O PESO DE UMA PROMESSA

28 CAPÍTULO 28 - SE EU PERDI TUDO



Leah Clearwater não esperou amanhecer.

Às duas e quarenta e três da manhã, a gravação feita por Irina Cullen já estava sendo entregue às autoridades.

Jacob queria ir com ela.

Elena também.

Leah recusou os dois.

— Vocês estão exaustos. Seth está dormindo. E, principalmente, vocês são diretamente envolvidos nisso. Eu entrego o material, explico a origem, preservamos os arquivos e depois fazemos tudo da maneira correta.

Jacob não gostou.

Elena percebeu pela forma como ele andava pela cozinha.

— Jacob.

— Eu sei.

— Não parece.

— Eu sei o que ela disse.

— Então para de andar de um lado para o outro.

Ele parou.

Dois segundos.

Voltou a andar.

Elena suspirou.

— Isso definitivamente não é parar.

— Estou pensando.

— Você pensa andando?

— Sim.

— Interessante. Eu achava que você só fazia isso quando estava irritado.

Jacob parou diante dela.

— Minha irmã foi assassinada.

O pouco humor desapareceu imediatamente.

— Eu sei.

— Salomon também.

— Eu sei.

— Bella morreu porque aquele homem queria matar você.

Elena levantou-se.

— Eu sei.

Jacob fechou os olhos.

Ela aproximou-se e colocou as mãos em seu rosto.

— E eu estou aqui.

Ele abriu os olhos.

— Está.

— Então olha para o que ainda está aqui.

Jacob segurou sua cintura e puxou Elena contra o peito.

Ficaram assim por algum tempo.

— Eu devia ter percebido — ele murmurou.

— Não.

— Edward sempre...

— Não.

Elena afastou-se apenas o suficiente para olhá-lo.

— Nós conversamos sobre isso há menos de duas horas.

— Eu sei.

— Então não vou repetir o discurso inteiro.

— Obrigado.

— Mas posso.

— Eu sei.

— Tenho bastante fôlego.

Jacob quase sorriu.

— Também sei.

Ela beijou seu peito através da camiseta.

— Vamos deixar a culpa com quem merece.

Jacob apertou os braços ao redor dela.

— Edward.

— Edward.

Nenhum deles sabia, naquele instante, que a polícia estava prestes a encontrar mais uma razão para aquele nome carregar um peso ainda maior.


A casa dos Cullen estava silenciosa quando os policiais chegaram.

Ninguém respondeu à campainha.

Tentaram novamente.

Nada.

Um dos veículos de Edward estava na garagem.

O de Irina também.

Depois das providências necessárias para entrarem na residência, o silêncio mudou de significado.

Não era uma casa dormindo.

Era uma casa abandonada às pressas.

No andar térreo, o escritório estava parcialmente aberto.

Irina Cullen foi encontrada ali.

Morta.

Edward não estava.


O telefone de Leah tocou antes das cinco.

Ela ouviu.

Fechou os olhos.

— Tem certeza?

Pausa.

— Entendi.

Outra pausa.

— E Edward?

A resposta fez seu rosto endurecer.

— Certo. Me mantenha informada.

Desligou.

Durante alguns segundos, permaneceu imóvel.

Depois olhou para o relógio.

Sabia que precisava contar a Jacob.

E sabia que, depois disso, Jacob e Elena teriam uma tarefa muito mais dolorosa.

Contar a Seth que perdera mais uma pessoa que amava.


Às cinco e vinte e sete, Jacob atendeu.

— Leah?

Elena acordou imediatamente ao lado dele.

Jacob ouviu em silêncio.

Sentou-se na cama.

— O quê?

Elena também se sentou.

— Jacob?

Ele levantou uma mão.

Continuou ouvindo.

— E Edward?

Silêncio.

— Fugiu?

Elena levou a mão à boca.

Jacob fechou os olhos.

— Certo.

Mais alguns segundos.

— Entendi.

Desligou.

Elena já chorava.

— Irina?

Jacob assentiu.

— Encontraram ela morta.

Elena fechou os olhos.

— Meu Deus.

— Edward sumiu.

Silêncio.

Jacob passou as mãos pelo rosto.

— Eu mandei ela não voltar para casa.

Elena imediatamente segurou seus pulsos.

— Não.

Ele olhou.

— Nem começa.

— Elena...

— Você não fez Irina voltar.

— Eu podia ter—

— Jacob.

Ela segurou seu rosto.

— Não.

Ele respirou fundo.

Então os dois olharam para a porta.

Para o corredor.

Para o quarto de Seth.

Jacob fechou os olhos.

— Como eu vou contar isso para ele?

Elena segurou sua mão.

— Nós vamos contar.

Ele olhou para ela.

— Juntos.


Seth recebeu a notícia naquela mesma manhã.

Sentado entre Jacob e Elena no sofá, abraçado ao dinossauro que, no dia anterior, estivera dentro da geladeira.

Jacob não inventou histórias.

Não disse que Irina viajara.

Não prometeu que tudo ficaria bem.

Disse apenas aquilo que uma criança de cinco anos e meio precisava saber.

A tia Irina tinha morrido.

Não voltaria.

E aquilo não tinha acontecido porque Seth escolhera morar com Jacob e Elena.

Essa última parte precisou ser repetida três vezes.

