Notas iniciais
Olá gente! Ai esta mais um capitulo, espero que gostem! Boa leitura!

Acordei e vi que ainda estava no mesmo túnel, porem agora não havia mais sangue, e provavelmente eu estava em outro ponto do labirinto, pois pelo teto presumi que aquele ambiente era uma enorme e redonda sala de terra. Definitivamente eu não estava no céu. Tentei me sentar e senti minha cabeça doer e girar, me fazendo cair novamente deitada onde estava... e não era no chão.

—- Descanse Alice. – Ouvi uma voz doce e amigável, do meu lado direito. Definitivamente eu não a conhecia, mas não me deu motivos para temer. – Estou preparando algo para que coma, já já estará pronto. – Senti um forte cheiro de algo que parecia ser uma sopa de legumes.

Não lutei contra aquela ordem, apenas virei a cabeça o suficiente para ver quem estava falando e me surpreendi ao ver uma enorme bola de pelos marrom com duas compridas orelhas no topo da cabeça enquanto usava o que parecia um vestido simples de camponesa... Era um coelho, mas provavelmente se eu montasse em suas costas, seria ainda maior que um cavalo. O cheiro da sopa fizera minha barriga roncar e meu celebro de despertou de repente, deixando tudo bem claro na minha mente.

—- Onde estou? – Perguntei, e o coelho se virou para mim com um olhar gentil, se aproximando. Tentei me levantar.

—- Na minha casa. – Respondeu calma, me ajudando a me levantar suavemente, até que eu me sentasse na... folha? Eu estava deitada em uma folha gigante? – Te encontrei em um dos meus tuneis... Não sei a quanto tempo você estava perdida lá, mas parece que muito. – Apenas assenti, buscando a sopa com os olhos, e ela notou. – Está com fome, não é? Não sei ao certo o que vocês comem em seu mundo, mas o coelho me disse que vocês têm o costume de por as coisas dentro da água e por no fogo... Então estou tentando!

—- O coelho? – Como pude esquecer! A ultima vez que vi o coelho, ele havia ficado para traz enquanto tentava segurar um grupo de cartas que nos perseguia, para que eu conseguisse fugir. – O-onde ele está? – A coelha suspirou e olhou para o chão, como se estivesse decepcionada.

—- Esperava que me dissesse isso. – Respondeu ela, voltando a mexer a sopa, de costas pra mim. – Ele saiu do país das maravilhas para te buscar... desde então não o vejo. – Senti tristeza em sua voz. – Achei que por te encontrar aqui ele estaria perto! Mas se você não sabe...

Não falei mais nada. Como eu pude esquecer do coelho?! Eu não deveria ter o deixado la! Será que ele está bem? Ou pelo menos, vivo? Eu sabia o que as cartas eram capazes de fazer! A culpa invadiu meu peito... eu precisava achar o meu amigo o mais rápido possível. Me mantive sentada naquela folha, até a coelha voltar com uma tigela cheia do que parecia ser uma sopa de legumes, e eu estava com muita fome.

Tomei aquilo em questão de minutos, como se não visse comida a dias. A sopa não estava nenhuma maravilha de sabor, parecia que realmente a coelha só havia pego um monte de pedaços de verduras e colocado na água para cozinhar, sem se preocupar com sal ou qualquer coisa que desse sabor ao prato. Ela me observou meio distante, mantendo uma expressão que misturava felicidade e preocupação.

—- Pode me atualizar sobre como está o País das Maravilhas? – Cortei o silencio, enticando minhas mãos com a tigela vazia, fazendo ela acordar do que parecia ser um transe.

—- Bom... A rainha está vencendo sem muitos problemas. – Disse ela, pegando minha tigela e levando a um balcão do lado do pequeno fogão. – Com os principais lideres mortos, só restou o coelho e eu de apoio a resistência.

—- Me desculpe a pergunta, mas... Você e o coelho são amigos? – Eu conhecia o coelho a muito tempo, e nunca havia visto essa coelha antes.

—- Ele é meu marido – Anunciou, se afastando para o lado e me dando visão a uma sequencia de quadros na parede a minha frente. O primeiro quadro mostrava os dois de branco na cerimonia de casamento, com enormes sorrisos, a segunda imagem era os dois segurando um pequeno coelho branco, que possuía uma mancha marrom em seu olho direito, enquanto o terceiro quadro era o casal, o coelho da imagem anterior já um pouco maior, e no colo da coelha mais uma criança, dessa vez todo marrom, com as orelhas brancas. – Juntos tivemos dois filhos, o mais velho se chama Leonardo e o mais novo Leandro.

—- Eu não sabia... – Respondi. Agora culpa me atingia de uma forma bem mais pesada, sabendo que o pai de duas lindas crianças estava desaparecido por minha causa. Ela sorriu.

