lydia voltou para a cama.

Seu rosto continuava triste. Seus olhos continuavam tristes. Eu queria tirar toda sua tristeza e transformar em um sorriso. Mas eu simplesmente não sabia. Não sabia como alegrar o pequeno pedaço do Paraíso.

**

Eu estava com sono. Muito sono. Você sabe como é? Aquele sono tão forte que seus olhos fecham sem você mandar. Aquele sono que dá dor nos olhos. Sono que faz você não parar de bocejar.

Sentia o corpo cansado, mesmo sem ter feito nada. Céu não quis conversar. Não quis brincar. Não quis ler. Eu só pude desenhar. No meu caderno. Meu único caderno. Desenhei para não fazer barulho, não atrapalhar o céu.

Ela só ficava triste e chorava. Quase não saía do lugar. Ia para o banheiro, eu escutava o som do chuveiro e depois, ela voltava a sentar. Olhava para a porta trancada e chorava.

Fazia muito tempo que Alex não entrava no quarto. Ele só deixava a comida. Mas não dizia nada. Não fazia nada. Eu não sabia qual foi a última vez que ele interagiu com a gente.

Será que tinha sido horas atrás? Ou dias? Meses? Eu não sabia.

Eu estava quase dormindo. Quase. Mesmo deitado no duro, no chão. Minha cama também era dura, porém, era melhor que o chão. No entanto, o Céu estava na cama. Eu tinha brigado com ela. Briguei várias vezes. Várias. Até fazer ela ficar na cama. Minha cama.

Não ia deixar ela deitar no chão! Ela precisava mais da cama do que eu. Porque ela era linda. Ela era perfeita. Ela era meu pequeno pedaço do céu.

Mesmo na cama, o Paraíso demorava muito para dormir. Muito. Muito mesmo. Ela girava no lugar. Chorava. Levantava e voltava a deitar. Mas naquele momento ela estava, finalmente, dormindo. Por isso que eu ia dormir também.

Então, ela gritou. Gritou quando eu estava quase dormindo. Meus olhos fechados, minha mente indo muito longe. Já quase não sentia minha coluna doer por causa do chão. Chão duro.

Foi quando Lydia começou a gritar.

Levantei assustado, olhando para o quarto escuro. Tive uma das piores visões da minha vida. Talvez, a pior. O Céu se contorcia na cama enquanto gritava. Gritava muito alto. Meus ouvidos até doíam.

Corri até ela. Não sabia o que fazer. Ela ainda dormia. Seus olhos estavam fechados enquanto ela chorava. Chorava muito. E gritava. Gritava muito. O Céu chutava o vazio e erguia os braços para cima. Suas pernas se retorciam.

— Céu? — Chamei assustado. Com medo. — Céu? Você está bem?

Era óbvio que ela não estava bem. Mas eu não sabia o que fazer. Não sabia o que dizer. Eu falava tudo baixo. Muito baixo. E ela berrava tanto. Sentia meu corpo travado, meus braços e pernas estavam duros no lugar. Não conseguia me mover.

— Céu! Alex vai brigar se ouvir. Vai brigar com a gente. — Falei baixo, ainda com medo. Sentia minha voz tremer.

Eu queria ajudá-la. No entanto, não sabia como. Não conseguia.

Ela acordou sozinha.

Em algum momento, o Paraíso abriu os olhos. Continuou chorando, mas parou de gritar. Ela arfou alto, parecia desorientada. Corri até o interruptor e acendi a luz. Queria que ela se orientasse.

Antes que eu conseguisse correr até ela, Lydia falou algo que eu não entendi. Não entendi, porém, ainda assim, me causou mal-estar. Foi como se minha barriga girasse como um ventilador. Junto com uma irritação que eu não sabia nomear.

— Scott? — Foi o nome desconhecido que ela chamou. Choramingando enquanto olhava para os lados, confusa. — Scott?

Franzi o rosto. Fui mais uma vez até ela. Ajoelhei ao lado da cama e encarei seu rosto confuso. Lydia continuou murmurando aquele nome repetidas vezes. Até mesmo depois que ela me olhou.

— Quem é Scott? — Perguntei sem entender meu próprio incomodo. — Não existe Scott no mundo. — Acrescentei baixo. Sempre baixo. — Só existe...

— E-ele... e-ele existe no meu mundo. — Lydia ainda não parecia totalmente consciente. Seu gaguejo foi fraco, choroso. Queria arrancar aquele choro. Fazê-la sorrir. — Eu quero o Scott.

— Você tem um Stiles! — Ela pareceu confusa com minha resposta. Tão confusa quanto eu estava.

— O q-quê?

— Você tem um Stiles. — Repeti fraco.

Ela abriu a boca, mas não disse nada. Voltou com o choro forte, soluçando. Horrorizado, a vi abraçar o corpo. Se encolhendo na cama, colocando os joelhos no peito.

Não sabia o que fazer. Não sabia o que fazer. Mas ela precisava parar de chorar! Eu precisava fazê-la ficar calma. Queria a ver sorrindo. Um pedaço do Céu devia estar sempre feliz!

Tive uma única ideia. Levantei e fui até os livros. Três livros. Olhei para as capas desgastadas, tão desgastadas que eu já não sabia se algum dia, os livros tiveram títulos.

Agarrei o azul, que era sobre alienígenas. Achei que Lydia ia gostar, afinal ela dizia que vinha de outro mundo. Igual um alienígena. Voltei a sentar perto da cama. Perto do Céu.

— Eu vou ler para você. — Anunciei decidido. Sussurrando.

— O q-quê? — Ela perguntou mesmo chorando. Queria que parasse de chorar.

— Vou ler até você ficar calma e dormir. — Expliquei com paciência. A olhando. Ela era tão linda! — Você vai melhorar, céu. Vou fazer você ficar bem.

Ela não respondeu. Eu comecei a ler. Em algum momento, ela parou de chorar. E depois, ela dormiu, parecendo mais calma. Só me permiti dormi quando tive certeza de que ela estava bem.

Notas finais
O que acharam? Esse capítulo foi fofo, não foi? E SIIIM, pela primeira vez o nome do Scott foi citado! Alguns leitores já tinham pedido para que o McCall aparecesse, então fiquei animada por finalmente postar o primeiro capítulo em que o nome dele entra na história. Depois, a Lydia ainda vai explicar mais sobre ele. Por sinal..no capítulo 15, vocês vão receber MUITAS respostas sobre tudo que está acontecendo com o Stiles e Lydia e eu estou ansiosa para que vocês leiam. Beijinhos