O Patrono Perdido

21 Capítulo 20: Uma Luz no Fim do Túnel


Notas iniciais
Meus leitores amados, desculpem o atraso de alguns dias! Estamos num ponto crítico da fanfic, então eu tenho que deixar todos os capítulos ~nos trink~ pra não faltar nenhuma informação, hihi. Boa leitura e comentem :3

"Eu não sou a única a pensar isso, Remo. Você assustou a todos com sua atitude."

McGonagall. Era ela. Vinte anos rejuvenscida.

Assustado, Remo tentou incorporar o personagem. Onde estava? Na sala dela? Correu os olhos pelo cômodo e identificou uma enorme prateleira de livros. Na mesa logo em frente, um pequeno globo terrestre de cor marrom-clara tirou-lhe a dúvida: estava mesmo na sala de McGonagall. Aparentemente, tendo uma conversa a sós com ela.

"Enfim... O que estou tentando dizer é que você pode vir me procurar sempre que for preciso. Não importa qual seja o assunto, ficarei feliz em ajudar", continuava ela, olhando-o no fundo dos olhos.

Mas havia algo a mais. Algo errado. Algo muito, muito errado.

"Você está sequer me ouvindo, Remo?"

As cores. As cores tinham mudado.

"E-eu... Desculpe, Professora", murmurou, tentando conter o desespero com que seus olhos corriam pelo lugar. "Eu estou ouvindo."

Não apenas as cores das paredes ou dos móveis. Não apenas a cor de suas roupas ou das de McGonagall. Não apenas a cor do globo terrestre que ficava naquela sala, tipicamente marrom-escuro como sempre fora. Não. Todas as cores estavam mudadas.

"Então, qual sua resposta?", perguntou ela, com as sobrancelhas arqueadas na sua direção. Era evidente que Remo não estivera prestando atenção no seu discurso. Na verdade, acabava de aparatar ali e já estava sendo supreendido por mais um acontecimento incomum.

"Qual... Minha resposta... Pra quê?"

Estavam mais claras. Sim, mais claras. Como se uma mão divina tivesse mexido sutilmente na percepção de todas as cores que adentravam o seu campo de visão. Um tanto mais claras e um pouco embaçadas, como se uma névoa suave estivesse pairando por todos os arredores.

"Você acha que esses acompanhamentos serão mesmo necessários?"

Acompanhamentos.

"Oh, não!" exclamou ele, finalmente compreendendo o intuito daquela conversa. "Não, Professora, aquilo foi só... Um lapso nervoso", explicou, referindo-se ao fato de ter se jogado de uma torre há apenas um dia. "Isso não vai se repetir."

"Posso acreditar nas suas palavras?"

"Claro, eu não mentiria", falou rápido, atropelando-se todo. "Mas Professora... O que houve aqui? Parece que as luzes... Estão refletindo mais..."

"Luzes?", perguntou Minerva, com as sobrancelhas mais uma vez arqueadas na sua direção. "Que tipo de luzes você está vendo?"

"Não, não! Não foi isso... Que eu quis dizer", murmurou, envergonhado. Ela o estava tratando como se Remo tivesse simplesmente enlouquecido. Portanto, certamente não era capaz de reconhecer a névoa fina que pairava sobre a sala. Não era capaz de vê-la.

Mas se McGonagall não era capaz de vê-la... Bem, não podia ser um bom sinal.

Após muito custo, finalmente ela o liberou. Eram cerca de cinco e meia da tarde quando saiu da sala daquela mulher, exausto com o interrogatório, confuso com a diferença de cores que identificava em todos os lados para onde olhava e um tanto... Afoito. Afoito com a possibilidade de rever mais uma vez os seus amigos — e Sirius, que já estava em outra categoria.

A última aula do dia sempre começava às cinco e quarenta da tarde. Como acabava de voltar vinte anos no tempo e não tinha condições de se lembrar qual a última aula das segundas-feiras no quinto ano de Hogwarts, Remo encaminhou-se para um mural qualquer na expectativa de encontrar a tabela informativa. Mas antes que pudesse ver o que a tabela continha, teve uma surpresa.

