O PESO DE UMA PROMESSA

2 CAPÍTULO 2- Dois Mundos


— BELLA!

O grito atravessou o pequeno apartamento às sete e vinte e três da manhã.

Alice Brandon, sentada à mesa da cozinha com uma xícara de café em uma das mãos e uma agulha presa entre os lábios, ergueu os olhos para o teto.

Silêncio.

Então:

— ISABELLA SWAN!

Alice retirou lentamente a agulha da boca.

— Agora usou Isabella.

Olhou para o vestido azul-marinho espalhado sobre a mesa.

— Temos aproximadamente trinta segundos antes de uma morte.

Um estrondo veio do corredor.

A porta do quarto se abriu.

Bella apareceu usando uma camiseta larga, um short minúsculo e apenas uma meia.

Seus cabelos estavam completamente desgrenhados.

— O quê?!

Elena surgiu da cozinha segurando um envelope.

— O que é isso?

Bella olhou para o envelope.

Depois para Elena.

— Papel?

Alice abaixou a cabeça para esconder o sorriso.

Elena estreitou os olhos.

— Muito engraçado.

— Você perguntou o que era.

— Eu sei que é papel.

— Então por que perguntou?

— Bella...

Alice ergueu um dedo.

— Como mediadora imparcial desta família...

— Você não é imparcial — Elena e Bella responderam juntas.

Alice pareceu ofendida.

— Isso foi desnecessário.

Elena colocou o envelope sobre a mesa.

— Conta da faculdade.

Bella imediatamente perdeu parte da expressão desafiadora.

— Ah.

— “Ah”?

— Eu ia falar.

— Quando?

Bella deu de ombros.

— Hoje.

— Vence amanhã.

— Então tecnicamente ainda temos um dia.

Elena fechou os olhos.

Inspirou.

Expirou.

Alice observou.

— Um...

Elena abriu os olhos.

— Não conte.

— Eu estava ajudando.

— Não está.

Alice tomou um gole de café.

— Certo.

Elena voltou-se para Bella.

— Por que você não me entregou isso antes?

— Porque você já está preocupada com o aluguel.

— Isso não é uma resposta.

— É exatamente uma resposta.

— Isabella.

Bella cruzou os braços.

— Eu sabia que você ia ficar assim.

— Assim como?

— Assim.

— Defina “assim”.

Bella gesticulou para ela inteira.

— Elena.

Alice engasgou com o café.

Elena virou-se lentamente.

— Você está achando engraçado?

Alice limpou a boca.

— Nem um pouco.

— Está rindo.

— Reflexo nervoso.

Elena voltou-se para a irmã.

— Bella, eu preciso saber quando chegam essas coisas. Não pode esconder contas de mim.

— Eu não escondi.

— Estava dentro da sua mochila.

— É onde eu guardo papéis.

— Debaixo da cama.

Bella hesitou.

— Minha mochila estava debaixo da cama.

— Exatamente.

— Tecnicamente...

— Não existe “tecnicamente”!

— Você fala isso quando está nervosa.

— Porque você me deixa nervosa!

Alice ergueu novamente a mão.

— Posso sugerir que ninguém mate ninguém antes das oito? Tenho uma cliente vindo experimentar esse vestido às nove e sangue é muito difícil de tirar de seda.

Elena encarou a amiga.

Alice sorriu.

Era impossível permanecer séria perto de Alice Brandon por muito tempo.

Esse provavelmente era um de seus maiores talentos.

Ou defeitos.

Dependia do dia.

Aos vinte e quatro anos, Alice havia acabado de concluir a faculdade de Moda e possuía planos que variavam entre abrir a própria marca, conquistar Paris e convencer alguma celebridade a usar um de seus vestidos no tapete vermelho.

O fato de ainda não possuir emprego fixo parecia um detalhe administrativo.

Enquanto a grande oportunidade não aparecia, costurava.

Vestidos.

Saias.

Barras.

Ajustes.

Transformações.

Qualquer coisa que pudesse render algum dinheiro.

Metade da pequena sala do apartamento havia se transformado em ateliê.

Havia tecidos sobre o sofá, linhas em caixas, revistas de moda empilhadas perto da televisão e um manequim no canto usando apenas metade de um vestido.

Elena apontou para ele certa vez e perguntou:

— Alice, isso precisa ficar olhando para mim enquanto eu janto?

Alice respondeu:

— O nome dela é Audrey.

Desde então, ninguém teve permissão para chamar o manequim de “isso”.