Na terceira, Seth finalmente chorou.

Elena o segurou.

Jacob envolveu os dois.

— Ela sabia que eu amava ela? — Seth perguntou.

Elena respondeu:

— Sabia.

— Muito?

— Muito.

— Mesmo quando eu queria morar aqui?

Elena sentiu o peito apertar.

— Principalmente então.

— Por quê?

Ela acariciou os cabelos dele.

— Porque amar alguém não é obrigar essa pessoa a escolher você.

Seth ficou quieto.

— Ela ainda era minha tia?

Jacob respondeu:

— Sempre.

— E eu ainda era sobrinho dela?

— Sempre.

Seth chorou até adormecer entre os dois.

A partir daquele dia, ninguém na casa dos Black precisou contar novamente a Seth que Irina estava morta.

Ele sabia.

E sentia falta dela.


Edward dirigia sem destino havia horas.

Não sabia exatamente quando decidira fugir.

Talvez quando percebera que Irina estava morta.

Talvez quando finalmente conseguira soltá-la.

Talvez quando compreendera que a gravação estava com Jacob.

Não importava.

Tudo terminara.

A polícia descobriria.

Marcus falaria.

A gravação existia.

Irina estava morta.

E Jacob...

Jacob ainda tinha tudo.

Esse pensamento começou pequeno.

Depois cresceu.

Jacob ainda tinha Elena.

Ainda tinha Seth.

Ainda tinha a casa.

A empresa.

Os amigos.

A família.

Teria justiça por Rebecca.

Justiça por Salomon.

Até Irina, no fim, escolhera entregar a verdade a Jacob.

Edward apertou o volante.

Não.

Ela escolhera a verdade.

Mas, em sua mente já quebrada pelo medo, pelo remorso e pelo ódio, a diferença desapareceu.

A última coisa que Irina fizera fora entregar a Jacob a prova que destruiria Edward.

E agora ela estava morta.

Edward chorou.

Depois riu.

Depois chorou novamente.

— Você ganhou — murmurou.

Pensou em Jacob.

— Você sempre ganha.

Então pensou em Elena.

E soube exatamente o que ainda podia tirar.


Os dias seguintes foram sufocantes.

Edward continuava desaparecido.

A polícia ampliava as buscas.

Marcus também era procurado.

A casa dos Black passou a ter proteção.

Seth praticamente não soltava Jacob ou Elena.

O funeral de Irina foi uma ferida aberta.

Naquela noite, Seth dormiu no quarto de Jacob e Elena.

No meio da madrugada, acordou.

— Elena?

Ela abriu os olhos.

— Estou aqui.

— Jacob?

Do outro lado, veio a voz sonolenta:

— Aqui também, campeão.

Seth ficou quieto.

— Vocês não vão embora?

Jacob e Elena se olharam na escuridão.

Elena respondeu:

— Não hoje.

— Amanhã?

Ela respirou fundo.

— Amanhã a gente vai estar aqui também.

Seth pareceu aceitar.

Poucos minutos depois, voltou a dormir.

Jacob encontrou a mão de Elena por cima do menino.

Entrelaçou os dedos nos dela.

Nenhum dos dois disse nada.


Quatro dias depois, Elena decidiu voltar ao restaurante por poucas horas.

Jacob foi contra.

— Não.

Ela colocou os brincos.

— Não foi uma pergunta.

— Edward está desaparecido.

— E existe proteção.

— Elena.

— Jacob.

— Não faz isso.

— Fazer o quê?

— Repetir meu nome desse jeito.

— Você começou.

— Eu sou seu marido.

— Parabéns.

Jacob cruzou os braços.

— Isso deveria significar alguma coisa.

— Significa. Você tem uma aliança.

— Elena.

Ela se aproximou.

— Eu vou do carro para o restaurante. Vou ficar com Rosalie. Há gente por toda parte. Depois volto.

Jacob continuou sério.

— Três horas.

— Quatro.

— Três.

— Três e meia.

— Três.

— Três e quinze.

Jacob a encarou.

— Você está negociando quinze minutos?

— Sou casada com um empresário.

Ele não sorriu.

Elena tocou seu rosto.

— Eu preciso sair desta casa por algumas horas.

Aquilo ele compreendeu.

— Eu sei.

— Preciso lembrar que existe alguma coisa além disso.

Jacob segurou sua mão.

— Três horas e quinze.

Ela sorriu.

— Fechado.

— Eu busco você.

— Fechado.

Jacob beijou sua testa.

Depois sua boca.

Demorou mais do que pretendia.

Elena afastou-se sorrindo.

— Seth vai reclamar.

— Seth está com Billy.

— Então você não tem desculpa.

Jacob puxou-a novamente.

— Exatamente.

Ela riu contra a boca dele.

Nenhum dos dois sabia que aquela seria a última vez que ririam naquele dia.


Elena nunca chegou ao restaurante.


Quando Jacob recebeu a ligação de Rosalie perguntando por que Elena estava atrasada, sentiu antes de compreender.

— Ela saiu daqui há quarenta minutos.

Silêncio.

— Jacob...

Ele já estava de pé.

— Liga para a polícia.

— O quê?

— AGORA.

Jacob tentou o telefone de Elena.

Chamou.

Chamou.

Nada.

Outra vez.

Nada.

Na terceira tentativa, caiu diretamente na caixa postal.

