O pequeno marinheiro, obstinado a atravessar os perigosos mares do Leste, segurava, confiantemente, o leme, enquanto, por culpa da ventania, seu quepe escorregava pelos seus cabelos lisos e enegrecidos.

– Terra à vista! – bradava outro marinheiro, eufórico, enquanto corria pelo convés com a luneta em sua mão direita.

– Conseguimos – o garoto de cabelos escuros sorria, vitorioso.

Sua principal motivação era provar a todos de sua exígua cidade que o tesouro é real. Quando pequeno, seu falecido avô, contava-lhe histórias de um pirata, americano, que havia escondido um baú com a maior riqueza do mundo: O conhecimento. Este, então, tão procurado pelos marinheiros, tão duvidado pela população, é o objetivo de Dylan.

Assim que descobriu sua localização, montou uma tripulação e partiu em uma jornada que poderia, ou não, mudar, não apenas a sua vida, mas a de seus colegas, para sempre.

Encostou o barco no litoral da ilha, torcendo para que o mapa estivesse certo. Desceram, observando o local, repleto de vegetações chamativas. Flores de tonalidades quentes, além de uma quantidade diversificada de insetos, compõem a região.

Com sua mochila nas costas e mapa nas mãos, conduzia todos, alguns admirados pela beleza da ilha, outros, amedrontados.

Pôde visualizar uma espécime vulcânica, logo, sabia que se encontravam no caminho certo. Ao se aproximar daquela estrutura, viu, dentre muitas rochas, uma pequena passagem. Lá, andaram por um caminho apertado e escuro, além disso, coberto de aranhas, ao que dava a entender que nunca fora descoberto.

No fim do “túnel”, viu, no centro da sala, o famoso xis demarcado no local, fez um sinal para que sua tripulação começasse a cavar e, cerca de uma hora e meia depois, colocou suas mãos no famoso baú, imaginando se seu avô se sentiria orgulhoso.

Como não possuía nenhuma chave, forçou a fechadura, e encontrou livros. Mas não os livros que imaginava, como exemplares de livros arcaicos, que foram proibidos e, outrora, queimados. E sim livros infantis, com as histórias que seu avô acostumava contar à ele.

Foi quando entendeu: A maior riqueza, de fato, é o conhecimento. Mas ele não pode ser descoberto, e sim, procurado. Apenas os que procuram o acham e, só então, poderão desfrutar o poder da sabedoria.

– Não acredito que aquele velho armou tudo isso. – Sorriu, pensando no trabalho que ele teve para preparar tudo aquilo antes de falecer. – Lição aprendida, vovô. Muito obrigado por tudo que fez por mim – murmurou.

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