O Pequeno pedaço do céu

10 Ele vai ser bonzinho


Notas iniciais
Hey, gente! Voltei! Lembra que eu disse que a fic teria capítulos pesados? Então..esse capítulo é pesado e eu já estou avisando. Fiquei bem nervosa na hora de escrever e estou ansiosa para saber a opinião de vocês, pois mudei várias vezes diversas partes desse capítulo até chegar a essa versão. Eu queria demorar mais nas notas, mas estou morrendo de sono kkkk Então...boa leitura!

Lydia Martin

Eu odeio sutiã desde a primeira vez que usei. Sentia como se estivesse presa, sufocada. Minhas costas doíam e os seios pareciam ficar esmagados. Sempre que eu chegava em casa, arrancava o sutiã e desfrutava da liberdade de sentir o pijama contra os seios.

Minha mãe costumava rir da minha expressão de alivio quando eu jogava o sutiã no chão e andava livre pela casa. Meu dia se tornava melhor toda vez que eu me desfazia daquele aperto.

Eu nunca pensei nisso como um defeito, ou algo perigoso. Afinal, não tinha nada demais em andar sem sutiã. Ou pelo menos, eu pensava isso.

Deus! Como eu estava enganada.

Quando tomei banho e coloquei a roupa larga de Stiles, minha primeira atitude foi não usar o sutiã. Era óbvio que Stiles não demonstrava perigo, ele tinha a mentalidade de uma criança e eu estava em uma situação tão ruim, que queria me dar ao prazer de libertar os seios.

Eu não sabia onde estava, temia que o pior tivesse acontecido com a minha mãe e estava trancada em quarto pequeno com um desconhecido. Tinha sido sequestrada pelo homem que estuprou minha mãe anos atrás. Tirar o sutiã, pelo menos, me trouxe alguma paz.

Se eu soubesse o quanto essa paz passageira me faria chorar....

Tudo já começou a dar errado quando vi Stiles se masturbando. Sim, isso mesmo! Ele estava com a mão sobre o membro, se estimulando sem nenhum tipo de pudor. Sem se importar quando eu saí do banheiro e o flagrei.

Acabei sendo um pouco rude ao falar com Stiles e apesar de ter percebido a tristeza em seus olhos, não consegui me importar. Minha cabeça doía demais, sentia que ia morrer com tanto pensamento, tanto estresse.

Ele foi tomar banho e eu sentei no chão do maldito quarto. Sentia vontade de chorar, mas as lágrimas não saíam. Pareciam presas nos meus olhos, grudadas.

— Eu preciso sair daqui. Preciso sair desse inferno! — Falei baixo, sentia a garganta doer. — Preciso sair viva daqui!

Coloquei as mãos sobre a cabeça, tentando pensar. Precisava achar uma solução, uma maneira de fugir dali. Dar um jeito de entender o que estava acontecendo. A dor de cabeça só piorava enquanto eu me esforçava para raciocinar.

— Vamos, Lydia! Você não quer morrer. Você não quer morrer. — Repeti em um frágil incentivo.

Inclinei o corpo para frente. Sentia a agonia corroer meu estomago, devorar minha coluna, queimar meus olhos. As batidas do meu coração eram pesadas, como se tentassem me ferir. Mal podia respirar.

Ainda estava curvada para frente, quando a porta do quarto foi aberta. Com medo, encolhi os ombros, apavorada. Demorei longos segundos para criar forças para erguer a cabeça e me deparar com os olhos azuis.

— Você está sem sutiã, filhinha? — Foi a primeira frase vinda de Alex.

Pulei de susto no lugar e nervosa, olhei para baixo. Percebi que a forma como eu estava inclinada, fez a blusa larga pender para baixo, expondo parte dos meus seios pequenos.

Nervosa, tentei cobrir os seios com os braços. Ergui a coluna e automaticamente, fiquei de pé. Senti meus olhos arregalados de pavor. Meu coração estava acelerado.

Aquela era a quarta vez que eu via Alex.

Não sabia há quanto tempo estava naquele quarto, mas tinha noção de que fazia dias. Stiles tinha passado a maior parte do tempo acordando e voltando a desmaiar ou a dormir, por causa dos machucados que Alex fez.

Enquanto Stiles vivia inconsciente, Alex apareceu duas vezes. Entregando comida, fazendo comentários maldosos. Ele sempre me ameaçava. Dizia que Stiles não ia me defender novamente, que eu ia aprender a obedecer.

Com aquilo, eu tinha percebido que não podia mais me descontrolar. Não podia mais tentar atacar Alex. Se eu continuasse fazendo isso, acabaria morrendo. Ou aconteceria algo ainda pior.

Alex sorriu torto, fazendo com que a cicatriz de seu rosto se destacasse. Ele deu passos para mais perto de mim, fechando a porta atrás de si. Seu olhar maldoso, a crueldade em seu rosto, me fez tremer.

Nunca pensei que ficaria tão aliviada quando visse Stiles saindo do banho. Quando vi ele surgindo pela porta do banheiro, foi automático. Dei vários passos para perto dele, tentando me sentir mais segura.

