O Passado Nos Condena
10 Uma Noite Muito Louca
Duas semanas se passaram desde aquele dia e a casa da família Cullen andava muito tranquila, sentiam falta da presença de Emmett naquele lugar desde que ele se mudou para sua nova e confortável casa com Rose, o quarto de sua futura filha já estava preparado e o nome também já havia sido escolhido no fim de semana anterior depois de muita discussão entre a família claro.
Naquele sábado, no fim de tarde quando Alice havia chegado do passeio com James ela presenciou a discussão de Rose, Emmett e Riley na escolha de nomes. Na verdade Riley não dava muitos palpites apenas se manifestava quando achava os nomes completamente ruins.
Emmett para contrariar a irmã fez uma lista de nomes femininos cada um pior que o outro sabia que ela não iria gostar.
— Que tal Magnolia?
— Emmett você ama sua filha? – A expressão no rosto de Riley foi tão hilariante que nem ao menos Carlisle que costumava permanecer sério naquele momento não conseguiu evitar, soltou uma gargalhada ao lado da esposa e Alice no hall da porta apenas mantinha-se quieta.
— E Valentina?
— Emmett vou lhe dizer uma coisa... Se eu fosse sua filha eu juro que te matava.
— Calma ainda tem Tansy.
— O que? Rosalie você vai deixar?
— Lógico que não, se depender de Emmett nossa filha seria motivo de risadas por toda a cidade.
— Pelo menos alguém tem que ter juízo. – Alice disse olhando para eles.
— E qual será o nome Rose? – Riley deu pulinhos no sofá e se ajeitou, sabia que a cunhada tinha bom gosto mais ao mesmo tempo estava insegura quanto ao nome escolhido.
— Zoe,
Zoe foi o nome declarado o escolhido para a primeira netinha de Esme e Carlisle. A semana estava passando rápido demais. Alice enfim conseguiu chegar cedo em casa em plena quarta feira, sua mudança de visual era aparente, ia trabalhar usando saias e estava usando roupas mais despojadas, seu guarda roupa era outro naquele momento. Quando entrou em casa cumprimentou a mãe,sentou-se ao lado de Esme e ambas ficaram observando a cena de Riley andando de um lado para o outro na sala.
— O que está acontecendo?
— Baile de primavera, ela está histérica desde que chegou do colégio. Não vejo a hora que ela fará um buraco no chão.
— Porque você está tão nervosa por causa de um baile?
— Molly Stanley. Ela disse para o colégio inteiro que não teria casal mais perfeito que ela o meu ex melhor amigo.
— Aah claro tinha que ser uma Stanley.
— Isso mesmo irmãzinha, você já estudou com uma, desbancou Jessica, vamos me ajude. – A menina suplicou puxando o braço da irmã.
— Está bem, mas o que posso fazer?
— Não sei... Que tal um milagre? Papai disse que enquanto eu estiver fazendo a maldita fisioterapia não posso usar um salto. – A menina bufou. – Sabe o que é você gastar suas economias no sapato mais perfeito e depois você simplesmente não poder usar?
— Quer saber a única regra que desbanca qualquer Stanley? Seja ousada, elas sempre irão com os cabelos brilhantes bem arrumados lisos como sempre e sem nenhum volume. Usarão sempre um vestido de marca e um belo salto alto.
— Está bem todo mundo vai assim.
— Menos você... Siga meu conselho, você será a mais popular do colégio enquanto estiver por lá.
— Está bem e o que eu vou vestir?
— Nada de vestidos.
— O que? Você ficou maluca Alice? – Riley levantou abruptamente do sofá olhando para a irmã.
— Use saia e uma blusa moderna, esqueça o clássico Riley. Use um tênis confortável e estiloso, ao invés de liso deixe seu cabelo com essas ondas naturais e um pouco de volume e quer saber, mais um legado será nosso nesse baile de primavera.
— Com certeza irei chamar atenção assim. – Ela sorriu pensando na hipótese.
— Bom então vamos para Port Angeles comprar sua roupa agora. – Alice já foi pegando novamente a bolsa que havia deixado no sofá.
— Vocês não acham um pouco tarde para irem agora?
— Mãe não se preocupe voltaremos cedo.
— Tudo bem, mas vão com cuidado. – Esme se despediu enquanto as meninas saiam se organizando.
O trajeto até Port Angeles foi curto e tranqüilo até demais. Um silêncio era permanente entre ambas, Alice não sabia sobre o que mais conversar com a irmã sendo que seus assuntos agora sempre envolviam James e Riley sabia que aquilo de alguma forma estava incômodo.
— Olha se quiser falar sobre o... – Ela travou no momento em que ia dizer o nome de James enquanto andavam pelas ruas de Port Angeles. Alice olhou rapidamente para a irmã de alguma forma ainda surpresa pelo o que ela estava dizendo. – Sobre o... Seu namorado tudo bem.
Alice sorriu para ela de uma forma divertida achando graça de como ela criara uma barreira sobre James.
— Agradeço pelo esforço. Mas se não quiser falar sobre ele não há problema algum, irei respeitar sua opinião.
— Tudo bem... Mas vamos arrumar algum assunto para falarmos estou ficando tensa com esse silêncio.
Alice fez cara de pensativa tentando arrumar algum assunto decente que fosse, porém uma imagem rompeu qualquer resquício de idéia quando ela avistou na vitrine de uma loja uma roupa talvez perfeita para Riley.
— Aquele é perfeito. – Ela apontou para a saia preta e uma blusa do mesmo tom que estava amarrada mostrando um pequeno pedaço da barriga do manequim.
— Também acho, mas tenho certeza que papai e mamãe não irão aprovar que eu me vista assim.
— Acho que nem mesmo eu aprovaria. – Alice olhou para a menina, mas ainda com um sorriso largo no rosto pensou que aquela ainda seria a roupa perfeita.
— Vamos concordar que agora também é moda e que eu estou com um porte físico muito bom. Tudo bem... Vamos comprar, é apenas questão de disfarçar, saio de casa com a blusa solta chego ao colégio com a blusa amarrada.
— Apenas comporte-se mocinha, papai ficaria uma fera comigo se soubesse.
— Sou um anjinho Alice.
Depois de toda a compra e decidirem um tênis que combinasse com a roupa elas pararam em um lugar agradável para tomar um café enquanto a noite já tornava negro o céu.
— Você está mesmo gostando de James não é mesmo?
Alice se surpreendeu com a pergunta da irmã que desde então nunca conversara com ela sobre o homem em hipótese alguma. Alice de alguma forma sentiu-se um pouco feliz com aquilo, queria muito que a irmã não ficasse magoada caso o relacionamento tornasse ainda mais sério.
— Sim... E o que me deixa mais confusa é o motivo de não saber ao certo o porquê.