O mundo desapareceu.

— Não.

Pegou as chaves.

— Não.

Emmett entrou na sala naquele momento.

— O que aconteceu?

Jacob virou.

O rosto dele foi suficiente.

— Elena.


O carro foi encontrado pouco depois.

Vazio.

Jacob chegou ao local com Emmett, Paul e Embry praticamente ao mesmo tempo que outra equipe policial.

A bolsa de Elena estava no carro.

O telefone, não.

Jacob olhou para o banco.

Para a porta.

Para tudo.

— Ele pegou ela.

Paul segurou seu ombro.

— Jacob.

— Ele pegou ela.

— Nós vamos encontrar—

Jacob virou violentamente.

— NÃO ME DIZ QUE VAI FICAR TUDO BEM!

Paul ficou imóvel.

Jacob respirava como se não houvesse ar suficiente.

Emmett aproximou-se.

— Então escuta outra coisa.

Jacob olhou.

— Você não vai fazer nenhuma idiotice.

— Sai da minha frente.

— Não.

— Emmett.

— Não.

Embry se colocou ao lado dele.

— Ele quer você desesperado.

Jacob olhou para os três.

Paul completou:

— E conseguiu.

Silêncio.

— Então agora a gente pensa.

Jacob passou as mãos pelo cabelo.

— Ele tem minha mulher.

Emmett assentiu.

— Eu sei.

— Ele tentou matar ela uma vez.

— Eu sei.

— Ele matou Rebecca.

— Eu sei.

— Matou Irina.

A voz de Jacob quebrou.

Emmett segurou seus ombros.

— Eu sei.

Jacob fechou os olhos.

— Eu não posso perder Elena.

Paul respondeu:

— Então não perde a cabeça antes de encontrar ela.


Elena acordou com dor na cabeça.

A primeira coisa que percebeu foi o frio.

A segunda foi o cheiro de poeira.

A terceira foi Edward.

Sentado a alguns metros.

Ela tentou se mover.

Estava presa à cadeira.

O medo veio.

Elena respirou.

— Finalmente — Edward disse.

Ele levantou-se.

Parecia diferente.

Não apenas cansado.

Destruído.

Olhos vermelhos.

Roupa amarrotada.

Barba por fazer.

— Onde estamos?

Edward sorriu.

— Isso importa?

— Para mim, sim.

— Um galpão.

Elena olhou ao redor.

— Percebi essa parte.

Edward riu.

— Você sempre foi assim?

— Assim como?

— Irritante.

— Jacob diz que sim.

O rosto dele mudou imediatamente.

Elena percebeu.

Jacob.

Era ali.

Tudo era Jacob.

Edward aproximou-se.

— Não fala o nome dele.

— Você me sequestrou por causa dele e não quer que eu fale o nome dele?

Edward ficou diante dela.

— Você acha engraçado?

— Não.

Ela sustentou seu olhar.

— Acho patético.

A expressão dele endureceu.

— Cuidado.

— Você matou pessoas por inveja de um homem.

— VOCÊ NÃO SABE NADA!

O grito ecoou pelo galpão.

Elena não respondeu.

Edward começou a andar.

— Ele sempre teve tudo.

— Já ouvi essa história.

Edward virou.

— O quê?

— Na gravação.

O rosto dele mudou.

— Irina entregou para vocês.

— Entregou.

Silêncio.

— Antes de você matar ela.

Edward congelou.

A raiva desapareceu.

Por um segundo.

— Cala a boca.

Elena percebeu.

Dor.

Verdadeira.

— Você amava ela.

— Cala a boca.

— Amava.

— EU MANDEI CALAR A BOCA!

Elena respirou fundo.

Edward virou de costas.

— Eu não queria matar Irina.

A voz saiu diferente.

Baixa.

— Mas matou.

Ele fechou os olhos.

— Ela ia embora.

— E?

— Ela tinha entregado tudo para Jacob.

— Então você matou sua esposa porque ela escolheu fazer a coisa certa.

Edward virou.

— Foi um acidente.

— Rebecca foi acidente?

Silêncio.

— Salomon?

Nada.

— Bella?

— Bella não devia estar naquele carro!

— Mas estava.

Edward aproximou-se.

— Elena era você!

Ela ficou imóvel.

— Você era o alvo!

— Eu sei.

— Eu queria tirar você dele.

— Por quê?

Edward riu.

— Ainda pergunta?

— Quero ouvir você dizer.

Ele parou.

Então sorriu.

Havia alguma coisa perturbadora naquele sorriso.

— Porque agora eu entendi.

— O quê?

— Dinheiro não importa.

Elena observou.

— Empresa não importa.

Ele aproximou-se.

— Eu passei tempo demais pensando que precisava tirar a Black Automotivos dele. As ações. O nome. A reputação.

Edward balançou a cabeça.

— Era pequeno.

Elena sentiu o medo aumentar.

— Quer saber o que realmente destruiria Jacob Black?

Ela não respondeu.

Edward inclinou-se.

— Você.

Silêncio.

— Sua morte.

Elena manteve os olhos nele.

— Foi por isso que mandei Marcus mexer naquele carro.

Ela respirou devagar.

— Porque eu sabia que Jacob ia perdoar você.

Edward sorriu sem humor.

— E eu estava certo.

— Estava.

A resposta o irritou.