— Quanto? — Bella perguntou.

Elena olhou novamente a conta.

— Não importa.

— Claro que importa.

— Eu resolvo.

Bella bufou.

— É sempre isso.

Elena franziu a testa.

— Isso o quê?

— “Eu resolvo.”

— Porque eu resolvo.

— Exatamente.

Alice percebeu a mudança.

— Bella...

— Não. É verdade. — Bella apontou para Elena. — Você acha que tem que resolver tudo.

— Alguém precisa resolver.

— Eu não pedi para você pagar minha faculdade.

O silêncio caiu imediatamente.

Elena ficou imóvel.

Alice fechou os olhos.

Bella percebeu tarde demais.

— Lena...

— Você quer estudar?

— Claro que quero.

— Então eu vou pagar.

— Mas...

— Acabou.

Elena pegou a conta.

Bella levantou-se.

— Você não pode simplesmente decidir tudo!

— Enquanto eu estiver pagando suas contas, posso decidir algumas coisas.

— Eu tenho dezoito anos!

— Exatamente. Dezoito. Não oitenta.

— Eu sou adulta!

Elena olhou para a única meia no pé dela.

— Você não consegue encontrar nem o outro pé da sua meia.

Bella olhou para baixo.

— Isso não tem nada a ver.

Alice não conseguiu se controlar.

Começou a rir.

Bella apontou para ela.

— Não ajuda!

— Desculpa.

— E você está sempre do lado dela!

Alice parou de rir.

— Isso não é verdade. Às vezes estou do seu lado.

— Quando?

Alice pensou.

— Em 2024 teve aquela coisa...

— Alice!

— Estou tentando lembrar!

Elena finalmente deixou escapar uma risada.

Pequena.

Mas suficiente.

Bella olhou para ela.

E sorriu também.

Era assim naquela casa.

Brigavam.

Gritavam.

Discutiam por dinheiro, horários, louça, roupas espalhadas, contas e pelo fato de Bella aparentemente acreditar que toalhas molhadas pertenciam sobre camas.

Mas se amavam.

Profundamente.

Elena olhou para as duas e, por alguns segundos, sentiu aquela sensação conhecida.

Responsabilidade.

Sempre responsabilidade.

Mesmo quando ria.

Mesmo quando estava feliz.

Havia permanentemente uma parte de sua mente fazendo contas.

Aluguel.

Luz.

Mercado.

Transporte.

Faculdade.

Ela não sabia simplesmente relaxar.

Nunca aprendera.

Talvez porque sua infância tivesse terminado aos seis anos.

— Vou conseguir um emprego — disse.

Alice imediatamente apontou para ela.

— Hoje.

Elena arqueou uma sobrancelha.

— Como é?

— Você vai conseguir um emprego hoje.

— Obrigada pela pressão.

— Não é pressão. É manifestação.

Bella gemeu.

— Lá vem.

Alice ignorou.

— O universo responde à intenção.

Elena pegou a cafeteira.

— O universo aceita currículo?

— Sarcasmo bloqueia abundância.

— E aluguel bloqueia a porta se não for pago.

— Você é extremamente negativa.

— Eu sou extremamente pobre.

Bella soltou uma risada.

Alice apontou para ela.

— Vocês duas precisam trabalhar a energia da prosperidade.

— Minha energia da prosperidade está com quarenta e três dólares na conta — Elena respondeu.

— Quarenta e oito — Alice corrigiu.

Elena olhou para ela.

— Você depositou?

— Vendi a saia verde.

— Alice...

— O quê?

— Eu disse que esse dinheiro era seu.

Alice deu de ombros.

— E eu moro aqui.

— Você precisa comprar material.

— Já comprei.

— Como?

Alice sorriu misteriosamente.

Elena ficou desconfiada.

— Alice.

— Promoção.

— Quanto?

— Irrelevante.

— Alice.

— Muito barata.

— Quanto?

— Vamos falar sobre seu currículo?

Elena apontou para a amiga.

— Voltaremos a esse assunto.

— Não voltaremos.

Bella aproveitou a distração e começou a sair da cozinha.

— Aonde você vai?

Ela parou.

— Faculdade?

— Você ainda está de pijama.

— Eu vou trocar.

— E tomar café.

— Não estou com fome.

— Bella.

— Elena.

— Café.

— Eu como lá.

— Com qual dinheiro?

Bella fechou a boca.

Elena apontou para a cadeira.

— Senta.

Bella sentou-se bufando.

Alice colocou uma torrada diante dela.

