O Pacto Secreto de Ester.
9 Dafne Paloma Vasquez
P.O.V. Dafne.
Apesar do amigo do pai da namorada da minha irmã ser um imbecil isso não quer dizer que a família toda seja. Por isso eu vou dar outra chance para eles, afinal a mãe dela e o seu tio salvaram minha vida.
Decidi fazer um bolo para eles. E aqui estou eu frente a frente com a imponente mansão que é três vezes maior que a casa dos Kennish.
Toco a campainha e Becky atende.
—Oi.
Ela acenou.
—Oi. Sou Dafne, a irmã da Bay lembra?
—Sim. Sinto muito pelo o que houve.
—Tudo bem. Eu fiz bolo.
Estendi o bolo para ela.
—Nossa! Obrigado.
—Não vai me convidar pra entrar?
—Oh! Verdade. Desculpe entra ai.
—Com licença.
—Eu não tinha notado que vocês tinham um Michelangelo na parede.
—Meu pai pintou. Ele é o Michelangelo.
—Não brinca?!
—Sério. Ele é um artista e tanto.
—Vem, quero mostrar uma coisa.
Ela pegou na minha mão e me levou até um dos muitos corredores da casa.
—Sua mãe.
Ela assentiu.
—E essa quem é?
—A mãe biológica da Hope. O nome dela era Haylay Marshall.
—Onde ela está?
—No cemitério de Nova Orleans.
—Oh! Sinto muito.
—Tudo bem, ela morreu dando a luz. As outras bruxas mataram ela, mas estamos bem.
—Porque as bruxas matariam a mãe da Hope?
—Pela mesma razão que tentaram matar a mãe da Tia Renesmee. Híbridos não são bem vistos pelos Covens.
—Porque não?
—Porque somos mais poderosos e somos uma infração ás leis da natureza.
—Mas, a Hope é bruxa e não liga pra isso.
—É porque ela é uma híbrida. Como nosso pai, eu e a Tia Ness. E cada vez mais híbridos estão vindo ao mundo, de vários tipos e na visão das bruxas estamos nos tornando uma praga no mundo que nem erva daninha.
—Sinto muito.
—Eu também. Minha avó tentou matar todos os meus tios e o meu pai e nem mesmo depois de morta ela desistiu.
—O que?
—Sabe aquilo que te falaram de que morreu acabou?
—Sim.
—Com a gente é mais complicado. Todo ser sobrenatural que morre tem que passar através do meu pai para chegar a um lugar que chamamos de outro lado. É como se fosse um purgatório que foi criado a dois mil anos atrás por uma bruxa rejeitada, traída e raivosa chamada Qetsiyah.
—A mãe da Hope está no purgatório?!
—Pergunta pro meu pai. Ele conhece todo mundo lá do outro lado.
—Como assim?
—A minha tia me explicou mais ou menos como funciona. Tipo, assim como um navio precisa de uma âncora pra se manter no cais feitiços muito poderosos precisam de algo em que se ancorar. E nesse caso em questão a âncora não é uma coisa, é uma pessoa. Meu pai é como uma cabine de pedágio humana daqui para o outro lado.
—E eu que pensava que minha família era estranha.
—Você acostuma.
—Querida, não disse que tínhamos visita.
Ela me cutucou e apontou para a moça.
—Olá Dafne. É um prazer conhecê-la.
A moça sabia quem eu era e sabia falar linguagem de sinais.
—Eu não me lembro de você.
—É porque não me conhece. Sou Renesmee. A Tia da Beck e da Hope.
—Oi. Prazer.
—Igualmente. Você é uma híbrida né?
—Sou. Eu sou meia vampira, meia bruxa e isso faz eu ser praticamente o anticristo.
—Porque?
—Vampiros e bruxas são inimigos naturais, não se misturam.
—Mas, você...
—Sou um caso a parte. Meus pais se apaixonaram mesmo sendo de espécies inimigas e eu fui um acidente de percurso.
—Você não foi planejada?