"Esqueceu de novo o quadro de horários?", perguntou uma voz conhecida às suas costas. Tiago.

Com o susto, Remo se virou no mesmo instante para olhá-lo. E lá estava Tiago, os óculos de sempre escondendo olhos azuis divertidos que recaíam sobre Remo naquela hora. Era visível que estivesse muito bem-humorado naquele dia. Ou então... Ou então, talvez estivesse forçando uma situação. De qualquer maneira, a atenção de Lupin não se deteve nele por muito tempo.

Logo às suas costas, estava Sirius. Com uma expressão exatamente oposta à de Tiago, ele parecia não ter dormido na noite anterior. Olheiras profundas faziam-se sob seus olhos, e as feições pesadas demonstravam claramente que não queria comunicação com o mundo exterior. Tão logo seus olhos encontraram a figura dele, o coração pulou como quisesse atacá-lo. Sentiu-se arrepiar até o último fio de cabelo e, progressivamente, as pupilas foram dilatando. De repente, não parecia haver névoa ao redor.

Merda. Que devia fazer? Não tinha se preparado para aquela situação.

Demonstrar que tinha voltado mais uma vez no tempo, antes mesmo de dar vinte e quatro horas da mensagem que Sirius havia escrito na varinha? "Não volte mais", eram as suas palavras. Tinha sido claro, mas Remo, do fundo do seu coração, queria que se danassem aquelas palavras.

Agir naturalmente. O melhor seria agir naturalmente, fingir não ter voltado. Fingir até que pelo menos conseguisse pensar na sua próxima ação. Pensar numa desculpa boa o suficiente para estar ali mais uma vez, ainda que o outro tivesse deixado claro que não o desejava.

"Ah, que seja!", disse Tiago, despreocupadamente. Estava tentando ajudá-lo? Tinha percebido alguma diferença no comportamento de Remo? "Vamos logo, a próxima aula é Transfiguração."

Remo fechou os olhos por alguns segundos antes de tornar a abri-los. Mal tinha chegado naquele tempo, já estava fazendo burrada. Se a próxima aula era Transfiguração, não precisava nem ter saído da sala de Minerva. O fato de ter saído e ainda procurar no quadro de informações sobre a próxima aula já estava deixando evidente que não era o mesmo Remo de antes.

"Certo", murmurou, aflito. "Vamos logo."

A aula de Transfiguração era praticamente a única de Hogwarts na qual as carteiras ficavam meticulosamente enfileiradas, como em uma escola de típico ensino tradicional. Minerva McGonagall já estava à frente delas, direcionando a Lupin um olhar cheio de suspeitas.

Para a sua sorte, os Marotos entraram juntamente com muitos outros alunos do quinto ano da Grifinória, então ela não se deteve em Remo por muito tempo. Ele tomou o cuidado de não escolher um lugar tão próximo a Sirius, e ao mesmo tempo não tão distante. Não queria levantar suspeitas, mas tudo o que não precisava era dos olhos escuros do Black recaídos sobre si o tempo todo. Estavam dando-lhe calafrios.

Quando os alunos fizeram silêncio, a aula começou. O comando de McGonagall era simples: seria uma aula prática. Sobre cada carteira, havia uma pequena muda de planta em um vaso plástico. A função dos garotos naquele dia era fazer desaparecer aquele objeto de suas mesas e fazer com que o mesmo tornasse a aparecer na mesa da professora. Cada um devia ser capaz de executar aquele feitiço individualmente até o fim da aula.

Besteira. Remo conseguiria fazer aquilo em poucos segundos. Afinal, apesar de estar em um corpo de quinze, tinha trinta e cinco anos nas costas, e um longo histórico de práticas de Transfiguração. Ainda assim, sabia que o nível de dificuldade daquele feitiço era grande para outros alunos, pois ainda estavam aprendendo a transportar objetos vivos daquela forma. Não poderia conseguir executá-lo tão rapidamente, ou então deixaria evidente demais que já tinha voltado.