— Stiles, chegou na hora certa! Já viu como a Lydia está? — Sabia que os olhos avelãs estavam em cima de mim, porém, eu não conseguia parar de olhar para Alex.

— Ela está linda. — A frase de Stiles me surpreendeu como todas as coisas que ele dizia. Se eu não estivesse com tanto medo, teria olhado para seu rosto.

Alex andou mais uma vez na minha direção. Dei mais passos para trás e senti a parede encontrar minhas costas. Engoli em seco, não tinha para onde fugir. Continuava tentando manter meus seios cobertos.

— Lydia, por que não tira a blusa? Aposto que o Stiles quer brincar com seus seios! — A frase foi dita com calma e um sorriso aberto.

Arregalei os olhos, arfei. Finalmente desviei o olhar de Alex, encarei Stiles. Não acreditei no que vi. Ele... Ele sorria! Stiles parecia feliz com aquela possibilidade horrenda. A inocência brilhava como um letreiro em neon em seu rosto, mesmo assim, senti raiva quando ele falou.

— Eu quero! — Além de concordar com aquilo, Stiles parecia animado. Ele se aproximou de Alex, no entanto, os olhos estavam fixos em mim. — Eu já tinha pedido antes para o céu mostrar os seios!

Alex riu. Uma risada nojenta. Cortante.

Meu corpo estava duro de tensão. Sentia como se meus músculos fossem pedras. As lágrimas que antes não queriam surgir, quase cegavam minha visão.

— Você a chama de céu? — Ele debochou de forma explicita e Stiles nem pareceu perceber. Apenas concordou com o rosto.

— Porque ela veio do céu! — Para completar a frase estupida, Stiles apontou para o teto, como se quisesse explicar para Alex.

— Você precisa mesmo foder, Stiles! Está enlouquecendo. — Ele disse com uma nova risada que fez com que eu abaixasse a cabeça.

Desejava com desespero que a conversa que eles tinham fizesse Alex se distrair. Queria que ele esquecesse de mim. Esquecesse o que falou para mim. A capacidade de ficar invisível nunca me pareceu tão atraente.

— O que é foder?

As perguntas de Stiles eram capazes de irritar. Porém, naquele momento, eu agradeci internamente por ele estar distraindo Alex. Só queria que ele fosse embora para que eu não precisasse mais encarar aquela cicatriz apavorante.

Alex bufou, revirou os olhos. Ele encarou Stiles e eu não aguentei, também olhei na direção do garoto inocente. A curiosidade era genuína em seu rosto. Tive medo da reação de Alex.

— Foder é se enterrar dentro da Lydia. Fazer ela sangrar entre as pernas! Você sente vontade de fazer isso? Quer brincar com os seios dela e a foder?

— Por qu...

Eu já não conseguia ter nenhuma reação. Tinha perdido essa capacidade. Sentia meu rosto inerte, como uma forma de me proteger do que estava acontecendo. Não conseguia sentir meu corpo, não conseguia processar o medo.

Era como se eu estivesse morta e meu corpo permanecesse ali. Passei a ver como se tudo fosse um pesadelo distante. Parecia que tudo era mentira, não passava de pensamentos ruins.

Aquilo não podia estar acontecendo comigo.

Stiles não continuou sua pergunta porque a mão de Alex foi contra o rosto dele. A força com que ele o atingiu foi assustadora. A mão enorme do estuprador cobriu a boca do menino inocente para que ele parasse de falar.

Não consegui sentir medo por Stiles. Eu já estava apavorada demais.

— Está na hora de tirar a blusa, Lydia. Não ligue para o Stiles, ele fala demais. — Os olhos azuis me fitaram — Prometo que não vai ter esse problema comigo, eu vou foder logo você, não vou ficar falando besteiras.

Eu desejava desaparecer. Fechei os olhos e naquele momento, me permiti sonhar com uma fantasia maravilhosa. Imaginei como seria ser liberta daquele lugar, como seria arrombar a porta do quarto e sair correndo até chegar em casa.

Pensei como seria bom ser capaz de sumir. Desaparecer do mundo. Esquecer que eu era filha de um estupro. Esquecer que tinha sido sequestrada por esse estuprador e que ele estava prestes a me estuprar também. Esquecer de Stiles, apagar da minha mente que o garoto vivia com um monstro durante toda sua vida.

Eu precisava desaparecer.

— Não...por favor. — Foi só o que eu disse. Sussurrei aquilo.

Abri os olhos quando ouvi um barulho estalado. Vi o novo tapa que Stiles recebeu no rosto. Ele ainda estava machucado, fraco. O impacto foi tão forte que ele deu vários passos para trás, parecia atordoado.

— Agora você está tímida, Lydia? — Alex se aproximou ainda mais. Não tinha para onde fugir, senti seu corpo tocar o meu. — Nenhuma garota desfila sem sutiã, a não ser que queira mostrar os seios. Agora vai ter que mostrar para o papai!

