O Outro Lado do Livro

4 Primeiro dia de Aula


Notas iniciais
Ooi ooi ooi!! Hoje a nossa Emily vai pela primeira vez a escola. Ela enfrenta alguns estranhos desafios. E se você acha que o seu primeiro dia numa escola nova, é por que você nunca leu este capitulo. Espero que gostem :3 Beijo da autora :*

Acordei novamente com o mesmo pesadelo de antes, sorte que não os acordei. Tomara que este medo passe logo.

Hoje começaria as minhas aulas, então ao em vez de voltar a dormir comecei a me trocar para a aula.

Não sabia muito bem o que vestir, pois, nunca fui a uma de verdade antes.

Tomei banho.

O tempo em Flenton era muito frio em fevereiro, só esquentava quando era junho, então coloquei um jeans preto com uma camiseta preta e um suéter da Inglaterra de botões. Não sabia passar maquiagem, então não quis me arriscar. Mas, passei um batom rosinha, e passei rímel.

Quando já estava pronta, desci as escadas e fui até a cozinha para tomar o café da manhã.

– Bom diaaa. – falei ao me sentar junto ao balcão.

– Bom dia. – disse Jenna colocando meu prato.

– Cadê o Matt?

– Ele ainda não desceu, mas logo está ai.

Fui comendo, estava muito bom.

Jenna me deu dinheiro para comprar algo na escola, tive que esperar Matt no sofá.

Não estava atrasada, mas da mesma forma é ruim esperar. Jenna disse que raramente ele atrasa.

– Desculpe por ter atrasado tanto. – a voz rápida de Matt descendo as escadas me fez de um impulso levantar do sofá – Tudo bem?

– Sim. – ele veio até mim – Eu só me assustei.

Matt com seu jeito fofo da um sorriso com certeza me achando boba.

Ele vestia uma calça jeans preta, uma camiseta xadrez azul, e um suéter fino azul. Seus cabelos estavam bagunçados, parecendo que ele não se importava muito.

– Vamos?

– Tá.

Fomos até a garagem. Não sabia onde era, mas o segui.

– Achei que íamos a pé.

– Não. Vamos de carro, e eu vou dirigir.

– Vixiiii, hoje que morro. – brinquei.

Ele riu, com seus olhos para baixo.

Parece que sempre está com vergonha, acho que “herdei” isto dele hihi.

Entramos no carro. O carro dele é um Uno Novo fluorescente.

Segurei para não dormir no carro, estava com muito sono.

Os raios de sol já nasciam no horizonte, tive que colocar meus óculos escuros.

– Esqueci de comentar – falou ele enquanto dirigia – adorei a sua roupa, não sabia que minha mãe havia comprado uma dessas.

– Também gostei muito. Alias, este carro não combina muito com você, por que verde? – pergunto com os olhos fixos nele.

– Bom, não é legal se ter um Uno Novo, sem ser assim, diferente. E logo a senhorita vai ganhar o seu!

– O que?

Começo a rir, sem parar mais. Eu dirigindo?

– Pode tirar essa idéia da cabeça, morro de medo! Prefiro pegar carona com o meu irmãozão. – de impulso, dou um abraço nele.

Ainda com os olhos fixo no transito, ele da um beijo em meu braço, enquanto da boas gargalhadas.

Ao mesmo tempo em que vejo que estamos tão perto, sinto uma parede enorme, e com muito arame, entre nós. Como isto é possível?

Me apoio na janela, e assim fico até chegar na escola.

Matt estacionou no estacionamento próprio para alunos da escola. Quando parou, desceu do carro e abriu a porta para mim, >.

– É grande. – comentei ao observar a estrutura da escola.

– Tem que ver dentro.

– É maior por dentro?

– Mais ou menos. – ele ri.

– Agora o que eu faço?

– Agora vamos para a diretoria para você pegar os horários e pegar a fixa.

– Ta.

Tinha uma rampa para subirmos e dermos de cara com um corredor cheio de armários pelos lados.

A diretoria era logo depois da secretaria, foi fácil conversar com eles. Depois me deram uma ficha para os professores assinarem.

– E então? Tudo certo? – perguntou Matt.

