O Padre
4 Capitulo 4
Acordei em um lugar escuro e sem qualquer ventilação, com um odor de carne putrefeita. Lancei mão da minha lanterna e pude constatar mais uma cena macabra ao meu redor. Vários corpos, nos mais diversos estágios de decomposição se amontoavam próximo de mim. Logo entendi que o padre era um colecionador de cadáveres e ossos humanos. Percebi que precisava sair dali o mais rápido possível e logo comecei a avançar em um túnel, mesmo sem saber onde iria parar.
Embora não pudesse ver com clareza, senti que alguém vinha atrás de mim. Acelerei os passos, entretanto, ao olhar para trás, lá estava novamente o padre e o seu afiadíssimo punhal. Ele fez penetrar o instrumento na minha perna direita e uma dor muito forte tomou conta do meu corpo. Gritei o mais alto que pude na esperança de que alguém me socorresse. Num ato de defesa, consegui chutar o padre à altura do rosto, com uma força suficiente para fazê-lo desmaiar, momento em que seu capuz caiu e sua fisionomia foi revelada.
Maior foi minha surpresa ao contemplar seu rosto. Várias cicatrizes provocadas por instrumento cortante lhe tomavam as duas faces. Na testa, uma cruz invertida, associada ao satanismo, deixava-o ainda mais tenebroso.
Continuei em fuga e finalmente cheguei à saída do túnel, bloqueando-a com um dos bancos da igreja, que àquelas alturas começava a desmoronar pela força da chuva. Tudo estava mergulhado nas trevas, o telhado já não existia e os pingos fortes da tempestade molhavam toda a igreja. Os relâmpagos iluminavam o lugar.
Repentinamente, alguém bate na porta e grita meu nome. Imediatamente reconheci, pelo timbre, a voz do meu irmão. A muito custo alcancei a porta e falei que estava ferido. Ele arrombou uma pequena janela para me resgatar quando, de repente, atrás dele surgiu o padre com uma barra de ferro prestes a acertá-lo. Gritei desesperado para avisá-lo, mas já era tarde. Um único golpe à altura da cabeça foi suficiente para fazê-lo desmaiar. O padre também me dominou com facilidade, pois eu estava fragilizado.
Fomos arrastados para dentro da igreja e amarrados no altar, momento em que o padre se aproximou e tirou uma cruz do pescoço, transformando-a no temível punhal. Certamente seria o nosso fim.
A chuva aumentava a cada momento. De repente, um raio atingiu a torre da igreja, fazendo desequilibrar uma enorme cruz de madeira que sustentava o sino e este começou a balançar e soar fortemente depois de anos inerte. As correntes que lhe sustentavam não suportaram o peso e o sino veio abaixo, finalizando justamente em cima do padre, no meio do salão destinado às missas.
Atraídos pelas poucas badaladas do sino, populares se dirigiram à igreja, onde nos encontraram e prestaram os primeiros socorros antes de acionar a polícia. Conduzimos a autoridade policial aos locais onde estavam os cadáveres escondidos pelo padre.
Com as cautelas necessárias, acompanhamos os policiais na retirada do sino de cima do padre, pois queríamos finalmente vê-lo preso. Qual não foi a nossa surpresa ao ser retirado o pesado instrumento de metal: o sacerdote ali não se encontrava, havia empreendido fuga por um túnel secreto que havia justamente no local onde o sino caiu.
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