— Sua carcereira preparou ovos.

— Vocês são insuportáveis.

— E você nos ama — Alice respondeu.

Bella mordeu a torrada.

— Infelizmente.

Elena sorriu.

Não viu quando Bella discretamente empurrou para dentro da mochila um pequeno panfleto dobrado.

FESTA — CASA KAPPA — 23H.

Nem percebeu o sorriso que a irmã tentou esconder.


Do outro lado da cidade, Jacob Black detestava atrasos.

Detestava desorganização.

Detestava reuniões que poderiam ter sido e-mails.

Detestava pessoas que diziam “vamos ver”.

Detestava gravatas tortas.

Detestava café frio.

E, naquela manhã, estava prestes a descobrir que detestava profundamente apresentações em PowerPoint com erros ortográficos.

— Pare.

A sala ficou em silêncio.

Um homem diante da enorme tela parou de falar.

Jacob permaneceu sentado na cabeceira da mesa.

Terno escuro.

Camisa impecavelmente branca.

Gravata perfeitamente alinhada.

Nenhuma expressão.

— Volte.

O funcionário apertou um botão.

O slide anterior reapareceu.

Jacob apontou.

— Terceira linha.

O homem leu.

Empalideceu.

— Senhor Black, eu...

— Quantas pessoas revisaram isso?

— Duas.

— Então três pessoas não sabem escrever a palavra “expansão”.

Ninguém respirou.

— Corrija.

— Sim, senhor.

— Próximo.

A apresentação continuou.

Paul Lahote, sentado algumas cadeiras adiante, observava Jacob com uma expressão divertida.

Quando a reunião terminou e todos começaram a sair, permaneceu sentado.

Jacob fechou uma pasta.

— O quê?

— Nada.

— Está me olhando.

— Estou.

— Pare.

Paul sorriu.

— Você sabe que as pessoas têm medo de você?

— Ótimo.

— Isso não é normal.

— Funciona.

— O rapaz quase chorou por causa de uma palavra.

— A palavra estava errada.

— Era um N.

— Era o N errado.

Paul levantou-se.

— Você precisa de férias.

— Não.

— Uma mulher.

Jacob ergueu os olhos.

— Saia.

— Sexo?

— Paul.

— Terapia?

— Fora.

Paul começou a rir.

A porta se abriu.

— Ele está oferecendo terapia de novo?

Rachel Black entrou sem bater.

Jacob fechou os olhos.

— Por que ninguém bate nesta porta?

Rachel caminhou diretamente até Paul e lhe deu um beijo.

— Porque somos família.

— Este é meu escritório.

— E essa é minha empresa também.

— Você possui ações. Não significa que possa invadir meu escritório.

— Significa exatamente isso.

Paul passou um braço pela cintura dela.

— Eu estava explicando ao seu irmão que ele precisa se divertir.

Rachel olhou para Jacob.

— Tentativa inútil.

— Obrigado.

— Você nasceu com quarenta e cinco anos.

— Rachel.

— Acho que no ultrassom ele já estava usando gravata — ela disse a Paul.

Paul gargalhou.

Jacob voltou aos documentos.

— Terminaram?

— Não.

A porta tornou a abrir.

Jacob ergueu a cabeça lentamente.

Rebecca Black Grey entrou.

— Ótimo. Reunião de família.

— Saiam.

Rebecca ignorou.

— Jake, você vai jantar conosco hoje?

— Não.

— Ótimo, então às sete.

— Eu disse não.

— Eu ouvi.

— Então por que perguntou?

— Educação.

Rachel sentou-se no sofá.

— Não adianta. Ele tem uma reunião às sete e meia.

Rebecca olhou para Jacob.

— Cancele.

— Não.

— É aniversário de casamento.

— De quem?

Rebecca ficou boquiaberta.

— Meu!

Jacob finalmente levantou os olhos.

— É amanhã.

Rebecca olhou para Rachel.

Rachel olhou para Paul.

Paul começou a rir.

Rebecca pegou o celular.

— Não é possível.

Jacob voltou aos papéis.

— Amanhã. Oito anos.

Rebecca conferiu.

Silêncio.

— Eu sabia.

— Evidentemente.

— Estava testando você.

— Claro.

Rachel começou a rir.

— Você esqueceu seu próprio aniversário de casamento?

— Não esqueci.

— Esqueceu.

— Confundi os dias.

— Isso se chama esquecer.

— Salomon também deve ter esquecido.

Jacob finalmente sorriu de leve.

Quase imperceptível.

