O PESO DE UMA PROMESSA

4 CAPÍTULO 4 - O Homem do quadro


— Morreu.

Elena apertou o botão lateral do celular.

Nada.

Apertou novamente.

A tela continuou preta.

— Não.

Bateu duas vezes no aparelho.

— Não faça isso comigo. Nós conversamos sobre isso.

Alice Brandon, sentada diante da máquina de costura, ergueu os olhos.

— Está conversando com o celular?

— Ele responde melhor que vocês.

Bella, esparramada no sofá com um livro aberto sobre as pernas, nem se deu ao trabalho de olhar.

— Então pede para ele pagar o aluguel.

Elena apertou novamente o botão.

O símbolo da fabricante apareceu na tela.

Ela sorriu.

— Isso. Vamos. Você consegue. Eu acredito em você.

Alice a observou por alguns segundos.

— Lena.

— O quê?

— Enterre.

— Cala a boca.

— Ele sofreu o suficiente.

— Alice.

— Deixe-o partir com dignidade.

O aparelho finalmente ligou.

Elena ergueu-o triunfante.

— Viu?

A tela apagou.

Ela ficou imóvel.

Bella começou a rir.

Alice colocou a mão sobre o coração.

— Ele voltou apenas para se despedir.

— Eu odeio vocês duas.

Elena conectou o carregador.

A tela acendeu novamente.

— Você precisa comprar outro — Alice disse.

— Eu sei.

— Está reiniciando há semanas.

— Eu sei.

— Ontem você me ligou e a chamada caiu três vezes.

— Eu sei, Alice.

— Anteontem...

— Eu sei!

Alice levantou as mãos.

— Certo.

Elena observou o aparelho.

Uma rachadura atravessava o canto superior da tela, a bateria mal chegava ao fim do dia e, recentemente, o celular adquirira o hábito irritante de reiniciar sem qualquer aviso.

Precisava trocar.

Urgentemente.

Mas precisava de muitas outras coisas antes.

— Quando receber o salário — Bella começou — compra um.

Elena balançou a cabeça.

— Não.

— Lena...

— O aluguel está atrasado.

Bella fechou o livro.

— Só um mês.

— Um mês é atrasado.

— O proprietário pode esperar.

— Não quero que espere.

Alice parou de costurar.

Elena continuou:

— E a mensalidade da faculdade vence.

Bella desviou os olhos.

— Eu posso trancar.

— Nem pense nisso.

— É só um semestre.

— Isabella.

— Eu arrumo um emprego.

— Você vai estudar.

— Posso fazer os dois.

— Primeiro aprende a chegar à aula no horário.

Bella fez uma careta.

— Eu chego.

Alice tossiu.

— Às vezes.

— Ninguém perguntou.

Elena pegou a bolsa.

— O primeiro salário vai para o aluguel e sua faculdade. Depois eu vejo o celular.

— Mas você precisa dele para trabalhar — Alice argumentou.

— Ele ainda funciona.

Como se tivesse sido pessoalmente insultado, o aparelho reiniciou outra vez.

As três olharam para ele.

Alice ergueu uma sobrancelha.

— Funciona lindamente.

— Vou sobreviver.

Elena colocou o celular na bolsa.

Bella a observou.

Conhecia aquele tom.

Assunto encerrado.

— Lena.

Elena virou-se.

Bella hesitou.

— Obrigada.

— Pelo quê?

— Pela faculdade.

Elena sorriu.

— Tire boas notas e estamos quites.

— Isso parece mais caro.

— É.

Elena beijou o alto da cabeça dela.

— Amo você.

— Também amo você.

Alice abriu os braços.

— Eu também quero.

Elena aproximou-se e beijou sua testa.

— Amo você também.

— Eu estava falando de faculdade paga.

Elena empurrou sua cabeça.

Alice gargalhou.

Pouco depois do meio-dia, Elena cortava cebolas na cozinha da residência Black.

Seu celular estava conectado a uma pequena caixa de som.

Funcionara perfeitamente durante quase quarenta minutos.

Um recorde.

Ela estava particularmente inspirada.

Já deixara preparado o café da manhã seguinte e começara o jantar.

Na bancada havia legumes, ervas, arroz e carne.

Elena cantarolava enquanto mexia uma panela.

Experimentou o molho.

Fez uma careta.

— Precisa de alguma coisa.

Pensou.

Abriu um armário.

— Não.

Outro.

Encontrou um pequeno recipiente.

Passas.

Sorriu.

— Perfeito.

Acrescentou algumas.

Mexeu.

— Hoje você vai comer comida de verdade, velho rabugento.

Olhou na direção da sala, embora dali não pudesse ver o retrato.

— E nem começa.

Mexeu novamente.

— Eu sei que você vai reclamar.

Pausa.

— Mas isso aqui é cultura.

Experimentou.

— E está maravilhoso.

Apontou a colher na direção da sala.

— Depois não vem com “aceitável”.

Silêncio.

