O Outro Lado do Livro
20 Quando eu sonhei - Parte 1
Notas iniciais
– Tia, por que você saiu de uma casa tão rica para vir aqui? — perguntou Elena.
– Você é muito criançinha para entender isto meu bem, mas... mas saiba que eu não sai por que eu queria, muitas vezes temos quefazer coisas que não queremos, mas que vão melhorar a vida de muitas pessoas.
Ela continuou brincando como se nada tivesse perguntado.
– Vamo come! – gritou Rebeca para as crianças.
Já eram 12h08min, como o horário passou rápido, nem me toquei.
Achei que todos iriam se juntar a mesa para comer. Pelo menos era assim na casa de Agnes, mas não foi assim aqui. As crianças mais brincavam que comião. E comião no chão, e tals. Eu comi em cima da minha cama, o que foi triste, pois não pude conversar e interagir com alguém.
Enquanto comia vi pela janela do quarto alguém familiar. E quando ele se virou pude perceber quem era. Era ele, Dimitri!
Me abaixei. Não queria que ele me visse. Eu fugir da casa dele para não ver mais ele, e não incomodá-lo. Como ele soube que eu estava... aaa deve ter sido aquele motorista linguarudo.
Quando percebi que ele tinha ido embora, olhei pela janela.
– Ele já foi. – disse aliviada para mim mesma.
Olhei para os lados e adivinha, Dimitri tinha trazido a pequena Emma, e ela tinha me visto. E se já não bastasse me ver, a pequena apontou para mim, e disse:
– Dimitri, á achei!
Quando ela disse isso, eu saltei a janela e tapei a boca dela.
– Shh Shh – falei – Por favor, Emma, não diga para ele que estou aqui. Por favor.
– Por quê? Minha mamãe está desesperada atrás de você. E quando nós soubemos que o motorista tinha te levado para cá ficamos assustados, e o Dimitri sem pensar correu para cá. – ela falou tão rápido que nem entendi muito.
– Que? – pensei – O seu irmão mais velho veio atrás de mim, Emma? É isso que você me falou, baixinha?
– Olha, eu não sei se ele está apaixonado por você. Mas ontem, quando eu estava procurando o sono na cama, eu ouvi ele indo para o seu quarto, e ele estava desesperado quando acordou todos nós para dizer que a senhorita tinha sumido.
– Sério? – fiquei abismada – Mas, querida, não diga para ele que estou aqui, por favor. O que eu ouvi tira qualquer duvida. Ele não gosta de mim meu bem, não gosta.
– Mas...
– Por favor.
Ela pensou rápido e logo disse:
– Tudo bem. Mas, posso vim ver a senhorita.
– Quando quiser.
– Então, fique como meu colar. – ela tirou do bolso um colar que era muito familiar.
Antes que eu pudesse dizer algo, ela saiu correndo, deixando o colar em minhas mãos.
A noite inteira fiquei pensando no que Emma dissera. Será mesmo que ele me ama? Será?
Olhei para o colar que ainda segurava, e ele me era muito familiar sim. Parecia-me um colar que eu tive, ou que... Perai esse é o colar que eu tinha, que entrou no livro. É verdade, que aquela senhora me deu.
– Querida, não vai entrar? Está frio aqui fora. – perguntou Rebeca.
– Só mais um pouquinho.
– Tudo bem. Já vou me deitar.
Fiquei mais um tempo olhando as estrelas.
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