Nos primeiros minutos, apenas observou. A maior parte dos colegas parecia ter dificuldade até mesmo em fazer desaparecer a pequena muda. Mas Tiago e Sirius, que eram alunos sempre à frente dos demais, não demoraram muito para sumir com a planta. Pedro apontava sua varinha para ela, mas tudo o que conseguia fazer era com que a planta deslizasse um pouco sobre a mesa. Lílian, do outro lado da sala, era a única a conseguir fazer com que ela reaparecesse — no entanto, não ainda sobre a mesa de Minerva.

Enquanto observava aquela sala como nem fizesse parte dela, ocasionalmente passou os olhos pela parede da sala e encontrou um calendário. Seu coração quase parou quando leu a data do dia: 3 de Novembro de 1975. O bilhete. Como podia ter se esquecido dele?

Desesperado, começou a revirar os bolsos. Para sua sorte, encontrou-o rapidamente. Era estranho aquele papel ter sido capaz de viajar no tempo juntamente com ele; mas vindo de Dumbledore — ou de Dora -, quase tudo era possível.

Certificando-se de que ninguém olhava na sua direção, posicionou as mãos em baixo da carteira e abriu-o. Havia mesmo uma mensagem. Mas ela dizia:

A Lílian Potter. 3 de Novembro de 1975, às 18:04. Sala de Transfiguração.

E que merda aquilo queria dizer?

Maldito Dumbledore. Maldita Dora. Quando Remo finalmente acreditava que estavam a um passo de ajudá-lo, mandavam que lesse uma mensagem desconexa como aquela. Olhou no grande relógio da sala, que indicava exatamente 18:00.

Queriam que ele enviasse aquele bilhete a Lílian? Para que ela pudesse lê-lo às 18:04, na sala de Transfiguração? Mas o bilhete não devia destinar-se a Remo?

Aflito, passou as mãos pelo rosto. Precisava pensar rápido. Tinha quatro minutos.

Considerando que a varinha-portal funcionava apenas e somente quando Remo a tocava, era bem possível que aquele bilhete, destinado a Lílian, somente exibisse sua mensagem se ela o lesse. Mas por que envolver Lílian naquele tipo de coisa? Por que destinar um bilhete a ela e correr mais uma vez o risco de atrapalhar o curso do passado?

Seu estômago contraiu-se em nervosismo. Devia já estar acostumado a viver no limiar da pressão, mas ainda não estava. Talvez estivesse a ponto de contrair uma gastrite.

De repente, Rabicho, que estava bem às suas costas, começou a gritar:

"Consegui! Consegui!"

Remo deu-lhe uma rápida olhada: ele tinha feito o vaso com a planta finalmente desaparecer da sua mesa. Mas bem, não podia deter-se naquilo. Não tinha tempo.

Direcionou os olhos a Lílian. Também com seu vaso desaparecido, ela mirava a varinha na mesa de McGonagall, realmente concentrada. Devia confiar em Dumbledore e permitir que ela lesse aquilo? Correr o risco de que visse uma mensagem crucial enviada pelo Diretor?

Suspirou. Talvez fosse a sua única chance.

"Vocês viram isso?", repetia Rabicho, às suas costas. "Eu fiz a coisa desaparecer! Era uma planta viva!"

Ao menos Pettigrew chamava a atenção para si e mantinha limpo o campo de ação de Remo. Com cuidado, ele dobrou mais uma vez aquele bilhete. Mirou a varinha no pedaço de papel e ela imediatamente transformou-se em uma dobradura alada. Mais um toque de varinha e o bilhete saiu voando em direção a Lílian Potter, sob o seu comando.

A garota pulou de susto quando a pequena dobradura caiu sobre sua mesa, desconcentrando-a totalmente. Parecendo confusa, ela olhou na direção de onde vinha aquilo e deparou-se com Remo encarando-a também. Na sequência, pareceu entender que era uma mensagem. Desdobrou-o às 18:04.