—- Não se preocupe com isso, o coelho sempre nos manteve em sigilo por nossa segurança... sempre soube que ele tinha um alvo em suas costas. Inclusive e por isso que estamos aqui.

—- Como o coelho estava fazendo para manter a resistência de pé? – Perguntei, saindo do assunto para evitar a culpa.

—- Bom, basicamente o que conseguimos fazer foram os tuneis. – Ela apontou para as quatro entradas de tuneis naquele cômodo, que se não fosse pela sala que estamos, seria um X perfeito. – Esses tuneis chegam a vários pontos diferentes de todo o País das Maravilhas, infelizmente não são tão largos, mas todos que são resistência que precisarem de abrigo ou se locomover discretamente, e forem pequenos o suficiente, podem usa-los. – Eu assenti com a cabeça. – Eu e meus filhos estamos continuando os tuneis, e estávamos esperando o coelho voltar com você para um novo plano mas...

—- O coelho me encontrou. – Comecei a contar. – Mas tivemos problemas com as cartas ainda no meu mundo, então acabamos nos separando. – Abaixei a cabeça com pesar. – Mas vou encontra-lo. Só preciso... – Comecei a levantar devagar, sentindo minha cabeça girar. – subir a superfície...

—- Por favor Alice, não pode sair agora. – A coelha fez eu me sentar novamente. – Você passou vários dias nos tuneis... Esta desidratada e fraca. Descanse por hoje, amanhã eu te guiarei até lá em cima.

Depois disso, a coelha fez eu me deitar naquela folha mais uma vez, e eu não demorei a adormecer. Então me vi em um grande campo, que se não fosse pelos vários túmulos, eu chamaria facilmente de jardim, o sol estava alto, então deduzi que estava de manhã cedo, e o lugar até que estava movimentado... podia ver varias pessoas, principalmente mulheres, vestidas de preto e segurando flores, seguindo na mesma direção com os rostos inchados.

Segui o fluxo de pessoas que pareciam não me notar, vendo ao longe que estava ocorrendo um enterro... claramente isso explica a movimentação, mas não explica o que eu estava fazendo ali. Caminhei até o enterro e notei que não era a despedida de somente uma pessoa, mas de três... três corpos estavam sendo enterrados lado a lado, e todos pareciam estar ali pelos três. Olhei para as pessoas e reconheci algumas, o que fez subir um arrepio na espinha... Eram mulheres do bordel, que eu havia apenas cumprimentado ou passado por elas no pequeno período de tempo que fiquei naquele lugar. Em algumas eu podia notar que haviam pequenos curativos e outras não, deixando claro para mim o que havia causado aquele evento no cemitério.

O incêndio que provoquei... Havia matado três pessoas... mais três corpos nas minhas costas, mas dessa vez, eu sabia que realmente era culpada. Meus olhos se encheram d’agua e um desespero subiu no meu peito, quem eu matei? Mandy esta bem? O Doutor? Jace? Girei no meio das pessoas procurando por eles... Do outro lado eu pude ver Dr. Rafael, sozinho, abalado mas não chorava, claramente excluído do evento, provavelmente sendo culpado pela minha presença pelos outros, mas mesmo assim trazia um pequeno buquê de flores para prestar sua homenagem. Procurei mais um pouco e vi Jace abraçado com uma garota loira, que chorava desesperadamente em seu peito, enquanto seu rosto inchado parecia controlado, mas extremamente abalado. Agora eu procurava por Mandy e... Nada. Seu cabelo ruivo provavelmente se destacaria na multidão caso ela estivesse ali...

Comecei a chorar. Mandy, onde você esta?! Você não pode ser um dos corpos né? Por favor! Corri em direção aos três caixões, eles estavam fechados por completo, impedindo de ver o rosto dos mortos, provavelmente por que o fogo não havia deixado eles num estado muito aceitável... O primeiro trazia o nome de Djulia, o segundo nome era Gisele, e o terceiro...

Acordei chorando antes de ver o nome no terceiro caixão. A coelha correu desesperada e minha direção, me perguntando o que havia acontecido ao mesmo tempo que tentava me tranquilizar de alguma forma, passando a patinha fofa no meu cabelo como uma forma de carinho. Tudo o que eu conseguia pensar era que o terceiro caixão pertencia a Mandy, e isso partia meu coração... A única que realmente havia me acolhido e tentado se tornar minha amiga, além de Jace.

Algum tempo depois, acabei de acalmando e percebendo o quanto a coelha estava preocupada e sem saber o que fazer, me dando uma certa peninha dela. Não queria a deixar daquele jeito por minha causa, já bastava a falta do coelho.

—- Um sonho ruim... – Respondi bebendo agua na mesma tigela que ela havia me oferecido a sopa antes.

