O Pequeno pedaço do céu

6 As sete partes do mundo


Notas iniciais
Leitores lindos! Tudo bem?? Fiquei muito feliz porque o capítulo passado foi o que teve mais comentário na fanfic! Sério..vocês não têm ideia de como eu fico sorrindo toda vez que vocês demonstram carinho por aquilo que eu escrevo. Então..agora vocês estão entendendo melhor a história, não é? E nesse capítulo, chegou a hora da Lydia também entender melhor! Espero que gostem. Boa leitura!

O Paraíso cuidou de mim. Eu achava que ela não gostava de mim. Mas eu estava enganado, porque ela cuidou de mim! Dá para acreditar? Eu sei que não. Mas é verdade!

Dormi e acordei milhões de vezes. Todo meu corpo doía, cada centímetro de pele. Doía por dentro e por fora. Era como se meu estomago estivesse sendo esmagado por algo muito grande. Enorme. Gigante. Grande como.... Uma geladeira! Uma não, duas. Várias geladeiras. Era como se elas me esmagassem contra a cama.

Parecia impossível respirar ou me mover direito, porém, o pequeno pedaço do céu cuidava de mim. Ela passava um pano úmido no meu rosto e a sensação era boa. Ela pressionava meus machucados, passava os dedos por meu cabelo.

Eu queria muito conseguir falar com ela, queria agradecer. Porém minha boca mal se movia. Toda vez que eu acordava, só conseguia chamá-la. Bastava eu dizer “céu, “paraíso” ou até mesmo, “Lydia”, que ela aparecia no meu campo de visão.

Não sei quanto tempo passou. No entanto, eu nunca tenho noção do tempo. Só sei que Lydia colocou pedaços de pão na minha boca. Sustentou minha cabeça e fez com que eu comesse. Ela também me deu água de uma pequena garrafa.

Só por causa da comida, que eu sabia que Alex tinha entrado no meu pedaço do mundo. Mas eu não vi quando ele entrou, não vi quando ele deu aquela comida para Lydia. Eu só sabia que ela tinha dividido seu alimento comigo e isso fez com que eu gostasse ainda mais dela.

Teve um momento em que eu acordei sentindo algo gelado contra diversos pontos do meu corpo, inclusive no meu olho esquerdo. Era gelo e eu não tinha ideia de como o Paraiso tinha pego aquilo.

Eu só sabia que ela estava cuidando de mim. Ela falava comigo e cada vez mais, eu amava o som de sua voz. Era bom ouvi-la, mesmo quando eu não podia entender. A dor do meu corpo cedia para escutar o que ela tinha para dizer.

Ela cuidou de mim e por isso, assim que a dor começou a ceder e minha visão voltou a ganhar foco, segurei a mão de Lydia. Ela cutucava um hematoma ainda dolorido em meu braço e tudo que eu pude fazer, foi alcançar seus dedos e abraçá-los.

O céu se afastou do meu toque. Ela se afastou! Se ela gostava de mim, por que não deixou que eu segurasse sua mão? Eu queria nossos dedos juntos. Precisava! Mas tiver vergonha, muita vergonha. Se ela me rejeitasse novamente, se me afastasse de novo... eu ficaria para sempre olhando para o chão.

— Oi.

Ela falou. Falou comigo! Sua voz era doce. Doce como o chocolate que eu roubava de Alex quase que de modo compulsivo. O sabor adocicado era tão bom, que fazia com que valesse a pena apanhar para degustar daquilo.

A voz do meu pequeno pedaço do céu era deliciosa.

— Oi! — Foi tão difícil para falar, que me perguntei a quanto tempo eu não dizia nada.

— Por que você me chama de céu? — Seus lábios estavam exprimidos. Lindos lábios. Ela podia consumir o mundo todo com aquela boca grossa. — E de Paraiso?