— Mal-educado.

Elena voltou ao trabalho.

Não fazia ideia de que, naquele exato momento, uma pequena figura atravessava a porta da frente.

— Tio Jake?

Seth olhou ao redor.

Embry Call fechou a porta atrás deles.

— Seu tio ainda está trabalhando.

Seth fez uma careta.

— Você disse que ele podia estar aqui.

— Eu disse “talvez”.

— Isso é mentir quase.

Embry riu.

— Não existe mentir quase.

— Existe.

— Sua mãe sabe que você argumenta desse jeito?

— Foi ela que me ensinou.

Embry acreditava.

Rebecca Black Grey era perfeitamente capaz daquilo.

— Vamos esperar um pouco. Depois eu levo você para casa.

— Quero ver os carros.

— Não.

— Embry...

— Não.

— Só um.

— Seu tio me mata.

— Eu protejo você.

Embry olhou para o menino.

— Você tem cinco anos.

— Cinco e meio.

— Ah. Isso muda tudo.

Seth sorriu.

Então parou.

Franziu o nariz.

— Tem comida.

Embry também percebeu o aroma vindo da cozinha.

— Tem.

— Estou com fome.

— Você acabou de comer.

— Foi há muito tempo.

— Vinte minutos.

— Muito tempo.

Seth começou a caminhar.

— Seth.

Continuou.

— Seth!

Elena estava de costas para a porta.

A caixa de som perdera a conexão, por isso agora usava os fones.

Cantava.

Dançava discretamente enquanto mexia a panela.

Não ouviu os passos.

Não ouviu Embry.

E definitivamente não ouviu quando Seth entrou na cozinha.

O menino ficou parado, observando.

Elena balançou os ombros.

Seth sorriu.

Aproximou-se.

Puxou delicadamente a barra da blusa dela.

Elena gritou.

— AAAAAH!

Seth gritou também.

— AAAAAH!

A colher voou.

Caiu no chão.

Elena arrancou os fones.

— MEU DEUS!

Seth começou a rir.

Embry entrou correndo.

— O que aconteceu?!

Elena colocou a mão sobre o peito.

— Tem uma criança na cozinha!

Embry olhou para Seth.

— Eu percebi.

— De onde ele veio?!

Seth ria tanto que precisou segurar a barriga.

— Você gritou!

— Você quase me matou!

— Você gritou igual menina!

Elena arregalou os olhos.

— Eu sou uma menina!

Seth pensou.

— Mulher.

Elena assentiu.

— Obrigada pela correção.

Embry começou a rir.

Ela finalmente olhou para ele.

Alto.

Cabelos escuros.

Expressão divertida.

— E você é...

— Embry Call.

— Certo.

Silêncio.

— Isso deveria significar alguma coisa?

Ele riu.

— Amigo de Jacob.

Elena imediatamente olhou para Seth.

— E ele?

— Seth Grey. Sobrinho de Jacob.

— Ah.

Olhou para o menino.

— Então você é sobrinho do senhor Black?

— Sou.

Seth aproximou-se da bancada.

— O que você está fazendo?

— Jantar.

— Para o tio Jake?

— Sim.

— Posso comer?

— Não.

Ele pareceu chocado.

Provavelmente poucas pessoas diziam não para Seth Grey.

— Por quê?

— Porque não está pronto.

— Quando fica?

— Mais tarde.

— Quanto?

— Algumas horas.

— Vou esperar.

Embry riu.

— Não vai.

Seth cruzou os braços.

— Estou com fome.

Elena analisou o menino.

— Você gosta de cozinhar?

— Não sei.

— Quer descobrir?

Os olhos dele brilharam.

— Quero.

Embry interferiu:

— Não sei se Rebecca...

— Não vou entregar uma faca para ele.

— Ah.

Elena apontou para uma cadeira.

— Primeiro lava as mãos.

Seth correu.

— Sem correr!

Ele diminuiu.

Dois passos depois, voltou a correr.

Elena olhou para Embry.

— Ele sempre obedece assim?

— Isso foi bastante obediente para os padrões dele.

Vinte minutos depois, Seth usava um avental grande demais.

Elena precisara dobrá-lo duas vezes.

— Agora mistura.

Seth começou.

— Devagar!

Uma nuvem de farinha subiu.

Elena fechou os olhos.

Seth congelou.

Ela abriu os olhos.

Os dois estavam cobertos de farinha.

O menino colocou a mão sobre a boca.

— Desculpa.

Elena tentou permanecer séria.

Não conseguiu.

Começou a rir.

Seth também.

Embry, encostado na porta, pegou o celular.

Elena apontou para ele.

— Nem pense nisso.

Ele tirou uma foto.

— Tarde demais.

— Apaga!

— Rebecca vai adorar.

Seth levantou as mãos cobertas de farinha.

— Olha!

— Não encosta em...

Tarde demais.

Ele tocou o nariz de Elena.

Silêncio.

Embry arregalou os olhos.

Elena ficou imóvel.

