O Pacto
3 Capítulo 3
Notas iniciais
P.O.V Damon Blake
Faz dias que não faço nada além de caminhar pela cidade e terminar no cemitério, sentado entre o túmulo do meu irmão e da minha melhor amiga.
Os dois se foram na mesma noite, e embora tivesse idades distintas, a idéia de que vivi minha vida inteira ao lado deles e não tê-los mais é horrível.
Mas nesse dia foi diferente. Dormi em casa, mas tinha um clima estranho lá. Não vi Reid e Bruna havia me dito que ele tinha saído embora o quarto dele estivesse fechado a chave quando cheguei. Kol e Caleb também não estavam em casa, apenas a jovem loira amiga de Reid.
Não sou um cara fraco, mas ver alguém como Bruna andando pela casa apenas de camisola pode mexer comigo mas há algo nela que diz que nem adianta que eu tente.
Então apenas tomei um banho e fui me deitar. Sonhei com aquela noite. Vendo Ally morta nos braços de Reid. Acordei assustado, pois parecia ouvir a respiração dela. Eu conhecia muito bem isso, muitas vezes dormi na Mansão Evans quando as irmãs dela não estavam, mas nada acontecia. Sempre fomos irmãos.
Me sentei na cama e tentei ocultar minha audição muito boa. Parecia que Ally respirava deitada ao meu lado e aquilo estava me incomodando. Fui ao banheiro que tenho no quarto e lavei meu rosto com água gelada. Depois voltei a cama, mas demorei a dormir.
Quando acordei no dia seguinte nem lembrava mais da dificuldade que tive em dormir. Me levantei, me arrumei e desci. Não havia ninguém na casa novamente. Não comi nada e saí para caminhar.
Andei bastante até chegar a meu destino final. Mas dessa vez nem sequer olhei para o túmulo de Sebastian, meu irmão morto. Fiquei encarando o túmulo de Ally como se algo me dissesse que algo estava diferente.
Ao longe pude ouvir passos e embora achasse que não tivesse nada a ver comigo, algo me dizia que estava errado.
Eu segurava uma rosa azul. A favorita de Ally. Fiquei encarando o túmulo lendo a data de nascimento e morte até ouvir uma voz que fez meu corpo todo se arrepiar.
– A conhecia?
Eu gelei e me virei lentamente acreditando estar errado sobre a dona da voz. Mas estava certo. A dona daquela voz doce e delicada carregada, sem intenções, de sensualidade, estava a minha frente. Mas como? Como era possível? Estaria eu vendo um fantasma ou estava enlouquecendo pela falta que sentia dela. Estiquei minha mão como se quisesse tocá-la, mas a recolhi com medo de que não fosse real.
Pude ver um sorriso delicado em seus lábios e não me segurei a abraçando com toda a saudade que sentia dela. Ela estava mesmo ali. Minha melhor amiga. Minha irmã. Ally Evans.
– Mas como? – Perguntei enquanto ela se soltava a acariciava meu rosto como se não acreditasse que estava me vendo. Sendo que o mais surpreso aqui era eu.
– Eu não sei, só sei que estou viva Damon... Eu estou viva! – Eu podia ver um sorriso enorme se formando nos lábios dela. Aqueles lábios.
Ai meu Deus, o que eu estava pensando. Desviei meus olhos para os olhos dela. Eles brilhavam com uma magia contagiante. Mas claro, estavam mesmo, cheios de magia pura.
Respirei fundo e abracei novamente tentando não chorar por tê-la de volta.
– Vamos... Vamos comemorar... Vamos beber e nos divertir como fazíamos mas agora com um motivo a mais! – Falei e pude ver uma lágrima saindo de um de seus olhos enquanto um sorriso tomava seu rosto.
A peguei no colo e ela me olhou confusa, mas parecia incapaz de falar alguma coisa.
– Mas antes acho melhor eu te contar uma coisa. – Falei sorrindo e de repente não estávamos mais no cemitério. Com minha velocidade nos levei até um bar famoso da cidade.
– Eu sou um vampiro!
***
Ally parecia incapaz de falar qualquer coisa. Sentamos-nos em uma mesa num canto qualquer do bar e um garçom veio até nós. Ele olhou Ally e exibiu um sorriso sexy, ou tentou pelo menos. Ally revirou os olhos e pegou na minha mão. Acho que foi para tirar ele dali.
– Duas Vodkas. – Falei e ele logo saiu sem nem olhar mais para nós.
– Então... O que tem feito nesses meses que estive fora? – Ela perguntou como se “fora” fosse a coisa mais normal do mundo. Quando na verdade ela estivera morta.
– Na verdade nada. Viajei durante um tempo mais voltei algumas semanas atrás... Minha vida perdeu todo o sentido Ally. Sem você, não tinha mais o que fazer aqui na cidade... – Falei e ela sorriu e novamente meus olhos correram por aquele rosto angelical e repousaram nos lábios rosados dela por conta do brilho labial.