Meu rosto ardeu, ardeu muito. Tive certeza de que meu rosto ficou vermelho. Talvez, só talvez, tão vermelho quanto o cabelo do Paraíso. Apesar que eu tinha certeza que era impossível imitar aquela exata cor.

— V-você é linda... e acabou de nascer. — Expliquei baixo. Sempre falava baixo.

Alex odiava que eu falasse alto. Ele batia em mim quando eu não falava baixo e eu não podia apanhar de novo. Não na frente do céu. Não enquanto meu corpo ainda doía. Doía como se tivesse mil geladeiras em cima de mim.

— Acabei de nascer?

Ela parecia...confusa. As sobrancelhas se uniam, a boca entreaberta. Por que ela estava confusa? Acho que ela não sabia que tinha acabado de nascer! Mas como podia não saber? Eu tinha que explicar para ela.

— Você veio de lá do céu. — Falei baixo e devagar. Apontei um dedo para o teto com tinta desgastada. Esse movimento fez meu braço doer. Doeu muito. — O céu fica depois do teto. Dá para ver melhor de outra parte do mundo, onde eu pego sol!

— Parte do mundo?!

— Alex chama de área de serviço.

— Stiles...

— Você não sabe o que é o mundo? — Perguntei e esperei por uma resposta que nunca veio. — O mundo tem sete partes! Dois quartos, uma sala e uma cozinha. A área de serviço e dois banheiros!

O Paraiso ficou com a boca aberta. Ela ficava linda com aquela expressão de espanto. Sentia vontade de colocar a mão em seu rosto, desejava afundar os dedos em sua pele.

Sorri de orgulho, pois sabia o motivo daquela expressão. Eu tinha acabado de ensinar como era o mundo e também, mostrado como eu sabia contar! Tinha aprendido aquilo sozinho. Alex nunca quis me ensinar.

— V-você nunca saiu daqui?

Meus lábios se esticaram ainda mais para os lados. Sentia que todos os meus dentes se exibiam naquele sorriso. Eu não podia para de sorrir. Não me lembrava de nunca, me sentir tão orgulhoso.

Alex sempre falava mal de mim. Não importava o que eu dizia ou fazia, tudo ele achava que estava ruim, ou que era estúpido. Ele dizia que eu era burro, ria de mim quando eu nem sabia o motivo. Eu sempre me senti mal perto dele. Sempre. Porém, com meu pedaço do céu, eu estava me sentindo bem.

Ela parecia ainda mais surpresa. Os olhos verdes arregalados, a pele um tom mais claro do que o habitual. Fiquei feliz por saber que estava prestes a surpreendê-la de novo. Eu ia fazer ela ter mais orgulho de mim. Por isso, respondi aquela pergunta com um sorriso ainda maior:

— Do quarto? Claro que já saí! — Deixei que ela entendesse aquelas palavras antes de voltar a falar. Saiba que daquele jeito, faria o Paraíso gostar mais de mim. — Eu já andei pelas sete partes do mundo várias vezes.

Lydia demorou para responder. Acho que ela estava impressionada comigo, muito impressionada. Claro que ela estava! Ela nunca tinha visto alguém que conhecia o mundo todo. Todinho. Andado por ele várias vezes.

Alex também já tinha feito isso, bem mais vezes que eu. Na maior parte do tempo, ele me deixava trancado na minha parte do mundo, no meu quarto. Eu implorava para sair. Chorava, batia na porta, tentava quebrar a madeira. Mas depois de um tempo, aprendi que de nada adiantava. Eu só podia sair quando Alex queria.

Lydia não podia saber que Alex andava mais pelo mundo que eu. Não podia! Se não, ela ficaria mais impressionada com ele. Ia preferir o Alex do que eu. E isso não podia acontecer. Eu queria que ela gostasse de mim. Precisava!

Ela era linda, a coisa mais linda que já tinha visto. Queria ela para mim. Queria abraçar para sempre o meu pequeno pedaço do Paraíso. Se ela tinha nascido no meu quarto, eu precisava fazer com que ela gostasse mais de mim do que do Alex.