— Ele perdoou.

— Sim.

— Casou com você.

— Sim.

— Ama você.

Elena não desviou.

— Sim.

Edward apertou a mandíbula.

— Então agora eu vou terminar o que comecei.

O medo atravessou Elena.

Mas ela não lhe daria a satisfação.

— E depois?

Edward franziu a testa.

— Depois o quê?

— Você me mata. Jacob sofre. E depois?

Silêncio.

— Irina continua morta.

O rosto dele mudou.

— Não fala dela.

— Você continua sendo o homem que matou a mulher que amava.

— CALA A BOCA!

— E Jacob continua não sendo responsável por nenhuma das suas escolhas.

Edward segurou o rosto dela.

Elena sentiu medo.

Muito.

Mas olhou diretamente para ele.

— Você acha que tudo isso é sobre Jacob.

A voz dela saiu baixa.

— Nunca foi.

Edward apertou os dedos.

— Foi sobre você.

Ele a soltou.

Virou-se.

— Se eu vou ficar sem o amor da minha vida...

Elena sentiu o coração disparar.

Edward olhou para ela.

— Jacob também vai.


O telefone de Jacob tocou.

Todos ficaram imóveis.

Número desconhecido.

Leah levantou a mão.

— Não atende ainda.

Jacob a encarou como se ela tivesse enlouquecido.

— Ele pode estar com Elena.

— Eu sei.

Ela já estava em contato com a equipe policial responsável.

Poucos segundos.

Então assentiu.

— Atende. Mantém ele falando.

Jacob aceitou.

— Onde ela está?

Uma risada.

Edward.

— Nem oi?

— Se você encostou nela—

— Você ainda dá ordens.

Jacob fechou os olhos.

Paul colocou uma mão em seu ombro.

— Quero falar com ela.

— Não.

— Edward.

— Finalmente estamos conversando, Jacob.

— Isso é entre nós.

— Sempre foi.

— Então deixa Elena ir.

Edward riu.

— Não.

Jacob apertou o telefone.

— O que você quer?

— Você.

Silêncio.

— Venha sozinho.

Leah balançou a cabeça imediatamente.

Jacob não reagiu.

— Onde?

Edward deu as instruções.

Leah anotava.

— E, Jacob?

— O quê?

— Não demora.

A ligação terminou.

Jacob já estava andando.

Emmett entrou na frente.

— Nem pensar.

— Sai.

— Ele quer exatamente isso.

— Elena está lá.

— E a polícia sabe.

— Eu vou.

— Não sozinho.

Jacob olhou para Leah.

— Ele exigiu que eu fosse sozinho.

— E você vai parecer estar sozinho.

Jacob entendeu.

Leah continuou:

— Você não vai improvisar. Não vai entrar querendo bancar o herói. Vai seguir exatamente as orientações.

— Se eu tiver uma chance de tirar Elena de lá—

— Sua prioridade é mantê-lo falando e não aumentar o risco para ela.

Jacob respirou fundo.

— Certo.

Emmett olhou para Paul.

Depois para Embry.

— Nós vamos.

Leah apontou para os três.

— Vocês vão até onde a polícia permitir.

Paul assentiu.

— Desde que a gente esteja perto.

Embry olhou para Jacob.

— Ela vai voltar.

Jacob fechou os olhos.

— Ela precisa voltar.

Emmett segurou seu ombro.

— E quando ela voltar, você pode ter seu colapso dramático.

Jacob abriu os olhos.

— Emmett.

— Estou tentando ajudar.

— Não está.

Paul respondeu:

— Nunca está.

— Ingratos.

Mesmo naquele momento, Jacob quase sorriu.

Quase.

Edward ouviu o carro antes de vê-lo.

Sorriu.

— Chegou.

Elena fechou os olhos.

— Não.

Edward olhou.

— O quê?

— Ele não devia ter vindo.

— Claro que veio.

A satisfação voltou ao rosto dele.

— Essa é a parte que você nunca entendeu sobre Jacob.

Elena respondeu:

— Eu entendo muito melhor do que você.

Edward aproximou-se.

— Ele faria qualquer coisa por você.

— Sim.

— Inclusive morrer.

Elena sustentou seu olhar.

— E é exatamente por isso que você nunca vai ser como ele.

Edward ficou imóvel.

— Porque ele morreria por alguém que ama.

Ela respirou.

— Você mata.

A porta do galpão se abriu.

— EDWARD!

Elena fechou os olhos.

Jacob.

Edward sorriu.

— Agora começa.

Jacob entrou.

Sozinho, aparentemente.

Seus olhos encontraram Elena imediatamente.

Todo o resto desapareceu.

— Elena.

Ela sentiu as lágrimas.

— Jacob.

Ele deu um passo.

— Para.

Edward o interrompeu.

Jacob parou.

— Solta ela.

— Você acha que pode dá ordens aqui.

— Você queria que eu viesse.

— E veio.

Edward riu.

— Sabia que viria.

Jacob não tirava os olhos de Elena.

— Você está machucada?

— Estou bem.

— Elena—

— Estou bem.

Edward olhou entre os dois.

E alguma coisa nele se quebrou ainda mais.

— É isso.

Jacob finalmente olhou para ele.

— O quê?

— Esse olhar.

Edward apontou para Elena.

— É isso que eu odeio.