— Bem vinda ao clube. – Riley revirou os olhos enquanto provou mais um gole de seu suco, largando-o de lado assim que sentiu o azedo da laranja. – Sabe, todo mundo me pergunta por que estou caindo na lábia de Josh e eu realmente tento não entender o que as pessoas querem dizer com isso. Me perguntei várias vezes porque estou com Josh e a única coisa que encontro em minha mente é que ele foi gentil quando precisei de um amigo.
— Talvez você esteja apenas com duvidas ou confusa por todos estarem falando em sua cabeça sobre os defeitos dele.
— Josh mudou, sei que mudou.
— E o que faz você pensar isso?
— Normalmente ele sai com garotas da minha idade no máximo três dias. É uma ordem sagrada e foi assim até a garota antes de mim.
— Você confia nele?
— Sim. – Alice encerrou aquele assunto com um, pois bem, e Riley inquieta perguntou o mesmo a ela e como esperado Alice pensou um pouco o que demonstrou sua incerteza quanto a James.
— Agora que o conheço um pouco melhor confio.
A menina então deu de ombros e quando terminaram voltaram para o carro rumo a Forks novamente. Quando entraram na cidade Riley sentiu-se a vontade para perguntar a Alice sobre algo que aconteceu a algum tempo, mas que sempre martelava em sua cabeça.
— Posso lhe perguntar algo?
— Claro.
— Prometa que não ficará chateada? Não quero brigar com você.
— Tudo bem.
— Aquele fim de semana que fomos para o sítio. – Riley fez uma breve pausa pensando se deveria ou não enrolar mais para chegar até a pergunta exata. – Aconteceu alguma coisa entre você e James? Digo... Eu vi que seu braço estava roxo e você estava abalada demais.
— Aquilo... Aquilo não foi nada. Apenas eu sendo desastrada de novo. – Ela forçou um pequeno sorriso. – Eu havia escorregado e James tentou me segurar, por pouco não levei um tombo feio. – Ela riu convincentemente tanto que Riley até mesmo decidiu descartar aquela hipótese da lista de confusões que envolviam James, mas antes ela decidiu ligar para Emmett para lhe contar sobre isso e Emmett mesmo desconfiado disse um “tudo bem” no outro lado da linha, ele não havia caído nesta história, não depois de ter ido perguntar ao pai de Ben o que James havia lhe feito.
***
Enfim era sexta feira e muitas coisas aconteceriam naquele fim de semana. Alice recebeu o convite de James de irem juntos para Seattle para que ela conhecesse seu pai, aproveitando que enfim ele estaria em sua casa naquele momento, não sabia o que o velho Pablo De Niro queria tanto vê-lo desta vez e muito menos como ele sabia que seu filho estava com namorada nova.
Alice pensou bem antes de aceitar ao convite, talvez não achando a coisa mais normal do mundo sair da cidade e passar dois dias e três noites com seu namorado de duas semanas. Esme e Carlisle resolveram então saírem para terem um jantar romântico já que hoje também Riley iria para o baile.
— Entre James, Alice já está descendo. – Carlisle disse cumprimentando James e o guiando para que sentasse no sofá.
— Obrigado. Como vai Esme?
— Muito bem obrigada James e você? Parece-me cansado.
— Ah estou bem, apenas um belo dia corrido de trabalho. – Ele sorriu.
— Mãe, acha que meu cabelo fica bem solto normal ou devo jogá-lo um pouco de lado? – Riley desceu as escadas tão preocupada em se aprontar que nem ao menos notou a presença de James ali, mas isso não faria diferença alguma para ela.
— Não seja má educada e cumprimente James. – Esme disse enquanto se aproximava da filha.
— Oi. – Ela disse rápido, mais rápido até que o Flash em uma missão para a liga da justiça. – Então como devo deixar meu cabelo?
— Você fica linda de qualquer jeito meu anjo.
— Argh opinião de mãe não vale... Pra vocês até mesmo se eu me rolar na lama estarei bonita.
— Você é minha filha. Mas se quer uma opinião o cabelo jogado um pouco de lado ficaria maravilhoso.
— Obrigada mamãe.
— Hei mocinha. Essa maquiagem toda é mesmo necessária?
— Pai... Não dê chiliques no meu primeiro baile com Josh, por favor.
— Tudo bem, mas nada de batom vermelho.
— Mais que droga. – A menina bufou, mas logo um largo sorriso voltou em seu rosto e logo ela subiu a escada.
Logo Alice apareceu na sala com uma bagagem de mão James aprontou-se para ajudar sua namorada e enquanto pegava a bagagem de Alice roubou um selinho dela fazendo a jovem moça ficar completamente sem graça perto dos pais, mas ela não poderia negar que havia gostado.
— Desculpe pela demora eu precisava de um banho.
— Não tem problema. Vamos? – Ele perguntou singelamente e ela acenou um simples sim. Enquanto se despedia dos pais James foi deixar as coisas dela no carro.
— Tome cuidado filha. – Esme disse abraçando a filha.
— Eu tenho juízo mamãe. – Ela sorriu tentando tranqüilizar Esme que de alguma maneira estava preocupada com a filha, aquilo era normal principalmente vindo de uma mãe.
— Hei, sei que você tem juízo, mas qualquer coisa... – Carlisle sabia que ela havia entendido o recado. — Eu deveria ser rigoroso e lhe dar um spray de pimenta?
— Talvez... – Alice disse meio séria. – Uma vez um médico me disse que os inteligentes têm uma vantagem na qual os fortes não têm. – Ela olhou para ele lembrando muito bem do dia em que ele lhe dissera aquilo
— Sério e o que é?
— Sabemos nos defender. – Ela sorriu. – Não se preocupe vou manter minha lixa de unha por perto.
— Ótimo. – Ele gargalhou um pouco e beijou a testa da filha. – Se cuide minha princesa e tenha uma ótima viagem.
— Obrigada pai. Tchau. – Ela despediu de ambos ao mesmo tempo e teve tempo ainda de acenar para a irmã enquanto a mesma atravessava a sala para ir para a cozinha.
O trajeto até Seattle demoraria, mas nada do que uma boa conversa entre namorados para quebrar um pouco o cansaço que abatia sobre ambos. Eram papos interessantes que arrancavam risadas suaves de Alice o que fazia ainda mais James ficar cada vez mais louco por ela.
— Sabe acho que meu relacionamento com minha cunhada está melhorando. Ela disse um oi, sem reclamar.
— Sério? – Ela sorriu. – Aposto que minha mãe a obrigou a dizer.
— É... Mas ela não reclamou, já é um bom passo não?
— Acho que sim.
— Alice eu não sei quais os planos que meu pai tem nos convidando para passar este fim de semana com ele, mas acho que devo lhe deixar preparada ou caso contrário você acabará jogando essa aliança na minha cara e fugindo.
— Isso é possível? – Ela disse em meio aos risos.
