Emília, parece sentir a presença dele, pois ergueu a cabeça no exato momento em que Bernardo entrou no salão do restaurante, ao vê-lo depois do sonho, sente o rosto ficar vermelho e um leve calor, enquanto ele se aproxima da mesa dela, tenta se recompor, mas foi em vão ele parece notar algo nela, pois fica olhando para ela.

一Bom dia Emília 一 ele nota o quanto ela está vermelha, pensa ser por causa do susto que deu nela, quando o viu só de toalha.
一 Bom dia 一 ela diz um pouco sem jeito, por mais que se esforce as imagens do sonho bagunçam a sua mente.
一 Quero pedir desculpas por ontem ter deixado a porta destrancada e ficar desfilando como se o quarto fosse só meu, já solicitei ao gerente do hotel que assim que vagar um quarto ele me avisará.一 Bernardo fala sentando de frente a ela, percebe ela um pouco tensa com a presença dele.一 Está tudo bem?
一Sim, sim está 一 sua tentativa de parecer normal parece estar falhando, como ele poderia ver que ela não está bem, será que estava tão nítido assim? pensa一 Não precisa disso, e nem vejo esse hotel tendo algum quarto vago antes de domingo.
一 Achei que queria se ver livre de mim.一 diz pedindo o seu café ao garçom.
一 Desculpa se passo essa impressão 一 ela não queria que ele sentisse isso.
一 Sei que não me queria aqui, e que dividir o quarto é ruim, ainda mais com quem não gosta.
一 E quem disse que não gosto de você一 ela fala sem pensar, sendo tarde demais quando dá conta do que disse, evita olhar para ele, e continua a falar一 De fato não o queria mesmo nessa viagem, achava desnecessário一 ele vai falar algo e ela faz um sinal com a mão e continua 一 Mas tenho que admitir que se saiu bem na reunião ontem e fiquei surpreendida e você não é um mal companheiro de quarto
一 Ganhei meu dia hoje一 ele inesperadamente segura a mão dela, e aquele toque trás aquelas sensações com tudo em seu corpo, as imagens em sua cabeça, se sente tonta, a mão que ele segura começa a suar, era tudo tão diferente de quando estiveram juntos no hotel no Rio, nem ouve o que ele diz, tenta puxar a mão em vão, com o outro braço consegue se pôr em pé.
一 Eu ...eu preciso ir一 diz gaguejando, ele também fica em pé ainda segurando a mão dela.
一 você não parece bem, o quê tem?
一 Não tenho nada, só preciso ir no quarto.
一 Eu vou com você.
一 Não precisa, termina seu café, por favor.一 conseguiu tirar a mão dele一 Volto já preciso fazer uma ligação, já volto.

E sai dali, sem olhar para trás, entra correndo no elevador antes que ele feche as porta, a pessoas que ali estão a observam, estranhando o seu jeito, nem tem coragem de olhar no espelho e ver como está sua aparência, já no quarto, vai direto a varanda, precisava de um pouco de ar fresco, não estava se reconhecendo, não pode ter outro ataque desse perto dele, precisa focar seus pensamentos, abre um pouco os botões da blusa, vem uma brisa, mas seu corpo está quente, fecha os olhos recebendo o vento suave deixando ela se acalmar, tempos depois o telefone do quarto toca.
一Emília, Está tudo bem?
一 Sim Bernardo está一 tinha que fazer ele acreditar一 Já disse isso.一 fala um pouco rude.
一 Ok, é que já faz bastante tempo que subiu e Cícero nos espera一 ele diz ríspido, o que a surpreende, ela olha no relógio nem se deu conta que ele tinha razão, fazia um bom tempo que ela estava no quarto.
一 Já estou descendo.

Ele a olha quando chega, tentava decifrar o que ela tinha, sabia que algo se passava e que tinha a ver com ele, podia ser a situação da toalha, mas não seria para tanto ao ponto de ela quase sair correndo do café da manhã, ela entra sem falar com ele, óculos escuros, senta rígida no banco, depois dos cumprimentos, Cícero dá partida no carro, rumo às terras da vinícola Ventura, apesar da conversa dele com o motorista, ela nada diz, fica olhando para o celular ou pela janela, mas ele duvidava que ela estivesse admirando a paisagem, a viagem de carro não é muito longa e logo chegam ao seu destino.

