O Outro Mundo
6 6º Capítulo: O traidor
Notas iniciais
A sargento Takada ainda estava desacordada e James estava deitado ao seu lado, atordoado com a queda e gemendo de dor. O tenente Bride correu em direção a eles, porém, ele estava mais preocupado com a companheira que não reagia ao seu chamado e tão pouco as tentativas e reanimação.
-Tenente, cuide desses dois e proteja-os! –Ordenou-lhe Tony, sem desviar os olhos do Alossauro que se aproximava da mulher, Elizabeth, mas esta não abaixava a guarda para a criatura e não parecia nem um pouco a fim de correr.
-Senhora, saia já daí! Corre, vamos! –Gritou Tony para a mulher, mas esta não lhe deu ouvidos e nem desviou seus olhos da criatura. –Mas que teimosa... –Murmurou ele, terminando de recarregar a arma e voltando a atirar na cabeça a criatura, correndo, na tentativa de salvar Elizabeth.
O tenente Bride continuava tentando reanimar a sargento Takada e agora contava com a ajuda de James que se esforçava para manter-se sentado. Porém, o tenente Bride deixou de olhar para as vítimas por alguns instantes e olhou para outra direção. Ele percebeu que Seth estava parado no mesmo lugar, desde que percebeu a incompetência do aparelho.
-Seth, faz alguma coisa! Ajuda o Tony! –Gritou o tenente, desesperado, mas Seth só mantinha aquele velho sorriso de sempre e assistia o Alossauro se aproximar de Elizabeth. –Seth?
Tony continuava correndo e atirando na criatura, mas o Alossauro foi mais rápido e se aproximou primeiro de Elizabeth, que preparou um golpe de machado, mas antes que ela pudesse pensar em acertar a criatura, o Alossauro deu um bote ágil e certeiro, mastigando o corpo da mulher como havia feito com o velho Albert. Nesse momento, James arregalou os olhos e ficou em estado de choque.
-NÃÃOO! –Gritou Tony, desesperado, enquanto assistia o machado de Elizabeth caindo no chão junto com o seu sangue que escorria pela boca do Alossauro.
O Alossauro continuava mastigando, mas algo estranho estava para acontecer. Seth finalmente saiu do lugar e andou, calmamente, até se aproximar da criatura.
-Seth, o que está fazendo? Pare agora mesmo! –Disse Tony, exaltado.
O Alossauro parecia não estar percebendo a presença de Seth e este começou a subir no corpo da criatura, através da calda e escalando até ficar em cima de seu ombro e montar, como se o gigante fosse um mero cavalo pronto para cavalgar.
-O que é isso? –Questionou o tenente Bride, incrédulo, enquanto Tony estava de olhos arregalados para a cena, assim como James.
-Missão cumprida. –Disse Seth, com um ar estranho de satisfação, olhando para Tony que, ao ouvir essas palavras, aponto a arma para Seth. –Opa! Opa! Eu não faria isso. Se você atirar, capitão, esse bichinho vai ficar muito zangado e vai comer você e seus companheiros.
-Desgraçado! Por quê? –Questionou Tony, inconformado e ainda apontando a arma.
-Porque eu estava entediado. –Respondeu Seth com total tranquilidade e cinicamente sorrindo. –Capitão, você entende as coisas bem rápido. Então eu só vou explicar uma vez. Siga em direção ao pôr do sol. E tente não morrer, seria decepcionante. –Concluiu e deu dois tapinhas na lateral do pescoço da criatura que, de imediato, começou a correr para fora dali.
-Maldito! –Murmurou Tony, lamentando por não atirar em Seth e assistindo o homem e seu dinossauro correndo e sumindo de vista.
-Capitão, por que não atirou nele? –Perguntou o tenente Bride, surpreso.
-Porque precisamos estar vivos se quisermos nos vingar. E agora, não era a hora para isso. –Disse o capitão, andando em direção ao tenente e os outros.
O silêncio voltou a se fazer presente e com isso era possível escutar choros vindo de dentro da cabana. Max percebeu isso e seu olhar era de profunda tristeza e revolta. James ainda estava em estado de choque e olhava na mesma direção de onde a criatura havia matado a sua esposa.
-Meninas, podem sair! –Disse Tony em alta voz, vendo as meninas saírem e correrem em direção ao pai que voltou a si e às abraçou, os três desabafando em choros descontrolados.