— Talvez, quero dizer, é bem provável. Não vou mentir para você, meu pai é um diabo em pessoa. Ele lhe interrogará sobre seu trabalho, o que você sempre gostou de fazer, não irá querer saber sobre seu futuro pois ele pouco se importa com o que você quer fazer de sua vida, irá lhe insultar com uma voz tranqüila e lhe fará passar vergonha como ninguém nunca fez.
— Não deve ser tão ruim assim, normalmente os filhos têm uma tendência em exagerar quando falam de seus pais.
— Eu não estou exagerando e já estou achando um erro grave estar lhe levando para lá.
— Fique tranqüilo, qualquer coisa que seu pai me disser prometo que não deixarei interferir no nosso relacionamento.
— Você não parece mais a mesma Alice que conheci, parece estar mais determinada, não se importa mais com a opinião dos outros.
— Acho que alguém está me fazendo bem.
— Olha devo dizer também que se você não colocar um basta no velho ele irá pisar em você para o resto de sua vida, então não tenha medo de ser grossa e rígida com ele, ele adora mulheres assim.
— Só espero que ele não se apaixone por mim. – Ela brincou tentando quebrar o clima de tensão que estava em James. – James, fique tranqüilo, já me relacionei com pessoas piores, é impossível seu pai me amedrontar de tal forma.
— Ele é o cão chupando manga.
— Já vi um cãozinho chupando manga e não achei tão ruim assim.
— Você tirou o dia para piadinhas não é?!
— Alguém aqui precisa ficar calma. – Ela disse em seguida prestando atenção no rádio ligado, estava em um jornal e como sempre passando notícias ruins de assassinato. – Posso mudar? – Ela perguntou enquanto ouvia o jornalista dizer sobre a vítima que foi encontrada boiando em um rio.
— Claro. – Ele disse se prontificando a fazer isso, mudando para seu CD predileto que já estava dentro do aparelho. – Posso parecer meio antigo... Gosta de Bon Jovi?
— Cresci ouvindo as musicas dele, meu pai adora, tem uma coleção completa dos CDs.
— Carlisle então tem um bom gosto. E você? Gosta de alguma banda em particular? Um cantor favorito?
— Bom... Gosto de Country...
— Então curte Taylor Swift.
— Todo mundo gosta da Taylor Swift, mas ela não é minha preferida. Dixie Chicks e Shania Twain tem musica mais perfeita que from this momento n?
— Ah com certeza não. – James concordou sorrindo e dando uma rápida olhada para ela. – Nunca foi muito fã de Country, nunca parei para observar antes...
— Mania de pessoas de cidade grande. – Ela concluiu tirando seu celular da bolsa. – Sabe viver em cidade pequena não é tão ruim, é tudo calmo e tranqüilo.
— Você viveria novamente em uma cidade assim?
— Acho que não conseguiria, acabei me acostumando com a correria de Forks, essa cidade já foi calma um dia.
— O mundo está evoluindo minha Alice.
— Tenho que admitir que agradeço por isso. – Ela sorriu ainda o observando. Cada traço, cada gesto de James, observou suas atitudes e parando por um momento vendo aquele homem não teria como não se apaixonar, fugir seria impossível, mas aquela linda flor ainda mantinha seus espinhos escondidos.
— Eu juro que eu sempre estarei ao seu lado... Eu daria qualquer coisa e todas as coisas. E eu sempre te cuidarei, na fraqueza e na força, na felicidade e tristeza! No melhor, no pior... Eu te amarei a cada batida do meu coração.
James recitou seriamente um trecho inicial da música citada por Alice, surpreendendo a mesma, ela não pôde disfarçar o sorriso e nem ao menos deixar de demonstrar a emoção que aquela música transmitia.
— Entendo porque gosta deste estilo de música, ela é romântica, sempre nos faz permanecer presentes ao amor.
— Não sabia que você gostava tanto assim de romances.
— Tenho uma coleção de filmes românticos em casa e está bem chega... – Ele parou de falar, voltando a ficar sério.
— Agora termina.
— Não falo isso, meus amigos pensam que sou um completo imbecil, sou tarjado de idiota por tentar ser um pouco carinhoso, qual o problema que isso tem?
— Nenhum... Posso dizer o que eu acho? – Ela apenas esperou o consentimento do mesmo para respondê-lo. – Eles devem morrer de inveja pelo seu jeito. Mulheres gostam de homens assim, românticos.
— Me desculpe, por não lhe tratar como merece, acho que acabei congelando meu coração depois do que me aconteceu. Você merece muito mais que isso.
— Você não é tão ruim como diz ser.
Ele permaneceu em silêncio, sabia que de algum modo ele queria dizer a verdade para Alice, era como se seu cérebro fosse o seu diabo e o coração o seu anjo, mas infelizmente a razão de alguma forma sempre falava mais alto que o sentimento. James antes poderia não ser uma pessoa ruim, mas agora era incapaz de voltar a ser o que era antes, algo estava abalado dentro de si, além do coração, estava conturbado, precisava de ajuda, mas ele se negava a aquilo.
— Hei, não fique assim... Não poderia exigir mais nada de você, estamos bem assim.
— Estamos?
— Por mim sim... Mas e você?
— Eu... Apenas acho que eu...
— Não se cobre demais. Talvez algo de um relacionamento passado possa interferir, mas nada que após de um tempo não passe.
Ele olhou rapidamente para ela e voltando a atenção para a estrada suspirou profundamente, não acreditando ainda que já estavam tendo uma primeira discussão sobre relacionamento.
***
Em Forks tudo corria bem, Riley e Josh haviam aceitado a proposta do pai para jantarem juntos com eles antes de irem para o baile, Carlisle conhecia bem os tipos de alimentos fornecidos nessas festas e nada daquilo seria bom para Riley, ele achava até que seria um tipo de tortura preliminar para sua filha. Esme optou por ela e Carlisle jantarem em uma mesa separados de ambos para deixá-los mais a vontade, mas Carlisle não conseguia deixar de sempre dar uma espiadela rápida.
— Carl pelo menos tente disfarçar. – Esme disse sorrindo para o marido.
— Ah é que... Quando ela foi crescer tão rápido?
— É a lei da vida Dr.
Ambos sorriram um para o outro, Carlisle levou a taça de vinho até a boca. Ele mais uma vez os observava desta vez um pouco mais disfarçado.
— Não acho que Josh seja um mau menino... – Esme disse tentando expor sua opinião diante o marido. – Ele parece gostar mesmo da nossa filha.
— Bem... Você já ouviu sobre a fama dele certo? É disso que tenho medo.
— Sobre isso já tive uma boa conversa com Riley.
— Isso me deixa um pouco menos preocupado... Eu acho.
O jantar não poderia ter sido mais agradável o possível, Esme ria da maneira de como o marido temia o que poderia acontecer com a filha, mas isso apenas fazia crescer dentro dela uma paixão ainda maior e uma admiração imensa.