Jacob ficou em silêncio.

— Você olha para ela como se nada mais existisse.

— Porque agora nada mais existe.

Elena fechou os olhos.

Edward riu.

— Claro.

— Edward, deixa ela ir.

— Não.

— Você me queria aqui. Estou aqui.

— Eu quero que você veja.

Jacob ficou imóvel.

— Veja o quê?

Edward aproximou-se de Elena.

Jacob deu um passo.

— NÃO ENCOSTA NELA.

Edward sorriu.

— Aí está.

— Edward.

— Sabe o que eu descobri?

Jacob respirava com dificuldade.

— Que eu não preciso do seu dinheiro.

— Eu sei.

— Não preciso da sua empresa.

— Eu sei.

— Não preciso das ações de Seth.

— Então acaba com isso.

Edward balançou a cabeça.

— Não.

A voz ficou baixa.

— Porque existe uma coisa que vale mais que tudo isso.

Ele olhou para Elena.

Jacob empalideceu.

— Não.

Edward sorriu.

— Ela.

— Edward.

— Se eu tirar seu dinheiro, você recupera.

— Solta ela.

— Se eu tirar sua empresa, você reconstrói.

— EDWARD.

— Se eu destruir sua reputação, você passa anos limpando e consegue.

Jacob respirava com dificuldade.

Edward continuou:

— Mas se eu tirar Elena...

Silêncio.

— Não existe reconstrução.

Elena começou a chorar.

Jacob olhou para ela.

— Elena.

Ela encontrou seus olhos.

— Só olha para mim.

— Estou olhando.

— Continua.

Edward gritou:

— PARA!

Jacob não desviou.

— Eu amo você.

Elena chorou.

— Eu amo você também.

Edward perdeu o controle.

— CALA A BOCA!

O momento seguinte aconteceu rápido.

Edward avançou.

Jacob reagiu.

Do lado de fora, a movimentação já havia começado.

Ordens ecoaram.

Edward percebeu.

— Você trouxe a polícia!

Jacob não negou.

— Você realmente achou que eu colocaria Elena em mais risco vindo sozinho para satisfazer seu ego?

Edward recuou.

— Seu desgraçado.

— Acabou.

— NÃO ACABOU!

Mais vozes.

Mais perto.

Edward percebeu que estava cercado.

Por um instante, olhou ao redor como um homem que finalmente compreendia que não havia saída.

— Eu perdi tudo.

Jacob respondeu:

— Você destruiu tudo.

Edward olhou para ele.

— Irina está morta.

Jacob ficou imóvel.

— Eu amava ela.

— Então devia ter amado melhor.

Edward pareceu levar um golpe.

— Ela me escolheu.

As lágrimas caíram.

— No fim, ela disse que tinha me escolhido.

Jacob respirou fundo.

— Escolheu.

Edward olhou.

— Ela me contou.

Silêncio.

— Disse que amou você.

O rosto de Edward se desfez.

— Muito.

— Cala a boca.

— Disse que construiu uma vida com você porque queria aquela vida.

— Cala a boca.

— Você teve o amor dela.

Edward chorava.

— CALA A BOCA!

— E foi você que destruiu.

Edward avançou.

Foi o erro.

A polícia entrou.

Ordens ecoaram pelo galpão.

Edward tentou reagir.

Não conseguiu.

Em poucos segundos estava contido.

No chão.

Gritando.

Jacob não olhou para ele.

Nem uma vez.

Correu para Elena.

— Amor.

Ajoelhou-se.

As mãos tremiam tanto que mal conseguia soltá-la.

— Jacob.

— Eu estou aqui.

— Eu sei.

— Ele machucou você?

— Não muito.

Jacob parou.

— O que significa “não muito”?

Apesar das lágrimas, Elena soltou uma risada quebrada.

— Você continua sendo você.

— Elena.

— Depois.

Ele finalmente conseguiu libertá-la.

No instante em que os braços ficaram livres, Elena se lançou contra ele.

Jacob a segurou.

Forte.

Ela não reclamou.

— Eu achei...

Ele não terminou.

— Eu sei.

— Eu achei que...

— Eu sei.

Jacob enterrou o rosto nos cabelos dela.

— Eu não podia perder você.

Elena apertou os braços ao redor dele.

— Não perdeu.

— Ele já tinha tentado uma vez.

— Eu sei.

— Eu devia ter—

Ela afastou o rosto.

— Nem começa.

Jacob olhou para ela.

— Você está me dando bronca?

— Estou.

— Você foi sequestrada.

— E continuo certa.

Jacob soltou uma risada que virou choro.

Elena tocou seu rosto.

— Ei.

Ele fechou os olhos.

Ela beijou sua testa.

— Eu estou aqui.

Jacob abriu os olhos.

— Está.

— E você veio.

— Sempre.

Elena sorriu entre as lágrimas.

— Eu sabia.


Do lado de fora, Emmett foi o primeiro a vê-los.

Elena caminhava abraçada a Jacob, envolvida em uma manta.

Paul soltou o ar que parecia prender havia horas.

Embry fechou os olhos por um instante.

Emmett aproximou-se.

— Você está bem?

Elena assentiu.

— Acho que sim.

Emmett olhou para Jacob.

— E você?

— Não.

Elena respondeu por ele:

— Definitivamente não.

Paul quase sorriu.