Seth também.

— Você acabou de colocar farinha no meu nariz?

O menino recuou.

— Talvez.

Elena mergulhou um dedo na farinha.

Seth percebeu.

— Não.

— Venha aqui.

— Não!

Saiu correndo.

— Volta aqui!

Elena foi atrás.

Embry observou os dois correndo ao redor da ilha.

— Definitivamente vou mandar isso para sua mãe.

— NÃO! — Seth e Elena gritaram juntos.

Embry começou a rir.

Quando chegou a hora de ir embora, Seth não queria.

— Só mais dez minutos.

— Sua mãe está esperando — Embry respondeu.

— Cinco.

— Não.

— Dois.

— Seth.

O menino olhou para Elena.

— Você vem amanhã?

— Venho.

— Promete?

A palavra a atingiu.

Por um instante, a cozinha desapareceu.

Outra voz atravessou dezoito anos.

Promete para mim que vai cuidar dela.

Elena engoliu em seco.

Sorriu.

— Prometo.

Seth abriu um sorriso e, sem aviso, abraçou sua cintura.

Elena ficou surpresa.

Devagar, passou os braços ao redor dele.

— Tchau, cozinheira.

— Meu nome é Elena.

— Tchau, Elena.

— Tchau, Seth.

Embry observou a cena com algo curioso no olhar.

— Até mais, Elena.

— Até.

Os dois saíram.

Elena permaneceu alguns segundos olhando para a porta.

Sorriu.

— Garoto engraçado.

Voltou para a cozinha.

Às duas e quarenta e oito, o celular reiniciou.

Elena não percebeu.

Estava novamente com os fones.

Decidira aproveitar os minutos finais para reorganizar a despensa.

Depois encontrou uma prateleira que precisava ser limpa.

Depois percebeu que alguns potes estavam fora de ordem.

Depois resolveu verificar o forno.

E então...

Perdeu completamente a noção do tempo.

Jacob Black chegou em casa às três e vinte e sete.

Cedo.

Muito cedo para seus padrões.

Uma reunião fora cancelada e, pela primeira vez em semanas, decidira trabalhar o restante da tarde em casa.

Entrou.

Tirou o paletó.

Colocou as chaves sobre a mesa.

Então ouviu alguma coisa.

Música.

Franziu a testa.

Olhou para o relógio.

15h27.

A casa deveria estar vazia.

Ficou imóvel.

Ouviu um ruído vindo do corredor.

Passos.

Jacob fechou a expressão e caminhou silenciosamente em direção à cozinha.

Elena saía da despensa carregando uma caixa.

Cantava.

Alto.

Muito alto.

— ...AND I—

Virou.

Havia um homem na cozinha.

— AAAAAH!

A caixa caiu.

Jacob recuou.

— Que diabos?!

Elena arrancou os fones.

— QUEM É VOCÊ?!

— Eu que pergunto!

— O que está fazendo aqui?!

Jacob ficou incrédulo.

— O quê?

Elena o examinou rapidamente.

Alto.

Muito alto.

Cabelos escuros.

Terno caro.

Jovem.

Talvez vinte e poucos anos.

E definitivamente não era o homem do retrato.

— Saia daqui.

Jacob piscou.

— Como?

— Eu disse para sair.

— Da minha...

— Eu vou chamar a polícia!

Jacob ficou imóvel.

— Você vai chamar a polícia?

— Vou!

Elena procurou o celular.

Bolso.

Nada.

Bancada.

Nada.

— Cadê a porcaria...

Jacob cruzou os braços.

— Quem é você?

— Isso não interessa!

— Interessa bastante.

— Eu trabalho aqui.

Jacob olhou para ela.

Foi quando realmente a viu.

Até aquele momento, estivera concentrado demais no absurdo de encontrar uma desconhecida gritando e tentando expulsá-lo da própria cozinha.

Agora, por um instante, apenas observou.

Os cabelos eram negros.

Muito longos.

Alguns fios haviam escapado e caíam sobre os ombros e ao redor do rosto.

Mas foram os olhos que prenderam sua atenção.

Verdes.

Não exatamente.

Havia azul misturado àquela cor, uma tonalidade incomum que parecia mudar com a luz.

E estavam enormes naquele momento.

Assustados.

Indignados.

Desconfiados.

Jacob precisou de um segundo a mais do que deveria para responder.

Elena percebeu o silêncio.

— O quê?

Ele recuperou a expressão.

— Você disse que trabalha aqui.

— Trabalho.

— Fazendo o quê?

Elena ficou ofendida.

— Você é surdo? Eu disse que trabalho aqui!

— Não disse fazendo o quê.

— Não é da sua conta.

Jacob quase riu.

— É bastante da minha conta.

— Olha, eu não sei como você entrou...

— Pela porta.

— Então você tem uma chave?

— Naturalmente.

Elena empalideceu.

Ladrões com chave eram um problema consideravelmente maior.

— Certo.

Começou a recuar.