Quando ambos terminaram o jantar Josh sendo completamente educado pagou a conta do jantar e em seguida se despediu dos sogros após de Riley. Foi cavalheiro o bastante para abrir a porta do carro para que ela entrasse e em seguida quando ele se acomodou no carro olhou atentamente para ela e após um doce sorriso de ambas as partes eles se beijaram e enfim puderam partir para o colégio.
***
A música era alta e se ouvia muito bem no estacionamento, vários casais já se apresentavam em meio aos carros e enquanto caminhava em direção ao ginásio do colégio Davi gritou pelo nome de Josh.
— Olha se não é nosso Campbell. – Ele dizia enquanto se aproximava ao lado de Kelly. – Como vai Riley?!
— Cara não olhe assim para minha namorada. – Josh disse sério enquanto Davi levantou as mãos como sinal de defesa.
— O que é belo é para ser apreciado meu amigo... Não esquenta cara. Vamos curtir a noite.
— Me desculpe por isso... – Ele riu meio sem jeito. – Davi acha que somos amigos, mas eu não andaria com um maluco.
— Ele é assim mesmo?
— Não... Está drogado. – Josh disse seriamente. – Não posso mais ser amigo de alguém assim, estou pegando fama também e se isso cai nos ouvidos do meu pai... Davi devia pensar no que está fazendo.
— Fico aliviada em saber disso.
— O que? A não... Você achava que eu...
— As notícias correm. – Ela sorriu e ele não conseguiu ficar sério com ela lhe encarando daquele jeito. – Desculpa.
— Tudo bem, isso só me faz lembrar que tenho que selecionar melhor os meus amigos.
— Wade é legal, acho que deveria andar mais com ele.
— Desde quando conhece Wade?
— Desde... Sei lá, uma vez ele me ajudou com a maquete de apresentação do trabalho de biologia, achei ele uma boa pessoa.
Josh deu de ombros enquanto chegavam cada vez mais perto da porta de entrada. Todos olhavam para Riley vestida daquela forma, talvez surpresos pela ousadia que ela teve de vir diferente de todos, talvez olhassem apenas o casal, ou achavam que ela estava chamando atenção demais, mas de uma coisa Alice tinha razão ela havia se tornado o assunto do baile.
Quando Riley entrou no ginásio todos os olhares se voltaram para ela e Molly que já estava ali presente foi uma que mais odiou aquele momento, mas não poderia fazer nada até porque tinha que conquistar Ben e nunca conseguiria se agisse mal com Riley. Talvez aquele baile reservasse mais intrigas do que o esperado.
***
— Chegamos. – James disse quando abria o vidro do carro para conversar com o segurança. Em seguida o portão foi aberto e ele acelerou para a entrada principal. Havia árvores bem aparadas, cortadas em formatos pontiagudos como cones, a casa também era grande assim como a de James em Forks e então ela concluiu “tal pai, tal filho”, achando que aquela síndrome de exagero poderia ser genética.
Assim que James estacionou o carro havia um mordomo e uma empregada os esperando na porta, James entregou as bagagens para eles e enfim encaminhou com sua namorada para dentro da casa.
— Meu pai já está em casa?
— Não senhor James, ele está ainda em reunião de trabalho na fábrica, disse que chegaria em breve.
— Esse “em breve” me perturba. Quer dizer que iremos jantar somente após meia noite. – Ele disse voltado para Alice. – Tem uma vista linda na parte dos fundos da casa quer ver?
— Claro. – Eles então se caminharam para a parte de trás da casa, havia um campo verde distendendo por toda a região atrás daquela enorme casa. No quintal não seria surpresa uma piscina enorme, árvores que garantiam sombras agradáveis tudo que poderia ocasionar um belo conforto para eles, no qual não era utilizado, ela tinha certeza.
— Essas terras até aquela primeira árvore é do meu pai. Depois você diz que eu sou exagerado. – Ele olhou seriamente para ela. – Ele nem sabe onde mais colocar o maldito dinheiro que tem. Ele tem uma casa em cada lugar que vai.
— Eu retiro o que disse sobre você. – Ela sorriu pensando em como tudo aquilo era uma grande besteira, a vida deles apenas se resumiam em gastar e gastar.
— Ótimo me sinto melhor agora. – Ele sorriu para ela observando as estrelas. Ele parou e tentou ouvir aquele barulho que vinha da parte da frente da casa e previu que fosse seu pai. Caminharam novamente para a entrada principal e ele viu seu pai sair de dentro do carro após o motorista lhe abrir a porta do carro.
— James, vejo que conseguiu chegar antes de seu pai.
— Qualquer um chegaria antes que você velho De Niro, pensei que você houvesse me ensinado a não deixar convidados esperando.
— Vejo que está mal educado como sempre meu filho.
— E vejo que a cada minto que se passa eu me arrependo mais de ter vindo. – James sentiu Alice apertar sua mão como se pedisse de forma silenciosa que ele se acalmasse. – Qual é sua intenção nos chamando aqui.
— Apenas queria conhecer a nova namorada de meu filho, vejo que superou a onda chamada Caroline, finalmente.
Alice olhou para James naquele momento, lembrando-se que aquele era o nome da ex de James, o mesmo por sua vez sentiu seu rosto ferver de raiva respirando fundo para não fazer nenhuma besteira passou o braço em torno da cintura de Alice.
— Desculpe a falta de educação de meu filho em não nos apresentar. Prazer sou Pablo Jeffrey De Niro.
— Alice Cullen. – Ela apertou a mão do seu tão “amado” sogro e em seguida puderam enfim entrar para terem uma boa conversa antes do jantar ser servido, o que não demorou muito para a satisfação de James. Ele ficou ao lado de Alice, calado a todo o momento, apenas ouvindo a conversa de ambos.
— Acho que seu sobrenome me soa familiar.
— Meu pai já atuou em Seattle algum tempo.
— Ah sim Dr. Carlisle Cullen, ouvi falar sobre ele, apenas elogios positivos, deve ser um bom homem. – Ele parou um instante para aproveitar um pouco mais o seu vinho. – Enfim meu filho criou juízo nessa cabeça e resolveu ter um relacionamento com uma pessoa com um futuro promissor.
Alice apenas sorriu e olhou um pouco para James que parecia completamente entediado. Ela segurou na mão dele e então voltou o olhar para ela.
— Pedi para a empregada arrumar seu antigo quarto para que vocês possam dormir. Espero não estar sendo antiquado, mas tenho que consultar algumas papeladas antes de dormir.
— Pai peça para que arrume outro quarto, eu e Alice ainda não estamos nessa fase.
— Estou trocando a mobília da casa, não tem outra cama.
— Você consegue me tirar do sério.
— Não sei por que, estou apenas dizendo que irão dormir juntos, não estou mandando vocês transarem.