— Parece normal.

Jacob olhou para ele.

— Não começa.

— Está bem.

Embry aproximou-se de Elena.

— Seth está com Billy e Rachel.

Ela respirou aliviada.

— Obrigada.

Jacob passou o braço com mais força pela cintura dela.

— Nós vamos para casa.

Elena assentiu.

— Vamos.

— E depois...

Ela percebeu o tom.

— Depois o quê?

Jacob olhou para ela.

— Depois eu vou te trancar no nosso quarto, na nossa cama, e não vou deixar você sair nunca mais de lá.

Silêncio.

Emmett ergueu lentamente as sobrancelhas.

Elena piscou.

Paul virou o rosto.

Embry tossiu.

Jacob percebeu.

Tarde demais.

Emmett abriu um sorriso enorme.

— Bom...

Jacob fechou os olhos.

— Não.

— Eu não falei nada.

— Nem começa.

— Só estou dizendo que existem formas muito piores de recuperação pós-sequestro.

— Emmett.

Elena mordeu o lábio para não rir.

Emmett continuou:

— Inclusive, dependendo do tratamento, talvez ela nem queira sair.

Paul soltou uma gargalhada.

Jacob apontou para Emmett.

— Cala a boca.

— Você falou “na nossa cama”. Eu não coloquei palavra nenhuma na sua boca.

— Você sabe perfeitamente o que eu quis dizer.

— Não sei. Gostaria de esclarecimentos.

Embry finalmente começou a rir.

— Emmett...

— É uma questão legítima.

Elena já estava vermelha.

Jacob olhou para ela.

— Não ajuda.

— Eu não estou fazendo nada.

— Está rindo.

— Acabei de ser sequestrada. Tenho direito.

Emmett assentiu solenemente.

— Apoio completamente. Inclusive recomendo repouso prolongado na cama.

— EMMETT!

Paul se apoiou no carro, rindo.

— Cara, você facilitou muito.

— Eu estava falando que ela vai descansar!

Emmett arregalou os olhos.

— Ah. Descansar.

Jacob avançou um passo.

Emmett recuou.

— Certo. Certo.

Fez uma pausa.

— Embora, tecnicamente, atividades conjugais também possam—

— EU VOU MATAR VOCÊ.

Elena segurou o braço de Jacob.

— Não.

Emmett apontou para ela.

— Obrigado.

— Não porque eu esteja defendendo você.

— Ah.

— Porque já tivemos crimes suficientes por hoje.

Paul perdeu completamente a compostura.

Embry precisou virar de costas.

Até um dos policiais próximos pareceu disfarçar um sorriso.

Jacob olhou para todos.

— Eu odeio vocês.

Emmett sorriu.

— Você nos ama.

— Neste momento, não.

— Elena ama.

Elena levantou uma sobrancelha.

— Estou reconsiderando.

Emmett colocou a mão no peito.

— Depois de tudo que fiz por este casal?

Paul respondeu:

— O que exatamente você fez?

— Suporte emocional.

— Você fez piada sobre a cama deles dois minutos depois de ela sair de um cativeiro.

— Humor é suporte emocional.

Embry balançou a cabeça.

— Na cabeça dele, talvez.

Emmett voltou-se para Elena.

— Só uma dúvida.

Jacob apontou imediatamente.

— NÃO.

— Nem sabe o que eu ia perguntar.

— Não importa.

— Eu ia perguntar se você prefere café da manhã no quarto amanhã.

Elena começou a rir.

Jacob ficou desconfiado.

— Só isso?

— Claro.

Pausa.

— Porque aparentemente sair da cama não será uma opção.

Jacob avançou.

Emmett correu.

Paul gargalhou.

Embry foi atrás dos dois.

Elena ficou parada por alguns segundos, olhando Jacob ameaçar o melhor amigo no estacionamento enquanto Emmett gritava:

— FOI VOCÊ QUE DISSE!

E então ela riu.

Riu de verdade.

Depois de medo.

Depois do galpão.

Depois de Edward.

Depois de acreditar, durante alguns minutos, que talvez nunca voltasse para casa.

Jacob parou ao ouvir.

Virou-se.

Elena estava rindo.

E tudo nele mudou.

Emmett percebeu.

Paul também.

Jacob voltou para ela.

— O quê?

Elena balançou a cabeça.

— Nada.

— Está rindo de mim.

— Um pouco.

— Meu melhor amigo é um idiota.

Emmett gritou de longe:

— EU OUVI!

Elena sorriu.

— Seu melhor amigo fez você me fazer rir.

Jacob olhou para Emmett.

Depois para ela.

— Então talvez eu não mate ele.

— Generoso.

— Talvez amanhã.

Emmett gritou:

— POSSO NÃO IR À CASA DE VOCÊS AMANHÃ! PARECE QUE O QUARTO VAI ESTAR OCUPADO!

Jacob fechou os olhos.

— Eu mudei de ideia.

Elena segurou seu rosto e o beijou.

— Vamos para casa.

Jacob encostou a testa na dela.

— Para o nosso quarto?

Elena afastou-se lentamente.

— Jacob Black...

Ele finalmente sorriu.

— O quê? Foi você que casou comigo.

Ela riu novamente.

— Casa.

— Casa.


Quando entraram, Seth correu escada abaixo.

— ELENA!