—- Sabe, sonhos sempre trazem uma mensagem verdadeira. – Ela respondeu... Não acho que isso funcionaria muito bem para me acalmar.

—- Eu sei... tenho notado isso de um tempo pra cá. – Respondi, me lembrando dos sonhos com o chapeleiro e a lagarta.

A coelha me trouxe mais uma porção da sopa de antes, agora requentada e eu adormeci novamente. Agora me vi novamente na clareira, onde dessa vez, a grande mesa para o chá da tarde estava inteira e arrumada com bules diferentes que soltavam fumaça, xícaras prontas para serem servidas, bolos de diferentes sabores e os talheres em suas devidas posições. Então, senti algo bater com força atrás dos meus joelhos, me fazendo cair sentada sobre... uma cadeira? Ela veio correndo de algum lugar atrás de mim, me fizera sentar nela e agora corria sozinha até a ponta direita da mesa, como se eu fosse uma convidada de honra.

Os bules agora soltavam fumaça e barulho, apitos para ser mais exata, cada um com uma afinação diferente e sendo tocadas naquela sequência, formava uma melodia alegre e bonitinha, como uma música infantil. As xícaras agora formavam pares com seus pires e dançavam um tipo alegre de valsa, enquanto os bolos que estavam inteiros se partiram em fatias perfeitas, flutuando e fazendo uma rota aleatória sobre toda a mesa, como se também seguisse o ritmo da musiquinha. Os talheres se colocaram de pé, e brincaram sobre a toalha, seguindo a dança. Eu sorria vendo aquilo, balançando a cabeça e batendo palma no ritmo da música.

A mesa já era comprida, e agora se alongava cada vez mais na clareira de forma que eu não conseguia ver seu fim, surgindo mais comidas e chás diferentes que automaticamente entravam na dança. Tudo estava incrivelmente legal e divertido, até eu ouvir que mais alguém batia palma comigo. Parei de acompanhar o ritmo da musica e me mantive em silencio para ouvir melhor... Havia mais alguém, provavelmente na outra ponta da mesa que eu não conseguia enxergar. Quando olhei para baixo, um pedacinho de bolo amarelo havia flutuando até meu prato, assim como um garfo agora dançava ao redor dele, como se estivessem me servindo... Peguei o talher e, ainda desconfiada, comi um pedacinho do bolo.

Nada aconteceu no momento, mas não demorou muito para que eu sentisse meu corpo mais leve e logo começasse a flutuar. Não sabia muito o que fazer... fiquei com medo e tentei segurar na mesa para não subir pra sempre, mas os bolos e os talheres viram meu desespero, vindo em minha direção e me deixando segura-los. Ainda dançando, eles me levaram flutuando sobre a mesa, em direção a outra ponta... Eu ainda podia ouvir alguém batendo palmas a distância. Segui pela enorme mesa até começar a avistar uma silhueta sentada, incrivelmente sem cabeça, que batia palmas freneticamente, claramente tentando acompanhar a música, mas não conseguia se manter no ritmo.

Ao chegar perto o suficiente, reconheci o corpo sem cabeça do chapeleiro... tentei recuar com medo do que havia visto nos tuneis, mas os bolos e talheres que me carregavam não me deixava fazer isso, me soltando na mesa a frente dele, nem de forma grosseira e nem gentil, apenas me soltaram. Rapidamente me coloquei de joelhos e dei dois passos para trás, enquanto o corpo magrelo e desengonçado abria os braços como se pedisse um abraço.

—- Alice! Minha bela amiguinha! – Eu ouvia a voz do chapeleiro, mas... ele não esta sem cabeça?

—- O que? Não! Me deixe em paz! – Recuei novamente, e o corpo deixou os braços caírem como se não entendesse o porque eu havia negado o abraço. Então ele levantou o dedo indicador como se tivesse tido uma ideia.

—- Oh! Mil perdões, minha criança! – Ouvi a voz novamente, enquanto o corpo levava a mão livre para o seu colo, puxando pelos cabelos a cabeça familiar do meu velho amigo e colocando sobre o prato a sua frente. – Havia esquecido que não estava a vista! Hihi! – Sua risadinha ainda era a mesma.

—- Chapeleiro? – Meus olhos se encheram d’agua. Apesar de ser esquisito ver uma cabeça e um corpo soltos trabalhando em conjunto, dentro de mim algo dizia que eu não estava em perigo.

—- Sim, sim! Quem mais seria? – o corpo levou as mãos a cintura, se balançando um pouco, como se estivesse indignado.

—- Chapeleiro! – Eu sorri e engatinhei até alcança-lo, pegando sua cabeça e a envolvendo num apertado abraço.