Alice naquele momento se engasgou abruptamente, surpresa pela fala do sogro, buscou rapidamente pela água na tentativa de se acalmar, estava completamente envergonhada com aquilo.
— Vai logo resolver seus problemas, anda. – James disse grosseiramente enquanto voltava a atenção para a namorada. – Me desculpe, eu disse que ele é...
— Está tudo bem.
— Sério?
— Acho que não. – James não ficou nem um pouco surpreso pela a reação da jovem. – Podemos subir?
— Claro, vamos. – Ele estendeu a mão na direção dela ajudando-a se levantar e subiram para o quarto onde as bagagens já se encontravam por lá. – Se quiser ir embora pode me dizer, ficarei feliz quando me pedir isso.
— Não acho bom pegarmos a estrada agora, amanhã prometo que podemos ir quando quiser. – Ela o beijou tentando animá-lo de alguma forma.
— Eu posso dormir na sala se preferir. – Ele disse enquanto tirava a camisa. Alice estava em um estagio que poderia se dizer que estaria um tanto quanto distraída demais para responder a pergunta dele. – Alice? Você está bem?
— Oi? Não, é que... Não quero incomodar, acho que somos adultos o bastante para sabermos respeitar um ao outro não?!
James sorriu de tal maneira que fez Alice se perguntar se aquela pergunta havia sido entendida por ele de alguma forma. O sorriso lateral dele e o olhar fixo em Alice mostravam que alguma safadeza havia passado por sua cabeça.
— Acho que isso quer dizer que não.
— Você então quer dividir a cama comigo? – Ele foi se aproximando dela aos poucos com um ar de brincadeira na voz.
— Não nesse sentido, mas acho que já estou me arrependendo de ter dito isso. – Ela o empurrou passando direto por ele, mas ele a puxou pelo pulso e como um belo passo de dança bem ensaiado Alice voltou de encontro a ele encostando-se a seu peitoral nu. Ela olhou para ele indiscretamente de tal forma que o fez rir e ao perceber o que fazia sacudiu a cabeça afastando os pensamentos excessivos de sua mente.
— Mas ouvi de sua boca o que você disse. – Ele sorriu mais uma vez desconsertando completamente Alice. – Alice, Alice tome cuidado. – Ele a soltou roubando um beijo rápido dela de surpresa. – Você me desconcentra Alice, vou tomar um banho, se quiser ir junto.
Ela apenas o viu afastando-se e indo para o banheiro, ela se jogou na cama se perguntando por que aquela noite tinha que ser tão confusa. Ela olhou em sua bagagem onde estaria seu pijama o deixando em cima da bolsa de viagem. E depois de um tempo quando ouviu a porta do banheiro ser aberta desejou nunca ter se virado para presenciar aquela cena.
— Será que dá para vestir algo descente? – Ela perguntou virando-se rapidamente.
— Esqueci de pegar minhas roupas se quiser ir... – Ele disse aparecendo perto onde ela estava. – Sabe a idéia do meu pai não é tão ruim.
— Não é mesmo... Ela é péssima. – Ela esbravejou e voltou o olhar para ele. – Pare de brincadeira... Tenho que dizer que está me incomodando.
— Tudo bem parei, mas quando quiser...
— James.
— Está bem... – Ele riu olhando para ela enquanto a mesma revirou os olhos. – Eu te amo. – Ele se aproximou e a beijou novamente e desta vez ela deixou-se aproximar mais do corpo dele e James passou a mão pela cintura dela trazendo-a cada vez mais para perto de si. De alguma maneira na qual era inexplicável o clima começou a esquentar entre ambos, de uma forma que Alice não estava entendendo o que acontecia com ela. Quando ambos pararam para retomar o fôlego Alice percebeu que uma de suas mãos se encontrava no peitoral dele, olhou nesta direção e suspirou.
— É melhor eu ir tomar banho. – Ela se virou rapidamente e correu para dentro do banheiro enquanto James apenas sorria, achando tudo aquilo uma piada.
***
As coisas não estavam tão boas no baile, porém Josh tentava animar Riley de qualquer maneira dançando com ela o tempo todo, mas ele evitava beber e comer as coisas nas quais Riley não podia, mas de alguma forma a menina percebeu que seu namorado estava se privando por sua causa, aquilo sim poderia incomodar qualquer pessoa, mas ela resolveu deixar para lá e evitar uma breve discussão.
— Hei, porque você não fica um pouco com seus amigos e aproveita um pouco as...
— Eu estou bem assim.
— Josh, você não está comendo nada que envolva algum tipo de glicose, tradução, nada.
— Sou seu namorado, se você não pode comer eu também não vou.
— Isso não é justo, eu não estaria sendo justa com você...
— E nem eu com você, comer em sua frente apenas lhe dará mais vontade ainda.
— Josh estamos em uma festa, está todo mundo comendo, estou cercada por bombas mortíferas. Agora vai lá, dez minutos nada além disso.
— Tudo bem... Mas não suma.
— Não vou, volto em dez minutos. – Ela disse beijando-o em seguida e procurando pela saída no meio daquela movimentação toda. Nisso acabou se deparando com Kate e acabaram conversando um pouco elogiando uma a roupa da outra e sobre os meninos que lhe acompanhavam, falaram de poucas coisas, até porque Riley queria tomar um pouco de ar, sentir o cheiro de nada, quando não se pode comer nada daquilo que você mais gostava parecia que tudo tinha um cheiro em dobro e mais gostoso que antes.
Ela caminhou pela saída lateral do ginásio querendo ir até a parte de trás do recinto. Caminhou bem devagar observando as estrelas e as horas em seu telefone, quase meia noite e ela nunca esteve com tanta vontade de sumir dali. Nada a divertia e nada fazia com que sentisse bem. O ar parecia ser pouco para seus pulmões e ela não se sentia agradada em nada, exatamente nada, era como ser um belo tigre de bengala e não poder comer suas carnes diárias. Ela sentou em um banco por pouco tempo até ouvir alguns barulhos vindos da parte de trás do ginásio.
Ela sendo tomada pela curiosidade acabou seguindo até lá, alguns sussurros foram ouvidos novamente e ela achou que devesse ir embora quando ouviu gemidos femininos, ela havia entendido o que estava acontecendo ali e logo fez uma leve careta de nojo.
— Riley. – Kate gritou pelo o nome da menina fazendo-a assustar-se e em seguida ela se virou rapidamente fazendo sinal de silêncio, Kate caminhou devagar até ela. – O que está acontecendo? – Desta vez ela cochichou perto da amiga.
— Vamos embora, não quero ver coisas indecentes. – Ela puxou a amiga, mas Kate se recusou a ir.
— Espera tem gente... Ai meu Deus, quero ver quem é.
— Kate deixa de ser safada. Eles podem estar nus.