— Não precisa fazer nada.

Jacob estreitou os olhos.

— Fazer o quê?

— Eu não vi seu rosto.

Ele piscou.

— Está olhando para mim.

— Vou esquecer.

— O quê?

— Pode levar o que quiser.

Jacob ficou alguns segundos sem responder.

— Você acha que eu sou um ladrão?

— Não.

Pausa.

— Sim.

— Um ladrão.

— Você entrou numa casa que não é sua.

Jacob passou a língua pelos dentes.

— Certo.

— Então...

— Esta casa é minha.

Silêncio.

Elena piscou.

— Não é.

Jacob inclinou a cabeça.

— Como?

— Não é sua.

— Tenho quase certeza de que é.

— Eu conheço o dono.

Aquilo chamou sua atenção.

— Conhece?

— Sim.

— Mesmo?

— Sim.

— Pessoalmente?

Elena hesitou.

— Tecnicamente...

Jacob esperou.

— Não.

— Entendi.

— Mas sei quem ele é.

— Sabe?

— Sei.

Jacob cruzou os braços.

— Então me diga.

— Jacob Black.

— Certo.

— O homem do quadro.

Jacob ficou imóvel.

Olhou lentamente para a sala.

Depois para Elena.

— O homem do quadro?

— Sim.

— Aquele quadro grande?

— Exatamente.

— Na sala?

— Sim!

Jacob pressionou os lábios.

Alguma coisa perigosamente parecida com diversão começou a surgir em sua expressão.

— Aquele é Billy Black.

Elena franziu a testa.

— Quem?

— Meu pai.

Silêncio.

Um silêncio absoluto.

Elena olhou para a sala.

Depois para Jacob.

Depois novamente para a sala.

— Seu...

— Pai.

— Então você...

— Jacob Black.

O mundo de Elena terminou.

— Não.

Jacob arqueou uma sobrancelha.

— Não?

— Você não é Jacob Black.

— Essa é nova.

— Mas...

Ela apontou para a sala.

— Ele...

— Billy.

— E você...

— Jacob.

— Mas Sue...

— Sue Clearwater?

Elena fechou os olhos.

— Meu Deus.

Jacob cruzou os braços.

Ela abriu os olhos.

— Você é mesmo Jacob Black?

— Quer ver minha identidade?

— Não.

— Tem certeza?

— Absoluta.

— Porque aparentemente você conhece o dono desta casa muito bem.

— Eu me confundi!

— Percebi.

— Ninguém me falou que aquele era seu pai.

— Existe uma placa embaixo do retrato.

Elena congelou.

— Existe?

— Existe.

Ela olhou lentamente para a sala.

— Uma placa?

— Dourada.

— Pequena?

— Bastante visível.

Elena fechou os olhos novamente.

— Eu quero morrer.

Jacob sentiu o canto da boca ameaçar subir.

— Parece um pouco exagerado.

— Você não entende.

— O que eu não entendo?

— Nada.

— Elena.

Ela abriu os olhos de repente.

— Como sabe meu nome?

— Você trabalha na minha casa.

— Certo.

Fez uma careta.

— Pergunta idiota.

— Um pouco.

— Não precisa concordar.

— Você perguntou.

— Eu não perguntei.

Jacob respirou pelo nariz.

Aquela mulher era exaustiva.

E estranhamente divertida.

— Por que exatamente descobrir que aquele é meu pai é tão trágico?

— Não é.

— Sua expressão diz outra coisa.

— Minha expressão não diz nada.

— Diz bastante.

Elena pegou rapidamente a caixa caída.

— Eu deveria terminar isso.

— Você deveria ter terminado antes das três.

Ela parou.

— Eu sei.

— Então?

— Então eu perdi a hora.

— Por quê?

— Meu celular reiniciou.

— E não existem relógios na casa?

— Existe um.

— Vários.

— Está bem! Eu perdi a hora.

Jacob assentiu.

— Ótimo.

— Ótimo.

Elena abaixou-se para recolher um pacote.

Jacob continuou observando.

— Ainda não respondeu.

— A quê?

— Por que ficou tão desesperada quando descobriu quem está no retrato.

— Não fiquei.

— Ficou.

— Não fiquei.

— Ficou vermelha.

— Está calor.

Jacob olhou ao redor.

— O ar-condicionado está ligado.

— Estou trabalhando.

— Você estava parada.

— Senhor Black...

— Jacob.

— Senhor Black está ótimo.

Ela tentou passar por ele.

Jacob deu espaço.

— Você fez alguma coisa com o quadro?

Elena parou.

Devagar.

Muito devagar.

— Não.

Jacob estreitou os olhos.

— Por que respondeu assim?

— Assim como?

— Como alguém que fez alguma coisa com o quadro.

— Eu não fiz nada.

— Tocou nele?

— Não.

— Derrubou?

— Não!

— Quebrou alguma coisa?

— Claro que não!

— Então qual é o problema?

Elena apertou a caixa contra o corpo.