Eu não gostava do Alex. Ele batia em mim, batia muito. Ele falava coisas ruins para mim, coisas muito feias. Ele me bateu na frente do meu céu e eu o odiei por isso. Tive vergonha de apanhar na frente dela.

— Oh meu Deus! V-Você... sete partes do mundo? — A surpresa dela foi tão grande, que eu me senti capaz de sorrir para sempre. — Você nasceu aqui, Stiles? Você nasceu nesse lugar?

Lydia cobriu a boca com as mãos. Aquela boca tão linda. E seus olhos verdes, tão verdes, ficaram cheios de lágrimas. Não entendi o motivo. Não queria vê-la chorar! Ela não estava mais orgulhosa de mim?

Senti meu sorriso, que eu julgava ser eterno, desaparecer. Tentei sentar na cama, mas todo meu corpo doía. Grunhi por causa da dor e acompanhei as primeiras lágrimas que despencaram pelo rosto de Lydia.

Eu não sabia responder à pergunta dela. Não sabia! Não tinha como eu a encher de orgulho, se eu não tinha resposta para ela. Será que ela estava chorando por minha causa?

Não. Não. Não! Eu não podia ser responsável por fazer a primeira mulher do mundo ficar triste. Queria vê-la sorrir, precisava.

— E-eu não sei. — Respondi com vergonha. Muita vergonha.

— Você não conhece nada fora daqui? Não se lembra de outras pessoas?

— Não existe mais ninguém, Lydia. — Respondi triste. Olhei para minhas mãos. Eu desejava que existisse outras pessoas no mundo. — Só existe eu e Alex. E agora você! Você nasceu aqui, no meu quarto.

Ela chorou mais. Os olhos verdes derramaram mais lágrimas do que eu podia contar. O Paraíso passava as pequenas mãos pelo rosto, tentando enxugar o choro.

Eu não queria que ela chorasse!

Mesmo com dor, forcei meu corpo para frente. Gemi baixo, tentando suportar as pontadas doloridas e criei força para me erguer. Consegui apoiar as costas na parede atrás de mim, de modo que fiquei sentado.

— Você não conhece mais ninguém! Meu Deus! Por isso você perguntou se eu nunca tinha visto um homem?

Ela estava ficando desesperada. Eu odiava isso. Ela chorava cada vez mais alto, seu corpo tremia enquanto soluços escapavam dos lábios grossos. Aqueles lindos lábios.

Até chorando ela era linda. Perfeita. Com sua pele ficando vermelha e os olhos, ainda mais verdes. Não existia nada no mundo tão lindo quanto ela. Ela era perfeita e eu a queria para mim.

— Você é a primeira mulher do mundo, Lydia. A primeira. — Tentei sorri, mas ela não parava de chorar. — Por favor, não chore. Eu quero fazer você sorrir!

Por algum motivo, acho que dizer isso só aumentou o choro dela. Meu coração se contorceu, se esmagou. Se tornou difícil respirar. Era horrível, agoniante, ver a dor em um rosto tão bonito. Eu queria fazê-la feliz! Precisava.

— Desculpe por ter batido em você e por... Eu não sabia! — Ela negava com a cabeça. Vi a culpa atingir seus olhos. Não sabia o que fazer. — Eu vou ajudar você, Stiles! Vou tirar a gente daqui.

Eu não entendia. Não conseguia entender. Se ela tinha acabado de nascer, como achava que podia me ajudar?

Notas finais
O que vocês acharam? Gostaram? Dá muita dor no meu coração fazer os personagens sofrerem tanto... ainda vai ter mais sofrimento, poréeeem, a partir do próximo capítulo, Stiles e Lydia vão começar a se aproximar mais. Ansiosos para saber como vai se desenvolver a relação de personagens tão diferentes? Logo, logo, vocês vão ter mais respostas sobre a história e também, ver o que está acontecendo fora desse quarto. Beijinhos!