— Problema, vem. – Ela puxou a menina até o final do ginásio
— Kate não. – Ela tentou voltar mais foi inevitável, assim que Kate a empurrou ela viu a cena deplorável na qual jamais desejou ver. Ben e Molly estavam se agarrando, ele sem camisa e ela completamente oferecida beijando-o de uma forma que não era em forma de carinho e sim de outra maneira. Em seguida quando Ben foi abaixando o beijo para o pescoço ela percebeu ele descer o zíper lateral do vestido dela, ambas ficaram imóveis não acreditando naquela cena. Tudo poderia ter passado despercebido se Molly não tivesse aberto os olhos e dado aquele gritinho histérico. Ben virou rapidamente para ver o que era e quando viu Riley ali parada não sabia o que queria fazer, se pedia desculpas ou se gritava com ela ou simplesmente não fazia nada.
Tomado pela raiva e descontrolado pelo álcool que havia ingerido descontroladamente ele correu ate Riley e ainda tentando conter a fúria bufou.
— O que você está fazendo aqui? – Ele gritou chegando perto de Riley.
— Kate vamos embora. – Riley disse puxando o braço da amiga, mas foi impedida de seguir a diante por Ben.
— Até quando você vai ficar correndo atrás de mim?
— Eu não estou correndo atrás de ninguém, eu tenho um namorado se você não percebeu.
— Namorado é? – Ele disse rindo para constrangê-la. – Namorado até você ir para cama com ele.
— Do mesmo jeito que você estava fazendo com a Molly? – Ela disse com o seu ar mais rude o possível. Ben não gostando do comentário da menina e a verdade tendo doído de verdade como um belo tapa bem dado ele segurou os braços de Riley com agressividade. – Ai me solta.
— Me deixa em paz garota, a cada dia que passa é mais impossível conviver no mesmo lugar que você.
— Ben, solte a Riley. – Kate se manifestou e ele a afastou com uma das mãos.
— Porque você ficou no lado dela?
— Ela é minha amiga Ben e era sua também, só que você estragou tudo.
— Não... É a Riley quem sempre estraga as coisas. – Ele apontou o dedo no rosto dela e Riley não gostando no gesto estapeou sua mão para tirá-la de sua frente. – A cada dia que passa eu te odeio cada vez mais e não tem um dia que eu mais me martirizo do que o dia em que conheci você sua garota mimada.
— Seu estúpido. – Ela gritou tentando prender o choro já evidente.
— Ah vai chorar? Que coisa mais dramática... É só isso que você sabe fazer não é? Ser uma bela coitada da história. Escuta aqui, se eu vir você me espionando mais uma vez garota eu juro que eu perco a cabeça...
— E vai fazer o que? Me bater seu idiota?
— Apenas esqueça que um dia fomos amigos, eu verdadeiramente nem sei como tive coragem de andar com você, acho que devia ser desespero. – Riley já tinha as lágrimas escorrendo pelo seu rosto de tal forma que ela não conseguia mais conter, ela tentou desvencilhar dele, mas ele ainda a segurava e foi somente aí que ela percebeu a ausência de Kate que acabou correndo para encontrar Josh.
— Me solta. – Ela batia no peito dele com força na tentativa de se soltar e por fim cansado ele obedeceu, ela olhou para ele uma ultima vez não reconhecendo mais aquele menino, Ben parecia um delinqüente drogado. Ela saiu correndo para o outro lado do colégio onde não havia ninguém, deixou seu corpo cair sobre a grama, sentou entrelaçando seus braços em torno das pernas e encostando sua cabeça nos joelhos, ali ela se deu permissão de chorar da maneira que, mas quisesse, com soluços altos e evidentes nos quais atraíram a atenção de duas pessoas que lhe procuravam depois de um bom tempo.
- Josh, ela está aqui. – Kate gritou correndo em direção a Riley e sentando ao seu lado.
Logo o rapaz também apareceu envolvendo-a com seus fortes braços, os soluços de Riley apenas aumentaram e ela se jogou nos braços de Josh. Kate apenas acariciou as costas da amiga na tentativa de acalmá-la e em uma tentativa de demonstrar que ela estava ali ao lado dela de qualquer forma.
- Está tudo bem. – Ele disse a segurando firme. – Eu estou aqui e Kate também, aquele palhaço não vai mais lhe perturbar... Eu sabia que não devia ter te deixado sozinha.
- Amiga não fica assim... – Kate tentou fazer a menina parar de chorar e visto que não havia conseguido tentou recorrer ao meio mais básico de todos. – Amiga você está borrando sua maquiagem.
- É a prova d’água Kate. – A menina olhou um instante para a amiga.
- Eu sei só queria fazer você parar de chorar. – Ela sorriu e por fim conseguiu roubar um singelo sorriso de Riley.
- Podemos ir embora?
- Você está se sentindo bem?
- Sim, apenas não quero mais ficar aqui, sabia que seria um erro vir nessa festa.
- Claro que podemos.
- Eu acompanho vocês até o carro, adoro ser antiquada. – Kate riu de si mesma enquanto Josh ajudava Riley a se levantar e em seguida Kate. – Vou aproveitar e pegar meu batom que ficou no carro do Dean.
- Você veio com o Dean? – Riley perguntou surpresa.
- É o Dean... O mesmo que eu sempre chutava a canela dele aos sete anos, meu Deus eu era muito moleque.
- Eu que o diga, nós começamos nossa amizade depois que você pregou chiclete na ponta do meu cabelo.
- Você era irritante demais.
- Eu sei. – Riley revirou os olhos. – Acho que chegamos, tchau Kate.
- Tchau Riley, e limpe este rostinho lindo quando chegar a casa, seus pais podem pensar que aconteceu outra coisa...
- Ai Kate chega disso está bem?! – Kate apenas sorriu e puxou a amiga para um abraço.
- Te informe sobre o restante da festa amanhã.
- Está bem, eu te ligo quando estiver disponível.
- O.K, beijinhos. – Ela mandou beijos no ar e se despediu de Josh a longa distância enquanto caminhava na direção do carro do Dean.
Quando Kate caminhava de volta para o ginásio ela parou abruptamente quando ouviu os risos de Molly e sua irmã, Andy.
— Ela apareceu do nada, mas meu plano foi melhor do que eu esperava, nunca imaginei que ela iria aparecer bem naquela hora e nem que o estúpido do Ben iria ficar tão bravo com ela, foi minha melhor diversão.
— Também será a minha Molly. – Kate apareceu de trás da parede com um celular em mãos ainda filmando ambas conversarem.
— O que você está fazendo aqui sua ignorante?
— Apenas me divertindo com a cara das pessoas. – Ela riu e colocou o filme para rodar, a voz de Molly era perceptível e seu rosto não era tão visível pela pouca iluminação porem todos reconheceriam aquele vestido único.
— Me dê isso. – Ela tentou arrancar o celular da mão de Kate que desviou rapidamente.