—- Ai ai! Não me esmague! – Reclamou ele, mas eu não conseguia solta-lo. – E eu não sou só uma cabeça! – No mesmo momento, senti um dedinho cutucar meu braço, com a mão na cintura e mantendo o ar de indignado. Eu ri e abracei o corpo, mantendo a cabeça no meio de nós dois.

—- Senti tanta sua falta! Tanta!! – Disse soltando do abraço e colocando a cabeça do chapeleiro de volta no prato.

—- Eu também! Precisamos beber um chá! Rápido! – Xícaras vieram dançando a frente de nós dois enquanto eu me acomodava sobre a mesa, ficando em posição de borboleta enquanto ajeitava meu vestido sobre minhas pernas. Atrás delas veio um bule de chá, claramente de hortelã, pois ao começar a encher as xicaras, o cheiro invadiu minhas narinas.

—- Mas me explique! Como pode estar vivo tendo sua cabeça cortada? – Disse eu enquanto apreciava um gole da bebida quentinha.

—- Há! Precisa fazer mais do que cortar minha cabeça para me matar, querida Alice! – Respondeu ele e em seguida, seu corpo pegou uma xicara e levou onde deveria estar sua cabeça, parando por um segundo, como se pensasse, e então levou para o lugar certo.

—- Então você esta vivo? Quer dizer... mesmo fora desse sonho?

—- Claro, minha criança! E melhor ainda! – o seu corpo levou uma das mãos a sua boca, e como se contasse um segredo para mim, ele sussurrou. – Posso espionar a rainha para a resistência!

—- Como?! – Respondi espantada.

—- Meu corpo continua na clareira, mas a rainha levou minha cabeça e a deixa ao lado de seu trono como troféu... Burra né? – Ele disse e riu. – Ouço tudo que acontece! Ela sempre esta sentada no trono e o Valete sempre reporta tudo das operações de suas cartas para ela!

—- Isso é incrível! – Sorri. – Então seu corpo na clareira pode contar tudo para nós! – Então percebi o problema disso. – mas... ele não vê, ouve ou fala... Como faremos isso?

O chapeleiro sorriu. A muitos anos atrás, para podermos nos comunicar sem que ninguém soubesse o que falávamos e pudesse provocar os outros com isso, ele me ensinou libras... Se trata de uma linguagem que os surdos usam para se comunicar já que não podem se ouvir e nem falar muitas das vezes, formada por sinais que representam letras ou palavras. Essa seria a solução caso o corpo pelo menos conseguisse enxergar, mas não é o caso. Foi ai que veio a novidade... Existe também a libra para cegos! São basicamente os mesmos sinais, porém, agora nós deveríamos fazer enquanto um segura o polegar do outro, permitindo assim que corpo sinta que sinais eu estou fazendo.

Meu amigo era genial. Passamos o que pareceram horas treinando o novo jeito de nos comunicar, e eu acabei aprendendo. Foi quando chegou a essa conclusão que ele finalmente soltou minhas mãos com um sorriso no rosto, e um sono muito forte me atingiu como uma pedra... Logo minha visão escureceu.

Quando eu acordei, estava novamente na toca da coelha. Me sentei sozinha, sem dificuldades dessa vez, a fazendo sorrir.

—- Parece bem melhor! – Eu apenas concordei. – Muito bem, eu preparei um pouco de poção de crescimento – Ela disse apontando para a mesa, onde havia um frasco com um liquido roxo – Você quer sair dos tuneis agora, Alice?

—- Sim! – Disse eu me levantando e só então notando um coelho do outro lado da sala. Ele era menor do que a coelha, todo marrom com orelhas brancas... Leandro.

—- Tudo bem, meu mais novo te deixara na superfície! – Acenei para o coelho mais novo, e ele acenou de volta rapidamente, olhando para o chão em seguida como se estivesse envergonhado.

—- Tudo bem! Obrigada... – Abracei a coelha e caminhei em direção ao mais novo.

—- Se cuide... e por favor, traga o coelho de volta. – Eu assenti, sentindo o pesar na sua voz.

Leandro virou as costas para mim, indicando que eu montasse nele e em seguida entramos em um dos tuneis. Agradeci por ele ainda ser um jovem coelho e menor que a mãe, por que provavelmente se eu fosse subir na coelha, bateria a cabeça no teto, e com ele eu não corria esse risco. Depois de nos afastar da sala central, ele parou em uma bifurcação.

—- Onde quer subir, Dona Alice? – Sua voz era fina, baixa e estava claramente tímido.

—- Na clareira, por favor.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado! Aproveitem para apertar o botão para acompanhar a historia aqui em baixo! ele e preto com um detalhe vermelho, e se clica nele, vai ser notificado sempre que eu postar um novo capitulo! Tirando que ele marca pra você em que capitulo parou! Já notei que muita gente favoritou a historia mas não "esta acompanhando" kkk Até a proxima sexta! Beijos! Não esqueçam de comentar!