P.O.V. Caroline.

Eu estou em trabalho de parto á quase uma hora. Uma vampira grávida.

Como dói.

—Ela tá sufocando! Tira ela agora Renesmee!

—Me desculpe por isso.

A híbrida enfiou os dentes em mim rasgando a minha carne e tirando o bebê de dentro de mim.

—É uma menina.

—Rebeca.

—Caroline?

—Cuida da minha filha.

Eu deixei a escuridão me levar e quando meus olhos se abriram eu estava deitada numa cama.

—Eu morri?

—Não.

—A minha filha.

—Tive que deixar ela ir.

—Deixar ela ir?

—Levei-a para uma família adotiva. Ela tem que ficar escondida, Dália vai retornar algum dia e quando isso acontecer vamos atrás dela e lhe contaremos a verdade.

—E o Klaus?

—Ele jamais saberá sobre Rebeca.

Enquanto isso na cidade de Nova Orleans...

P.O.V. Klaus.

Eu engravidei uma lobisomem sem querer e agora ela está em trabalho de parto. Ela morre durante o nascimento da criança e as bruxas levaram a menina.

Felizmente eu e meus irmãos conseguimos recuperar a criança e nós vamos protegê-la. Soube do pacto que Ester fez com a irmã e não vão deixar que machuquem a minha filha.

—Que nome dará para a menina?

—Hope. Porque ela é a minha esperança.

—Que lindo irmão. Ela é uma gracinha mesmo.

—Pode haver um problema.

—Que seria?

—Não faço a menor ideia de como cuidar de uma criança. Eu não sei nem trocar uma fralda.

—Vamos dar um jeito. Sempre damos um jeito.

—Tem razão.

Os piores anos da minha vida. Não sabia como fazer nada, aquela pequena criatura com cara de anjo só sabia mamar e fazer cocô. Isso quando não vomitava depois que mamava e quando ficava doente ficava insuportável.

Mas, mesmo assim eu a amava. E ela me amava também.

A minha linda filhinha. Ás vezes ela se parece comigo, os olhos verdes são meus com certeza.

Verde esmeralda. Cintilantes, brilhantes e expressivos.

Hope adora pintar, claro que ela pinta do jeitinho dela. Ainda me lembro quando ela pintou pela primeira vez.

Flashback On.

Estava no meu ateliê, tendo um bloqueio criativo quando abrem a porta.

—Eu disse que não queria ser incomodado!

Eu olhei para a porta e a pessoinha que estava sentada no chão fez cara de choro e chorou.

—Own! O papai não queria assustar você minha bonequinha. Não chore.

Peguei-a no colo e ela olhou para a tela em branco com franca curiosidade. Então, Hope meteu a mão na tinta verde e carimbou bem no meio da tela.

Quando ela cansou de carimbar a mão na tela pegou um montinho de tinta e jogou na mesma.

—Boa ideia querida.

Joguei um pouco de tinta na tela e ela fez cara feia pra mim.

—O que foi?

—É meu!

Daí, ela jogou tinta na minha cara.

—Feio.

Ela recomeçou a jogar a tinta na tela e o quadro ficou interessante pra dizer o mínimo. Quando ela finalmente se deu por satisfeita bateu palmas fazendo a tinta espirrar nela toda.

—De novo, de novo!

Ela encheu umas sete telas de tinta. Eu fiz um quadro dela, um de Hayley e um de Caroline.

Hope viu o quadro de Hayley e disse:

—Mamãe. Mamãe.

—Pois é.

—Quem é ela papai?

—Seu nome é Caroline Anne Forbes. Ela é o amor da minha vida.

—Mas, e a mamãe?

—Quando for mais velha você vai entender.

Fim do Flashback.

P.O.V. Klaus.

Desde bem novinha Hope fica encarando o quadro de sua mãe e o de Caroline.

—Oi.

—Oi.

—Sabia que a encontraria aqui.

—Ela é mesmo bonita. O cabelo dela tem a cor do sol e os olhos são da cor do céu.

—É.

—Pai, cadê a mamãe? Ela não vai voltar pra casa?

E agora? Como vou explicar para uma criança de três anos que a mãe morreu?

—Não.

—Porque? Eu fiz alguma coisa ruim?

—Não querida. O papai do céu levou a sua mãe, transformou ela num anjo e a levou para o céu.

—Porque?

—Porque sim.

—Então não foi por causa de mim né?

—Não amor.

—Eu to com fominha. O que nós vamos papar hoje?

—Que tal pizza?

—Não! Nós comemos isso ontem!

—O que você quer comer?

—Hum, macarrão!

—Então o papai vai pedir pra tia Rebekah fazer macarrão pra você.

—Oba! Colo! Colo!

—Vamos lá.

Eu a levei para a sala e Rebekah se levantou assim que chegamos.

—Macarrão?

—Macarrão!

Ela fez macarrão e Hope se lambuzou inteirinha comendo.

—Eu podia ter te dado.

—Mas, eu já sou uma mocinha papai. Sei papar sozinha.

Ela comia com a mão. Enfiava a mão dentro do prato e a comida ia parar dentro da boca.

Hope era uma garota muito prática. Acho que ser criada por um homem e ter como único exemplo feminino a minha irmã não ajuda muito.

Hope é um molequinho que usa sutiã, brincos e tem o cabelo comprido. Ela gosta de jeans, moletom e tênis.

Minha filha jamais em sua vida usou um sapato de salto, mas ultimamente ela tem estado mais fascinada pelo armário da tia.

O closet de Rebekah tem sapatos de salto saindo pelas orelhas, casacos, sobre-tudo, vestidos, saias, calças apertadas, acessórios dos mais variados tipos. Minha irmã também tem um armário cheio de maquiagens, chapinha, baby-liss, bobes e outras coisas mais.

De uns tempos pra cá a Hope está sempre mexendo nos cacarecos de beleza da Rebekah.

Está aprendendo a fazer maquiagem, cuidando do seu visual como ela fala.

Aposto que tem algum moleque envolvido. Mas, se ele não passar pelo teste de qualidade do papai Mikaelson vai morrer tentando.

Minha filhinha não é pra qualquer um. Ela é uma boa menina e tem uma linhagem poderosa.

Pois é, Hope é metade bruxa, metade lobisomem. Mas, enquanto ela não matar a maldição não é ativada.

Estive pensando. Onde será que está Caroline agora? O que será que ela está fazendo nesse momento?

Enquanto isso em Mystic Falls....

P.O.V. Caroline.

Renesmee fez um trato com os pais adotivos de que eles nos enviariam fotos e um relatório completo da vida da Rebeca a cada mês. Eu queria tanto poder estar perto dela. Ficar com ela, abraça-la, niná-la e mostrar a ela o quanto eu a amo e o quanto eu quis estar com ela.

O quanto a minha garotinha era amada e desejada por mim. Sempre quis ter um filho, mas por ironia do destino graças a uma tia louca do pai da minha filha tive que mandá-la embora, que abrir mão dos meus privilégios de mãe para mantê-la segura.

Não se passou um único dia sem que eu pensasse nela. Sem que eu sonhasse com ela todas as noites sem falta.

Eu amo a minha filha tanto, mais tanto que a deixei ir. E deixá-la ir foi a coisa mais difícil que eu já tive que fazer.