— Nenhum.

— Elena.

— Eu só conversava com ele, está bem?!

Silêncio.

Elena congelou.

Jacob também.

Ela fechou os olhos.

— Não.

Jacob piscou.

— Você o quê?

— Nada.

— Você acabou de dizer que conversava com ele.

— Não disse.

— Disse.

— Você ouviu errado.

— Estamos a menos de dois metros um do outro.

— Problemas auditivos podem acontecer em qualquer distância.

Jacob ficou olhando para ela.

— Você conversava com o retrato do meu pai?

Elena abriu os olhos.

O constrangimento estampado em seu rosto era tão genuíno que Jacob precisou pressionar os lábios para não rir.

— Eu achava que era você.

Aquilo piorou tudo.

— Então você conversava comigo.

— Tecnicamente, não.

— Na sua cabeça, sim.

— Quando coloca dessa forma parece estranho.

— Existe uma forma de colocar isso que não pareça estranho?

— Eu trabalho sozinha!

— E por isso conversa com pinturas?

— Não com pinturas no plural.

Jacob ficou em silêncio.

— Só com aquela — Elena completou, apontando para a sala.

Ele virou o rosto por um instante.

Ela estreitou os olhos.

— Você está rindo?

— Não.

— Está.

— Não estou.

— Eu vi.

— Continue.

— Continuar o quê?

— Quero saber.

— Não existe nada para saber.

— Sobre o que vocês conversavam?

Elena arregalou os olhos.

— “Nós”?

— Você e meu pai.

— É um quadro!

— Até cinco minutos atrás parecia ser seu colega de trabalho.

— Eu odeio você.

A frase saiu.

Os dois ficaram imóveis.

Elena empalideceu.

— Não quis dizer isso.

Jacob ergueu uma sobrancelha.

— Imagino.

— Eu não odeio você.

— Que alívio.

— Nem conheço você.

— Embora converse comigo há semanas.

— Com o quadro!

— Que você achava que era eu.

Elena apertou os olhos.

— Você é insuportável.

— O quadro sabe disso?

Ela abriu a boca.

Fechou.

Jacob viu.

— Você falou isso para ele.

— Não.

— Falou.

— Talvez.

— O que mais?

— Nada.

— Elena.

— Reclamei um pouco.

— De quê?

— Da casa.

— O que tem a casa?

— É grande demais.

— Mais.

— Dos seis banheiros.

Jacob franziu a testa.

— O que têm meus banheiros?

— Ninguém precisa de seis.

— Continue.

— Da sua lista de comida.

— Minha comida?

— É deprimente.

Jacob pareceu ofendido.

— Deprimente?

— Frango, carne, salmão, legumes. Frango, carne, salmão, legumes. Você é milionário, tenha imaginação.

Ele ficou olhando para ela.

Elena percebeu.

— Eu falei exatamente isso para o quadro.

— Percebi.

— Também disse que você tem o paladar de um monge.

Jacob pressionou os lábios.

— Um monge?

— Milionário.

— Isso melhora bastante.

— E mal-humorado.

Jacob finalmente soltou uma risada curta.

Elena ficou imóvel.

Era a primeira vez que o via sorrir.

E aquilo foi inconvenientemente surpreendente.

A expressão séria desaparecia quase completamente quando ele sorria.

O rosto parecia mais jovem.

Mais leve.

E muito mais bonito.

Elena desviou os olhos.

Imediatamente.

— Terminou?

Jacob ainda sorria.

— Não sei. Você terminou?

— Acho que sim.

— “Acha”?

— Talvez eu tenha comentado que pessoas que não comem sobremesa são naturalmente mal-humoradas.

— Eu como sobremesa.

Elena olhou para ele.

— Come?

— Às vezes.

— Então precisa avisar sua lista.

Jacob balançou a cabeça.

— Mais alguma coisa?

— Perguntei se você tinha namorada.

O sorriso dele desapareceu por puro espanto.

Elena levou a mão à boca.

— Meu Deus.

Jacob encarou-a.

— Você perguntou ao retrato do meu pai se eu tinha namorada?

— Eu achava que era você!

— Isso não melhora.

— Eu sei!

— E o que ele respondeu?

Elena o encarou.

— Nada. Era um quadro.

Jacob começou a rir.

Dessa vez de verdade.

Elena ficou vermelha.

— Não tem graça.

— Tem um pouco.

— Não tem.

— Tem bastante.

— Posso ir embora?

— Ainda não.

— Por quê?

— Estou tentando descobrir até onde isso foi.

— Não foi longe.

— Você perguntou sobre minha vida amorosa.

— Foi uma conversa casual.

— Com uma pintura.

— Você vai ficar repetindo isso?

— Provavelmente.

Elena respirou fundo.

— Ótimo. Sim. Eu conversava com o quadro. Reclamava da casa, da comida, dos banheiros, de você ser mal-humorado e talvez tenha pedido um conselho sobre Bella.