— N-não... — Balbuciei o lamento de forma tão baixa, que nem eu me ouvi direito. Senti a primeira lágrima se desprender dos meus olhos.

— Você tem que me obedecer, Lydia e o Stiles também está ansioso para ver. — Ele olhou para trás e eu só consegui focar na dor insuportável que atingia minhas têmporas. — Nós dois vamos poder brincar, Stiles!

— Por f-favor, n-não me obriga... — O arrependimento por ter dito que aquelas palavras, me atingiu de imediato.

Os olhos azuis antes só maliciosos, se tornaram violentos. Alex aproximou o rosto até eu sentir seu hálito quente contra meu rosto. Seu nariz encontrou o meu. A fúria fez com que eu voltasse a me encolher.

— Sua mãe também disse isso para mim. — Ali, naquele segundo, eu finalmente percebi que existia algo mais doloroso do que ser violentada. Aquelas palavras me atingiram como se um milhão de facas penetrassem meu estomago. — Eu a fodi até ela desmaiar e depois, continuei fodendo.

Mais lágrimas caíram. Elas escorreram dos meus olhos e encontraram meus lábios. Engoli o gosto salgado, espremi a boca, senti minhas mãos tremerem e um gelo insuportável subir por minha coluna.

— Se você não tirar, eu mesmo vou rasgar essa blusa e morder tanto seus seios, que eles vão ficar disformes! Você quer ficar deformada, Lydia? — Não tinha como reagir a uma ameaça como aquela. — Responde!

— N-não.

— Então acho melhorar você tirar a blusa agora.

Não tinha como respirar. Não tinha como parar de chorar. Por que aquilo estava acontecendo? O que eu tinha feito de tão errado para merecer aquilo?

Eu sabia que precisava fazer o que Alex pedia. Precisava arrancar a blusa do corpo ou seria muito pior. Mas eu não conseguia me mover. Meus músculos estavam rígidos, como se tivesse cimento os aprisionando. Eu simplesmente não conseguia.

— Vai continuar me desobedecendo?

A voz de Alex era dura, cruel. Porém, suas mãos eram infinitamente mais. Eu continuava sem reação, paralisada e então, senti dedos ásperos se infiltrando por baixo da blusa larga que eu usava.

Unhas curtas castigaram a pele da minha barriga e foram subindo, subindo. Um par de mãos calejadas e grandes tentaram alcançar meus seios. Nenhum homem jamais tinha tocado no meu corpo daquela forma.

O choro se aprofundou ao ponto de soluços rasgarem de minha garganta. Eu me sentia pequena, frágil e acima de tudo, humilhada. Aquelas mãos violentas pararam na minha barriga enquanto Alex me observava.

Estava paralisada, repleta de pavor. Meu corpo tremia de tanto medo que eu sentia de Alex tocar no meu corpo de forma íntima. Imagens de abusos, violências, rasgavam a minha mente e aumentavam meu choro.

Eu não ia suportar se suas mãos alcançassem meus seios e mesmo em meio ao horror que eu sentia, me vi agradecida por ele ter parado suas mãos em mim barriga, apesar de que eu sabia que ele logo avançaria.

— Alex, pare! P-por favor, não faz isso com o céu. — Aquela voz doce e triste pareceu surgir de outro planeta. Com a visão desfocada, encontrei o rosto de Stiles. Ele olhava para mim. — E-ela não quer que você faça isso.

— Mas eu quero, Stiles. Ela não precisa querer nada!

— Por favor...eu faço qualquer coisa. E-eu vou ser bonzinho. — Eu não conseguia alcançar o significado daquelas palavras, minha visão estava se tornando cada mais turva. — Não machuque o céu.

— Stiles... — A raiva na voz de Alex fez com que ele cravasse as unhas curtas no alto do meu estômago. Arquejei de dor, senti meus olhos se revirarem, meus joelhos falharam e só não despenquei porque estava encurralada contra a parede.

Sentia algo duro sendo pressionado entre minhas pernas. Eu sabia o que era, porém, não queria acreditar. Não queria pensar naquilo. Tudo aquilo tinha que ser apenas um terrível pesadelo.

— Eu brinco com seu fazedor de xixi o dia todo! Faço qualquer coisa, só não machuca o céu. — Stiles estava desesperado, mas eu ainda era incapaz de entendê-lo. — E-eu coloco na boca, brinco como você quiser!

As mãos de abuso me abandonaram. O corpo nojento se afastou de mim. Não pude ouvir mais nada, ver mais nada. Eu só sentia medo.

Desejava mais do que tudo, desaparecer daquele lugar. Não ia suportar viver naquele inferno.

Notas finais
O que acharam? Eu sei que é horrível ver nosso casal sofrendo assim, mas eu prometo que vocês vão ver também muita fofura e capítulos mais leves por aqui. Sim... o Stiles sofre mais do que vocês poderiam imaginar e eu vou explicar melhor isso no decorrer dos capítulos. Não deixem de comentar! Beijinhos