O percurso que fazem pelas terras fez bem, pois tem mais pessoas falando que não seja só os dois, e consegue dar um foco a ela que não seja ele ou sonho que teve, durante a viagem de carro teve que fazer tremendo esforço para manter tudo sob controle, mas ali já era mais fácil, o seu lado empresarial se sobressai ao seu emocional.

Olham tudo com calma e cautela, provam as uvas, um vinho, o almoço foi ali mesmo, visitaram tudo o que podiam, fizeram as perguntas necessárias, tiveram uma breve reunião ali mesmo, mais para pontuar algumas questões, já era fim de tarde quando voltaram para a cidade. E o silêncio voltou a reinar.

Bernardo percebeu que ela quer uma certa distância dele, não sabe porque, mas desiste de perguntar. No quarto do hotel ela pede.

一 Gostaria de tomar banho primeiro se não se importa.
一 Tudo bem só vou pegar a máquina fotográfica e sair. 一 ele ia dar o espaço que silenciosamente ela parece querer, como era tolo, resolve arriscar一 Você quer ir?
一 Onde?
一 Ver a noite, o festival de hoje é a arte local一 diz pegando a máquina.
一 Não obrigada, quero rever tudo o que temos até agora sobre Ventura.
一 Foi o que imaginei一 ele sai batendo a porta.
Ela fica sem ação a inesperada reação dele, mas precisava ficar distante, ainda tinham mais três dias juntos, o que não saia da sua cabeça foi o que ouviu uma vez, que os sonhos algumas vezes era desejos que o subconsciente trazia a tona, não sabia ser verdade, mas a frase não saia da sua cabeça, sabia que tinha uma tensão entre eles, que a forma como se conheceram, no hotel, falava mais alto que a situação em que estavam nesse momento. Sabia que um sentimento estava crescendo dentro dela, que era algo até então não conhecido, diferente das paixonites, namorados ou casos que teve, mas junto com esse sentimento vinha um receio e isso que a freava. Levanta e vai tomar banho.


Bernardo, tira muitas fotos, a cidade estava belíssima, muito alegre, era uma animação contagiante, chegando fazer ele esquecer o mal estar que tinha se instalado entre ele e Emília, não soube o que desencadeou isso, mas não iria ficar pensando nisso. Quando volta ao quarto ela já dorme, com alguns papéis sobre a cama e usava os seus óculos de grau, ele tira com cuidado as folhas espalhadas pela cama, e os óculos, ele tem vontade de beijar nem que seja o seu rosto, mas isso tem um risco enorme de ela acordar, ajeita o lençol sobre ela desliga a luz do abajur, pega a roupa dele e vai tomar seu banho.

Ela acorda mais tarde que o costume, seu pescoço dói um pouco pela posição que deitou, estranha a papelada que estava analisando estar arrumada na mesinha e seus óculos ali do lado, imagina que de certo ela tirou e nem percebeu, mas no íntimo sabia que tinha sido obra de Bernardo, e isso a comove, esses cuidados sutis que ele tem com ela, olha para o sofá mas ele já não está mais ali, olha no celular e vê que já passa das dez da manhã, quanto tempo faz que não dorme tanto, por sorte não tinha nada importante para fazer, ainda com o celular em mãos vê as ligações da mãe e lembra que nem se falaram no dia anterior, resolve ligar.
一 Alô
一 Emília, minha filha, como você está? Fiquei preocupada, liguei algumas vezes, você tem se alimentado? Tem descansado? 一 Vitória desata a falar, Emília sorri por ver a mãe assim, como sonhou com ligações como essa.
一 Oi Vitória, está tudo bem, fiquei uma boa parte do dia de ontem fora, e como você está?
一 Estou bem minha filha.一 Vitória sabe que a filha está se esforçando assim como ela para terem um certo diálogo e que não deve forçar, porém não resiste em perguntar 一 Sabe quando volta?
一 Eu ainda tenho uma reunião na segunda, tudo depende dela, creio que segunda de noite ou terça pela manhã.
一 Que bom 一 ela estava muito ansiosa por ver a filha, por saber que ela estar ciente de que não foi totalmente uma escolha dela em deixar a filha, claro que sabe que isso não a isenta de culpa pelos anos de afastamento 一Vou aguardar ansiosamente a sua volta,temos que conversar você sabe.
一 Sim eu sei, preciso mesmo conversar com você一 Emília não sabia se já estava preparada para dialogar com ela, mas sabe que é um assunto que seria impossível fugir.
一 Vou deixar você trabalhar. 一 diz a mãe sem querer desligar.
一 Vitória espera.一 ela chama a mãe antes de finalizar a ligação.
一 Sim filha, diga.
一 Tem alguma notícia de tia Zilda ou de Luís? 一 era sabe que não deveria perguntar, mas era mais forte o querer saber como eles estavam.
一 Falei com sua tia logo após a sua viagem, ela queria saber de você, conversamos e decidimos que o melhor e te dar tempo e respeitar isso.
一 Entendo. 一 Emília diz pensativa, então era isso, estavam respeitando o espaço dela, por isso nenhuma ligação.
一 Quando voltar, vá conversar com eles, vocês ou melhor nós todos temos que nos entender.一 a filha concorda, se despedem e desligam.