— Salomon fez uma reserva há três semanas.

Rebecca ficou indignada.

— Como você sabe?

— Ele me perguntou qual restaurante escolher.

— Traidor.

— Você acabou de esquecer o aniversário de casamento de vocês.

— Isso não é relevante.

Paul se inclinou para Rachel.

— Sua família é estranha.

— Você está namorando comigo.

— Estou reconsiderando.

Rachel bateu nele.

Então uma pequena voz surgiu no corredor.

— TIO JAKE!

Jacob congelou.

A porta abriu com força.

Um menino de cinco anos entrou correndo.

— Seth! — Rebecca chamou. — Não corre!

Tarde demais.

Seth atravessou o escritório e se lançou contra Jacob.

O homem que minutos antes fizera um funcionário adulto quase entrar em colapso abandonou imediatamente a pasta.

— Ei!

Pegou o menino no ar.

Seth gargalhou.

— Você demorou!

— Eu estava trabalhando.

— Você sempre trabalha.

— Alguém precisa pagar seus brinquedos.

— Minha mãe paga.

— Com dinheiro da empresa.

— Então é meu dinheiro também.

Paul soltou uma gargalhada.

Jacob olhou para Rebecca.

— O que você anda ensinando para ele?

— Nada disso veio de mim.

Seth segurou o rosto do tio com as duas mãos.

— Você prometeu.

Jacob franziu a testa.

— O quê?

— Carro.

— Que carro?

Seth abriu os braços.

— O grande!

Jacob pareceu lembrar.

— Ah.

Rebecca apontou imediatamente.

— Não.

— Eu não disse nada.

— Estou vendo sua cara.

— Que cara?

— A cara de quem vai fazer exatamente o que ele pedir.

— Não tenho essa cara.

Rachel começou a rir.

— Tem.

Seth fez beicinho.

— Você prometeu.

Jacob olhou para o menino.

Cinco segundos.

— Está bem.

— Jacob!

Seth ergueu os braços.

— SIM!

Jacob o colocou no chão.

— Mas você vai ficar longe enquanto eu ligar.

— Eu posso dirigir?

— Não.

— Só um pouquinho?

— Não.

Seth inclinou a cabeça.

Jacob hesitou.

Rebecca apontou para ele.

— Nem pense.

— Eu não estava...

— Estava.

Paul gargalhou.

— É impressionante.

Jacob franziu a testa.

— O quê?

— Você.

— O que tem?

— Black Automotivos tem quase oito mil funcionários e nenhum consegue mudar uma decisão sua.

Paul apontou para Seth.

— Esse aí faz você mudar em quatro segundos.

Jacob olhou para o sobrinho.

Seth sorria.

— Três — Rachel corrigiu.

Jacob tentou manter a expressão séria.

Falhou.

Seth pulou novamente em seus braços.

E Jacob riu.

Não um sorriso discreto.

Não aquela pequena contração educada que usava em eventos corporativos.

Riu de verdade.

Rebecca observou o irmão.

— Pronto — disse. — Ainda está vivo.

— Não se acostume.

— Vou registrar o momento.

Ela levantou o celular.

Jacob imediatamente voltou a ficar sério.

— Rebecca.

— Sorri!

— Abaixe isso.

— Seth, faz cócegas nele!

O menino atacou.

— Seth!

Jacob tentou segurá-lo.

Rebecca tirou várias fotos.

Rachel ria.

Paul ria.

Seth gritava.

Por alguns minutos, o escritório impecável de Jacob Black deixou de parecer o escritório de um dos homens mais poderosos do setor automotivo.

Era apenas uma família.

Barulhenta.

Inconveniente.

Feliz.

Jacob não sabia que um dia sentiria falta daquele barulho.


Enquanto isso, do outro lado da cidade...

— Não.

— Leia primeiro.

— Alice, eu disse não.

— Você nem leu!

Elena continuou digitando no notebook.

— Se veio de você e começa com “oportunidade incrível”, provavelmente envolve trabalhar de graça.

Alice colocou o celular diante do rosto dela.

— Leia.

— Estou preenchendo um formulário.

— Você já preencheu dezessete.

— Dezesseis.

— Dezessete. Estou contando.

Bella estava deitada no sofá olhando o próprio celular.

— Ela está certa.

Elena olhou para a irmã.

— Você não deveria estar estudando?

— Estou.

— Instagram não é matéria.

— Você não sabe meu curso inteiro.

— Bella.

— Tá bom.

Bella abriu um livro.

