O Pequeno Guerreiro
1 One-Shot
Notas iniciais
O Pequeno Guerreiro
A chuva caía do lado de fora, e um menino observava pela janela, entediado, enquanto o blábláblá do professor de matemática fazia sua cabeça doer. Os minutos intermináveis passavam excruciantemente lentos.
–-O resto dos exercícios é lição de casa. Semana que vem, chamarei um dos alunos com notas mais baixas para resolver os exercícios.
O menino, também conhecido como Max, sentiu o olhar do professor em suas costas, mas não se virou. Apenas observou as gotas de chuva escorregarem pela janela do segundo andar.
Nesse momento, o som mais bonito do mundo para todos os estudantes soou – o sinal da saída – e Max se levantou, suspirando com alivio e guardando todo o material em sua bolsa.
Com passos rápidos atravessou a sala e saiu. Quase correndo, numa esperança vã de escapar das duas pessoas que o seguiam.
Em poucos minutos, assim que chegou na área isolada do colégio, onde, por ironia, ficava seu armário escolar, ele sentiu uma mão em seu ombro, que empurrou-o contra o armário de ferro, causando um baque. O menino fechou os olhos.
–-Hey, Max, vai dizer que esqueceu nosso acordo? –Max abriu os olhos azuis e encarou Bruno, ladeado por seus capangas Rafael e Paulo.
–-Não. Não esqueci. –sua voz era vacilante, mas clara. –Não posso te dar o dinheiro do ônibus, Bruno. Está chovendo. Me deixa em paz, pelo menos hoje. –Max implorou.
–-Nem vem. Eu quero o dinheiro, moleque. –a voz do menino maior era agressiva. –Agora. Ou você quer apanhar?
Max abaixou a cabeça, indeciso. Não queria apanhar, mas não podia perder o dinheiro do ônibus dessa vez. Se chegasse ensopado em casa, sua mãe o mataria.
Uma vez que não respondeu, Bruno o empurrou com mais força contra os armários.
–-Parece que não vai ter jeito. Peguem ele, rapazes.
Max grunhiu de dor, enquanto se levantava. Já faziam uns cinco minutos que os três valentões haviam roubado seu dinheiro e já era seguro se levantar. Passou a mão no cabelo preto e suspirou. Estava ferrado.
Olhando pela janela, notou que a chuva logo passaria. Suspirou de alivio. Podia esperar a chuva passar, dentro da biblioteca do outro lado da rua. A menos que quisesse que o zelador o pegasse zanzando pela escola após o horário de aula.
Decidido, cruzou a rua e se abrigou no prédio antigo.
–-Olá. Veio pegar um livro? –ele ouviu da bibliotecária, uma garota com um sorriso brilhante.
–-Não. –ele respondeu. –Só estou fugindo da chuva.
A garota revirou os olhos e assentiu.
Nunca havia entrado lá. Como a maioria das crianças, mas era um lugar bonito. Sentou-se à uma das mesas de madeira e começou a esperar.
Em sua espera, notou a sua frente um pequeno livro, não muito grosso, mas parecendo antigo. O título era “O Pequeno Guerreiro”. Entediado, o pegou, e abriu, como se para ler, mesmo que não gostasse muito disso. Preferia jogar vídeo game ou mexer no Facebook. Como uma criança normal, pensou ele.
Assim que sua mente registrou a primeira palavra do livro, ele não estava mais na biblioteca.
Na verdade, ele não podia dizer nem se estava em sua cidade. Estava deitado em uma grama alta, em meio a arvores. Vestia roupas como aquelas de cavaleiros de filmes e Animes, que assistia pelo computador. Se levantou e olhou em volta. O céu azul brilhava, e, ao longe, podia ver um pequeno vilarejo. Confuso, decidiu descer até o vilarejo em busca de respostas sobre como tinha parado ali. E como faria para voltar para a biblioteca.
Ao chegar lá, notou o fogo. Sem saber porque, ele correu na direção do fogo e o viu.
Era uma criatura enorme. Cheia de escamas, como uma cobra, mas parecia um lagarto, com asas. Olhos dourados, frios como uma pedra. Cuspia fogo pela boca, e as pessoas corriam dele, desesperadas.
–-D-dragão? –gaguejou, assustado.
–-Corra, cavaleiro! –ele ouviu, de uma mulher que passava por ele.
Atrapalhado, Max obedeceu. Mas não importa o quanto corresse, o dragão se aproximava. De alguma forma, ele parecia só o seguir. O dragão abriu a boca, para desferir uma mordida fatal. Ele ergueu sua espada e...
Max sentiu o ombro ser sacudido e olhou para a bibliotecária.
–-Ei, garoto. A chuva já passou. –ela disse, carrancuda.
–-Não posso ficar mais um pouco? –pediu, com os olhos brilhando. Então olhou o relógio e pulou no assento. –Essa não! Minha mãe vai me matar!
Se levantou, apressado, mas, antes de sair, deu uma olhada no livro. Eu voltarei, prometeu.
Notas finais
Matta Aowze!
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