Emília toma um banho demorado, a dor do pescoço deu uma amenizada, mas não tinha melhorado de um todo. Pediu comida do quarto, estava estranhando a demora de Bernardo, mas prefere não ligar nem mandar mensagem. Estava novamente deitada quando ele entra no quarto.
一 Boa tarde Emília一 ele deixa sobre a mesa a máquina fotográfica.
一 Boa tarde一 ela o vê por sobre os óculos de leitura, ele pegar em sua bolsa uma muda de roupa e entrar no banheiro, ela se pergunta como pode ele mesmo sem fazer esforço estando dentro do banheiro deixar a presença dele tão forte no quarto, minutos depois ele saiu, cabelo molhado, passou um perfume que deixou o cheiro dele no ar, ela começa a ajeitar a sua papelada, como forma de não ficar olhando o que ele faz, o seu pescoço ainda dói um pouco, em um movimento brusco sem querer solta um gemido de dor 一 Ai.
一 O que foi Emília?一 ele já se encontra ao lado dela, ela apoia uma mão no pescoço.
一 Meu pescoço, dormi de mal jeito e está dolorido一 ela senta na cama tentando movimentar o cabeça一 Eu vou tomar outro remédio e logo passa.
一 Você já tomou remédio?一 ele perguntou ela faz que sim com a cabeça e uma cara de incômodo ao fazer o movimento 一 Deixa eu ver uma coisa.一 ele está de pé ao lado dela, e vai com as mãos ao pescoço dela, mas não a toca, olha para ela e pergunta 一 Posso?
一 Tudo bem一 ela não sabe bem o que ele quer, não muito o que ela possa fazer.
Ele toca em seu pescoço, passou delicadamente os dedo de um lado a outro, ela veste uma blusa de alcinhas preta e uma camisa branca de botões por cima, alguns segundos depois ele diz.
一 Você está muito tensa, essa dor não é só por ter dormido mal, mas pela tensão acumulada, posso fazer uma massagem se quiser.
一 Vai dizer que além de administrador e fotógrafo é massagista一 ela diz se arrependendo, estava nervosa com o toque dele, ele nada diz e sai de perto dela, pensa em concertar a burrada, ele só quer ajudar, tem de aprender a não ficar tão na defensiva.一 Desculpas Bernardo, eu gostaria sim da massagem, por favor.
一 Você tem algum óleo de corpo?一 ela diz que não一 Algum creme corporal? 一 ele prefere relevar o que ela disse, sabe que em parte por ela estar tensa era culpa dele.
一Sim na necessaire do banheiro, eu vou buscar.一 ela faz um movimento para levantar.
一 Deixa que eu pego.一 ele vai e no meio do caminho diz一 Vai tirando a camisa.一 ela fica parada sem se mexer, quando ele volta com o creme 一 É esse一 mostra o frasco para ela, que diz que sim.一 Emília a camisa, tem que tirar.
一 Eu não vou ficar nua .一 diz sem jeito, ele solta mais uma de suas gargalhadas ela percebe que disse besteira.
一 Pode ficar com a blusa de baixo.一 ele se posiciona atrás dela na cama, enquanto que ela abre os botões da camisa, tira sem jeito a peça, ele sorri ao vê-la tímida, mal sabe ela que ele já viu as costas dela mais nua do que está agora, ele passa o creme na nuca dela, ele abaixa a cabeça próximo ao ouvido dela, que se arrepia com a voz dele ali dizendo一 Se estiver doendo muito me diz que eu paro.一 ela nada diz só concorda, quando as mãos dele entram em contato com a pele dela, ela prende o ar, ele faz movimentos delicados, dando leve apertões, as mãos dele são ágeis, e parecem saber o que faz, a dor ainda está ali, mas é quase esquecida pelo contato dele sobre ela, algumas vezes Emília chega a fechar os olhos, não sabe quanto tempo ficaram assim, mas sente os olhos ficarem pesados e a cabeça tombar para frente algumas vezes, então do nada ele para e novamente diz ao ouvido dela.一 Vem deita 一 ele a deita fazendo a cabeça dela ficar para fora da cama, se põe ao lado dela e continua a massagem, algumas vezes a mão dele entram além da blusa que veste, descendo além da marca do sutiã e subindo até a nuca dela, novamente Emília fecha os olhos, mais vezes e por mais tempo, deve ter cochilado, pois sentiu quando ele a ajeitou na cama colocando um travesseiro embaixo de sua cabeça, mas estava praticamente dormindo para dizer algo.

