O Passado De Um Mordomo
7 7ª Noite
Notas iniciais
Eu acho que só pedir desculpas não basta para me redimir com vocês, mas ainda assim... Desculpa!!!
Por favor, não me odeiem! Eu estou em uma crise de criatividade... Então a culpa não é tooooda minha.
Aliás, tenho que falar uma coisa: o século que eles estão vivendo é o 18, na mesmo época que o William e Grell estavam sendo treinados. Isso desconsidera uma fala do anime em que ele afirma ter espalhado a peste negra na Europa. Porque se fossemos ver uma história antes da peste negra, estaríamos no feudalismo! E nada de bom acontecia lá!
Certo, obrigada por lerem essa prévia, porque é importante para o entendimento da fic.
Boa leitura~~
O gosto amargo em sua boca despertou o moreno naquela manhã. Seus lábios estavam secos e clamavam por água. Sua sorte é que não muito longe de seu alcance, havia um recipiente cheio só esperando para saciar sua vontade. Bebeu todo o liquido vorazmente e finalmente se deu ao trabalho de olhar para os lados, percebendo que ainda estava no quarto em que tinha dormido com Albert, só que estava sozinho. Andou um pouco em círculos, vendo se a dor estava suportável, felizmente a bruxa tinha cuidado muito bem dele, então o que poderia ser um problema, não passava de um incomodo.
Quando voltou a deitar-se, lembrou-se das palavras de Leo, sobre aceitar o que o destino decidiu. Teve raiva. Ele se negava a morrer de forma tão vergonhosa, tinha sobrevivido, lutou com suas forças para escapar da morte inúmeras vezes. Não iria acabar seus dias como um prostituto qualquer, sendo estuprado noite após noite. Passou as mãos pelos cabelos, tentando contê-los e esticou-se na cama, afinal não era sempre que tinha algo tão macio para deitar. Por pouco não adormeceu novamente, graças a interrupção de Louis. Segurando uma maçã, o ruivo se aproximou do mais novo extremamente sério. Talvez estivesse triste ou zangado, porém ele preferiu não falar, apenas esticou o braço oferecendo a fruta ao moreno, que aceitou sem pestanejar. Enquanto o menor devorava seu desjejum, Louis sentou ao seu lado na cama, ainda sem pronunciar uma única palavra.
- Sebby, me desculpe. Eu... Poderia ter evitado. – Disse colocando o braço sobre os ombros de Sebastian.
O moreno achou patética aquela tentativa inútil de consolá-lo. Nem ao menos era culpa do mais velho aquilo ter acontecido, então não se deu ao trabalho e responder. Só continuou a devorar sem pudor algum o alimento em mãos.
- Sebastian, o que aconteceu? Vai ficar parado?
- Pensava que iria te abraçar e chorar por ter perdido a virgindade? Não era algo que eu pretendia ter para sempre mesmo... – Olhou para o lado irritado com o amigo.
- Não era isso! Sebby... Você sabe... Eu amo-te mais que tudo! Eu pensava que sentias o mesmo por mim! – Gritou desesperado, não reconhecendo o mais novo pelos gestos e palavras.
- Desculpe, mas eu só amo uma pessoa.
Saiu com a comida na boca antes de ouvir a resposta. Afinal, era amizade o que sentia pelo mais velho, se o beijava, era para não ficar sozinho novamente. Mas depois daquela noite, percebeu que nunca esteve contando com ninguém, sempre esteve sozinho. Era só uma questão de tempo para o ruivo abandoná-lo também. Sua mãe, seu pai adotivo, Harry e até Leo, que escondeu um coração negro por trás de um rosto tão belo, todos deveriam queimar no inferno. Porém, o moreno sabia que desejando aquilo, ele os encontraria uma hora. Pois desejar a ruína dos outros é pecado, mas só a vingança poderia limpar sua honra.