Tony olhou a cena e depois para o tenente Bride, que retribuiu o olhar em lamento e voltou a olhar para a sargento Takada que estava deitada em seu colo. E lentamente, Louise foi abrindo os olhos e a primeira pessoa que viu foi o tenente Bride, que logo percebeu sua reanimação e se manteve a olhar para ela.
-O que aconteceu? –Perguntou Louise, com uma voz fraca e visivelmente vulnerável.
-O senhor Albert está morto. A senhora Elizabeth, também. –Respondeu o tenente Bride em voz baixa.
Louise arregalou os olhos, espantada e fez força para ficar sentada, então sentiu uma fisgada na perna direita e colocou as mãos sobre ela, mas logo ignorou isso e olhou para o capitão.
-Seth? Onde está ele? –Ela perguntou ao capitão e este olhou para ela sem ousar esconder o seu ódio, mas não se atreveu a falar nada e somente isso fez com que Louise entendesse parcialmente o que havia acontecido.
O dia foi amanhecendo e logo foi possível enxergar o sol surgindo no horizonte. A cabana estava com a porta aberta, mas logo na entrada, Tony e Max faziam a vigilância, com as armas em mãos e machados próximos, ao chão. Eles não se falavam e olhavam apenas para frente, de maneira rígida e implacável.
-Vocês deveriam estar indo para a fortaleza. –Disse James que estava parado na porta e olhava para frente, conforme os outros dois também estavam fazendo.
-Estamos esperando que todos acordem. A noite foi difícil e é melhor que estejam descansados para encararem o trajeto. –Disse o capitão.
-Nós não vamos. –Retrucou James, decidido.
-Como assim não vão? –Questionou o tenente Bride, surpreso.
-Não vamos. É melhor ficarmos aqui. Não temos habilidades nem treinamento, seríamos apenas um peso para vocês.
-Você sabe que aqui também não é seguro? –Outra vez questionou-lhe o tenente.
-Sim. Mas essa é a melhor opção para nós. Vocês precisam resolver essa situação, como oficiais que são. Eu fico e dou o melhor de mim para proteger a minha família. Eu adoraria matar Seth com as minhas próprias mãos. –Disse o homem, com o seu olhar enchendo-se de fúria. –Mas não vou poder. Então, por favor... Acabem com aquele desgraçado por mim. Eu imploro.
-Não precisa nos pedir isso, James. –Disse o capitão, olhando para o homem que agora tinha um olhar mesclado entre fúria e súplica. –Traidores devem morrer, principalmente quando eles agem pela destruição de um lar. Vamos matá-lo, não se preocupe. –Os olhos de Tony brilharam de confiança e ódio.
-Senhor tenente! –Interrompeu-lhes a jovem Paola, com olheiras visíveis e sem qualquer traço de felicidade estampado. –A senhorita Louise está te chamando.
De imediato, Max entrou na cabana e foi em direção a Louise que estava sentada no chão, onde havia passado o resto da noite descansando. Ao ver o tenente, Louise levantou os braços para ele.
-Pode me carregar? Não vou conseguir andar com a minha perna nesse estado. –Perguntou, ela, como se aquilo fosse a coisa mais difícil do mundo de se perguntar.
-Claro, se você prometer não me morder. –Disse o tenente, com um leve sorriso que foi retribuído pela sargento.
-Moça bonita, você já vai? –Perguntou-lhe Suzy, olhando para Louise com uma expressão triste.
-Vou sim, meu anjo. Mas eu volto pra buscar vocês. –Disse Louise, tentando consolá-la.
-Não precisa, moça. Eu só queria que você pegasse o homem mal e prendesse ele. Muito mal, muito mal aquele homem. Papai disse que ele foi o culpado pela morte da mamãe, mas eu não quero que ele morra também. Isso seria muito feio. Ele merece ser preso pra não fazer mais maldades. –Disse a garotinha, com os olhos cheios d’água.
Louise não se conteve e, também com os olhos lacrimejando, abraçou Suzy com intensidade, acariciando a cabeça da menina. Max engoliu em seco a cena, se mantendo forte para não deixar a emoção falar mais alto e tão pouco o ódio que ele sentia de Seth.
Os oficiais deixaram à cabana e tanto Suzy quanto Paola acenavam para eles, enquanto James somente os observava, com um brilho de esperança no olhar. Max se mantinha carregando Louise nas costas e Tony olhava somente na direção contrária a que o sol estava, seguindo exatamente naquela direção, o pôr do sol.
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