O Passado e Futuro de Juvia
14 Tempos bons
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Aonde estou? Isso é um labirinto, muitos corredores, muitas portas, muitas saídas e entradas. Eu tinha entrado em varias portas, que dava no mesmo lugar, sempre. Um grande jardim assustador que tinha arbustos que pareciam mais com um labirinto enorme. Eu não entendia o porquê estava lá. Abri cada porta e todas acabavam no jardim. Tinha a sensação de que se entrasse, nunca mais sairia, mas não tinha jeito, eu tinha que sair dali e se a saída fosse pelo labirinto, eu tinha que tentar.
Não lembrava como tinha chego lá, mas tinha que sair, cada caminho que tomava pra dentro do labirinto, mais perdida me sentia e isso não me assustava, então os arbustos começaram a mudar, tinham flores azuis, virei a direita e não pude acreditar no que via, tinha uma pessoa agachada, colhendo as flores, graças aos céus.
—Com licença? Eu estou perdida. –O rapaz se levantou e se virou com um punhado de flores nas mãos, sorriu pra mim.
—Oi Juv, ia ir agora te ver, achei essas flores e me lembrei de você. –Era ele, meu primeiro namorado, mas era impossível, eu me lembrava disso, em detalhes, como ele poderia estar ali, na minha frente, sorrindo desse jeito.
—Você não é real. –Fui me afastando, andando pra trás, agora sim estava assustada, ele me segurou, ainda sorrindo.
—É claro que sou real Juv. –Fechei meus olhos, esperando que quando eu abrisse ele não estivesse mais la, quando abri, ele continuava me olhando e sorrindo pra mim. –Vem caminhar comigo Juv?
—Por favor, você não é real, eu vi você morrer, eu enterrei você. –Ele me levava em frente, ainda me segurando ele me levou ate uma fonte.
—Juv, sente. Eu só estou aqui por que você se esqueceu de mim. –Seu rosto perdeu o sorriso, ficou serio, triste até. –Como pode Juv? Se esquecer de mim? Não se lembra de quando fugimos na primavera pra ver a vitoria regia na lagoa que tinha perto da minha casa? Passamos o dia inteiro lá, quando voltamos ninguém tinha notado que você tinha saído. Foi um ótimo dia ao seu lado.
Eu tinha uma sensação ao lado dele, minha cabeça formigava, eu tinha a impressão de que isso tinha mesmo acontecido, apenas acenei pra que continuasse.
—Lembra que uma vez seu pai passou um mês fora numa viagem de negócios? Ficamos juntos o mês inteiro, ficávamos na lagoa ou passeávamos pelo bosque em busca de uma cachoeira, dávamos nomes às arvores, quando anoitecia, voltávamos pra casa, acampávamos na sala junto com seus irmãos, fazíamos fogueiras na lareira da sala de jantar, brincávamos de contar historias de terror e você sempre acabava dormindo abraçada em mim com medo das historias que o Teddy contava pra te assustar. Nada fazia você rir mais do que ver seu irmão implicando com a cozinheira, sua risada era tão gostosa que acabávamos rindo também.
Cada palavra que ele falava parecia flutuar e se encaixar em um quebra-cabeça gigante, cada cena que ele descrevia me fazia visualizar perfeitamente, aquilo era minhas memórias voltando.
—Você se lembra de quando saímos pra praia? Você entrou no mar pela primeira vez e não conseguia parar de rir, disse que as correntes te puxavam e você sentia.
—Cócegas. –Falamos juntos, eu lembrava disso, na verdade eu lembrava de todos os meus momentos com ele. –Eu me lembro, me lembro de tudo relacionado a gente.
—Sabia que você ia lembrar. –Ele olhou pra mim e sorriu me deu um beijo na testa e se levantou. -Você tem um grande caminho de volta Juv, não posso ficar aqui, nem ir com você, mas sempre que quiser me ver é só lembrar de mim. –Ele sumiu nos arbustos, fiquei sentada durante um tempo. Eu estava sozinha de novo e tinha que continuar andando, me levantei e segui caminho, cheguei a uma encruzilhada, fui pro lado direito, passei por uma outra fonte, os arbustos ali tinham fores de cores variadas, quando virei novamente, encontrei outra pessoa.
—Oi Jujuba. –Fineus estava ali, sentado, se aproveitando de uma sombra. –Você demorou, achei que não me encontraria nunca, sente aqui.
—Neu, onde estamos? –Eu perguntei me sentando ao seu lado, Fineus riu do apelido que eu usava pra chama-lo quando era pequena.
—Você não me chama assim desde que fez 13 anos jujuba. Estamos no seu subconsciente e você me chamar de “neu” só mostra que suas memórias estão voltando.
—Eu sei que é meu subconsciente, mas porque um labirinto?
—Porque você tem que querer sair, descobrir, e pra chegar ao consciente você tem que passar por todos nós. Entende? É como um teste de perseverança, você tem que aguentar tudo, pra chegar ao pote de ouro no fim do labirinto. –Ele olhou bem pra mim e sorriu. – Você se lembra como nós éramos? Juntos?
—Você sempre me protegia, de tudo, do velho, das crianças maldosas e até dos garotos. –Ri com a lembrança, Fineus era um irmão mais velho ciumento. – Não tenho muitas lembranças especificas, só borrões.
—Você se lembra de quando nós escondemos as panelas da cozinheira e ela ficou desesperada procurando?
—Coitada dela, ela corria de um lado pro outro, até que ela nos viu rolando de rir no quintal, ela ficou muito brava e fez abobrinhas para o jantar. –Fineus que estava rindo parou e fez uma careta de nojo.
—Ela foi muito cruel com a gente, mas valeu a pena.
—Você sempre foi muito cruel com ela, lembro de você escondendo os ingredientes que ela tinha acabando de colocar na mesa, aquele dia ela desligou o fogão umas cinco vezes.
—Você lembra o dia que a gente roubou as roupas do Teddy enquanto ele estava no banho? –Fineus começou a rir e eu ri também.
—Ele ficou louco de raiva, saiu pela casa só de toalha gritando ameaças pra gente. –Minha barriga doía de dar risada, eu lembrava nitidamente, como se estivesse assistindo a cena.
—Nós só devolvemos as roupas depois que ele se acalmou.
—Ele ficou sem falar com a gente por uma semana. Foi terrível e muito engraçado, principalmente quando a Alba mostrou as fotos que tinha tirado dele, foi hilário. –Fineus riu.
—Verdade, ele ficou muito vermelho, achei que fosse explodir de raiva ou vergonha. –Fineus olhou pra mim e ficou serio. –Você tem que ir, não posso sair daqui e você tem que continuar, a gente se vê quando você acordar. –Ele me deu um beijo e eu levantei e fui andando, olhei pra trás e ele não estava mais lá.
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