O moreno chamou bastante atenção quando saiu por aquela porta. Praticamente todos os presentes pararam os seus afazeres e viram o novato andar calmamente entre eles, este não se abalou com os olhares indiscretos e os comentários sobre sua pessoa. Logo seus olhos avistaram uma figura conhecida. Léo estava do lado de fora olhando a floresta calmamente. Sua expressão era tão serena que muitos diriam ser a criatura mais inofensiva do mundo, mas Sebastian estava louco de raiva pela noite passada. Aquele monstro não precisava de mais alguma coisa para aumentar seu ego.
- Tem algo a tratar comigo, Sebastian?
- Na verdade eu só queria lhe noticiar que é a criatura mais perversa e sem escrúpulos que já tive o desprazer de conhecer.
- Ora... Por que estás me confidenciando isto? Será que se zangou com minha presença noite passada? – Sua boca logo se curvou em um sorriso cruel e sádico, ciente de que isto poderia atiçar o mais novo.
- Não foi sua presença que me irritou, na verdade foram suas atitudes. – Fez uma pausa para respirar e não deixar seu corpo ser tomado pela raiva. – Como podes querer um posto que lhe obrigue a deitar-se com aquele monstro? – Esqueceu-se completamente que não tinha a intenção de debater sobre este assunto, mas não conseguia resistir as provocações de Leo.
- Logicamente uma criança não irá compreender meus motivos, e é por isso que me irrita tanto, Sebastian. – Parou de frente ao moreno, então ambos os jovens ficaram fuzilando um ao outro com olhares raivosos. – Como algum homem pode ver algo em você?
- Cale-se. Não me diga que ficou enfurecido por ciúmes? – Ao notar o tom vermelho na face do mais velho, constatou que ele realmente estaria com tal sentimento. O pequeno achou graça. Afinal Leo estava em situação mais deplorável que a sua. – Quer dizer que você, um prostituto, se apaixonou pelo seu mestre? Tenho pena de ti!
O de olhos verdes quase bateu no menino que ria descaradamente de sua dor. Quem ele pensa que é para zombar de seus sentimentos? Felizmente anos de escravidão o tornaram passivo quanto a atitudes egoístas como essa, então apenas cerrou os dentes e fechou as mãos em punhos. Os risos frenéticos da criança lhe incomodavam, mas agora ele também era um “favorito”, apenas por isso não o matou naquele instante. E também, porque Sebastian deveria viver mais, para sofrer as dores que um escravo tem. Pois mesmo que tenha sido por poucos instantes, ele com certeza tivera liberdade e para quem conhece o gosto dela, é impossível se acostumar a viver sem vontades. Pois Leo só conhecia aquela vida, e por não ter mais ninguém para direcionar seu amor, ele escolheu amar seu mestre, a única pessoa que escolheu a ele. Por isso tinha que tê-lo apenas para si, para salvar ao menos ele da voracidade e da fome do tempo, que tudo devora e tudo destrói. Transformando crianças em adultos, e feridas em cicatrizes.
- Só lhe darei um conselho, Sebastian. Tratas de esquecer teu orgulho, pois nele está tua fraqueza, já que teu amor não é de ninguém.
Assim distanciou-se do menor, quase transbordando em sua fúria, o deixando com uma expressão vazia no rosto e pensativo. Nunca iria esquecer-se do orgulho, mas de fato o seu amor não pertencia a ninguém, e por alguns instantes invejou o de olhos verdes por ter a quem amar, todavia como o mesmo disse, isso não passava de uma fraqueza. Continuou parado na mesma posição que Leo estava, só que com uma expressão mais melancólica. Entretanto em uma casa pequena é impossível ter um cômodo por muito tempo para si, logo Hansel e Gretel surgiram por trás do moreno o tirando de seus devaneios. Ela estava com seu sorriso largo e inocente que sempre tinha em seus lábios, falante e alegre acompanhada fielmente pelo irmão mais velho. Este se mostrava imparcial a tudo, como se apenas seu corpo estivesse presente, pois sua alma já tinha se esvaído há muito.
- Sebastian, parece bem! Louis mal pregou o olho pensando em ti. Como passou a noite? – Obviamente era uma pergunta retórica, pois todos a pelo menos 10 metros ouviram os gritos do menino vindos do quarto.