Ela mal teve tempo de se abaixar.

O menino se lançou contra ela.

— Ei!

Seth apertou os braços ao redor de seu pescoço.

— Você sumiu!

Elena fechou os olhos.

— Eu sei.

— Eu fiquei com medo.

— Eu também.

Ele afastou o rosto.

— Edward pegou você?

Elena olhou rapidamente para Jacob.

Eles já tinham combinado que não mentiriam, mas também não dariam à criança detalhes que não precisava carregar.

— Pegou.

— Ele machucou você?

— Estou bem agora.

Seth abraçou-a novamente.

— Ele está preso?

Jacob respondeu:

— Está.

Seth ficou quieto.

— Ele matou a tia Irina.

O ambiente mudou.

Elena acariciou seus cabelos.

— Sim.

— Então ele vai responder por isso também?

Jacob ajoelhou-se.

— Por tudo que fez.

Seth assentiu.

Não perguntou novamente se Irina voltaria.

Sabia que não.

Aquilo talvez fosse o mais triste.

Elena beijou sua testa.

— Senti sua falta.

— Eu também.

— Muito?

Seth abriu os braços.

— Desse tamanho.

Elena sorriu.

— Isso é bastante.

— Muito.

Jacob aproximou-se.

Seth olhou para ele.

— Você salvou Elena?

Jacob respondeu:

— Muita gente ajudou.

— Mas você foi buscar ela.

— Fui.

Seth pensou.

— Igual nos filmes?

Emmett entrou exatamente naquele momento.

— Não.

Todos olharam.

— Eu estava lá. Foi bem menos elegante.

Jacob fechou os olhos.

— Por que você entrou na minha casa?

Emmett mostrou a chave.

— Ainda tenho isso.

— Me dá.

— Não.

— Emmett.

Seth sorriu pela primeira vez.

— Ele salvou Elena também?

Emmett abriu os braços.

— Finalmente alguém reconhece.

Paul entrou atrás.

— Ele ficou do lado de fora.

— Questões operacionais.

Embry apareceu.

— Ele quase tropeçou numa lixeira.

Elena começou a rir.

Emmett apontou.

— Isso é difamação.

— Eu vi — Paul respondeu.

— Estava escuro.

Jacob olhou para Elena.

— Quantas pessoas vão entrar aqui?

Alice apareceu na porta.

— Mais duas.

Rosalie veio atrás.

Jacob fechou os olhos.

— Claro.

Alice correu para Elena.

Rosalie a abraçou logo depois.

Seth permaneceu perto.

Jacob ficou olhando.

Casa cheia.

De novo.

Barulho.

Gente falando ao mesmo tempo.

Paul discutindo com Emmett.

Alice chorando.

Rosalie querendo saber se Elena precisava de alguma coisa.

Embry procurando água.

Seth agarrado à lateral da camisa dela.

Jacob respirou.

Ela estava ali.


Algum tempo depois, Seth apareceu com uma barra de chocolate.

Jacob olhou.

Depois olhou novamente.

— Onde você conseguiu isso?

Seth congelou.

Elena imediatamente começou a sorrir.

— Seth.

— O quê?

— Onde conseguiu?

O menino apontou para Jacob.

— No esconderijo dele.

Jacob virou lentamente para Elena.

— Você contou.

Ela ergueu as mãos.

— Eu juro que não.

Seth respondeu:

— Eu achei sozinho.

Emmett estendeu a mão.

— Estou orgulhoso.

Jacob afastou a barra dele.

— Não incentiva.

Seth segurou o chocolate contra o peito.

— É emergência.

Jacob franziu a testa.

— Como assim?

Seth apontou para Elena.

— Ela foi sequestrada.

Silêncio.

— Isso parece emergência.

Elena foi a primeira a rir.

Paul veio logo depois.

Embry também.

Jacob fechou os olhos.

— Está bem.

Seth arregalou os olhos.

— Posso?

— Hoje pode.

— Tudo?

— Não exagera.

Seth quebrou um pedaço.

Entregou primeiro para Elena.

— Para você.

Ela pegou.

— Obrigada.

Outro para Jacob.

— Para você.

Jacob aceitou.

— Obrigado, campeão.

Seth pegou um para si.

— Para mim.

Emmett estendeu a mão.

— E para o tio Emmett?

Seth olhou para a barra.

Depois para ele.

— Não.

Paul começou a rir.

— Eu amo esse garoto.

Emmett ficou ofendido.

— Por quê?

Seth respondeu:

— Porque você falou da cama do Jacob e da Elena.

Silêncio absoluto.

Elena arregalou os olhos.

Jacob virou lentamente para Emmett.

Paul colocou a mão na boca.

Embry olhou para o teto.

Emmett piscou.

— Como você sabe disso?

Seth deu de ombros.

— Vocês falam alto.

Jacob fechou os olhos.

— Eu vou me mudar.

Elena começou a rir.

— Da sua própria casa?

— Sim.

Emmett recuperou o sorriso.

— Não precisa. Só deixa o quarto.

Jacob apontou para a porta.

— FORA.

— Está bem!

Emmett começou a andar.

Parou.

Virou.

— Só por curiosidade, aquela parte de trancar ela na cama continua valendo ou—

Jacob pegou uma almofada.

Emmett correu.

A almofada atingiu Paul.

— EI!

Seth começou a gargalhar.