– Sim. Pode me levar até a minha sala?

– Mas é claro. Qual é a sala?

– É o... – dei uma olhada no papel que me deram – 2º ano B.

– Esta sala é no segundo andar.

– Oi amor! – uma menina de cabelos loiros beijou Matt nos lábios.

– Ooi. – disse ele sem graça.

Ela usava uma camiseta bege, e uma calça jeans. Seus olhos são azuis e seu cabelo é loiro natural. Sua roupa era linda, usava um jeans preto, com uns rasgos no joelho, tinha uma blusa regata preta por baixo de uma blusa que deixava o ombro a mostra, que era um rosa antigo. Nós pés, era uma sandalinha com tiras

– Desculpa, nem te vi. – soa expressão era de tímida para comigo.

– Tudo bem. – tentei parecer simpática. Acho que está é a namorada de Matt, não quero causar uma má impressão

– Esta é a minha irmã.

– Jura? Essa que é a mais esperada Emily? – sorriu ela superanimada.

– Sim. – falou ele.

Ela sem pensar duas vezes me abraçou forte. Eu era muito baixinha, então teve que se inclinar um pouco.

Depois que o abraço acabou Matt pode apresentar ela para mim.

– Esta é a minha namorada. O nome dela é Lisa. Espero que se dêem bem.

– Claro que vamos nos dar Matt. – ela lhe deu um soquinho.

O sinal tocou. Matt me levou para a minha sala.

Os corredores são muito limpos e organizados. Pelas paredes á muitos cartazes de time de basquete.

– Então, vai ficar bem ai dentro? – perguntou ele fazendo uma expressão preocupada.

– Não sei. Agora que o medo começou.

– Não tenha. O povo é legal.

– Sinto o meu estomago revirar. – coloco a mão na barriga e fecho um dos olhos.

– Queria ficar com você, mas provavelmente minha aula já começou, e preciso ir.

– Então não se preocupe comigo, sei que ficarei bem. – dou um sorriso convincente, mesmo sabendo que meu estomago não parou.

Apresentei-me ao professor e sentei em uma das carteiras vazias.

Todos foram comuns, como se eu não estivesse lá, como se nenhuma aluna nova tivesse entrado.

Às vezes não entendia o que o professor dizia, era muito inglês.

– Agora peguem os seus tablets para pesquisar sobre o site da escola. – falou o professor pegando o seu iPad.

Eu não tinha tablet, não tinham me dito sobre isso, um desespero entrou em mim. Levantei a mão.

– Professor, eu não tenho nenhum tablet. Eu tenho um notebook, poderia usá-lo?

– Desculpe, esqueci de te dar um. Não se preocupe a escola já dá um para cada aluno. – ele da um sorrisinho de lado, como se fosse meu melhor amigo, dou um também.

Ele me deu um iPad branco, e já deu o endereço do site que se deveria abrir.

– Você é aluna nova? – cochichou uma menina ao meu lado.

Demorei um pouco para raciocinar o inglês.

– Sou. – respondi depois de um sorriso.

– Que legal, não sabia, achei que você fosse alguém da diretoria ou algo do tipo.

– Senhoritas olhem para frente, por favor.

As aulas foram compridas e chatas, mas logo chegou o intervalo de almoço.

Estava juntando as minhas coisas para sair da sala e procurar por Matt.

– Quer almoçar comigo? – perguntou a menina que conversou comigo na primeira aula.

– Claro.

Mandei uma mensagem para Matt, dizendo que fiz uma amiga, e comeria com ela hoje.

Seu nome é Lily, e ela é bem gentil.

Estávamos indo para o gramado da escola. Estava muito frio lá fora, mas estava muito quente lá dentro.

Matt e seus amigos, incluindo a namorada, estavam sentados alguns metros de onde eu estava, em uma fonte de água.

Eu e minha nova amiga caminhávamos até chegar em um lugar gostoso de se ficar.

– Você é irmã do Matt, né? – perguntou ela, enquanto andávamos.

– Sim sim, ele é... – antes que eu pudesse concluir a frase, levei um escorregão na grama macia, e cai.