— Acho que alguém aqui tem bom reflexo e sabe por quê? Eu pratico luta toda semana então agora o jogo está sobre meu comando. – Ela cruzou os braços mostrando superioridade. – Você apronta mais uma coisinha qualquer com Riley e isso irá parar nos celulares de todos do colégio e até mesmo no you tube. Pouco me importo com o idiota do Ben com ele você pode fazer o que bem entender, mas Riley é como uma irmã para mim e a família dela é como minha família, então se você não quer ver seu nome na boca do povo é melhor você passar no mínimo trezentos mil metros de distancia dela está me ouvindo?
— Sua ogra.
— Acho que você entendeu. – Kate disse sorrindo e em seguida apertou a bochecha de Molly como aquelas tias que ninguém gostava. – Boa menina, agora senta e fica. – Ela brincou como se falasse com um cachorro e em seguida caminhou para a festa.
— Ela me paga. – Molly praguejou enquanto via Kate se afastar.
***
— Obrigada por tudo. – Riley disse enquanto soltava o sinto de segurança.
— Não precisa agradecer. Seus pais estão em casa?
— Estão sim, mandaram mensagem quando chegaram. – Ela disse em um tom que demonstrava em como aquilo parecia exagerado para ela.
— Tudo bem... Boa noite meu anjo.
— Boa noite meu amor. – Ela o abraçou e o beijou tão gratificante que ele não conteve um sorriso de orelha a orelha.
— Você me chamou de meu amor, esperava por isso há muito tempo sabia?
— Acho que sim, mas não sou de agradar as pessoas. – Ela torceu o nariz de um jeito meigo que o fez querer beijá-la novamente.
— Tenho que ir, se meus pais escutaram o barulho do carro e eu demorar a entrar...
— Tudo bem, nos vemos nesse fim de semana.
— Claro. – Ela sorriu pela ultima vez e saiu do carro.
Quando entrou em casa subiu a escada sem fazer muito barulho, viu que a luz do quarto dos pais estava acesa através apenas pela pouca luz que passava por baixo da porta.
— Pai? Mãe?
— Riley, você já chegou? Não entre. – Ela ouviu a voz do pai completamente enrolado e não acreditou que aquilo estava acontecendo pela segunda vez em sua noite.
— Por Deus... Duas vezes já é de mais pai, porque o senhor está me castigando desta forma? – Ela disse olhando para o teto como se de alguma forma Deus estivesse ali. – Podem continuar com o que estavam fazendo eu vou ir dormir... Ah e pelo amor de Deus, não me encomendem um irmãozinho, não aguento choro de bebê. – Ela gritou no outro lado da porta ouvindo no final algumas gargalhadas.
***
Quando enfim, após um banho longo e bem demorado, terminou Alice criou coragens de sair daquele banheiro e ir para o quarto, quando abriu a porta deu de cara com James apenas com uma calça de moletom.
— Você demorou no banho, pensei que teria que arrombar a porta e lhe resgatar.
— Acho que isso não seria necessário, bastaria apenas você bater na porta e perguntou se eu estava bem.
— Certo. – Ele a encarou por todo o caminho enquanto ela organizava as suas coisas, ela se sentindo um pouco incomodada com aquilo sentiu seu corpo arrepiar.
— Pare de me encarar.
— Não consigo, não com esse shortinho. – Ele sorriu ao ver Alice se retrair de vergonha.
— Eu vou trocar de roupa. – Ela disse indo procurar sua calça comprida.
— Vai dormir de Jeans?
— Vou. – Ela disse tirando a calça de dentro da bolsa e quando ia se virando James engatinhou sobre a cama e puxou seu braço a trazendo para a cama também. – James...
— Alice não precisa disso, se você não quiser irei te respeitar, agora... – Ele pegou a calça jeans da mão dela e jogou certeiramente na poltrona logo à frente. – Deite-se e relaxe prometo me comportar, estava apenas brincando com você. Mas se você quiser também não há nenhum problema, trouxe camisinhas.
— O que? – Ela se afastou dele rapidamente. Ele riu mais uma vez e ela suspirou.
— Você até parece àquelas adolescentes que vão perder a virgindade. – Ele riu novamente e Alice desviou o olhar meio sem jeito e bastou somente aquilo para ele parar de rir e ficar sério novamente. – Não... Não me diga que você...
— Qual o problema com isso?
— Nenhum, mas...
— Você pensou que eu era como essas garotas com quem você anda?
— Hei não disse por mal... Apenas não sabia que...
— Fica longe está bem?
— Alice não fique assim, se você tivesse me falado ou se eu soubesse de qualquer maneira não iria brincar desta maneira com você.
— Então quer dizer que isso iria fazer alguma diferença? Então quer dizer que se eu já tivesse transado com alguém isso faria com que você não me respeitasse?
— Não foi o que eu quis dizer. – James sentou ao lado de Alice colocando os cabelos da mesma em um lado só, Alice sentiu um arrepio subir até sua nuca, fechou os olhos e suspirou na tentativa de afastar aquela sensação incômoda e ao mesmo tempo boa. – Me perdoa meu amor, eu não queria te magoar.
— Porque vocês acham isso tão antiquado?
— Não acho antiquado, em momento algum disse isso. Hei deita aqui. – Ele a puxou delicadamente pelos ombros para que ela deitasse a seu lado, Alice apenas o encarou enquanto ambos já estavam com as cabeças nos travesseiros, ele acariciou sua bochecha seguindo para seu braço até chegar a suas mãos macias, ele entrelaçou seus dedos nos delas. – Me desculpe.
— Me prometa que não fará algo assim novamente.
— Eu prometo. – Ele a beijou carinhosamente e a trouxe para mais perto para sentir sua respiração perto mais perto. – Boa noite.
Alice não respondeu apenas pensando na questão que estava acontecendo, já foram apenas duas discussões sérias, pensava se aquele relacionamento daria realmente certo.
— Não estou chateada com você... Apenas não me sinto preparada para isso. – Ela disse enquanto mantinha a cabeça dela encostada do peitoral de James, sentia o calor do corpo dele e aquilo lhe fazia sentir-se bem.
— Eu sei.
— Tenho vergonha de que você veja...
— O que? – Ele perguntou ainda acariciando o braço dela e Alice então se sentou na cama e olhou profundamente para ele. Sem pensar muito, tentando ficar cega pela confiança tirou a blusa ficando apenas com o sutiã a mostra.
— Disso, dessas marcas. – James rapidamente sentou-se na cama logo atrás dela e ficou surpreso pelas marcas expostas no corpo de sua namorada, passou o dedo delicadamente por uma linha fina e não muito comprida. – Isso foi quando ele chegou em casa bêbado e jogou a garrafa de bebida em minha direção, eu tinha quatro anos, foi um pouco antes de fugirmos, minha mãe ficou desesperada.
— Meu Deus. – Ele disse surpreso olhando para as costas de Alice, as marcas de cortes e de queimaduras evidentemente de cigarro o surpreenderam de verdade.