~*~

Sirius Black sentiu o sangue mais quente correndo por suas veias. Remo ignorava-o completamente, mas com Lílian Evans ele conversava sem problemas. Até sorria na sua direção e, agora, passava a ela um bilhete no meio da aula de Transfiguração.

Incomodado, mexeu-se sobre a carteira. Fora ele, apenas Tiago parecia ter percebido o estranho comportamento de Remo. Algo estava errado.

Das duas possibilidades viáveis, ambas pareciam um tanto improváveis. A primeira, o Remo daquele mesmo tempo, apático em relação à sua pessoa, estava tentando uma aproximação com Lílian. Mas por que faria isso? Já a segunda... Não. Impossível.

Remo era o tipo de pessoa que sempre ouvia àqueles que estavam ao seu redor. Facilitava a convivência alheia, abria mão dos seus próprios desejos em prol do bem das pessoas que o cercavam. Não costumava desafiar ninguém que não lhe fizesse mal, porque aquela não era sua natureza. Ter voltado no tempo tão rapidamente após ler a mensagem de Sirius sobre a varinha não parecia ser algo do seu feitio. Não era o tipo de pessoa que voltaria no tempo sabendo que não era mais desejado por lá.

Portanto, era impossível. Não. Não podia enganar-se com aquela ideia de Remo ter voltado. Ele apenas não havia. Iludir-se daquela forma era perda de tempo e só causaria uma frustração maior ainda. Mas ainda assim...

Já sentia o coração mais acelerado. Era ele? Remexeu-se sobre a carteira mais uma vez. Observou-o por alguns segundos, as pupilas também já dilatadas na sua direção. Era ele? Fingindo ainda ser o Remo natural àquele tempo?

O seu olhar parecia mudado. Parecia tenso. Parecia estar jogando com a sorte.

Era ele. Tinha que ser. E estava tramando algo com Lílian.

"Sirius", murmurou Tiago às suas costas. "Você está pensando o mesmo...?"

Mas o seu discurso foi interrompido, porque o mais improvável de tudo finalmente aconteceu.

Quando Lílian abriu o bilhete de Remo, pareceu assustada com o seu conteúdo. Olhou desconfiada para Remo, e então novamente para o bilhete. O garoto parecia tão confuso quanto ela, apenas esperando alguma reação sua. Foi então que ela tomou aquela atitude.

Abaixou-se sobre a carteira, encostando o rosto na própria mesa à sua frente, como estivesse prestes a dormir na aula. No segundo seguinte, um dos vasos de plástico que continham as mudas apareceu no meio do ar, por acidente, voando em alta velocidade bem em sua direção.

"É o meu vaso! Lílian, cuidado!" gritou Rabicho, desesperado, já prevendo o que aconteceria.

Mas o vaso não a atingiu. Como estava abaixada, passou raspando pelos seus cabelos ruivos, mas não a atingiu. Ao invés disso, continuou sua trajetória em linha reta, até espatifar-se sobre a parede, causando um grande barulho e tumulto em sala.

Todos começaram a falar alto, perguntando se Lílian estava bem. A própria McGonagall parecia assustada com a situação. Mas Lílian estava bem, tirando o susto. Ela apenas voltou a erguer a coluna e começou a explicar aos demais que não estava machucada. Amassou bem o bilhete em uma das mãos, evitando que outros alunos — e que a própria professora — percebessem a sua existência.

Tinha sido salva por Remo.

Sirius olhou na direção dele mais uma vez. Era o Remo do futuro, claro. Tinha que sê-lo.

Provavelmente, havia se lembrado que naquele dia Lílian passaria por tal perigo na aula de Transfiguração. Então, voltou mais uma vez no tempo, justamente para aquela data, planejando salvá-la com o bilhete. Escrevendo uma mensagem que entregaria a ela poucos segundos antes do desastre acontecer, ele impediria que ela se machucasse.

Mas por quê?

