Notas iniciais
Minhas histórias são sempre pequenas, e essa não é uma exceção. Se você gosta de histórias compridas, desculpe.
Imagine esta casa enquanto você lê: http://weheartit.com/entry/52993085/via/iona_levy
P.S.: Não sou criativa com títulos, percebeu?

A menina de cabelos louros estava quieta, como o resto da grande casa. Ana estava sentada em seu quarto, ao lado da cama, no tapete macio e empoeirado. A neve caia do lado de fora da pequena mansão, o inverno havia chegado rapidamente e o vestido vermelho escuro não a esquentava, mas ela não se importava com o frio. Já se passaram vários dias que a criança estava no quarto escuro e úmido, com as cortinas pesadas e janelas embaçadas, o ar já se fazia raro. Ao primeiro pôr do sol lhe deram um pedaço de pão e um copo de água, e depois nada mais. Estava fraca. De inicio achou divertido ficar apenas no quarto; brincou com suas bonecas durante todo o dia, mas agora não podia nem se levantar.

Tinha poucas lembranças, e pensar se revelara difícil. A imagem da empregada chorando e aconselhando-a a ser uma boa menina enquanto fechava a porta com a chave não lhe saia da cabeça. Era muito pequena para entender qualquer coisa, principalmente não entendeu quando, ao terceiro dia ouviu a carruagem sair sem ela e não voltar até agora. Não ouvia sons de sua família desde então. Não ouvia nada além das corujas.

Já tentara abrir a porta do seu quarto várias vezes, e gritava por ajuda enquanto chorava, mas ninguém vinha em seu auxilio. Não sabia o que estava acontecendo, nem porque, apenas esperava que algo acontece-se.

Já não se lembrava do rosto da mãe e do pai, apesar de ter passado muito tempo com ambos. Havia um grande retrato de sua mãe na sala principal, realmente uma bela pintura, desejaria vê-la, se pudesse desejar algo. Mas não sentia falta dos irmãos. Laura, a rude garota mais velha, e Edgar, o travesso bebê. O garoto puxava seus cabelos e a ameaçava, dizendo aos genitores que havia apanhado da garota. E a mais velha a xingava e a agredia, dizendo que seria facilmente substituída por um gato, que seria mais útil e menos estorvante. Ana não entendia essas atitudes, mas, se havia algum sentimento bom no coração fraco da garota, era a felicidade por não ter mais os irmãos. Mas havia a falta da mãe, e a lembrança da empregada chorando, que não saia de sua cabeça.

Seu corpo mole foi escorregando e deixou-se cair quase inconsciente sobre o tapete. Com o pouco de vida que lhe restava, ouviu o portão da frente ser arrombado. Não entendia o que estava acontecendo, e não tinha capacidade para compreender nada naquela situação.

Houve um uivo alto e prolongado perto da garota, mas ela já não ouvia nada. O grande lobo preto buscava comida há vários dias, quase tentos quantos os que a garota estava presa no quarto, mas o bosque estava vazio graças ao inverno e o alimento tornara-se escasso. Os animais hibernavam e Ana desfalecia. Há pouco parara de nevar, e o chão branco tonalizava harmoniosamente com o bosque igualmente claro, deixando a paisagem extremamente bonita. Mas a garota não podia ver nada disso.

O animal sentira o cheiro de Ana e, faminto, arrombou o portão de ferro e se ocupava de arrebentar a porta da casa, sedento de fome. A menina, no andar superior, perdendo a consciência apenas fechou os olhos, sem saber o que aconteceria depois.

Notas finais
Desculpe qualquer erro. Se gostou, deixe um review. Se não gostou, deixe um review também, isso é muito importante ^-^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!