Para ele foi tenso e prazeroso fazer a massagem nela, ficar em contato com a pele dela, foi demais, sentiu ela entregue, sem protestos foi um momento único.Consegui ajeitar ela na cama sem que ela despertasse totalmente, a cobriu com o lençol, fechou as cortinas deixando as janelas aberta para entrar um ar fresco, lavou as mãos e sentou-se no sofá de onde podia ver ela, ficou analisando os relatórios enquanto ela dormia. Duas horas depois ela acorda, já era fim de tarde. Ela o olha acanhada.
一Você ficou aí? 一 Diz sentando, ele levanta e senta na beira da cama.
一 Claro que sim, ou achou que eu iria deixar você aqui assim, está se sentindo melhor?
一 Estou sim, obrigada一 ele sentado ali, naquele quarto quase na penumbra a lembrou imediatamente do sonho 一 Estou até com fome e você?一 ele confirma que também está, ela quer mudar o foco dos seus pensamentos.一 Vou pedir algo para nós aqui se não se importa?一 ela vai com a mão no telefone, ele segura.
一 Me importo sim一 ele diz, a pegando de surpresa, não só pelo toque de mão, mas pela forma como falou.一 Na verdade tenho um pedido一 ele diz sério ela ergue a sobrancelha, não entendendo onde ele quer chegar.一 Vamos sair desse quarto, desse hotel, você nem viu a cidade, ela está tão bonita, ela é encantadora.
一 Mas nós não viemos aqui a passeio, tenho que ver os relatórios.一 ele levanta e vai até o sofá pegando os papéis.
一 Bom quanto a não vir a passei até posso concordar, mas não temos nada de reunião hoje, estamos de folga temos o direito a horas de lazer 一 coloca a papelada sobre ela一 E quanto a isso não há mais nada a fazer, você já os analisou, eu mesmo já os li, só resta a reunião segunda 一 ele tira os papéis da mão dela, pega a camisa branca dela que ficou sobre a mesinha de cabeceira e estende a ela一 E você me deve uma por conta da massagem.
一 Não sabia que seria cobrada, achei ser uma gentileza.一 diz Emília se dando por vencida colocando a camisa, ele pega os pulsos dela e fecha os botões que ali tem.
一 Seria se você fosse de bom grato passear comigo, mas como é teimosa, vai sair na base da chantagem.一 ele levanta e sorri 一 Agora vamos.