—Exato. Concebida na lua de mel, meu pai nem sabia que podia ter filhos porque a regra geral é que vampiros não podem procriar.
—Vocês três? Vocês todas foram...
—Acidentais e as nossas mães quase morreram dando a luz, menos a mãe da Hope ela morreu mesmo. Não podiam transformá-la porque ela já era lobisomem e mordida de lobisomem mata vampiro e vice versa.
—Mas, o pai da Hope é...
—Um vampiro nascido numa linhagem de lobisomens. A magia de Ester o fez vampiro, mas ele nasceu lobisomem.
—Legal.
—Pra ele não foi. O pai da Hope é um filho fora do casamento e por isso Mikael seu padrasto o quer morto.
—Sinto muito.
—Todos sentimos. Ele era uma criança inocente e Mikael descontou sua fúria sob o menino e á mil anos atrás não havia leis de proteção, Mikael o espancava até ele ficar inconsciente. Sou a terapeuta do meu cunhado, só estou contando isso para que não o culpe também. Ele só é assim porque tem medo.
—Ok.
—Me ensina tia. A fazer esse negócio com as mãos.
Ficamos ensinando a Becka a falar linguagem de sinais quando a Hope entra na sala chorando.
—O que foi querida?
—Ela não morreu. Sobreviveu e todos esses anos nunca me procurou.
—Quem?
—Minha mãe Haylay.
—Oh meu Deus!
—Porque não me contou tia?
—Porque eu não sabia. Não é uma ciência exata e os mortos não tem mais futuro. Nunca fiquei procurando o futuro da sua mãe porque achei que estava morta.
—Ela tá viva. E é uma híbrida. Aparentemente, o meu sangue a transformou.
—O seu pai sabe?
—Não.
—Não conta. Se ele souber que tem essa habilidade, você vai ficar assim.
A tia da Hope arregaçou as mangas da blusa e mostrou os buracos de agulha.
—O meu pai fez isso?
—Fez.
—O Tio Elijah sabe?
Ela desceu as mangas.
—Ninguém sabe. Só vocês.
O Tio dela chegou.
—Oi amor, não sabia que vinha.
—Quis fazer uma surpresa.
—Olá jovem Dafne. Mil perdões pelo que houve da última vez.
—Tudo bem. Eu trouxe bolo.
—Obrigado. Onde está?
—Na cozinha tio. É de cenoura com chocolate.
—Parece uma delícia. Onde comprou?
—Eu fiz. Sou boa com cozinha.
Comemos o bolo e em um determinado momento o Tio da Becky pegou no braço da tia e ela gemeu.
—O que foi?
—Nada.
—Vai começar a mentir pra mim?
—Não. Ele disse que ia me matar se eu contasse.
—Quem? Eu o matarei antes.
—Acredite, se não o matou até hoje não o matará mais.
—Onde e porque dói?
Ela respirou fundo e arregaçou as mangas.
—Por Deus! Quem foi o responsável por isso?
Ela mexeu a cabeça e deu de ombros e na hora o senhor Mikaelson entendeu o recado.
—Niklaus. Ele a forçou?
Mais uma vez o gesto se repetiu.
—Como ele pode fazer isso com você? Olha só esses hematomas.
—O meu avô perguntou se eu estava usando drogas.
—E você está?
—Não. Mas, eu tenho mais nas pernas.
—Ele... Niklaus fez isso em quantas partes de seu corpo?
—Ahm, muitas?
—Ele vai se ver comigo.
—Elijah não! Se o confrontar ele vai retaliar da única forma que sabe que pode me atingir.
—Como?
—Machucando você. E eu prefiro mil vezes aguentar essa dor, do que ver você ressecado e dentro de um caixão.
—Precisa fazê-lo parar.
—Como? Se eu disser alguma coisa ele vai te ferir.
—Você é o ser mais poderoso do mundo. Tenho total confiança em você.
—Fica junto de mim tá?
—Tá.
—Eu quero dizer atrás de mim.
—Tudo bem.

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