- Que pergunta idiota, Gretel. E não finjas que se importa comigo, pois só o faz para demonstrar toda a sua felicidade. Isso me irrita.
Secamente, o moreno desviou de todas as perguntas da menina e ignorou os olhares raivosos do irmão dela. Como o pequeno não estava com vontade de brigas levianas, virou-se e saiu das dependências da casa ignorando a dupla que continuou parada tentando entender o que havia acontecido. Sebastian caminhou, mesmo sem autorização, até a floresta próxima a casa, apenas para sentir-se só. Pois até o direito a solidão lhe fora negado, uma boneca sem vida e sem vontade. Era isto que o estavam transformando.
- Quem é?! – Disse com toda sua raiva para não receber uma resposta. – Identifique-se! – Berrou novamente, começando a se assustar por não conseguir ver quem mais estava com ele.
Voltou para sua posição inicial intrigado e a ideia de estar sendo vigiado ainda estava em sua cabeça. Cansou de esperar um ataque surpresa e voltou a divagar em sua mente, ele nem saberia que ia ser atacado se não fosse um único grito. Mas foi tarde demais, quando notou, algo que parecia ser um galho o deixou inconsciente.
Sebastian acordou sentindo uma forte dor na cabeça, automaticamente passou a mão por cima de onde vinha o incômodo e diagnosticou um galo horrível. Entretanto não estava só. Outro garoto, parecendo ser um pouco mais velho que ele, estava ao seu lado com um olhar cheio de culpa.
- Oh, vejo que já acordou! Não, fique calmo, deve se sentir um pouco desorientado, então se sente. – A voz dele era grave e todos os seus pedidos soaram como uma ordem, o moreno prontamente obedeceu, não antes de perceber os incríveis olhos verdes do desconhecido.
Acalmou-se e sentou na grama, de frente ao garoto. Depois de fixar os olhos dele na memória, viu como eram suas roupas. Vestia-se totalmente de preto, como se fosse uma viúva, além de óculos pesados os quais levantava com o indicador a cada movimento que fazia.
- Quem é você? – Perguntou o menino se afastando levemente com certo medo da resposta.
- Sou apenas um estudante e vim passar uma temporada no campo com minha família. Imagino que você seja um dos garotos de Albert.
A menção ao nome do contratante fez o menor tremer. Aquele jovem poderia ser um cliente, ou então vir a ser. Sebastian poderia estar correndo perigo sozinho com ele na floresta. E o mais estranho é que o pequeno não sentia medo. Nada passava pela sua cabeça, pelo menos não com aquele garoto. Era como se ele o desligasse do mundo.
- Como o conhece?
- Ah, nos conhecemos em uma de minhas viagens. Não se preocupe, prefiro aprofundar meus conhecidos ao coito. Não entendo esse desejo pela carne que a maioria das pessoas sentem.
- Bem que notei. Sabia que tu não podias ser humano.
O mais velho se assustou com aquelas palavras. Tão sinceras e concretas, saídas da boca de uma criança. E ela parecia não medir a importância do que dizia, mas não era para menos, pois um ser humano normal veria aquilo como uma brincadeira. Mas um shinigami se sente desmascarado.
William T. Spears ficou apavorado com o poder de dedução daquele menino, mas isso só durou por pouco mais de meio segundo, porque logo lhe ocorreu que ele não deveria estar falando sério com aquilo.
- Bom, acho que você já está recuperado do choque momentâneo. Tenho que me desculpar pela minha imprudência, pois não deveria atirar objetos sem pensar nas consequencias. – Ele fez uma profunda reverência ao menor, o qual permaneceu com um olhar morto.
- Não há problemas. – Sebastian queria continuar a falar com o estranho, ao menos um segundo, ele não queria ser obrigado a voltar para o inferno do seu cotidiano. – Ah, meu nome é Sebastian. Como se chamas?
- William. Creio que não devemos manter contato, Sebastian. Pertencemos a patamares diferentes então é melhor não criarmos intimidade.