Ele tinha razão a cidade era muito encantadora, por estar noitinha as luzes eram acendidas dando um toque a mais a beleza,eles comeram em um restaurante, era uma comida tão boa quanto a do hotel, o clima entre eles tinham mudado, ela prefere não ficar pensando e deixar as coisas aconteceram, resolve dar uma trégua, eles caminham lado a lado, o que ele já conhece vai dizendo a ela, a fiel máquina em mãos, tirando muitas fotos do lugar e dela, um senhor se ofereceu a tirar fotos dos dois juntos, o que ela não ficou muito confortável foi quando os chamaram de casal. Será se eles pareciam de fato um casal?, mas não dá atenção. apesarem de terem comido a pouco, não conseguem deixar de fugir de algumas comidinhas que tem ali no festival, afinal era a noite de comida e vinho, cada barraca tinha um alimento ou um vinho diferente, e fica surpresa por ali ter bons vinhos, mas toma cuidado para não beber muito.
一 O que está achando Emília.一 Bernardo chega até ela com mais uma taça na mão.
一 Estou gostando.
Eles continuam o passeio, por mais que não queira o lugar e a alegria de Bernardo a contagiam, eles acabam rindo, conversando, deixando de lado os problemas, para ela parecem estar de novo ao hotel onde se conheceram. Chegam a uma parte onde há música.
一Quer dançar 一 Bernardo perguntou 一 Olha que a massagem foi bem executada,acho que mereço.
一 Você vai usar muito essa chantagem, digo argumento?一 ela fala sorrindo, ele já está de pé, pegando na mão dela, a levantando.
一 Vou usar sim.一 eles caminham para mais perto da banda que toca,onde já tem algumas pessoas dançando.

Ele encaixa o braço na cintura, enquanto com a outra mão presa a dela, encosta em seu peito, a deixado bem junto dele, com o braço solto Emília apoia no ombro dele, e começam a dançar, como se sempre tivessem feito isso, mas ela nem lembra a música que tocava, lembra da luz que tinha, de estar se sentindo tão bem, de que os problemas ficaram de vez esquecido, o vinho como sempre foi uma grande ajuda para deixá-la mais relaxada, sentiu ele soltar a mão dela ir para o centro da suas costas, a mão que ele soltou foi involuntariamente para a nuca dela, os passos de dança ficam esquecidos, ele alisa as costas dela, mas tira a mão dali e passou delicadamente no rosto dela, Emília fecha os olhos e só sente o toque dele, seus dedos brincam com os cabelos da nuca dele.Bernardo encosta o rosto nela, sua boca fica próxima a dela, mas não se beijam, ele coloca a boca rente a orelha dela, sua barba roçando no lóbulo, arrepiando-a.