— Ele conseguiu marcar as nossas vidas de qualquer maneira e não tem um dia que não tenha como não se lembrar dele, porque eu me olho no espelho e vejo essas marcas.
— Você achou que não gostaria de você assim como você?
— Normalmente as pessoas sentem repulsas quando vêem cicatrizes. – Ela vestiu a blusa novamente, ele beijou os ombros dela por um instante.
— Eu não sou essas pessoas.
Ela olhou para ele e novamente o clima voltou a se formar entre eles o beijo selou aquele momento de carinho entre ambos.
— Você pode tirar a blusa de novo?
— James. – Ela bateu em seu braço vendo o rosto brincalhão dele enquanto ele ria.
— Tudo bem vamos dormir. – Ele desabou na cama puxando Alice junto que acabou ficando de costas para ele, ele fungou no pescoço dela fazendo-a retrair e por algum motivo rir alto. – Boa noite.
— Boa noite.
Enfim ambos entraram em um acordo e James respeitou a vontade de Alice. James estava envolvendo Alice em um abraço carinhoso quando eles pegaram no sono.
***
Após aquela noite de confusões nada melhor que uma noite entre meninas para poderem descontrair e esquecer um pouco o que havia acontecido. Riley estava de mudança para o quarto de Alice, levava seu travesseiro e edredom com dificuldade. Jogou tudo sobre a cama e em seguida foi sua vez.
— Você não acredita que péssima noite eu tive. – Riley disse enquanto se enrolava na coberta. Alice parou e apenas esperou que ela continuasse. – Quase peguei a mamãe e o papai fazendo um irmãozinho para nós. – Ela torceu o nariz e Alice não pôde deixar de rir. – Sério, se eu tivesse visto alguma coisa eu teria ficado traumatizada.
— Minha noite também não foi uma das melhores. – Alice complementou. – Descobri que meu sogro é um velho completamente inconveniente.
— Tal pai tal filho. O seu adorado sogro lhe fez?
— Simplesmente me fez dormir no mesmo quarto que James.
— A não... não me diga que você também, foi papai e a mamãe o estúpido do... – A menina parou assim que viu que não deveria dizer aquilo.
— Quem? Agora termina.
— Olha não foi por mal, mas eu peguei Ben e a Molly quase se... Como se diz no reino animal? Se acasalando.
— Vocês têm apenas 15 anos.
— Certo, mas hoje em dia ter quinze anos e ser virgem é uma santidade. – Riley disse sem olhar para a irmã esperando alguns minutos o silêncio lhe incomodou, olhou novamente para a irmã e se assustou com a expressão da mesma. – Não... Eu ainda sou está bem, nunca na minha vida que eu faria isso, por mais que Josh prove que me ame, não irei para cama com ele.
— Por quê?
— Por que eu não tenho coragem, tenho medo, sou insegura. Isso parece nojento, vai é uma coisa... Argh. – Alice riu da careta da irmã. – Porque a pergunta?
— James queria que...Você sabe, mas eu não consegui, pensei que fosse cedo demais. E você pode rir mais sua irmã aqui nunca transou na vida dela.
Riley abriu a boca em um belo formato de ‘o’ e em seguida começou a rir.
— Temos uma santa em casa. – Riley gargalhou ainda mais alto chamando a atenção da mãe que passava no corredor.
— Está tudo bem meninas. – Ela abriu a porta devagar e olhou para elas, Riley já ficava vermelha de tanto rir e Alice vermelha de vergonha.
— Mãe, temos uma...
— Calada Riley. – Alice tapou a boca da menina para que ela não contasse a mãe. A menina se acalmou e tirou a mão da irmã de sua boca prometendo não falar nada.
— Desde quando vocês guardam segredos de mim? – As meninas olharam uma para a outra.
— Desde que o assunto seja a relação sexual da Alice. – Riley começou a rir novamente rolando pela cama e Alice cobriu sua cabeça.
— Ai eu queria um raio caísse na minha cabeça... – Sua voz saiu abafada por causa do edredom.
— A vai mingauzinho a mamãe não tem problema de saber. Eu conto tudo para ela, você também deveria.
— Você contou para ela como aconteceu o primeiro beijo entre você e Josh?
— Ela correu e roubou um beijo dele para se vingar do Ben. – Esme respondeu surpreendendo Alice.
— Viu? Eu disse que conto tudo para a mamãe. – Ela olhou para a mãe e para a irmã e afim de rir mais um pouco disparou dizendo mais uma besteira. – Mãe temos uma santa em casa.
— Como assim?
— Riley... – Alice tentava impedir a irmã de falar, mas a menina era persistente.
— Ela ainda é virgem. – Ela sussurrou para que a mãe pudesse ouvir.
— A não, mãe faça alguma coisa? – Alice olhou feio para a menina que ainda ria feito criança com desenho animado. – E pelo jeito que você diz até parece que você não é mais.
— Riley? – Esme olhou sério para a menina que até engasgou quando a irmã disse aquilo.
— Isso não é verdade.
— Você está se enrolando em suas próprias mentiras.
— Riley diga a verdade, eu sou sua mãe.
— Mãe eu não fiz nada disse que você ta pensando.
— Prova. – Alice disse para a menina.
— Provo, marca uma consulta com o ginecologista então, ele poderá dizer se estou mentindo.
— Ótimo, vou ligar para o meu. – Alice pegou o telefone e fingiu discar alguns números e como a menina não impediu que ela ligasse Alice viu que ela não havia caído muito bem em sua brincadeira.
— Meninas, chega de confusão por hoje, vamos dormir. – Esme se aproximou das meninas e beijou a bochecha de cada uma.
— Ela não dorme no meu quarto. – Riley complementou dizendo para a mãe.
— Ela quem querida?
Alice e Riley trocaram olhares e começaram a rir e logo Esme entendeu o recado.
— Você está muito engraçadinha hoje. – Esme aproximou da filha que cobriu o corpo todo com o edredom deixando os olhos para fora, Esme começou a fazer cócegas na menina que riu novamente e quando ela ficou cansada e mal conseguia implorar para que a mãe parasse Esme beijou a bochecha da menina. – Agora durma. – Ela disse exigente.
— Sim senhora. – A menina virou para o lado de Alice e até mesmo fechou os olhos.
— Ela já foi. – Alice cutucou a menina para que ela abrisse os olhos.
— Sobre o que falávamos?
— Sério?
— Ai Alice, apenas sei que não é nada fácil conviver com homens.
— Você só tem quinze anos. – Alice voltou o olhar para o teto.
— E uma experiência de ouro. – Alguns segundos se permaneceram em um perfeito silêncio, onde cada uma pensava no que havia acontecido na noite anterior.
— Nenhum homem é igual, mas fazem a mesmas besteiras. – Ambas disseram juntas não ficando muito surpresas com a coincidência.
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