Pude perceber que ela também me olhava de um jeito diferente mas não quis falar nada. Apenas a olhava sorrindo até que nossas bebidas chegaram.
Me levantei e Ally me olhou confusa. Fui até um aparelho de som e coloquei a música favorita de Ally. Wherever You Will Go. Ela sorriu quando eu voltei me sentando ao lado dela. Pude ouvir ela cantando alguns versos e sorria pra mim. Peguei na mão dela e nós nos olhamos por uns segundos até que ela corou e desviou o olhar pegando sua bebida da mesa e eu fiz o mesmo.
– Você está linda... Mas de quem são essas roupas? – perguntei e ela olhou para si mesma.
– Bruna Kirsty... Amiga do Reid... Falando nisso, dormi na sua casa essa noite mas não te vi... – Ela falou e eu enfim entendi o por que de ouvir a respiração dela em meus ouvidos.
– Cheguei tarde e saí cedo. – Falei rindo e terminei minha Vodka. Prestei atenção na música e vi Ally terminar a bebida dela e voltar a cantar. Aproveitei um trecho do final e peguei novamente na mão dela.
Virei seu rosto pra mim e acariciei ela levemente na bochecha. O que eu estava fazendo? Ela era minha melhor amiga, minha irmã. Eu não podia beijar ela. O olhar dela quase me chamava de louco e quando eu ia desistir de beijá-la ela sorriu.
– Chega de troca de olhares! – Falou e me puxou em beijando. Fiquei surpreso, mas correspondi. Óbvio que correspondi. Coloquei minhas mãos, uma na nuca e outra na cintura dela. Nosso beijo era quase desesperado.
Talvez fosse pela saudade, mas havia mais alguma coisa ali. Um sentimento que nenhum de nós sabia que existia. Passamos tanto tempo nos chamando de irmãos que nem percebemos que nenhum de nós queria realmente ser só irmãos.
Pausei o beijo em busca de ar. Nós dois sorrimos quase que compartilhando o mesmo pensamento. Ela me deu mais um selinho e eu me levantei. Paguei pelas bebidas e depois saímos dali. Ao chegar do lado de fora, a virei pra mim e a beijei novamente, na forma mais doce e desesperada ao mesmo tempo.
Em meio ao beijo a peguei no colo e parei o beijo.
– Melhor sairmos da rua! – Falei e ela apenas riu concordando. E em questão de segundos, estávamos na minha casa.
Entramos de mãos dadas e fomos ao meu quarto.
Entramos no mesmo e ela o olhava quase que tentando lembrar de tudo. A olhei e pude ver a luz do sol entrando pela janela e ela brilhava. Pelo menos pra mim.
– Como você anda no sol? – Ela me perguntou enquanto se sentava na cama.
– Uma feiticeira fez pra mim uns meses atrás. – Falei mostrando meu anel enfeitiçado e fui me sentar ao lado dela. A olhei sorrindo e ela sorriu de volta. Ela se jogou pra trás se deitando na cama e eu fiz o mesmo me deitando de lado.
– Quando voltou? – Perguntei sorrindo e ela encarou o teto.
– Ontem à tarde eu acordei no meio da floresta... Fui pro lago e Reid me encontrou e me trouxe pra cá. – Ela me respondeu e respirou fundo. Eu sempre soube da paixão dela por Reid e nunca confessei, mas não gostava de ver minha melhor amiga apaixonada pelo meu irmão.
Virei o rosto dela pra mim e pude ver seus olhos marejados.
– O que foi?
– Nada, só estou feliz por ter voltado e confusa por não saber o porque... E sinto que não foi por nada... – Ela falou e eu a abracei. Ficamos assim por um tempo até que ela se sentou e me olhou.
– Está calor... Se importa? – Ela mostrou perguntando sobre o casaco que ela vestia.
– Por que me importaria? – Fiz uma pausa, mas logo continuei enquanto me sentava na cama e tirava minha camisa. — Na verdade também estou com calor.
Pude ver ela sorrindo enquanto tirava o casaco e o colocava de lado na cama.
– O que foi aquele beijo? – Ela perguntou e eu me sentei a olhando preocupado.
– Eu não sei... Eu queria, você também... Então aconteceu, por que? – Perguntei e ela se virou pra mim colocando suas mãos na minha nuca e se aproximando de mim.
– Por que eu amei! – E dito isso ela me beijou. Dessa vez não desesperado. Também não era doce e delicado. Era cheio de desejo. A deitei na cama e me deitei por cima dela. Seguimos com esse beijo por quase cinco minutos enquanto minhas mãos passeavam pelo corpo dela. Ela estava de vestido e enquanto nos mexíamos o vestido já estava na barriga dela de tanto que havia subido. Eu sorri quando percebi e com a ajuda dela nos livramos dele.
Seguimos assim até estarmos sem nada e termos nossos momentos perfeitos e por fim adormecemos um ao lado do outro. E eu sorria como ninguém com a minha vida deitada sobre o meu peito.
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