一 Não vai acontecer nada que você não queira. 一 ele diz suavemente, ela também fala ao ouvido dele.
一 Quero que você me beije 一 Emília fecha os olhos, não conseguindo esconder o que deseja,ela não precisou dizer duas vezes, ele vai beijando o rosto dela até chegar em sua boca, tocam os lábios, os dedos agarram os cabelos dele como fez no sonho, ele aprofunda o beijo nela, parecendo ser o último beijo deles, sugando todo a ar, ele finaliza o beijo com alguns selinhos, mantém o rosto colado ao dela, fazendo carinho e dando beijinhos, ela acaricia o rosto dele, abre os olhos e sorri ao ver o sorriso que ele trás nos rosto 一Não diz nada, só me beije一 e assim ele o faz, mas não é mais o beijo delicado de antes, é um beijo de desejo, onde um busca ter mais do outro, as línguas deles se encontram, Bernardo a segura firme pela cintura. Então do nada começa a chover, interrompendo o momento dos dois, todos começam a correr querendo se abrigar da água, eles demoram um pouco a entender o que está se passando e como devem agir, então Bernardo pega em sua mão entrelaçam os dedos e sai correndo com ela, dando gargalhadas, pois ela está de salto e com a água da chuva era ainda mais difícil correr一 Bernardo vá devagar ou vou acabar caindo一 ela grita mas ele parece nem ouvir, continua a correr, encontram um lugar que parecia um bar, com algumas pessoas.
一 Podemos ficar aqui até a chuva passar.一 ele diz ainda com segurando a mão dela, procurando uma mesa.
一 Por mim podíamos ir para o hotel, não gosto de ficar molhada一 eles chegam à mesa, solta da mão dele e senta, pegando um guardanapo e passando no rosto.
一 É por pouco tempo, a chuva logo acalma e vamos para lá, quer beber algo?
一 Acho que já bebemos demais, não acha?一 ela termina a inútil tarefa de secar o rosto, visto que escorre água de seus cabelos, mas ele chama o garçom e pede um vinho.
一 Então quer conversar sobre o que aconteceu agora a pouco?一 ele segura a mão dela.
一 E o que aconteceu?一 ela se faz de desentendida, ao que ele ri.
一 Emília Beraldini papel de mulher ingênua não combina com você.一 o garçom trouxe o vinho, ele serve uma taça para cada um.
一 Eu ainda não sei o que dizer disso tudo, não sei se estou pronta para isso一 aquilo foi uma banho gelado para ela, mais que água da chuva, não era o que ele esperava ouvir, mas entendia que precisaria de tempo, ele bebe o vinho e vai para uma segunda taça一 E o que você tem a dizer? 一 ela brinca com a borda da taça, sem olhar para ele, sabe que o vinho teve um papel fundamental nessa conversa deles.
一 Eu gosto de você, gosto muito一 ela olha para ele bebe todo o vinho que tem na taça, e serve outra, o que ele diz a surpreende 一Mas sei que você está cheia de problemas, que eu sou e trouxe um pouco desses problemas, mas não vou forçar nada.一 ela nada diz, não sabe o que dizer, ele segura novamente na mão dela, também bebe o seu vinho, ele olha para fora一 A chuva parou, vamos?
一 Sim.一 ela fica em pé, ele deixa dinheiro para a conta, ao saírem do bar a chuva tinha de fato acabado, ainda tinham algumas pessoas, eles caminham lado a lado, Bernardo segura em sua mão, ela não recua, parece estar se acostumando com os toques dele.
一 Você está com frio?
一 Um pouco.一 ela tenta entender as palavras dele, na verdade ela tenta entender os seus sentimentos, que estão a beira de um passo inevitável, então caminham em silêncio. Já no quarto ela quebra o silêncio. 一 Eu prometo não demorar no banho.一 ele só concorda com a cabeça, de fato ela não demora, quando saí do banheiro ele está na varanda, ao telefone, ela ouve o fim da ligação.
一....Eu volto na segunda, na terça irei ver o senhor pai...sim ela está bem, não sei….até mais pai一 ela observa ele desligar o telefone e ficar olhando para a tela, ele falava com Alberto, ela não esperava por isso, então os problemas que estavam longe, voltaram com tudo.
一 Bernardo一 ela o chama, ele leva um susto, olha o para trás ela está no batente da porta, com um roupão sobre a camisola.一 Já terminei meu banho, se quiser ir.
一 Você não deveria estar aqui depois do banho quente一 ele toca o rosto dela, ela não consegue se afastar dele, não saberia se algum dia iria conseguir.
一Você também não deveria estar aqui fora todo molhado.一 e se afasta dele, que entra no banheiro.
Ele falava com o pai dela, sentiu por um segundo vontade de falar sobre ele, perguntar como ele está, mas se ele quisesse saber sobre ela ele teria dado um primeiro passo, era uma noite bem confusa, o vinho, a dança, o beijo, aquela conversa inacabada, olhou sobre a mesinha e pega o presente da mãe, e fica admirando por tempo demais a ponto de Bernardo sair do banho e questionar ela.