O sorriso de Jacob diminuiu.

— Bella?

— Minha irmã.

— O que aconteceu?

Elena hesitou.

— Nada importante.

Jacob percebeu a mudança.

Não insistiu.

— E o conselho?

— Ele concordou comigo.

— Meu pai?

— Sim.

— O retrato falou?

— Não.

— Então como sabe?

Elena ergueu o queixo.

— Nós nos entendíamos.

Jacob soltou outra risada.

Ela apontou para ele.

— Pode parar.

— Estou tentando.

— Tente mais.

— Não está funcionando.

Elena respirou fundo.

— Essa é oficialmente a pior conversa da minha vida.

— Para mim está sendo bastante interessante.

— Claro. Não é você que passou três semanas conversando com o pai morto... — Ela parou. — Ele morreu?

Jacob ficou imóvel por um instante.

Então respondeu:

— Não.

Elena levou a mão ao peito.

— Graças a Deus.

Jacob riu novamente.

— Ele mora longe.

— Ótimo. Porque se eu encontrasse seu pai depois disso, precisaria mudar de país.

— Talvez eu conte para ele.

— Não se atreva.

— Por quê?

— Porque eu peço demissão.

— Isso é chantagem.

— É sobrevivência.

Jacob percebeu que estava sorrindo outra vez.

Aquilo era incomum.

Muito.

Elena respirou fundo.

— Eu realmente sinto muito.

O humor diminuiu um pouco.

— Pelo horário — ela acrescentou. — E por ameaçar chamar a polícia. E por... todo o resto.

— Tudo bem.

— Eu preciso desse emprego.

A mudança nela foi imediata.

A mulher engraçada desapareceu.

Jacob viu preocupação.

Medo verdadeiro.

— Não vou demitir você.

Elena piscou.

— Não?

— Não.

— Mesmo?

— Sua comida é boa.

Ela quase sorriu.

— “Aceitável”?

Jacob estreitou os olhos.

— Sue fala demais.

— Então eu continuo?

— Continua.

Elena soltou o ar.

— Obrigada.

— Mas se for se atrasar, avise Sue.

— Vou avisar.

— Quero saber se existe alguém dentro da minha casa quando eu chegar.

— Claro.

— Não gosto de surpresas.

Elena olhou para ele.

— Nem eu.

Jacob apontou para a caixa no chão.

— Percebi.

Ela ficou vermelha novamente.

— Mais alguma coisa?

— Sim.

— O quê?

Jacob apontou para o fogão.

— Pare de colocar passas na comida.

Elena piscou.

— Como?

— Passas.

— Eu sei o que são passas.

— Então pare.

Ela pareceu genuinamente ofendida.

— Combinam com o arroz.

— Não.

— Combinam.

— Não gosto.

— Você separa.

Jacob a encarou.

— Eu não deveria precisar separar ingredientes da minha própria comida.

— Você poderia experimentar direito.

— Já experimentei.

— Talvez estivesse mal preparado.

— Elena.

— Jacob.

Silêncio.

Ela percebeu.

— Senhor Black.

— Sem passas.

Elena apertou os lábios.

— Sem passas.

— Obrigado.

Ela pegou a bolsa.

Caminhou até a porta.

Parou diante do retrato.

Jacob percebeu.

Elena aproximou-se.

Finalmente leu a placa.

WILLIAM “BILLY” BLACK.

Fechou os olhos.

— Três semanas.

Jacob se aproximou.

— O quê?

— Estava escrito aqui durante três semanas.

— Sim.

— Todo dia eu limpei esse móvel.

— Imagino.

— E nunca li.

— Aparentemente.

Elena olhou para Billy.

— Você também podia ter colaborado.

Jacob riu.

— Está falando com ele de novo?

Ela virou-se.

— Foi a despedida.

— Claro.

Elena olhou mais uma vez para o quadro.

— Foi bom enquanto durou, Billy.

— Elena.

— Estou indo!

Caminhou rapidamente até a porta.

Antes de sair, olhou para Jacob.

Por um instante, os olhos verde-azulados encontraram os dele.

— Até amanhã, senhor Black.

— Jacob.

Ela sorriu discretamente.

— Vamos ver.

E saiu.

Jacob permaneceu olhando para a porta fechada.

Estranha.

Definitivamente estranha.

Elena entrou no apartamento quase uma hora depois.

Alice costurava.

Bella mexia no celular.

As duas olharam para ela.

Elena fechou a porta.

Encostou-se nela.

— Eu quero morrer.

Alice largou o tecido.

— O que aconteceu?

Bella sentou-se.

— Foi demitida?

— Não.

— Então?

Elena caminhou lentamente até o sofá.

Sentou.

— Eu conheci Jacob Black.

Alice sorriu.

— O velho?

Elena cobriu o rosto.

— Ele não é velho.

Silêncio.

— Como assim? — Alice perguntou.

— O homem do quadro não é ele.

Bella começou a sorrir.

— Não.

Elena apontou.