Mas não foi um cair de princesa, foi um cair de se esborrachar no chão, e alem do mais, cai numa ródia de grupinho do terceiro ano, e no colo de um MENINO!!!

Meu coração parou! Fiquei ali parada, como uma idiota, vendo ele me olhar e dar um sorrisinho de canto.

Lily também não se mexeu, creio que também ficou pasma.

Meus olhos só encontravam o do rapaz.

Apertei a grama com uma das mãos, tentando me acordar de alguma forma. Estávamos tão perto um do outro, que podia sentir sua leve respiração.

– Desculpe gata, mas precisa de um convite? – olho para um gayzinho desgraçado que esta á frente de nós.

Lily cai em si e me ajuda a levantar.

Não consigo olhar para ele, nem para ninguém, muito menos para Matt que sinto me seguir.

Corro para os corredores da escola, deixando Lily para traz. Deixando a minha vergonha para traz, tudo tudo!!!

Acho o banheiro feminino e entro em uma das cabines, sento em um dos vasos, e começo á chorar. Não sei por que choro. Talvez por nunca ter chorado pela minha mãe ter desaparecido, nunca ter chorado por me baterem no orfanato, por nunca ter tido um lar, por nunca ter sido reconhecida.

Tudo desaba em mim, como se fosse uma enorme foice.

– Emily! Emily! – a voz de Lily ecoa por todo o banheiro.

Me recuso á falar com ela, então encolho os pés para cima do vaso e prendo o choro.

Ela procura e pergunta, mas não digo nada, então sai do local.

Depois que o sinal bate corro para os corredores, não posso ficar tanto tempo no banheiro, quero ir para casa, deitar na minha cama e dormir, descansar.

De repente paro de sentir as minhas pernas, de repente fico gelada.

Não conseguindo mais andar, arrasto minhas costas na parede, até chegar ao chão. Minha cabeça não para de girar, e sinto borboletas no estomago, não, borboletas não, mamutes.

Matt me acha no fim do corredor, corre até mim e me abraça.

– Não precisa ficar assim... – diz ele – Ninguém viu...

Mas penso: Não estou assim por ele... Não estou assim por ter caído... isto acontece, não é minha culpa...

– Meu estomago dói. – digo colocando a mão onde a dor lutava.

Ele sente minha temperatura, vê que estou muito gelada.

Sinto algo subir a minha garganta, um liquido quente e viscoso, não consigo segura-lo, não consigo prendê-lo dentro de mim.

Tento levantar, para correr até o banheiro, mas não consigo, não dá tempo. E então vomito ali mesmo.

Tento esconder meu rosto dele. Não quero que ele me veja assim, desta forma. Mas ele segura meu cabelo, e direciona minha cabeça para o lado ao contrario de nós.

Fecho os olhos e deixo tudo fluir, sei que não posso parar agora que fiz, sei que não posso fazer nada.

Depois que tudo para, me sinto fraca e tonta. Seguro forte no braço dele, quando tenta me levantar.

Sinto tudo voltar, tudo vir de novo.

Aponto com o dedo indicador para o banheiro feminino, ele entende e vai para lá. Me direciona para o vaso e vomito de novo.

O que esta acontecendo comigo?

– Fique aqui, eu já volto. – diz. Ele prende o meu cabelo com um prendedor e sai.

Quero dizer para ele não sair, para ele não me abandonar ali.

De repente, tudo acabada de novo, limpo minha boca, e tento me apoiar na parede para levantar. Missão que foi completada com devido sucesso. Vou até a pia e lavo minha boca.

No espelho, está estampada uma menina pálida, de cabelos mortos, e uma expressão de morta.

Sim. Essa sou eu.

Passo um pouco de água gelada no rosto. Sinto pequenas gostas escorrendo pelo meu pescoço, até encontrar a blusa.

Minhas pernas ficam bambas de novo, e caio no chão.

Notas finais
Se gostou do meu trabalho, tenho algumas histórias de apenas um capitulo no meu perfil, também acessem meu blog, gostarei de saber que estão seguindo: http://sabedoria-a.blogspot.com.br/ - Deixem comentarios, isso me faz postar mais. Beijos da autora Miri :*