- Sim, é claro que você não vai querer se misturar ao lixo da humanidade. – Sebastian levantou-se devagar e William fez o mesmo, só que com um ar mais sério e vazio. – Posso ao menos saber por que estavas jogando galhos no meio da floresta?
- Isso claramente não é da sua conta, mas vou lhe tirar esta dúvida. Estava treinando uma luta. Isso é tudo.
Então o mais velho virou-se e entrou mais na floresta, deixando o seu novo conhecido sozinho e sem nenhum motivo para continuar na floresta. E pensando melhor, seria mais seguro voltar para casa, pois poderia aparecer outros com intenções diferentes da de William, era bom não arriscar. Voltou para a casinha, onde os outros meninos conversavam despreocupados e desprezaram a presença de Sebastian, porque ele tinha tido sua primeira vez, mas a noticia já tinha se tornado velha, então novos assuntos surgiram. Ele achou melhor assim, porque era um incomodo horrível atrair tantos olhares inconvenientes.
Foi direto para o quarto coletivo, lugar onde poucos iam de manhã, porque já odiavam terem que ficar trancados durante a noite. A única pessoa que estava lá era Louis. Oh, tamanha era a raiva que Sebastian sentiu vendo o ruivo abrir um sorriso para ele. Como ele podia sorrir? Como todos naquela casa poderiam fingir que tudo estava bem? Se o mais velho já tinha se deitado com alguns, como ele conseguia ser o mesmo de sempre, com as mesmas brincadeiras, manias e gestos. Uma pessoa como ele não poderia existir. Sebastian sentou do lado oposto ao que ele estava, tratando de abraçar seus joelhos e encolher-se ao máximo. O ruivo não se deixou abater com o desprezo do menor e aproximou-se vagarosamente dele, engatinhando até seu lado.
- Ei Sebby... Você não deve ficar assim pelo que aconteceu. Todos já passamos por isso, não fique assim. – Alisou o cabelo de seu amigo, mas recebeu um tapa na mão como um pedido para que se afastasse.
- Desculpe-me, Louis, mas eu não sou como você! Eu não consigo fingir que nada aconteceu e que meu orgulho não foi mutilado! Eu não quero ser uma boneca para outros brincarem comigo! E eu não consigo entender porque você continua agindo dessa forma!
Sebastian parecia estar chorando ao dizer tudo aquilo, provavelmente, ele teria dito isso chorando se ainda fosse no dia anterior. Mas o ódio que crescia dentro dele suprimia o choro, ia bem além da tristeza que estava sentindo e falava mais alto. Tudo na sua frente se tornou turvo de raiva. Mal conseguia raciocinar direito com essa sensação lhe subindo pela cabeça.
- Sebastian, você tem que se acalmar antes que eu te dê uma surra! – Gritou Louis prendendo os punhos do menor, por segurança, pois ele estava muito estável. – Leo me contou da conversa que tiveram, e não posso deixar de te achar ridículo por tuas palavras. Você realmente não sabe por que todos aguentamos essa vida? – Fez uma pausa esperando que houvesse uma resposta, mas prosseguiu sem ela. – É porque todos temos motivos para viver. Leo vive para encontrar algo muito precioso para ele, Hansel e Gretel vivem para proteger um ao outro, e eu vivo por ti. Você é a única razão para eu continuar respirando, então não tire a única coisa que é importante para mim.
Soltou os punhos dele quando notou que o moreno já não tentava fugir e se afastou. Agora tudo que Sebastian precisava era pensar. E sozinho. Esperava que ele encontrasse uma luz, ou algo para começar a se importar com sua vida, pelo menos assim, Louis não o perderia. Porque sem Sebastian, nada mais fazia sentido. O olhar do pequeno ficou confuso e acompanhou o ruivo enquanto o mesmo saia devagar. Acariciou os pulsos, mesmo que não estivessem doendo.