— Não ri.

— Quem é o homem do quadro?

— O pai dele.

Alice colocou a mão sobre a boca.

Bella começou a tremer.

— E você ficou conversando com o pai dele esse tempo todo?

— Com o retrato do pai dele!

Bella explodiu em gargalhadas.

Alice caiu para trás no sofá.

— NÃO TEM GRAÇA!

— Tem muita graça! — Bella conseguiu dizer.

— Eu achei Jacob um ladrão!

As duas pararam.

Alice sentou-se.

— O quê?

— Ameacei chamar a polícia.

Bella voltou a gargalhar.

— NA CASA DELE?!

— EU NÃO SABIA!

Alice já chorava de rir.

— Espera. Espera. Ele descobriu que você conversava com o quadro?

Elena ficou em silêncio.

Alice parou de rir.

— Lena.

— Descobriu.

Bella caiu sobre uma almofada.

— COMO?

— Eu falei sem querer.

— Você simplesmente disse “eu converso com seu pai pintado na parede”?

— Não!

— Então como?

Elena cobriu o rosto.

— Ele perguntou por que eu fiquei tão desesperada quando descobri quem era o homem do quadro e eu... falei.

Alice começou a rir novamente.

— E ele perguntou sobre o que vocês conversavam?

Elena ficou ainda mais vermelha.

Bella arregalou os olhos.

— Perguntou!

— Não quero falar sobre isso.

— O QUE VOCÊ CONTOU?

— Nada!

— Lena!

— Eu falei dos banheiros.

Alice colocou a mão sobre a boca.

— Dos seis banheiros?

— Sim.

Bella já ria.

— Mais.

— Da comida.

— Mais.

— Disse que ele tinha o paladar de um monge.

Alice soltou um grito de riso.

— MAIS!

Elena apertou os olhos.

— Perguntei ao quadro se ele tinha namorada.

Silêncio.

Então o apartamento explodiu.

Alice caiu sobre o braço do sofá.

Bella não conseguia respirar.

— EU ACHAVA QUE ERA ELE!

— Você perguntou para o pai dele se ele tinha namorada! — Bella gritou.

— PARA O RETRATO!

— Isso não melhora!

— Foi exatamente o que ele disse.

Alice levantou a cabeça.

— Espera. Ele riu?

Elena parou.

— Riu.

— Muito?

A imagem voltou.

Jacob sorrindo.

A transformação no rosto.

Os olhos escuros.

Os cabelos.

Aquela risada inesperadamente bonita.

Elena afastou o pensamento.

— O suficiente.

Alice estreitou os olhos.

— E como ele é?

Elena abriu a boca.

Parou.

Alto.

Cabelos escuros.

O terno.

Os olhos.

A expressão controlada.

E aquele sorriso.

Bonito.

Muito bonito.

Absurda e inconvenientemente bonito.

— Insuportável.

Alice sorriu.

— Bonito.

— Eu não disse isso.

— Sua cara disse.

— Minha cara não fala.

— Fala muito.

Bella enxugou uma lágrima.

— Quantos anos?

— Não sei. Vinte e oito, talvez.

Alice olhou para Bella.

Bella olhou para Alice.

Elena percebeu.

— Não.

— Ninguém falou nada — Alice respondeu.

— Estou vendo vocês pensarem.

— Isso é impossível.

— Alice.

Bella sorriu.

— Você achou seu patrão gostoso.

— ISABELLA!

— O quê?!

— Linguagem!

— Você não negou.

Elena pegou uma almofada.

Bella correu.

— VOLTA AQUI!

Alice começou a rir.

O celular de Elena reiniciou novamente sobre a mesa.

Ninguém percebeu.

Na residência Black, Jacob terminava o jantar.

A casa estava silenciosa novamente.

Como ele gostava.

Ou pelo menos como sempre acreditara gostar.

Durante anos, silêncio significara ordem.

Previsibilidade.

Controle.

Naquela tarde, entretanto, encontrara uma mulher cantando dentro de sua cozinha, derrubando uma caixa, ameaçando chamar a polícia e informando-o, com absoluta convicção, de que ele não era o dono da própria casa.

Jacob recostou-se na cadeira.

Elena Swan.

Finalmente conhecera a mulher responsável pelas pequenas mudanças que surgiam em sua rotina.

E ela não se parecia em nada com o que imaginara.

Na verdade, nunca se preocupara em imaginá-la.

Sue dissera que contratara uma jovem recém-formada em Gastronomia.

Bastava.

Jacob não precisava saber como ela era.

Até vê-la.

A lembrança surgiu sem ser convidada.

Os cabelos negros.

Longos.

Muito longos.

Tinham caído sobre os ombros quando ela arrancara os fones.

Mas eram os olhos que mais o haviam impressionado.

Verdes.

Com alguma coisa azul misturada à cor.

Grandes.

Expressivos.

Incapazes de esconder absolutamente nada.