Mesmo se o vaso atingisse a cabeça de Lílian, não causaria um estrago assim tão grande. Era bem verdade que tinha surgido na sua direção já em uma velocidade muito alta, perto demais para que ela desviasse; mas ainda assim, era um vaso de plástico, com uma pequena muda de planta em seu interior. No máximo, devido à sua velocidade, deixaria nela um olho roxo ou algo do tipo. Não seria letal.

Se ele havia voltado no tempo com a única intenção de salvar Lílian daquele acidente tão pequeno, só podia ter uma explicação para a sua atitude. Um teste.

Talvez, Remo tivesse voltado para, com cautela, testar até onde conseguia manipular o seu passado. E se Lílian, no passado original, tinha sido mesmo machucada pelo vaso, Remo tinha obtido êxito em seu teste. Havia manipulado o acontecimento dos fatos.

Olhou na direção de Aluado mais uma vez. Ele parecia tão surpreso quanto todos os outros alunos, como se nem tivesse conhecimento do que ele próprio tinha escrito na mensagem. Era ele.

Sirius sentiu as próprias mãos começando a suar. Estava afoito por vê-lo mais uma vez. Desesperado para avisá-lo que já tinha percebido sua presença ali, e que não adiantava esconder-se.

"Acalmem-se todos!", pediu McGonagall em voz alta. "Não houve nada, ela está bem!" e então, olhou com desconfiança para Lílian, para então completar em volume mais baixo: "Fico feliz que tenha tido tempo de evitar esse acidente."

O restante da aula, é claro, não correu como deveria. Remo não pareceu disposto a fazer mais nada durante todo o resto do tempo. Parecia estar em estado de choque.

Permanecia sentado, o olhar adiante, distante, em um ponto da parede. Nem mesmo se preocupou em fingir que estava interessado na atividade proposta por McGonagall. A sua varinha estava simplesmente abandonada sobre a própria mesa, distante da sua mão. Estava absorto em pensamentos; ou talvez apenas em estado letárgico — não fazia nada e não falava com ninguém. Apenas continuava ali, imóvel. Distante.

Era inacreditável ver como os alunos não haviam mesmo reparado no episódio do bilhete. Apenas tinham acreditado que Lílian avistara o vaso a tempo e se abaixara no momento de se salvar. Ninguém suspeitava que Remo fosse o real autor daquela ocorrência.

Rabicho parecia repetir incessantemente um pedido de desculpas a Lílian. Provavelmente alegava que tinha sido sem querer e que nem sequer tentara fazer o vaso reaparecer; ou falava isso, ou algo do gênero, mas Sirius também já estava distante demais para ouvir sua voz. Enquanto os pensamentos de Remo pareciam deter-se em um mundo paralelo, os do Black se detinham nele.

Quando a aula finalmente terminou e todos saíram da sala, Lílian veio em sua direção. Lupin era o único aluno que não tinha se levantado da carteira. Mesmo quando ela se aproximou, as atenções dele permaneceram distantes.

"Remo...", murmurou ela, chamando-o. Parecia ainda muito supresa pelo acontecimento, como ainda não tivesse se recuperado. "Você sabe... Muito obrigada por ter me avisado a tempo."

Remo ergueu os olhos na sua direção, parecendo não saber o que responder. No fim, apenas disse:

"Não há de quê."

"Mas sabe..." insistiu a garota, com evidente medo da resposta que se seguiria. "Como você... Como você sabia que isso iria acontecer?"

Aluado desviou sua atenção, provavelmente pensando em uma resposta convincente. A Sirius, as palavras seguintes pareceram apenas um amontoado de mentiras. Elas foram:

"Estou tendo... Sonhos", disse ele. "Sonhos nos quais prevejo as coisas. Acho que senti que deveria te enviar aquela mensagem."

Lílian Evans não pareceu convencida. A princípio, franziu o cenho na sua direção, confusa. Na sequência, pareceu entender que não era algo que Remo estava disposto a dividir com ela. Assim, apenas concluiu:

"Certo... Mesmo assim... Obrigada."

"Lílian... Antes que você vá, pode me devolver o bilhete?"