Assim que ouviu a porta bater, Sebastian começou a refletir sobre o que ele disse. “Um motivo pra viver”. Qual seria o seu? Encontrar Jean já não era uma prioridade, pois o tempo já teria se encarregado de fazê-lo se esquecer dos momentos que passaram juntos. Louis poderia ser muito querido, mas com certeza não queria que o amigo virasse o motivo de sua existência. Na verdade ele não queria depender de ninguém para existir, pois tudo na vida, ele fez sozinho. Então para que continuar vivendo? Era a pergunta mais difícil que encontrara na vida. Olhou para seus braços, que tinham manchas roxas por causa da noite anterior e não pode deixar de sentir raiva. Foi quando encontrou um motivo digno para viver. Ele viveria pelo seu orgulho, em função dele. O vingaria pela noite passada e tinha certeza que o orgulho nunca iria abandoná-lo.
Sebastian levantou-se e olhou severamente a parede, como se esta estivesse em divida com ele. A vida é o que fazemos dela, e com essa certeza, teve a sensação de nascer de novo. Ele não era mais o garoto que foi encontrado junto ao lixo, agora seria ele quem ditaria as regras. Se o destino lhe reservou algo no futuro, iria contrariá-lo, do mesmo modo que ele brincou consigo a vida toda. Faria seu próprio destino. Saiu do quarto e foi para o lado de fora, onde o ruivo se encontrava perto da varanda conversando com Leo. Correu para encontrar o amigo e abraçá-lo. E assim o fez, como se ainda fosse o anjo imaculado do dia anterior. Mas era mentira, porque tudo que precisava era do amor do ruivo para nutrir seu orgulho e lhe proteger. Quanto mais pessoas caírem de amores por ele, melhor seria.
- Oh Louis! Me desculpe! Eu não sabia que era assim que se sente! Mal posso acreditar na quantidade de coisas egoístas que eu disse! – Falou o agarrando com o força e surpreendendo o maior, que não desconfiou de nada. Porque no fundo ele apenas queria ser iludido com o falso amor que Sebastian lhe dedicava.
- Não se preocupa, Sebby. Eu sei que foi difícil para você, mas já passou... – Alisou o cabelo dele novamente enquanto se recompunha da surpresa. Leo ficou olhando a cena com uma expressão de nada, apenas a espera de sua hora de falar. – Veja, Sebby, tem outra pessoa aqui a quem você magoou. Peça desculpas a ele.
Saiu do abraço e deu um sorriso carinhoso para o Sebastian. O pequeno estranhou o fato do ruivo não ter lhe perguntado qual era o motivo de sua vida, mas logo viu que isso se devia a ele ter a mais absoluta certeza de que não era ele. Na mente de Louis, a pessoa por quem o amigo vivia era Jean e nada mudaria isso. Mas ele não levou em conta o orgulho do menor, que com certeza não permitiria que seu motivo de vida fosse algo tão fútil quanto o amor. Novamente o ruivo saiu, mas agora deixando o amigo acompanhado. E diga-se de passagem: não era a melhor companhia no momento.
- Vejo que se curou do choque inicial, Sebastian.
- Sim... Vejo que ainda está com raiva pelo que eu descobri. – Falou sobre o amor por Albert, coisa que ainda achava ridícula.
- Você realmente é um ser humano desprezível. Mas tenho certeza que ainda se arrependerá de tudo isso.
- Ora, você fala sem pensar, Leo. O que te leva a achar a isso?
- Você é tão orgulhoso e presunçoso... Isso não é nenhuma virtude, Sebastian, para de louvar o orgulho como se fosse teu Deus. – Leo estava começando a ficar com raiva, mas com desenvoltura conseguia a esconder parcialmente.
- Deus? Eu não acredito nessas coisas. Tenho certeza que ele mal se importa comigo. E não vou louvar nada como a um Deus, porque esse nome é um tabu para mim. Meu orgulho é meu guia.
- Deus, Guia, Senhor... Não importa como tu vais chamar isso! Mas se tu pões teu orgulho acima de tudo e de todos, ele vira teu Deus, quer tu queiras quer não. Não viva em função desse pecado, ou sua vida não valerá nada.