Jacob vira medo, irritação, coragem, vergonha e indignação atravessarem aqueles olhos em questão de minutos.

E o rosto...

Ele não tinha dificuldade em reconhecer beleza.

Elena era linda.

De uma forma que o surpreendera.

Não uma beleza perfeitamente calculada.

Havia vida demais nela para isso.

Expressão demais.

Movimento demais.

Jacob percebeu o rumo dos pensamentos e fechou a expressão.

— Ridículo.

Pegou o copo.

Bebeu água.

Conhecia mulheres bonitas.

Beleza nunca fora suficiente para impressioná-lo.

Ainda assim...

A imagem voltou.

Elena virando-se.

Vendo-o.

E gritando.

O canto da boca dele se ergueu.

Depois lembrou:

Saia daqui.

Na casa dele.

Jacob soltou uma risada baixa.

E então:

Eu não vi seu rosto.

Ele balançou a cabeça.

— Estava olhando diretamente para mim.

Mas a melhor parte tinha sido outra.

Eu conheço o dono.

Jacob precisou baixar o copo.

O homem do quadro.

Riu novamente.

Era absurdo.

Completamente absurdo.

E, de alguma maneira, a expressão de puro horror no rosto de Elena quando descobrira que conversava havia semanas com o retrato de Billy continuava voltando à sua memória.

Ele tentou parar de sorrir.

Não conseguiu.

Levantou-se.

Levou o prato à cozinha.

Foi então que encontrou a etiqueta.

JANTAR — AQUECER POR 12 MINUTOS.

NÃO MAIS QUE ISSO.

Abaixo:

Tem passas. Elas não matam.

O sorriso desapareceu.

— Essa mulher...

Retirou a etiqueta.

Pegou uma caneta.

No verso escreveu:

Amanhã, sem passas.

Pensou.

Acrescentou:

Isso não é negociável.

Deixou o bilhete sobre a bancada.

Seus olhos foram para a sala.

Para o retrato.

Jacob caminhou até ele.

Parou diante da pintura do pai.

— Então você é Jacob Black agora?

Billy, naturalmente, não respondeu.

Jacob cruzou os braços.

— Interessante.

Olhou para o retrato por alguns segundos.

— Ela perguntou se você tinha namorada.

Silêncio.

Jacob percebeu o erro.

— Se eu tinha namorada.

Balançou a cabeça.

— Ótimo. Agora estou explicando para uma pintura a conversa que ela teve com a pintura.

Quase se afastou.

Parou.

Olhou novamente para Billy.

— E aparentemente você concordou com ela sobre a irmã.

Nada.

— Espero que tenha dado bons conselhos.

Silêncio.

Jacob soltou um pequeno riso.

— Ela chamou você de monge?

Nenhuma resposta.

— Não. Isso era comigo.

Passou a mão pelo rosto.

— Definitivamente comigo.

Começou a subir as escadas.

No primeiro degrau, parou.

A imagem dela voltou.

Os cabelos negros.

Os olhos verde-azulados enormes.

As bochechas ficando vermelhas.

A indignação quando ele rira.

Você está rindo?

Jacob sorriu.

Outra vez.

Não um sorriso educado de reunião.

Nem aquele pequeno movimento social dos lábios que usava quando alguém dizia algo supostamente engraçado.

Um sorriso verdadeiro.

Fácil.

Involuntário.

E isso era quase tão estranho quanto Elena conversar com retratos.

— Estranha — murmurou.

Subiu mais um degrau.

— Definitivamente estranha.

Mas continuava sorrindo.

Talvez fossem os olhos.

Talvez os cabelos.

Talvez a maneira como ela tentara enfrentar um homem que acreditava ser um criminoso, embora estivesse visivelmente apavorada.

Talvez fosse simplesmente o fato de que, em menos de meia hora, Elena Swan conseguira fazer algo que poucas pessoas conseguiam havia muito tempo.

Surpreendê-lo.

Quando chegou ao alto da escada, Jacob olhou uma última vez para o retrato.

— E não conte para ela que eu falei com você.

Silêncio.

Jacob assentiu.

— Ótimo.

Continuou pelo corredor.

Só então percebeu a ironia.

Elena passara três semanas conversando com o quadro porque acreditava que Billy era Jacob.

Jacob precisara conhecer Elena uma única vez para terminar o dia fazendo exatamente a mesma coisa.

Balançou a cabeça.

Ainda sorria.

Naquela noite, pela primeira vez desde que Elena Swan começara a trabalhar em sua casa, Jacob Black não pensou apenas na comida que ela preparava.

Pensou nela.

Nos olhos.

Nos cabelos.

Naquela expressão assustada.

Na risada que tentara conter.

E na mulher estranha que havia entrado silenciosamente em sua rotina enquanto ele estava ocupado demais para perceber.

Jacob ainda não sabia, mas Elena Swan estava prestes a fazer algo muito mais perigoso do que colocar passas em seu jantar.

Estava começando a tornar o silêncio de sua casa menos interessante.