一Porque você não abre de uma vez.一 ele olha secando os cabelos, já de pijama, ela olha surpresa para ele, que parecia saber do que falava, ele senta na cama ao lado dela. 一 Esse presente está aí desde que chegamos e seguidamente você o olha, por que não abre de uma vez.
一 Não tenho coragem 一 ela admite com os olhos marejados.
一 Porque, posso perguntar de quem é?一 ele vê o quanto ela está vulnerável, que foi um dia e tanto para os dois, ela senta com as pernas dobrada sobre a cama, o presente nom meio.
一 Minha mãe me deu, mas não sei se tenho condições de abrir.一 ela olha para ele que parece não entender as coisas que ela diz, então completa.一 Nós não temos uma relação muito boa, aliás nós nem tínhamos nenhuma relação一 ela tenta segurar, mas uma lágrima caí, Bernardo limpa a marca molhada em seu rosto.
一 Se não quiser falar sobre isso tudo bem.
一 Na verdade preciso do contrário, acho que preciso falar, desabafar, preciso ter alguém para quem contar o que vai aqui dentro, que só me ouça一 faz um gesto em volta de si.
一 Se Você quiser eu posso ser essa pessoa.
一 Você pode não gostar do que vai ouvir.
一 Sei disso, mas ouvirei você.一 o silêncio fica mais uma vez entre eles, Bernardo achando que ela não quer mais falar levanta da cama, então ela diz devagar.
一Minha vida mudou completamente quando a minha mãe colocou meu pai para fora.一 ele senta de novo, de frente para ela一 No começo eu não entendia o porque isso aconteceu, na minha cabeça era culpa minha, ou algo que eu tinha feito, minha mãe ficou muito estranha, completamente transformada, eu a vi colocando ele para fora sem se despedir de mim, sabe o que é uma cena dessas para uma criança, ver sua família sendo destroçada aos poucos 一 então Emília vai relatando tudo o que aconteceu com ela, o acidente, a ida para a casa dos tios, as brigas com a mãe, a descoberta do caso do pai e que a mãe o proibiu de vê-la que isso veio em uma caixa no dia de seu aniversário, e as mais recentes revelações sobre a omissão do tio, a tia ter escondido que ela quem pediu a tutela de Emília a deixando achar todos esses anos que a mãe não a queria. 一Então é esse o caos da minha vida, no que ela foi e se transformou.一 Bernardo percebe que pouco ela fala sobre o pai e nada disse sobre o encontro deles, ela abaixa a cabeça, ele ergue gentilmente.
一 Eu sinto muito em saber de tudo isso, que de alguma forma eu faço parte do lado mais triste.一 faz um leve carinho naquela face lavada por lágrimas 一E sobre Alberto não quer falar?
一 Não agora, não com você.
一 Entendo.一 Ele fica pensativo, olha o presente e perguntou一 Não vai abrir?
一 Não ainda, não sei o que tem ali, e quando abrir não vou conseguir pensar em outra coisa que não seja em tudo o que terei que falar com minha mãe e não me sinto bem. 一 passa as mãos no rosto, ele senta mais próximo a ela.
一O que tem? 一 diz assustado.
一 Só estou cansada, o dia foi demais, bebemos demais, falamos demais.一 ele percebe o quanto ela está exausta.
Então sem dizer nada, Bernardo levanta, fecha a cortina desliga as luzes pega uma coberta e faz o mais ousado, porém sabe que é o que Emília precisa no momento, sentou na cama ao lado dela que só olha estica a coberta sobre eles e a puxa.
一 Vem Emília一ele a chama ela nem se move, ele tenta mais uma vez e pega delicadamente, mas ela continua sem se mexer, ele vira o rosto dela para si e diz.一 Você só precisa de carinho e uma boa noite de sono, só isso que farei.
一 E quem disse que dormir com você fará isso.
一 Nós só vamos dormir, nada demais,vem.一 novamente ele a puxa, que vai cedendo, encostando a cabeça sobre o peito dele, que a envolve em seus braços, ele alisa as costas dela que está coberta pelo roupão, sente que ele faz carinho na cabeça dela.
一 Bernardo 一 o chama quase dormindo.
一 Sim.一 ele responde.
一 Obrigada por me fazer falar, por me respeitar 一 ela ergue a cabeça e o beija no rosto, ele segura a cabeça dela para olhar para ele.
一 Pode parecer confuso, mas só vim e entrei na empresa para ajudar, primeiro o meu pai一 ela abaixa a cabeça, ele novamente a levanta para olhar em seus olhos一 Sei que não quer falar dele não vou falar, mas quando vi você no hotel, eu perdi o rumo, eu não sabia que eu iria me apaixonar por você, quem em uma noite você mudaria o sentido de tudo o que eu julgava saber, eu estou apaixonado por você.一 ele coloca uma mecha do cabelo dela atrás da orelha一 Eu não sei o que vai ser de nós, só sei que é maior que tudo isso, e vou esperar por você, por seu tempo. 一 ela sem aviso o beija delicadamente, quando para continua a olhar para ele que por um momento nem parece estar ali, por fim ele volta a si respira e finaliza一 Agora vamos dormir sim, antes que eu volte atrás com o que eu acabei de dizer. 一 ela sorri, descansa a cabeça sobre ele e com o carinho que ele faz, em pouco tempo está dormindo.