Alice continuou com o celular diante de Elena.

— Leia.

Elena bufou.

Pegou o aparelho.

Leu.

Seu rosto mudou.

— Chef particular?

Alice sorriu.

— Continue.

Elena continuou.

— Residência particular... disponibilidade integral... formação em Gastronomia...

Parou.

— Experiência desejável.

— Desejável — Alice repetiu. — Não obrigatória.

— Provavelmente querem alguém com dez anos de experiência.

— Provavelmente não.

— Como sabe?

— Não sei.

— Alice.

— Continue.

Elena chegou ao salário.

Piscou.

Leu novamente.

— Isso está errado.

Bella levantou imediatamente a cabeça.

— Quanto?

Elena virou o celular.

— Não é da sua conta.

Bella pulou do sofá.

— Então é muito.

— Senta.

— Deixa eu ver!

— Bella!

Alice arrancou o celular da mão de Elena.

— O suficiente para pagar o aluguel, as contas e a faculdade da pequena delinquente.

Bella pareceu ofendida.

— Eu não sou delinquente.

— Ainda — Elena murmurou.

Bella sorriu inocentemente.

— Exatamente.

Elena voltou ao anúncio.

— Tem alguma coisa errada.

Alice gemeu.

— Por quê?

— Ninguém paga isso para uma recém-formada.

— Então não diga que é recém-formada.

— Está no currículo!

— Detalhes.

— Alice...

— Candidate-se.

— Não tenho experiência.

— Você cozinha desde os treze.

— Cozinhar para nós não é experiência profissional.

Bella pegou uma bolacha.

— O risoto dela é melhor que o daquele restaurante italiano.

Elena olhou para a irmã.

— Você reclamou daquele risoto durante duas horas.

— Exatamente. Tenho parâmetros.

Alice apontou para Bella.

— Viu?

Elena olhou novamente para a vaga.

Salário.

Benefícios.

Horário.

Residência particular.

Ela fez mentalmente as contas.

Aluguel.

Faculdade.

Mercado.

Contas atrasadas.

Talvez até pudesse começar uma pequena reserva.

Talvez Bella não precisasse perceber quando Elena deixava de comprar alguma coisa para si.

Talvez Alice pudesse guardar o dinheiro que ganhava costurando.

Talvez...

— Candidate-se — Alice disse mais baixo.

Elena permaneceu olhando para a tela.

— E se eu não conseguir?

Alice deu de ombros.

— Você continua exatamente onde está.

— E se conseguir? — Bella perguntou.

Elena olhou para ela.

Bella sorriu.

— Você vive dizendo que eu preciso ser responsável. Então seja responsável e mande a porcaria do currículo.

Elena arqueou uma sobrancelha.

— Linguagem.

— Mande o bendito currículo.

Alice sorriu.

— Melhor.

Elena respirou fundo.

Abriu o anúncio no computador.

Clicou em CANDIDATAR-SE.

Anexou o currículo.

Hesitou sobre o botão.

Alice colocou a mão sobre a dela.

— Elena.

— O quê?

— Às vezes você precisa parar de pensar em tudo que pode dar errado.

Elena olhou para a amiga.

— Isso parece extremamente irresponsável.

— É por isso que você me tem.

Bella aproximou-se do outro lado.

— E a mim.

Elena olhou para as duas.

— Isso não me tranquiliza nem um pouco.

Bella apertou o botão.

CURRÍCULO ENVIADO COM SUCESSO.

Elena arregalou os olhos.

— BELLA!

A irmã saiu correndo.

— Você não ia mandar!

— Volta aqui!

Bella gargalhava.

Alice também.

— Eu vou matar vocês duas!

— Primeiro consegue o emprego! — Alice gritou. — Precisamos do dinheiro da fiança!

Elena correu atrás da irmã pelo apartamento.

Por alguns minutos, esqueceu o aluguel.

Esqueceu as contas.

Esqueceu o pesadelo.

Esqueceu até de ser responsável.

E riu.


Do outro lado da cidade, Jacob Black estava ajoelhado no chão de uma garagem particular, ajudando Seth a escolher qual carro gostaria de ver primeiro.

Nenhum dos dois sabia da existência do outro.

Ainda.

Mas naquela tarde, com um único clique dado pela pessoa mais irresponsável da casa, o nome de Elena Swan entrou na lista de candidatos para trabalhar na residência da família Black.

E dois mundos que não tinham absolutamente nenhuma razão para se encontrar começaram, silenciosamente, a caminhar um em direção ao outro.