Elena sentou no sofá rindo.

Jacob ficou parado no meio da sala.

Alice ria.

Rosalie ria.

Embry ria.

Paul segurava a almofada como se tivesse sido pessoalmente traído.

Emmett gritava do corredor:

— A VIOLÊNCIA NÃO É A RESPOSTA!

Jacob respondeu:

— HOJE ESTÁ PARECENDO!

Elena chamou:

— Jacob.

Ele virou.

Ela estendeu a mão.

Jacob foi até ela.

Elena entrelaçou os dedos nos dele.

— Senta.

— Estou considerando expulsar todos.

— Depois.

Ele sentou.

Ela apoiou a cabeça em seu ombro.

Seth imediatamente se encaixou do outro lado.

Jacob passou um braço em volta dos dois.

Por alguns segundos, ficou apenas olhando a sala.

Edward tentara tirar tudo dele.

Não conseguira.

Porque tudo que Jacob realmente precisava estava ali.

Não na empresa.

Não no dinheiro.

Não no sobrenome Black.

Ali.

Nos braços dele.

Na criança discutindo por chocolate.

Na mulher que acabara de sobreviver pela segunda vez à obsessão de Edward.

Nos amigos inconvenientes que apareceriam mesmo quando ninguém os convidasse.

No barulho.

Na bagunça.

Na vida.

Elena levantou o rosto.

— O que foi?

— Nada.

— Está fazendo aquela coisa.

— Que coisa?

— Pensando demais.

Jacob beijou sua testa.

— Estava pensando que amo você.

Ela sorriu.

— Você fala bastante ultimamente.

— Posso parar.

— Nem pense nisso.

— Imaginei.

Seth olhou para os dois.

— Vocês vão se beijar?

Jacob respondeu:

— Provavelmente.

Seth levantou imediatamente.

— Eu vou embora.

Elena riu.

— Para onde?

— Pegar mais chocolate.

— NÃO!

Ele correu.

Jacob levantou.

— SETH!

Elena segurou a camiseta dele.

— Deixa.

Jacob olhou.

— Ele vai comer tudo.

— Hoje pode.

— Elena.

— Hoje pode.

Jacob suspirou.

— Você estraga essa criança.

— Nossa criança.

Ele parou.

Elena também percebeu o que tinha dito.

Seth não ouvira.

Os outros continuavam conversando.

Mas Jacob ouviu.

— Nossa?

Elena olhou para ele.

Então sorriu.

— Nossa.

Jacob não respondeu.

Apenas segurou seu rosto e a beijou.

Emmett imediatamente gritou:

— COMEÇOU! TODO MUNDO EMBORA! ELES VÃO PARA O QUARTO!

Elena começou a rir contra a boca de Jacob.

Jacob afastou-se.

— EMMETT!

— O quê? Estou ajudando!

— Como?!

— Privacidade!

Paul agarrou Emmett pelos ombros.

— Vem. Antes que ele realmente mate você.

— Finalmente alguém sensato.

Embry abriu a porta.

Rosalie puxou Alice.

Emmett ainda conseguiu olhar para Jacob uma última vez.

— Boa noite!

Jacob estreitou os olhos.

— Vai embora.

— Durmam bem!

— EMMETT.

— Ou não durmam!

A porta fechou.

Silêncio.

Dois segundos.

Elena explodiu em gargalhadas.

Jacob olhou para ela.

— Não tem graça.

— Tem muita graça.

— Eu estava falando sério quando disse que ia trancar você no quarto.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Na cama.

Jacob percebeu a armadilha.

— Elena.

— Você foi bastante específico.

— Eu estava desesperado.

— Sei.

— Queria dizer que você vai descansar.

— Claro.

— Elena.

Ela aproximou o rosto.

— Jacob?

— Você está fazendo de propósito.

— Talvez.

Ele segurou sua cintura.

— Perigoso.

— Por quê?

Jacob aproximou a boca da dela.

— Porque agora estamos em casa.

Elena sorriu.

— E?

— Nosso quarto está lá em cima.

Ela colocou os braços em volta do pescoço dele.

— Nossa cama também.

Jacob fechou os olhos.

— Você está pior que Emmett.

— Impossível.

Do andar de cima:

— EU ACHEI OUTRO CHOCOLATE!

Jacob abriu os olhos.

Elena começou a rir novamente.

— Seu filho.

— Nosso filho.

— Hoje é seu.

Jacob olhou para ela.

— Covarde.

— Marido.

Ele beijou sua testa.

— Esposa.

Então levantou.

— SETH! DEVOLVE O CHOCOLATE!

Elena ficou olhando enquanto ele subia as escadas.

Vivo.

Irritado.

Amado.

Em casa.

Edward tentara destruir Jacob tirando dele a mulher que amava.

Fracassara.

E naquela noite Jacob não precisava de uma promessa impossível de que nunca mais perderia Elena.

Precisava apenas subir aquela escada.

Discutir com Seth sobre chocolate.

Voltar.

Encontrar Elena esperando.

E escolher, mais uma vez, permanecer.

Porque talvez fosse isso que aquela família finalmente estivesse aprendendo.

Amor não era impedir que o mundo machucasse as pessoas que amavam.

Era continuar voltando umas para as outras depois que ele tentava.

E, naquela noite, todos tinham voltado para casa.