O Outro Lado do Livro
2 Fome: Junta as Pessoas
Notas iniciais
Rocei meu pulso no olho. Olhei para o relógio de mesa que se encontrava no Criado Mudo, 03h01min marcava nele.
Por que sempre que durmo acordo esse mesmo horário? Será algo comigo?
Senti meu estomago roncar forte. Deve ser por eu não ter comido muito no jantar. Senti um pouco de vergonha de comer de mais e eles me mandarem de volta para o orfanato, não quero sair daqui.
O barulho do meu estomago soou por todo o quarto. Até que decidi descer e comer algo.
Peguei meu roupão vermelho claro, e calcei as delicadas macias pantufas rosinhas. Tudo isso foi o que a minha família comprou para mim.
Com cuidado abri a porta do quarto. Sem fazer nenhum barulho a fechei. Mesmo sem fazer nenhum tipo de barulho com as pantufas, andei nas pontas dos pés, e fui bem devagar até a cozinha. Só lá que parei de andar nas pontas dos pés, e acendi a luz.
Abri a geladeira. Estava um pouco incomodada de invadir a casa deles deste jeito, mas mesmo assim estava com muita fome. Peguei um pedaço de pizza que havia sobrado da janta anteriormente. Me servi com um copo d’água, e pizza em um prato raso.
– OPA. – a voz de Matt soou bem alto para mim. Parecia um policial me pegando roubando o banco.
Com o susto deixei cair tudo no chão.
– Me desculpe me desculpe, me desculpe! – repeti varias vezes enquanto pegava o que havia caído.
Rapidamente ele pegou um pano úmido e começou a limpar o que estava sujo no chão.
– Não precisa pedir desculpas como se eu fosse te bater. – falou ele enquanto limpava o chão – Aqui é sua casa agora, ninguém vai te fazer mal aqui. Eu não deixaria.
– Desculpe. – corei.
– Desculpe por ter te assustado. Não era a minha intenção. – nos olhamos. E senti como é bom ter um irmão tão querido comigo.
– Bom, se quiser eu posso comer essa pizza.
– Ta louca? Agora deve estar cheia de micróbios.
– Para não desperdiçar. – expliquei.
– Olha Emily, você quer comer essa pizza nojenta, que acabou de cair no chão, que agora deve estar cheia de cabelos, cheia de pó, e provavelmente vai te fazer super mal?- perguntou ele se levantando. Fiz que não com a cabeça – Então não precisa comer. Ninguém vai te obrigar a fazer algo que não queira.
Fiquei tão envergonhada. Como alguém poderia ser tão querido como alguém como eu, que acabou de entrar na casa dele?
– Posso te abraçar? – perguntei meio envergonhada.
Achei que ele falaria que não. Mas para a minha surpresa, ele me abraçou forte, sem nem mesmo responder.
– Nem precisa pedir. Quero que você saiba Emily, que eu Te Amo muito. Você é a irmãzinha que eu pedi a Deus para receber. E ele concedeu o meu pedido, me dando mais que um presente, e sim um anjo.
Ficamos alguns segundos abraços. Meu Deus, como é bom abraçar alguém que te quer por perto, que te ama.
– Ééééér, você deve estar com fome, vou pegar uns bolos para a gente.
– Ta ok. Ah, e eu sei que é um pouco irônico dizer isso, já que você disse para eu não falar mais, mas, desculpe por ter te acordado.
– Não, eu já estava acordado, só ouvi seus passos e pensei que poderia precisar de algo.
– Ata, obrigada.
Ele trouxe um pedaço de bolo em cada prato, e dois copos de suco.
Dei uma garfada no bolo e experimentei.
– Nossa que delicia. – falei antes de pensar. Ele riu, provavelmente por eu ter sido tão espontânea.
– Foi a nossa mãe que fez. – primeiro fiquei com um ponto de interrogação na cara, mas depois eu entendi o que ele quis dizer com “nossa mãe”.
– Sério? Ela tem mãos de fadas.
– É sim. Mas ela só sabe fazer doces, já comida comum, não digo nada.
– É muito ruim? – perguntei.
– Não. É horrível. – nós dois rimos.
Depois de comermos, Matt fez questão de lavar a louça sozinho, depois subimos e fomos para os nossos quartos.
Quando eu dormia no orfanato ficava imaginando como seria ter uma casa, agora eu sei.
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