Leo não tinha mais condições de manter uma conversa civilizada com Sebastian. Ele era um dos poucos que conseguiam lhe tirar o controle e não gostava dessa sensação. Era incrível como alguém tão egoísta como ele tinha conseguido a atenção de uma pessoa tão boa quanto Louis. O italiano nunca gostou muito de desconhecidos, todavia foi logo com a cara do ruivo, sempre sorrindo e ás vezes mal-humorado por conta dos caprichos de seu amigo, mas nunca reclamava de sua vida. Foi justamente por sentir-se tão bem ao seu lado, que confessou uma coisa que poucos sabiam, um passado triste e uma sina miserável que tinha de carregar sozinho, pois o fardo não pertencia a mais ninguém.
Eu nasci incompleto.
Estas foram as palavras mais simples que ele achou para começar a história de Leonardo e Giovanni, dois gêmeos que tiveram o infeliz destino de serem escravos desde a nascença. Contou que sua mãe era escrava e que foram tirados dela ainda novos, e se tinham nascido de ventre escravo, assim seriam. Vendidos em um leilão e separados aos sete anos. Nunca mais se viram. Mas Leo nunca se conformou em viver sem o irmão, todas as noites, ele jurava que ia achar sua outra metade, pois enquanto ele estivesse sozinho, estaria incompleto. Tudo que ele não esperava era se apaixonar pelo contratante, um homem que nunca mentia, pois seu trabalho não requeria isso. Era muito mais sofrimento para uma pessoa não saber o que estava acontecendo, por conta disso sempre dizia exatamente o que ia fazer, a quem ela seria vendida, como seria tratada. Toda essa sinceridade amoleceu o coração do jovem italiano, mesmo sabendo que seu dono era um monstro.
Minha vida nunca foi como nos contos de fadas que mamãe me contava, por isso acho que ele seria meu príncipe perfeito.
Essas palavras mostravam um lado infantil e afeminado de Leo, coisa que o desagrava muito. Amava Albert, porque ele lhe falava a verdade, porque ele falou que ia achar Giovanni, porque ele foi o único a dar uma oferta pelo italiano no leilão que decidiu sua vida. Enquanto todos brigavam pela criança mais carismática, ele já pagava ao vendedor pela sua mercadoria. Ele não quis a criança perfeita, ele quis a Leo. E surpreendentemente, Albert se conteve por cinco anos, até o seu escravo estar em uma idade mais madura para o sexo. Mesmo parecendo pouco, essa atenção tocou o menino que não pode deixar de amar seu mestre, se tornando totalmente submisso e possessivo. Ninguém além dele deveria ser chamado para dormir com o contratante. Ninguém poderia ao menos chamar a atenção do Albert.
Mas de todos os meninos e meninas, apenas Sebastian foi de interesse do mestre, Leo se perguntava o que teria naquele menino, que ele não pudesse ter. Não importava o que era, com certeza ele cultivaria dentro de si, mas aquele garoto era tão normal e imprestável, não tinha uma qualidade notável. Enquanto que o italiano era perfeito, tinha se tornado uma boneca perfeita aos olhos de todos, porém um garotinho qualquer tinha lhe passado. Ele admitia que já o vira dar algumas piruetas pelo jardim, elas eram incríveis, e pelo que Louis lhe contava, a comida dele era deliciosa, entretanto estas não eram qualidades importantes em sua nova vida.
Tinha alguma coisa em Sebastian. Algo que nem ele conseguia desvendar, era como se a alma dele estivesse tão absorvida pelo pecado, que estivesse se dissipando. Aos poucos o menino não teria nem ao menos uma alma, e mesmo assim as pessoas continuariam se apaixonando por ele, porque ele não precisava fazer nada para isso. Todos se apaixonavam naturalmente, sem ele se esforçar ou mudar de personalidade.
Notas finais
Mas isso não vem ao caso, pois se você se dar ao trabalho de ler isso, deve ser porque não está de todo mal ^-^
Agradeceria se contassem a opinião de vocês sobre o chap, não se acanhem!
E um beijo aos leitores que mandam reviews =* #Lindos!
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