"Claro", murmurou ela, entregando-lhe o pequeno papel dobrado. "Obrigada mesmo", finalizou, saindo da sala.

~*~

Ainda estavam no período das noites de Lua Cheia. Sim.

Aquilo significava que Remo tinha pouco tempo para se dirigir à Casa dos Gritos, antes que sua transformação se iniciasse. Mas não conseguia pensar nem um pouco no problema da Lua Cheia.

Como? Como?

Depois de terminarem as aulas do dia, dirigiu-se ao dormitório masculino da Grifinória. Precisava ficar sozinho e, quando finalmente sentou-se à sua cama, abriu o bilhete.

A mensagem nele havia mudado. Antes, Remo havia lido o nome de Lílian, a data, horário e local nos quais deveria entregar a ela aquele bilhete. Agora, a única palavra presente nele era:

ABAIXE-SE!

Tentou recapitular os fatos. Estava atordoado. Não conseguia manter uma linha certa de raciocínio.

Mas lembrava-se. Após muito custo, conseguiu lembrar que realmente, na versão original dos fatos, Lílian Evans havia sofrido um pequeno acidente na aula de Transfiguração certa vez. Remo não conseguia se lembrar quem fora o causador do acidente, nem o ano do ocorrido, nem tinha certeza do objeto que tinha voado em direção à garota. Mas tinha sim acontecido. Aquele fato tinha marcado-o porque tinha sido um tanto estranho ver Lílian com um olho roxo por certos dias. Agora, aquele passado estava alterado.

Mas como? Tentou recapitular.

Dumbledore disse-lhe que não era possível alterar o passado. Se Remo alterasse, a ponte com o seu presente estaria quebrada e ele não poderia voltar a 1995. Teria apenas que continuar ali e torcer para não estragar a vida de todas as pessoas que o rodeavam. Assim, era impossível alterá-lo.

Mesmo que fizesse pequenas modificações, os resultados finais de suas ações seriam exatamente os mesmos do passado original. E assim deveria ser. Mas agora Remo acabava de modificar claramente o resultado final do rosto de Lílian. Tinha poupado-a de ficar cinco ou sete dias com um olho roxo. E Dumbledore tinha sido responsável por aquilo, pois ele mandara Remo enviar-lhe aquele bilhete, no dia e hora determinados.

O que aquilo queria dizer? Era ou não era possível mudar o passado, afinal?

Quando Remo abriu o bilhete antes da garota, havia instruções nele. Instruções de quem deveria abri-lo, em qual hora e em qual local. Quando Lílian tocou no bilhete na hora e local exatos, a mensagem verdadeira se revelou. E ela era apenas um "Abaixe-se!" em letras garrafais.

O que aquilo tudo queria dizer? O que Dumbledore estava tentando avisar? O que a droga do bilhete significava? Podia, então, alterar o passado? Podia ou não podia?

Sua cabeça doía. Latejava. Precisava descobrir o significado daquilo tudo, mas estava fora de condições. A Lua Cheia chegava mais próxima a cada minuto. Precisava sair dali.

Precisava sair dali e ir em direção à Casa dos Gritos. Mas, mais do que isso, precisava descobrir o significado da mensagem. E talvez acima de todo o resto, precisava ver Sirius mais vez. Precisava tocá-lo, abraçá-lo. Olhar dentro dos olhos escuros que sempre acalmavam o seu desespero.

A sua mente tinha se tornado um furacão de fatos desordenados. Misturavam-se bilhete, varinha-portal, Dumbledore, Ninfadora Tonks, Sirius e um vaso voador. A sua cabeça já doía tanto, que parecia irradiar para membros inferiores. Ou será que era apenas mais um dos efeitos da Licantropia que vinha a passos rápidos?

Não teve opção: saiu. Antes que fosse tarde, tomou seu rumo de sempre em direção à Casa dos Gritos, pois a noite começava a surgir. A sua desorientação era tamanha, que nem mesmo percebeu estar sendo seguido.

Notas finais
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